TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Análise Técnica, Biofísica E Sócio-
Económica do Lado Angolano Da
Bacia Hidrográfica do Rio Cubango:
Subsídio Para o Conhecimento
Hidrogeológico
Relatório de Hidrogeologia
Gabriel Luís Miguel
Agosto de 2009
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TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
ANÁLISE TÉCNICA, BIOFÍSICA E SÓCIO-ECONÓMICA DO LADO
ANGOLANO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO CUBANGO:
SUBSÍDIO PARA O CONHECIMENTO HIDROGEOLÓGICO
RELATÓRIO DE HIDROGEOLOGIA
O CONSULTOR: GABRIEL LUÍS MIGUEL
AGOSTO DE 2009
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AGRADECIMENTOS
Agradeço à FAO pela oportunidade que nos deu em poder participar nesta Análise
Técnica, já que permitiu ­ nos conhecer situações que do outro modo jamais seriam
possíveis.
À Universidade Agostinho Neto, mais concretamente à Faculdade de Ciências, por
apoiar-nos nesta nobre missão de buscar dados de referência e de permitir que
estudantes pudessem auxiliar o Consultor neste trabalho dedicado à disciplina de
Hidrogeología.
Aos estudantes Samba Clotilde Franga, Benvindo Martins, assim como ao Professor
Adriano Gaspar Adão por terem feito parte da equipe de campo na última fase da
Análise Técnica.
Há todos aqueles que sempre estiveram disponíveis para os grandes desafios no marco
desta Analise Técnica, quero igualmente tornar-lhes extensivos estes agradecimentos.
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ÍNDICE
AGRADECIMENTOS.................................................................................... 3
RESUMO .................................................................................................. 6
1.0 ­ Introdução e Objectivos ..................................................................... 7
2.0 ­ Metodologia ..................................................................................... 8
3.0 ­ Antecedentes ................................................................................... 9
3.1 - Antecedentes Sobre Dados Meteorológicos ............................................................9
3.2 - Antecedentes Sobre Dados Hidrogeológicos ..........................................................9
4.0 ­ Descrição Geral da Área de Estudo .................................................... 11
4.1 - Localização............................................................................................................11
4.2 - Clima .....................................................................................................................13
4.3 - Solos ......................................................................................................................13
5.0 ­ Geologia Da Área ............................................................................ 14
6.0 ­ Hidrogeologia ................................................................................. 20
6. 1 - Inventário De Pontos De Água.............................................................................20
6.2. - Níveis Piezométricos ............................................................................................22
6.3 - Fluxos Subterráneos ..............................................................................................23
6.4 - Enquadramento Hidrogeológico Da Porção Angolana Da Bacia..........................24
6.5 - Recarga No Sistema Aquífero ...............................................................................27
7.0 - OBSERVAÇÕES CONCLUSIVAS ............................................................... 28
8.0 ­ RECOMENDAÇÕES.............................................................................. 29
BIBLIOGRÁFIA .......................................................................................... 30
ANEXOS: ............................................................................................... 31
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LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Inventário de Pontos de Água......................................................................... 20
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Localização da área de estudo ....................................................................... 12
Figura 2: Mapa geológico montado com base na cartografia realizada a escala de
1:1000.000, (Bacia do Rio Cubango ­ porção Angolana)............................................... 16
Figura 3: Esboço litoestratigráfico realizado nas localidades de Chicala Choloanga,
Chinhama e Chitembo (parte porção Angolana da Bacia do Rio Cubango)................... 17
Figura 4: Esboço litoestratigráfico realizado durante os levantamentos de campo, nas
localidades de Kuvango, Kuando Kubango e Cuito Cuanavale (parte porção Angolana
da Bacia do Rio Cubango) .............................................................................................. 18
Figura 5: Perfil hidrogeológica realizado com base no Mapa Hidrogeológico a escala
1:250.000 ........................................................................................................................ 23
Figura 6: Perfil hidrogeológica realizado com base no Mapa Hidrogeológico a escala
1:250.000 ........................................................................................................................ 24
Figura 7: Esboço da Porção angolana da bacia, com os tipos de aquíferos mais
representativos, individualizados pelo Grupo de Hidrologia, durante o exercício da ACA
(2008).............................................................................................................................. 25
Figura 8: Mapa Hidrogeológico correspondente a porção angolana da bacia do
Cubango, montado por PAGSO (2008) a partir do Mapa Hidrogeológico de Angola à
escala 1:250.000 (Mac Donald & Partners Limited, 1989).............................................. 27
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RESUMO
Com base no mapa hidrogeológico de Angola à escala 1:250.000 e nos trabalhos de campo
realizados no marco da Análise Técnica (AT), foram reunidos subsídios que permitem fazer
alguns julgamentos de valor, ainda que de tipo elementar, para a futura caracterização
hidrogeológica dos principais sistemas aquíferos identificados na porção angolana da Bacia
Hidrográfica do Rio do Cubango (BHRC).
O inventário de pontos de águas realizados pelo autor deste trabalho, nos 11 locais
seleccionados, põe de manifesto a existência de aquíferos suspensos para além do aquífero
mais profundo representativo da região.
Os perfís hidrogeológicos realizados com direções (NW-SE e SW- NE), representativo para a
parte a montante e a juzante da porção angolana da bacia hidrográfica assim como os
esboços de colunas litoestratigráficas levantadas na área estudada, sugerem a não existência
de uma conexão hidráulica entre o nível de base do rio Cuito, com o aquífero mais profundo
constituído fundamentalmente pelos depósitos do Klahari, principalmente na parte mais à
jusante.
O aquífero mais profundo, funciona como um sistema único, de tipo multicamada e considerado
como livre. Apesar deste, existe também para a área estudada, o aquífero de tipo fracturado,
localizado na parte mais à Norte.
Estudos complementares deverão ser feitos, para uma caracterização mais completa dos
sistemas aquíferos identificados no âmbito da presente AT.
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1.0 ­ Introdução e Objectivos
Para que o desenvolvimento seja realmente sustentável, é necessário que se quantifiquem as
disponibilidades dos recursos hídricos.
Para estimar os impactos produzidos nos Ecossistemas, derivados essencialmente pelos usos
múltiplos da água numa bacia hidrográfica, o balanço hídrico, constitui uma das grandes
ferramentas do estudo. Para realizar esta tarefa é necessário que todas as componentes do
ciclo hidrológico sejam fruto de análise, para que os resultados e as posteriores decisões que
se tomem sejam as mais verosímeis.
Em muitos casos de estudos, a componente subterrânea do ciclo é negligenciada, em
detrimento única e simplesmente da componente superficial.
Em geral, o conhecimento do meio físico, deverá constituir a base de suporte da informação.
Em alguns casos este conhecimento não existe, devido a grande lacuna de dados. No marco
da AT realizada na porção angolana da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango, apesar da grande
lacuna de informação relacionada com a componente subterrânea do ciclo hidrológico, reuníu-
se alguma informação hidrogeológica, que juntamente com outros estudos que eventualmente
se venham a realizar no futuro, contribuirão para a caracterização dos sistemas aquíferos
existentes na área da bacia hidrográfica.
Com base na observação geológica de campo e no inventário de pontos de água realizado em
11 áreas distribuídas na porção angolana da bacia (Chicala Choloanga, Chinhama, Chitembo,
Cuvango, Cutato, Cuchi, Cuelei, Menongue, Capico, Mucundi e Cuito-Cuanavale) foram
elaborados colunas litoestratigráficas (esboços) e perfis geológicos que põem de manifesto
alguns aspectos hidrogeológicos importantes.
A reduzida quantidade de captações de águas subterrâneas nos pontos inventariados, a
dificuldade na medição de alguns níveis piezométricos e na realização de ensaios de
bombagem e recuperação, impossibilitaram o cálculo de alguns parâmetros hidráulicos como a
permeabilidade (K) e a transmissividade (T). Apesar do descrito no parágrafo anterior, para as
áreas inventariadas, especificamente as constituídas pela formação geológica do Kalahari, os
níveis piezométricos medidos não representam de forma alguma o nível regional.
O objectivo principal AT consiste na busca de elementos que possibilitem a caracterização
hidrogeológica dos principais sistemas aquíferos existentes na parte angolana da Bacia
hidrográfica do Rio Cubango.
Para cumprir com os objectivos descritos, desenhou-se uma metodologia de trabalho que se
descreve no ponto 2.0 deste relatório.
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2.0 ­ Metodologia
Para realizar as actividades descritas neste relatório, desenvolveu-se uma metodologia de
trabalho, que passou essencialmente pela consulta bibliográfica para o conhecimento dos
antecedentes de tipo climático, hidrogeológico e hidrogeoquímico da área de estudo, assim
como o inventário de pontos de água nas áreas seleccionados à nível da porção angolana da
bacia hidrográfica.
Os mapas geológicos e hidrogeológicos existentes, são de pouco detalhe (1:1000.000 e
1:250.000 respectivamente), o que significa que vários aspectos de carácter hidrogeológico e
de pequena distribuição espacial, não estão neles representados.
Para clarificar certas situações, foi realizado para cada uma das áreas o levantamento
geológico de algumas secções, para a elaboração de perfis e esboços de colunas litológicas,
que ajudaram a compreender com maior detalhe os aspectos relacionados com a hidrogeologia
da área, no seu todo.
Para o inventário de pontos de água, não obstante ao trabalho de campo realizado pelo
Consultor e seus auxiliares, contou-se igualmente com inquérito realizado à nível das
administrações locais, a informação da população e a consulta efectuada junto do Ministério da
Geologia e Minas, especificamente o Instituto Nacional de Geologia (INAGEO).
A realização de ensaios de bombagem e recuperação nos poços mais representativos das
áreas inventariadas, tarefa que se enquadra dentro do inventário de pontos de água, não foi
efectuado, devido a inexistência nas referidas captações de água, do orifício que possibilita a
medição dos níveis piezométricos durante os respectivos ensaios.
Para esta fase do trabalho não foram contempladas a recolha e posterior análise química das
águas subterrâneas.
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3.0 ­ Antecedentes
Com a consulta bibliográfica realizada, classificou-se a informação disponível, em função do
grau de importância das mesmas para o estudo, segundo os sub-índices descritos neste
capítulo
3.1 - Antecedentes Sobre Dados Meteorológicos
Consultas realizadas a nível do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica de Angola,
(INAMET) assim como nas Administrações locais, permitem afirmar que existe grande lacuna
referente aos dados meteorológicos.
Segundo o relatório apresentado pelo grupo de hidrologistas, no quadro do exercício de
Avaliação de Caudais Ambientais (ACA), isto no âmbito de implementação do Projecto de
Protecção Ambiental e Gestão Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango / Okavango
(PAGSO), os dados de precipitação existentes para a área da bacia, (parte Angolana)
representam apenas uma série de 12 anos hidrológicos.
Para os dados relacionados com a temperatura, humidade relativa e insolação, a situação em
alguns casos é ainda mais dramática, com dados incompletos e séries inferiores à 10 anos.
Para os dados relacionados com os caudais dos rios que compõe a parte angolana da bacia
hidrográfica, o relatório do grupo de hidrologia (GH, 2008), faz referência apenas de 24
estações hidrométricas com informação recolhida disponível, correspondente a uma série de
12 anos. Algumas das estações referidas iniciaram a recolha de informação em 1957, enquanto
que outras somente a partir do ano de 1962.
Das 24 estações mencionadas no parágrafo anterior, actualmente só 5 estão em
funcionamento (Cuchi, Menongue I (Rio Cuebe) e Menongue II (Rio Luahuca), Caiundo e
Capíco) e 7 estações (Chinhama, Cutato, Cuvango, Cuelei, Mucundi, Cuito-Cuanavale e Diríco)
serão reabilitadas numa segunda fase.
Para os estudos hidrológicos, os clássicos estabelecem um período de cerca de 30 anos de
dados observados, para que os resultados possam realmente estar mais próximo da realidade
dos fenómenos em análise.
Investigações realizadas em projectos anteriores na área de estudo, fazem-se referência de
métodos combinados utilizados para suprir esta lacuna. Dentre os referidos métodos,
destacam-se o uso de dados meteorológicos obtidos através de informação de satélite e os
medidos nas estações.
3.2 - Antecedentes Sobre Dados Hidrogeológicos
Poucos são os trabalhos hidrogeológicos realizados na área de estudo, quando comparados
com outras regiões do sul de Angola, como a do Cunene, Huíla e Namíbe.
Trabalhos não publicados, consultados na biblioteca dos antigos Serviços Geológicos de
Angola, (actual Instituto Nacional de Geologia ­ INAGEO), fazem referência para a área de
estudo, da existência de algumas captações de águas subterrâneas de pequeno diâmetro e
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grande profundidade, sem especificar as suas coordenadas geográficas, nem mesmo os
correspondentes níveis piezométricos.
As características hidrogeológicas das formações aquíferas existentes na porção angolana da
bacia, foram pouco ou quase nada estudado. Existe uma grande lacuna de informação também
nesta área do saber. Não obstante, alguma informação encontra-se sintetizada no Mapa
Hidrogeológico à escala 1:250.000, produzido em 1989, pela equipa de Mac Donald & Partners
Limited (UK) e HIPROJECTO, Consultores de Hidráulica e Salubridade S.A., no âmbito do
projecto da SADC "Hydrologic Assessment of Sub-Saharan Countries".
Uma das bases utilizadas na elaboração do Mapa Hidrogeológico referido no parágrafo
anterior, são os dados correspondentes a 2000 sondagens (com distribuição espacial bastante
irregular) obtidos da Hidromina e da UNICEF.
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4.0 ­ Descrição Geral da Área de Estudo
Nesta secção far-se-á uma análise sobre os aspectos relacionados com a localização,
fisiografia e o clima, respectivamente.
4.1 - Localização
Localizada na África subsahariana, a Bacia Hidrográfica do Rio Cubango/Okavango, enquadra-
se na definição de bacia transfronteiriça e é partilhada por três países, nomeadamente: Angola,
Namíbia e Botswana.
A Bacia Hidrográfica cobre uma área total de 413.500km². Do total da área descrita, a parte
hidrológicamente activa correspondente para os três países (Angola, Namíbia e Botswana),
perfaz 323.192 km². Para a parte angolana da bacia, a área hidrologicamente activa
corresponde a 170.000 km². Considerando a componente da área de recepção do
Okavango/Cubango, por países, Angola possui a maior área funcional, representada por
38,7%, com o escoamento de 94,5%, seguido da Namíbia com 4,1% de área funcional e 2,9%
de escoamento, e por último o Botswana, com 3,8% de área funcional e 2,6% de escoamento
respectivamente. (Obeid e Mendelsohn, 2004).
Para a realização da AT no lado angolano da BHRC, foram seleccionados 11 pontos,
localizados em quatro províncias nomeadamente: Huambo (Chicala Choloanga e Chinhama),
Bié (Chitembo), Huíla (Cuvango) e Kuando Kubango (Cutato, Cuchi, Cuelei, Menongue,
Capico, Mucundi e Cuito Cuanavale), como se pode observar na figura 1.
Do ponto de vista topográfico a área estudada é caracterizada por duas grandes regiões,
nomeadamente a de altitude de cerca dos 1700 metros, correspondente a parte das províncias
do Huambo, Bié e Huíla e cerca de 1000 metros representativo para Nankova, situada esta
última na província do Kuando-Kubango.
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TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Figura 1: Localização da área de estudo
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Figura 1 ­ Localização da área de estudo (Bacia do Rio Cubango ­ porção Angolana) com a
localização dos 11 pontos seleccionados para o estudo.
Os cerca de 700 metros de diferença de altitude entre as duas regiões demarcadas, demonstra
uma vez mais a grande variação de altitude existente entre elas. A primeira enquadra-se dentro
da área de captação activa, enquanto a segunda no domínio da área de captação inactiva
(Obeid e Mendelsohn, 2004).
4.2 - Clima
A grande variação de altitude, ao longo da extensão da bacia, é um dos elementos
condicionantes na variação climática da mesma. Assim desde à montante até a parte mais à
jusante da porção angolana da bacia, caracterizam-se áreas de dois tipos de clima
predominantes.
O primeiro, caracterizado por valores médios de precipitação em torno dos 100 mm/mês, com
temperaturas médias mensais de 22ºC, (correspondente à dados medidos na Estação
Climatológica do Chitembo) enquanto o segundo é caracterizado por valores de precipitação de
cerca de 51 mm/mês, sem variação de temperaturas médias em relação ao primeiro tipo, e
com humidade relativa média de 48%.
Os valores descritos no parágrafo anterior, permitem classificar os dois tipos de clima em:
húmido à sub- húmido , representativo para a região designada por Alto Cubango ( Chitembo,
Cuvango e Menongue), e para o segundo um clima de tipo semi-arido à árido, para a região
denominada por Baixo Cubango (Mucundi, Cuangar,Dirico e Mucusso).
4.3 - Solos
De um modo geral, os solos guardam uma relação com o tipo de litologia existente na área, já
que por definição eles são o fruto de alteração das rochas pré-existentes, associados na maior
parte das vezes, com matéria orgânica.
A porção angolana da bacia, esta caracterizada por 4 tipos de solos, nomeadamente os
arenosos, ocupando a maior distribuição espacial, seguidos dos solos ferralíticos, distribuídos
na parte NW, enquanto que e em menor distribuição espacial estão os solos fluviais
(aluvionares) e por último os solos cálcicos, situados no extremo mais a sul da porção angolana
da bacia.
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5.0 ­ Geologia Da Área
Do ponto de vista geológico, individualizam-se para a área de estudo, distintas formações, de
idades compreendidas entre o Pré-câmbrico ao Pleistocénico. Muito embora, as sequências
mais antigas não aflorem em muitos dos pontos, justificado pela magnitude das espessuras das
formações de cobertura, com especial destaque para os depósitos do Kalahari, em alguns
vales de rios, as rochas pré-Cambrianas são visíveis.
A história geológica da região esta marcada com a formação de rochas graníticas e granitoides
do Precâmbrico, que constituem fundamentalmente o substrato da área.
Estas formações antigas, foram através dos tempos geológicos, penetradas por rochas básicas
ou ácidas, estando na maior parte dos casos, a subida destas rochas ligadas aos vários
episódios de tectónica regional.
As características geológicas estabelecidas durante quatro períodos importantes, dominam a
área no sistema do Rio Cubango e as suas zonas limítrofes: Grupo Kalahari (65 milhões de
anos); Grupo Karoo (300 a 180 milhões de anos); Grupo Damara (700 a 550 milhões de anos);
Rochas mais antigas
(2.500 milhões e os 1.800 milhões).
No início do Proterozoico médio formaram-se granitos migmatitos alcalinos, alguns deles
identificados à montante da bacia.
No final do proterozoico inferior e durante o Proterozoico médio, depositou-se a sequencia
sedimentar e vulcano-sedimentar, embora sem grande expressão na Bacia do Cubango,
quando comparado com outras bacias hidrográficas antigas, como por exemplo a Bacia do
Cunene, com os sedimentos Cahama-Otchinjau.
A tectónica distensiva, que ocorreu no Mesocenozóico, processo que caracterizou a abertura
do Atlântico Sul e processos epirogenéticos ainda anteriores, levaram a génese das bacias
costeiras e intracratónicas continental interior respectivamente. Desde o Carbónico superior ao
Cretácico inferior, geraram-se várias sequências sedimentares.
Para a Bacia do Cubango, destaca-se a série detrítica do grupo do Kalahari (Terciário), areias,
aluviões e depósitos de sopé de vertente.
Na grande maioria da sua extensão, o rio serpenteia pelas areias do Kalahari e por outro
sedimentos depositados nos últimos 65 milhões de anos. São ainda verificadas a distribuição
de dunas que foram moldadas durante períodos áridos anteriores.
Em geral do ponto de vista geológico, observa-se uma monotonia no que diz respeito as
variações litológicas constituintes da parte angolana da bacia exceptuando a parte NW, aonde
as variações de rochas de tipo magmáticas são mais expressivas (granitos biotiticos, riolitos,
noritos e doleritos), embora também com pouca distribuição areal, como se pode observar no
mapa geológico representado na figura 2.
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TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Em algumas secções visitadas durante os levantamentos de campo realizados, foi possível
colher informação referente a litoestratigrafia; assim foram observadas solos de tipo lateríticos.
Estes solos possuem como constituinte químico principal o hidróxido de Ferro e de Alumínio. A
formação deste tipo de solos esta relacionado com a meteorização química que ocorre em
climas de tipo tropical quente e húmido.
Importa ressaltar que alguns parâmetros relacionados com a maior ou menor facilidade de
circulação das águas (K), guardam uma relação estreita com o tipo de solos existente. Para o
caso dos solos lateríticos os mesmos dificultam esta facilidade.
As argilas, algumas vezes intercaladas com areias de granulometrías médias à finas, com
cores variadas, desde amarelo-acastanhadas à pretas, foram igualmente identificadas nas
várias secções estudadas.
Areias de granulometría variada, assim como depósitos não consolidados foram igualmente
identificados nas várias secções levantadas. As espessuras são bastantes variadas,
dependendo das espessuras dos afloramentos visitados, mais de uma forma geral, para as
intercalções de argilas e areias, as mesmas variam desde a escala centimétrica à algumas
dezenas de metros.
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Figura 2: Mapa geológico montado com base na cartografia realizada a escala de 1:1000.000, (Bacia do Rio
Cubango ­ porção Angolana)
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Figura 3: Esboço litoestratigráfico realizado nas localidades de Chicala Choloanga, Chinhama e
Chitembo (parte porção Angolana da Bacia do Rio Cubango)
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Figura 4: Esboço litoestratigráfico realizado durante os levantamentos de campo, nas
localidades de Kuvango, Kuando Kubango e Cuito Cuanavale (parte porção Angolana da Bacia
do Rio Cubango)
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Como se podem observar nos esboços representados nas figuras 3 e 4, as informações
recolhidas, testemunham o carácter detrítico para cada um dos pontos levantados, enquanto
que as formações de tipo graníticas aparecem maioritariamente na base, confirmando deste
modo os reduzidos afloramentos desta ultima na maior parte dos pontos levantados.
Este elemento é considerado positivo se quisermos encontrar algumas propriedades
importantes na definição de aquíferos caracterizados por uma porosidade de tipo primária,
aspectos que serão ressaltados no capítulo relacionado com a hidrogeologia.
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6.0 ­ Hidrogeologia
A informação de carácter hidrogeológica que se resume neste capítulo foi obtida, tendo em
conta as observações de campo, as informações do mapa hidrogeológica a escala 1: 250.000,
assim como o inventário de pontos de água realizado pelos autores deste trabalho.
6. 1 - Inventário De Pontos De Água
Dados relacionados com a distribuição das captações de águas subterrâneas na parte
Angolana da Bacia, não foram encontrados na bibliográfica consultada, embora alguns
relatórios não publicados fazem referência a existência de pontos de águas de origem
subterrânea, sem mencionar as suas coordenadas, nem mesmo os parâmetros hidráulicos (K,
T, S) com eles relacionados. o coeficiente de armazenamento (S) é também um dos elementos
de grande interesse na caracterização dos aquíferos. Para as áreas seleccionadas no marco
do AT (Análise Técnica), foi realizado inventário de pontos de águas, cujos resultados são
descritos nos sub-capítulos que se apresentam a seguir.
O inventário completo de pontos de água está representado na tabela 1. A recolha da água e
análise dos parâmetros físico-químicos não foram objecto de análise no quadro do presente
trabalho.
Tabela 1: Inventário de Pontos de Água
Porção Angolana Da Bacia Do Rio Cubango
Tabela 1: Inventário de Pontos de Água
Prof. Cota da Diâmetro
Cota do Prof. nível Prof. nível
água
Ø
Ponto
Localidade
Coordenadas
solo
estático
dinâmico poço
Observações
(msnm)
(m)
(m)
(msnm)
(m)
(m)
13º 06' 55,1'' S
Caudal mantém-se
Chinhama / Riacho
Esp.1
1653
constante ao longo
Ndondela
16º 26' 25,2'' E
do ano
13º 06' 3,1'' S
Pontos de água superficiais canalizados para uma
Chinhama / Riacho
Esp.2
1685
micro-bacia, a partir da qual faz-se o abastecimento a
Vilengo
população e alimenta o rio cubango
16º 25' 45'' E
13º 06' 33,3'' S
Chinhama / Riacho
Esp.3
1668
Ngando
16º 25' 23,1'' E
13º 06' 15,5'' S
Seca durante a
Esp.4
Chinhama Centro
1706
estação Seca
16º 25' 47,1'' E
14º 27' 59,9'' S
Poço escavado e
Esp.5
Cuvango / Palácio
1464
7,70
2,0
revestido
16º 17' 25'' E
20

