EFA Angola Macroinvertebrados




Análise Diagnóstica Transfronteiriça da
Bacia do Rio Okavango:
Módulo do Caudal Ambiental
Relatório do Especialista
País: Angola
Disciplina:Macroinvertebrados
Filomena Livramento
Junho de 2009


1

EFA Angola Macroinvertebrados
Análise Diagnóstica
Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango:
Módulo do Caudal Ambiental



Relatório do Especialista

País: Angola

Disciplina:Macroinvertebrados

Autor: Filomena Livramento

Data:Junho de 2009


2

EFA Angola Macroinvertebrados
RESUMO EXECUTIVO

A Bacia do Rio Okavango consiste de áreas drenadas pelos rios Cubango, Cutato,
Cuchi, Cuelei, Cuebe, e Cuito em Angola, o Rio Okavango na Namíbia e Botswana,
e o Delta do Okavango. O presente estudo realizado na parte angolana da bacia
teve como objectivo primário identificar os aspectos do ecossistema do rio para o
qual serão previstas as mudanças associadas ao fluxo, e os indicadores que são
necessários a fim de se fazerem essas previsões. Três locais de estudo foram
seleccionados: rio Cuebe em Capico (local 1), rio Cubango em Mucundi (local 2) e
rio Cuito no Cuito Cuanavale (local 3). Foram identificados um total de seis
indicadores tendo em conta o tipo de habitat disponível aos macroinvertebrados.
As amostragens foram feitas em Outubro e Novembro de 2008 e Março de 2009. Os
macroinvertebrados aquáticos foram amostrados com uma rede de mão quadrada
com 30 cm de largura e rede de malha de 500 µm. Para o substracto rochoso a
colecta dos macroinvertebrados foi realizada com o auxílio de uma pinça. A
identificação foi feita com auxílio de bibliografia especializada.
Um total de 28 famílias foi registado nos 3 locais de estudo. Capico é o local que
apresenta maior diversidade, seguida de Mucundi. Considerando os diferentes tipos
de habitat, verifica-se que a vegetação marginal alberga uma maior variedade de
taxa.
A maior abundância foi igualmente verificada em Capico, seguida de Mucundi. As
amostragens realizadas em Outubro (início das chuvas) mostraram uma maior
variedade e abundância em qualquer dos 3 locais de estudo.





3

EFA Angola Macroinvertebrados
ÍNDICE DOS ASSUNTOS

RESUMO EXECUTIVO ................................................................................................... 3
LISTA DE TABELAS ....................................................................................................... 6
LISTA DE IMAGENS ....................................................................................................... 7
AGRADECIMENTOS ...................................................................................................... 9
Às Doutoras Jackie King e Cate pelas orientações dadas e pelo material
bibliográfico e de amostragem gentilmente cedidos. ............................................. 9
À toda a equipe da PMU que gentilmente contribuiu com o seu imprescindível
apoio. ..................................................................................................................... 9
À Direcção da Faculdade de Ciências por ter permitido a realização deste
trabalho. ................................................................................................................. 9
À Administração do Cuíto Cuanavale pelo apoio carinhosamente oferecido. ................ 9
Aos residentes do Capico e Mucundi pela sua prestimosa colaboração e
sempre pronta ajuda. ............................................................................................. 9
À equipe de trabalho do ACA pelo ambiente de companheirismo criado e pelo
auxílio sempre presente. ....................................................................................... 9
INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 10
1.1 Antecedentes ....................................................................................................... 10
1.2 Objectivos e Plano de Trabalho da ACA da Bacia do Okavango .................... 10
1.2.1 Objectivos do Projecto ................................................................................ 10
1.3 Disposição do presente relatório .................................................................... 11
2 ÁREA DE ESTUDO ............................................................................................... 12
2.1 Descrição da Bacia do Okavango .................................................................. 12
2.2 Delineamento da Bacia do Okavango em Unidades Integradas de
Análise ............................................................................................................. 13
2.3 Panorama geral dos locais .................................................................................. 14
2.3.1 Local 1: Rio Cuebe em Capico ..................................................................... 14
2.3.2 Local 2: Rio Cubango em Mucundi ............................................................... 14
2.3.3 Local 3: Rio Cuito no Cuito Cuanavale ......................................................... 15
2.4.2 Local 2: Mucundi ....................................................................................... 15
2.4.3 Local 3: Cuito-Cuanavale ........................................................................... 15
3. IDENTIFICAÇÃO DE INDICADORES E ................................................................... 17
CATEGORIAS DE CAUDAIS ........................................................................................ 17
3.1 Indicadores .......................................................................................................... 17
3.1.1 Introdução ..................................................................................................... 17
3.1.2 Lista indicativa para Macroinvertebrados ..................................................... 17
3.1.3 Descrição e localização dos indicadores ...................................................... 18
3.3 Categorias de inundação ­ pontos do Delta ....................................................... 23
4. ANÁLISE DA BIBLIOGRAFIA ................................................................................... 25
4.1 Introdução............................................................................................................ 25
4.2.1 Principais características do Indicador nº. 1 ................................................. 25