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
14º 27' 46,9'' S
Esp.6
Kuvango
1480
14,0
21,09
Fora de uso
16º 17' 25,4''
14º 28' 4,9''
Poço escavado e
Esp.7
1460
revestido
16º 17' 17,8''
14º 28' 00'' S
Esp.8
Cuvango / Zona 2
1558
4,92
1,0
16º 17' 14,3'' E
Poço escavado não
14º 27' 57,5'' S
revestido
Esp.9
1452
3,77
1,0
16º 17' 1,5'' E
14º 28' 3,7'' S
Cuvango / Centro
Poço escavado e
Esp.10
1471
1,0
Hospitalar
revestido
16º 17' 32,7'' E
15º 10' 28,5'' S
Esp.11
1179
19º 10' 49,1'' E
Pequenas escavações, cujo diâmetro e profundidade
15º 10' 29,1'' S
não é superior a 1,0 m. Localizadas na planície de
O nível estático é
inundação do rio Ntiengo.
menos profundo
Esp.12
1179
em estações
19º 10' 50,3'' E
chuvosas.
15º 10' 26,9'' S
Cuito Cuanavale /
Esp.13
1178
Cambamba
19º 10' 52,8'' E
15º 10' 29,4'' S
Esp.14
1179
19º 10' 50'' E
Pontos de água superficiais
15º 10' 29'' S
Esp.15
1182
19º 10' 51,5'' E
15º 08' 54,1'' S
Esp.16
1181
1,0
19º 10' 44,2 E
Poços escavados e
15º 08' 51,4'' S
revestidos.
Esp.17
1185
1,0
Localizam-se
próximo a planície
19º10' 45,2'' E
de inundação
15º 08' 47,1'' S
Esp.18
1188
2,52
1,0
Cuito Cuanavale / 19º 10' 47,6'' E
Cambambe
15º 09' 10,9'' S
Esp.19
1182
19º 10' 29,8'' E
15º 09' 13,3'' S
Esp.20
1179
Pequenas escavações, cujo diâmetro não é superior a
19º 10' 30,8'' E
1,0 m e a profundidade é inferior a 1,5 m. Localizadas
na planície de inundação do rio Cuito Cuanavale
15º 09' 19,7'' S
Esp.21
1177
19º 10' 32,2'' E
14º 40' 0,2'' S
Menongue/
Esp.22
1451
7,8
36
0,12
Tchipompo
17º 30' 38,8'' E
21