4

EFA Angola Macroinvertebrados
4.2.2 Atributos do ciclo de vida do indicador nº. 1 ..................................................... 25
4.3.1 Principais características do Indicador nº 2 ­ Simuliidae ............................. 26
4.3.2 Atributos do ciclo de vida do indicador nº. 2 ..................................................... 26
4.4.1 Principais características do Indicador n.º 3 ­ Hydropsychidae ................... 27
4.4.2 Atributos do ciclo de vida do indicador ............................................................. 27
4.5.1 Principais características do Indicador nº. 4 ­ Unionidae ............................. 27
4.5.2 Atributos do ciclo de vida do indicador nº. 4 ..................................................... 28
4.6.1 Principais características do Indicador nº. 5 ­ Coenagrionidae .................... 28
4.6.2 Atributos do ciclo de vida do indicador ............................................................. 28
4.7.1 Principais características do Indicador nº. 6 - Dytiscidae ............................. 28
4.7.2 Atributos do ciclo de vida do indicador ............................................................. 29
5. RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS ......................................................................... 30
5.1 Metodologia para recolha e análise de dados ................................................. 30
5.2 Resultados ....................................................................................................... 30
5.3 Um resumo do entendimento presente das respostas previstas de
todos os indicadores (macroinvertebrados) as potenciais mudanças no
regime de fluxo ................................................................................................. 31
Conclusão.................................................................................................................. 40
6. RELAÇÃO DA CURVA DE RESPOSTA DOCAUDAL PARA USO NA ACA-
SAD (SISTEMA DE APOIO DE TOMADA DE DECISÃO) DO
OKAVANGO ........................................................................................................ 41
7. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 42
8. ANEXO A: DESCRIÇÃO COMPLETA DOS INDICADORES .................................. 44
SIMULIDAE ................................................................................................................... 45
9. ANEXO B: DADOS BRUTOS .................................................................................. 49



5

EFA Angola Macroinvertebrados
LISTA DE TABELAS
Tabela 2. 1:
Localização dos três pontos da EFA em Angola .................... 14
Tabela 3.1
Lista dos indicadores para macroinvertebrados e aqueles
indicadores escolhidos para representarem cada local ........... 18
Tabela 3.2
Questões a serem abordadas no Workshop de Captação
de Conhecimentos, por indicador e por local. Para todos
os efeitos, o `natural' abarcará na totalidade a vasta gama
da variabilidade natural ............................................................ 23
Tabela 3.3
Categorias de inundação para o Delta do Okavango
conforme reconhecido pelo modelo de inundação do
HOORC .................................................................................... 24
Tabela 5.1
Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de
caudal de macroinvertebrados da vegetação marginal no
ecosistema do Rio Okavango - Capico .................................... 32
Tabela 5.2
Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de
caudal de macroinvertebrados da vegetação marginal no
ecosistema do Rio Okavango ­ Mucundi ................................ 33
Tabela 5.4
Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de
caudal de macroinvertebrados de rápidos no ecosistema
do Rio Okavango ­ Mucundi .................................................... 35
Tabela 5.5
Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de
caudal de macroinvertebrados de pedras e cascalho no
ecosistema do Rio Okavando ­ Mucundi ................................ 36
Tabela 5.6
Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de
caudal de macroinvertebrados de sedimento fino no
ecosistema do Rio Okavango ­ Capico ................................... 37
Tabela 5.7
Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de
caudal de macroinvertebrados da vegetação marginal da
zona de inundação no ecosistema do Rio Okavango ­
Cuito Cuanavale ...................................................................... 38