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
14º 40' 0,9'' S
Poço escavado.
Esp.23
1432
7,0
1,0
Localizado na
planície de
17º 30' 41'' E
inundação
Menongue/
14º 40' 28,1'' S
Esp.24
Próximo ao
1371
5,41
0,14
Poço abandonado
Cemitério
17º 40' 19,3'' E
14º 40' 44,9'' S
Esp.25
1368
5,67
0,11
Menongue / Bairro 17º 40' 46,8'' E
Boa Vida
14º 40' 47,3'' S
Poço escavado não
Esp.26
1367
>0,52
revestido
17º 40' 36,8'' E
13º 30' 20,8'' S
Seca durante as
Esp.27
1652
estações secas
16º 45' 00'' E
13º 30' 21,5'' S
Esp.28
1655
10,19
0,5
16º 45' 5,7'' E
Poço escavado não
13º 30' 22,7'' S
revestido. O nível
Esp.29
1653
10,1
0,7
estático é mais
Chitembo / Bairro
profundo durante
16º 45' 7,2'' E
Piloto
estações secas
13º 30' 47,5'' S
Esp.30
1633
8,4
0,78
16º 45' 17,5'' E
13º 30' 46,6'' S
Esp.31
1636
8,36
0,9
Poço escavado não
16º 45' 17,2'' E
revestido. Fica
13º 30' 45,6'' S
seco durante
estações secas
Esp.32
1633
8,56
17
0,9
16º 45' 16,6'' E
6.2. - Níveis Piezométricos
Do inventário de pontos de água, observou-se que, os níveis piezométricos se situam no
intervalo entre os 3 metros para a zona do Cuito ­ Cuanavale e 14 metros para a zona do
Cuvango. Os pontos inventariados na zona do Cuito-Cuanavale situam-se na extensa planície
de inundação do rio Cuito. A profundidade máxima das captações inventariadas é de 36 metros
e a mínima é de 7 metros, ambas situadas na mesma área geográfica (Menongue -
Tchipompo).
De uma forma geral, as captações menos profundas são de maior diâmetro e denominam-se
localmente por "Cacimbas". Construídas a maior parte pelas próprias comunidades, muitas sem
qualquer revestimento nas suas paredes nem um sistema de protecção adequado, constituem
as únicas fontes de abastecimento de água para as comunidades (Anexos fotografia 1) As
captações de águas subterrâneas mais profundas são de pequeno diâmetro e foram
construídas maioritariámente pelo Estado angolano e Organizações Não Governamentais.
22

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Estas captações encontram-se protegidas, possuem sistemas de extracção e as suas
construções contemplam perímetros de protecção como se pode observar na fotografia 2 dos
anexos.
Os dados geológicos observados no campo e representados nos esboços litoestratigráficos das
figuras 3 e 4, a distribuição geográfica dos pontos inventariados e suas respectivas
profundidades, assim como o perfil hidrogeológico realizado com base no Mapa Hidrogeologico
a escala 1:250.000, sugerem que os níveis piezométricos medidos nos poços inventariados,
não correspondem ao nível piezométrico regional, mais sim a níveis suspensos.
Em função das profundidades dos níveis piezométricos e da litoestratigrafia representativa de
alguns sectores visitados (constituída maioritariamente por formações detrítica ­ depósitos do
Kalahari) os resultados obtidos sugerem igualmente para estes sectores a existência de um
único aquífero, de tipo livre que funciona como uma multicamada.
Noutros sectores igualmente inventariados, apesar de localizarem-se em zonas constituídas
essencialmente por formações graníticas, as captações realizadas, são de reduzidas
profundidades e encontram-se instaladas em formações de cobertura.
Nestas zonas podem ser diferenciados dois tipos de aquíferos, sem qualquer homogeneidade
do ponto de vista de sua hidráulica de funcionamento, a julgar pela diferença típica nos
principais parâmetros hidráulicos (T, K), correspondentes as referidas formações geológicas.
6.3 - Fluxos Subterráneos
Em geral os fluxos subterráneos tendem a dirigir-se de zonas de maior para as de menor
potencial hidráulico. Para as áreas estudadas a tendencia geral dos fluxos são de direcção N-
S, embora existam à nível local outras direcções, como podem ser observados nos perfis
hidrogeológicos representados nas figuras 5 e 6.
Figura 5: Perfil hidrogeológica realizado com base no Mapa Hidrogeológico a escala 1:250.000
23

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Os perfis elaborados, em nenhum dos casos dão-nos o valor correspondente a profundidade
máxima do aquífero para a área estudada, já que os poços utilizados para a elaboração do
mesmo, não são completos (significa que não alcançaram a profundidade máxima do aquífero.
Nos
dois
perfis
Figura 6: Perfil hidrogeológica realizado com base no Mapa Hidrogeológico a escala 1:250.000
apresentados nas figuras anteriores, é evidente que a tendência das direcções dos fluxos,
estão a ser regidas simplesmente pelos dados de níveis piezométricos obtidos em duas
captações de águas subterrâneas, situados a distâncias superiores à 1 km.
6.4 - Enquadramento Hidrogeológico Da Porção Angolana Da Bacia
Das três grandes Províncias Hidrogeológicas individualizadas no Mapa Hidrogeoloógico à
escala 1:250.000 (Mac Donald & Partners Limited,1989), a Bacia Hidrográfica do Rio Cubango
(Porção Angolana) enquadra-se no grupo II, designado por bacias sedimentares incluíndo
aluviões de pequenas espessuras nos cursos de águas.
Com base essencialmente na origem e composição litológica, as Províncias Hidrogeológicas
foram subdivididas em grandes Unidades Hidrogeológicas, correspondendo a Bacia
Hidrográfica do Rio Cubango (Porção Angolana) à Unidade II.2, que está constituída por areias
que cobrem os lateritos, o grupo do Kalahari, depósitos do quaternário, depósitos do sudoeste
e dunas.
Do ponto de vista geológico,as formações de maior distribuição na parte angolana da bacia,
estão representadas pelas areias do Kalahari, de idade Terciária, mas com menor expressão
encontram-se formações graníticas de idade pré- Cambriana, como se pode observar no
esboço da figura 8.
24

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
LEGENDA
Aquífero Fracturado - (Granitos)
Aquífero Detrítico - Depósitos do Kalahari
g
Figura 7: Esboço da Porção angolana da bacia, com os tipos de aquíferos mais representativos,
individualizados pelo Grupo de Hidrologia, durante o exercício da ACA (2008).
A tectónica da Bacia do Cubango, esta caracterizada por falhas de direcções
predominantemente NW-SE, embora que uma menor distribuição encontra-se também as de
direcção W-E.
Os aquíferos de tipo fraturado, são genéricamente considerados como pobres, não constituem
excepção os aquíferos graniticos da parte mais à Norte da porção angolana da Bacia
Hidrográfica do Rio Cubango.
Para o aquífero mais regional, constituído pelas areias do Kalahari, o mesmo enquadra-se na
definição clássica de aquífero do tipo detrítico, sua grande extensão à nível da bacia como se
pode observar no Mapa Hidrogeológico da figura 8, constitui um elemento importante para a
definição da recarga subterránea. É evidente que este não é o único elemento a considerar, já
que de grande importância também é o valor de infiltração eficaz, este último dependente
essencialmente dos excedentes que se geram no balanço hídrico do solo.
No paragráfo a seguir, faz-se referência aos valores de recarga subterránea calculado no
marco do projecto WERRD (Water and Ecosystem Resources in Regional Development).
25

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
26

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Figura 8: Mapa Hidrogeológico correspondente a porção angolana da bacia do Cubango, montado por
PAGSO (2008) a partir do Mapa Hidrogeológico de Angola à escala 1:250.000 (Mac Donald & Partners
Limited, 1989).
6.5 - Recarga No Sistema Aquífero
O ciclo da água é sintetizado na literatura como o processo na qual, as massas de água
influenciadas pelo balanço energético, produzem fenómenos como a precipitação, evaporação
ou evapotranspiração.
Do volume de água precipitado nas mais diferentes formas, uma parte pode escorrer
superficialmente ou ficar retirada e estar disponível para a evaporação ou evapotranspiração
novamente, a outra pode infiltrar a nível do solo, ou mesmo atingir a zona saturada,
recarregando desta forma os aquíferos.
Os estudos hidrogeológicos incorporam este elemento, considerado importantíssimo na gestão
dos recursos hídricos.
Com base nos estudos realizados no marco do projecto WERRD (Water and Ecosystem
Resources in Regional Development), de uma série de dados de precipitação de 12 anos
(1960-1972) analisada, o ano de 1972 foi considerado o mais seco, enquanto que outros anos
enquadram-se dentro das categorias de anos moderados à húmidos.
Tomando como base os valores de precipitação medidos num ano em algumas estações
meteorológicas situadas no Chitembo, Kuvango e Menongue, observou-se que existe uma
grande variação na distribuição das precipitações, isto sugere que na eventualidade das
mesmas produzirem recarga de origem pluviométrica nos sistemas aquíferos existentes na
bacia, estes deverão ser de tipo episódicas.
Estudos realizados no marco do projecto WERRD (Water and Ecosystem Resources in
Regional Development), ensaiou o modelo de Pitman, com a incorporação no referido
programa da nova rotina relacionado com as águas subterrâneas, mais especificamente com
aspectos que visam o cálculo da recarga na Bacia Hidrográfica do Rio Cubango/Okavango.
Os valores máximos de recarga para os aquíferos enquadrados nas sub-bacias
individualizadas - parte Oeste da zona alta da Bacia Hidrográfica, situam-se no intervalo entre 4
mm/mês (Mucundi) a 20 mm/mês (Chinhama).
Para as sub-bacias da zona Este da parte alta da Bacia Hidrográfica, o intervalo varia de
16mm/mês para o Cuanavale e 35mm/mês para o Cuito e o Nordeste (Hugles et.al., 2004).
No marco desta Análise Técnica, foi reunida alguma informação que será complementada em
fase posteriores, e que servirão para a elaboração de cálculos relacionados com a recarga e a
reserva dos sistemas aquíferos identificados na porção angolana da Bacia do Rio Cubango.
27

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
7.0 - OBSERVAÇÕES CONCLUSIVAS
- A natureza dos trabalhos realizados não permite fazer uma caracterização hidrogeológica da
Bacia, mas sim pôr a disposição alguns subsídios que ajudarão na compreensão de alguns
aspectos relacionados com os principais aquíferos da parte Angolana da Bacia.
- As profundidades dos níveis piezométricos põem em manifesto a existência de aquíferos
"suspensos", para além do aquífero mais profundo existente na área estudada.
- A profundidade do nível piezométrico regional e o nível de base do rio Cuito, parece
nitidamente indicar a não existência de uma relação hidráulica entre ambos, principalmente na
parte mais a jusante
- Independentemente de existirem dois tipos de aquíferos na parte angolana da bacia
(fracturado e detrítico), o aquífero detrítico constitui um sistema único, de tipo livre, que
funciona como um multicamada.
28

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
8.0 ­ RECOMENDAÇÕES
- A realização de um inventário completo de pontos de águas existentes na parte angolana da
Bacia (incluindo a análise físico-químico e microbiológica da água, assim como o ensaio de
bombagem e recuperação).
- Estudos que possibilitem a caracterização mais completa dos sistemas aquíferos existentes
na porção angolana da Bacia.
- Monitoramento das extracções e da qualidade das águas subterrâneas, criando infra-
estruturas afins (Piezómetros) e sistemas de medidas de alguns parâmetros físico-químico
(iões maioritários e pH, T, TDS) para as áreas a identificar em fases posteriores.
- Criação de base de dados hidrogeológica disponibilizada para todos os países que fazem
parte da bacia
29

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
BIBLIOGRÁFIA
Denis A. Hugles, Lotta Anderson,Julie Wilk &Humbert H.G.Savenije , 2004. Regional Calibration of The
Pitman model for the Okavango River
John Mendelsohn & Selma Obeid, 2005. Rio Okavango a Fonte da Vida Struik Publisher (
Uma divisão da Empresa editora New Holaland) (South Africa) (Pty) Ltd) Cornellis Struik House
­ Cape Town
Mac Donald & Partners Limited (1989). "Hydrologic Assessment of Sub-Saharan Countries".
Mapa Hidrogeológico de Angola a escala 1:250.000. Cambridge, Reino Unido. (Em associação
com HIPROJECTO, Consultores de Hidráulica e Salubridade S.A., Lisboa Portugal)
NOVO, M. E., LOBO FERREIRA, J.P. (1996) - Plano para a Utilização Integrada dos
Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Cunene: Caracterização e Avaliação Preliminar
das Disponibilidades em Águas Subterrâneas, Vol. n.º 3 do 1º Relatório. Lisboa, Laboratório
Nacional de Engenharia Civil, Relatório 79/96-GIAS, pp. 172.
GR (2008) ­ Relatório do Grupo de Hidrología, envolvido no exercício de Avaliação de Caudais
Ambientais, projecto PAGSO 2008 (em Publicação)
30

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
ANEXOS:
Fotografia 1 ­ Cacimba sem protecção adequada utilizada para extracção de água
para uso doméstico ­ Menongue
31

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Fotografia 2 ­ Captação de águas subterrâneas e seu sistema de armazenamento na
Cidade do Menongue
32

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
The Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis Technical Reports
In 1994, the three riparian countries of the Okavango
Diagnostic Analysis to establish a base of available
River Basin ­ Angola, Botswana and Namibia ­
scientific evidence to guide future decision making.
agreed to plan for collaborative management of the
The study, created from inputs from multi-disciplinary
natural resources of the Okavango, forming the
teams in each country, with specialists in hydrology,
Permanent Okavango River Basin Water Commission
hydraulics, channel form, water quality, vegetation,
(OKACOM). In 2003, with funding from the Global
aquatic invertebrates, fish, birds, river-dependent
Environment Facility, OKACOM launched the
terrestrial wildlife, resource economics and socio-
Environmental Protection and Sustainable
cultural issues, was coordinated and managed by a
Management of the Okavango River Basin (EPSMO)
group of specialists from the southern African region
Project to coordinate development and to anticipate
in 2008 and 2009.
and address threats to the river and the associated
communities and environment. Implemented by the
The following specialist technical reports were
United Nations Development Program and executed
produced as part of this process and form substantive
by the United Nations Food and Agriculture
background content for the Okavango River Basin
Organization, the project produced the Transboundary
Transboundary Diagnostic Analysis
Final Study
Reports integrating findings from all country and background reports, and covering the entire
Reports
basin.
Aylward, B.
Economic Valuation of Basin Resources: Final Report to
EPSMO Project of the UN Food & Agriculture Organization as
an Input to the Okavango River Basin Transboundary
Diagnostic Analysis
Barnes, J. et al.
Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis:
Socio-Economic Assessment Final Report
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment Project
C.A.
Initiation Report (Report No: 01/2009)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment EFA
C.A.
Process Report (Report No: 02/2009)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Guidelines for Data Collection, Analysis and Scenario Creation
(Report No: 03/2009)
Bethune, S. Mazvimavi,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
D. and Quintino, M.
Delineation Report (Report No: 04/2009)
Beuster, H.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Hydrology Report: Data And Models(Report No: 05/2009)
Beuster, H.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Scenario Report : Hydrology (Report No: 06/2009)
Jones, M.J.
The Groundwater Hydrology of The Okavango Basin (FAO
Internal Report, April 2010)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions (Volume 1
of 4)(Report No. 07/2009)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions (Volume 2
of 4: Indicator results) (Report No. 07/2009)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions: Climate
Change Scenarios (Volume 3 of 4) (Report No. 07/2009)
King, J., Brown, C.A.,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Joubert, A.R. and
Scenario Report: Biophysical Predictions (Volume 4 of 4:
Barnes, J.
Climate Change Indicator Results) (Report No: 07/2009)
King, J., Brown, C.A.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment Project
and Barnes, J.
Final Report (Report No: 08/2009)
Malzbender, D.
Environmental Protection And Sustainable Management Of The
Okavango River Basin (EPSMO): Governance Review
Vanderpost, C. and
Database and GIS design for an expanded Okavango Basin
33

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Dhliwayo, M.
Information System (OBIS)
Veríssimo, Luis
GIS Database for the Environment Protection and Sustainable
Management of the Okavango River Basin Project
Wolski, P.
Assessment of hydrological effects of climate change in the
Okavango Basin
Country Reports
Angola
Andrade e Sousa,
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Biophysical Series
Helder André de
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Sedimentologia &
Geomorfologia
Gomes, Amândio
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Vegetação
Gomes, Amândio
Análise Técnica, Biofísica e Socio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango: Relatório
Final:Vegetação da Parte Angolana da Bacia Hidrográfica Do
Rio Cubango
Livramento, Filomena
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina:Macroinvertebrados
Miguel, Gabriel Luís
Análise Técnica, Biofísica E Sócio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango:
Subsídio Para o Conhecimento Hidrogeológico
Relatório de Hidrogeologia
Morais, Miguel
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Análise Rio
Cubango (Okavango): Módulo da Avaliação do Caudal
Ambiental: Relatório do Especialista País: Angola Disciplina:
Ictiofauna
Morais, Miguel
Análise Técnica, Biófisica e Sócio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango: Relatório
Final: Peixes e Pesca Fluvial da Bacia do Okavango em Angola
Pereira, Maria João
Qualidade da Água, no Lado Angolano da Bacia Hidrográfica
do Rio Cubango
Santos, Carmen Ivelize
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Van-Dúnem S. N.
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório de
Especialidade: Angola: Vida Selvagem
Santos, Carmen Ivelize
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Van-Dúnem S.N.
Okavango:Módulo Avaliação do Caudal Ambiental: Relatório de
Especialidade: Angola: Aves
Botswana
Bonyongo, M.C.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Wildlife
Hancock, P.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module : Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Birds
Mosepele, K.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Fish
Mosepele, B. and
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Dallas, Helen
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Aquatic Macro Invertebrates
Namibia
Collin Christian &
Okavango River Basin: Transboundary Diagnostic Analysis
Associates CC
Project: Environmental Flow Assessment Module:
Geomorphology
Curtis, B.A.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report Country:
Namibia Discipline: Vegetation
Bethune, S.
Environmental Protection and Sustainable Management of the
Okavango River Basin (EPSMO): Transboundary Diagnostic
Analysis: Basin Ecosystems Report
Nakanwe, S.N.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia: Discipline: Aquatic Macro Invertebrates
Paxton, M.
Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist
Report:Country:Namibia: Discipline: Birds (Avifauna)
Roberts, K.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
34

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia: Discipline: Wildlife
Waal, B.V.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia:Discipline: Fish Life
Country Reports
Angola
Gomes, Joaquim
Análise Técnica dos Aspectos Relacionados com o Potencial
Socioeconomic
Duarte
de Irrigação no Lado Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio
Series
Cubango: Relatório Final
Mendelsohn, .J.
Land use in Kavango: Past, Present and Future
Pereira, Maria João
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Qualidade da Água
Saraiva, Rute et al.
Diagnóstico Transfronteiriço Bacia do Okavango: Análise
Socioeconómica Angola
Botswana
Chimbari, M. and
Okavango River Basin Trans-Boundary Diagnostic Assessment
Magole, Lapologang
(TDA): Botswana Component: Partial Report: Key Public Health
Issues in the Okavango Basin, Botswana
Magole, Lapologang
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Land Use Planning
Magole, Lapologang
Transboundary Diagnostic Analysis (TDA) of the Botswana p
Portion of the Okavango River Basin: Stakeholder Involvement
in the ODMP and its Relevance to the TDA Process
Masamba, W.R.
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Output 4: Water Supply and
Sanitation
Masamba,W.R.
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Irrigation Development
Mbaiwa.J.E.
Transboundary Diagnostic Analysis of the Okavango River
Basin: the Status of Tourism Development in the Okavango
Delta: Botswana
Mbaiwa.J.E. &
Assessing the Impact of Climate Change on Tourism Activities
Mmopelwa, G.
and their Economic Benefits in the Okavango Delta
Mmopelwa, G.
Okavango River Basin Trans-boundary Diagnostic Assessment:
Botswana Component: Output 5: Socio-Economic Profile
Ngwenya, B.N.
Final Report: A Socio-Economic Profile of River Resources and
HIV and AIDS in the Okavango Basin: Botswana
Vanderpost, C.
Assessment of Existing Social Services and Projected Growth
in the Context of the Transboundary Diagnostic Analysis of the
Botswana Portion of the Okavango River Basin
Namibia
Barnes, J and
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Wamunyima, D
Environmental Flow Module: Specialist Report:
Country: Namibia: Discipline: Socio-economics
Collin Christian &
Technical Report on Hydro-electric Power Development in the
Associates CC
Namibian Section of the Okavango River Basin
Liebenberg, J.P.
Technical Report on Irrigation Development in the Namibia
Section of the Okavango River Basin
Ortmann, Cynthia L.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module : Specialist Report Country:
Namibia: discipline: Water Quality
Nashipili,
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis: Specialist
Ndinomwaameni
Report: Country: Namibia: Discipline: Water Supply and
Sanitation
Paxton, C.
Transboundary Diagnostic Analysis: Specialist Report:
Discipline: Water Quality Requirements For Human Health in
the Okavango River Basin: Country: Namibia
35

TDA Angola Subsídios para o conhecimento hidrogeológico
36

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