6

EFA Angola Macroinvertebrados
LISTA DE IMAGENS
Imagem 2.1
Parte Superior da Bacia do Rio Okavango da nascente
para o extremo norte do Delta ................................................. 12
Imagem 2.2
A Bacia do Rio Okavango, mostrando a drenagem no
Delta do Okavango e nos pântanos de Makgadikgadi............. 13
Imagem 3.1
Três anos representativos para o local 1: Rio Cuebe em
Capico, que ilustram a divisão aproximada do regime do
caudal em quatro estações de caudais ................................... 21
Imagem 3.2
Três anos representativos para o local 2: Rio Cubango
em Mucundi, que ilustram a divisão aproximada do
regime do caudal em quatro estações de caudais .................. 21
Imagem 3.3
Três anos representativos para o local 3: Rio Cuito em
Cuito Cuanavale, que ilustram a divisão aproximada do
regime do caudal em quatro estações de caudais .................. 22
Imagem 3.4
Três anos representativos para o local 4: Rio Okavango
em Kapoka (dados hidrológicos obtidos da estação
hidrometrica do Rundo), que ilustram a divisão
aproximada do regime do caudal em quatro estações de
caudais ..................................................................................... 22
Imagem 3.5
Três anos representatives para o local 5: Rio Okavango
nos Rápidos de Popa (dados hidrologicos obtidos a partir
da estação hidrométrica de Mukwe), que ilustram a
divisão aproximada do regime do caudal em quatro
estações de caudais ................................................................ 23


7

EFA Angola Macroinvertebrados
ABREVIATURAS

ABREVIATURA
SIGNIFICADO
DTM (MDT)
Digital Terrain Model (Modelo Digital de Terreno)



8

EFA Angola Macroinvertebrados
AGRADECIMENTOS

Às Doutoras Jackie King e Cate pelas orientações dadas e pelo material bibliográfico
e de amostragem gentilmente cedidos.

À toda a equipe da PMU que gentilmente contribuiu com o seu imprescindível apoio.

À Direcção da Faculdade de Ciências por ter permitido a realização deste trabalho.

À Administração do Cuíto Cuanavale pelo apoio carinhosamente oferecido.

Aos residentes do Capico e Mucundi pela sua prestimosa colaboração e sempre
pronta ajuda.

À equipe de trabalho do ACA pelo ambiente de companheirismo criado e pelo auxílio
sempre presente.




9

EFA Angola Macroinvertebrados
INTRODUÇÃO
1.1 Antecedentes
Um Projecto de Protecção Ambiental e Gestão Sustentável da Bacia do Rio Okavango
(PAGSO) está sendo implementado sob auspícios da Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura (FAO). Uma das actividades inscritas no projecto é a realização
de uma análise diagnóstica transfronteiriça (ADT) que visa o desenvolvimento de um Plano
Estratégico de Acções para a bacia. A ADT consiste na análise de actuais e futuras causas
de eventuais problemas transfronteiriços entre os três países membros da bacia,
nomeadamente: Angola, Namíbia e Botswana. O Comité Directivo da Bacia de Okavango
(OBSC) da Comissão da Bacia do Rio Okavango (OKACOM) notou durante a reunião do
mês de Março em Windhoek, Namíbia, que os eventuais problemas futuros dentro do Rio
Okavango ocorrerão mais provavelmente devido aos desenvolvimentos que modificarão os
regimes de caudais. O OBSC ainda notou que existem informações inadequadas acerca dos
efeitos físico-químicos, ecológicos e sócio-economicos desses possíveis desenvolvimentos.
O OBSC recomendou nessa reunião que uma Avaliação do Caudal Ambiental (ACA) seja
realizada para antecipar eventuais mudanças a serem causadas pelo desenvolvimento no
regime do caudal do sistema do Rio Okavango, as mudanças ecológicas relacionadas, e os
impactos consequentes sobre as populações que utilizam os recursos do rio.
A ACA é uma actividade conjunta do Projecto PAGSO e do Projecto Biokavango. Uma parte
da ACA constará de uma série de estudos especificos do país por especialistas, dentre os
quais o Relatório de Macroinvertebrados para Angola.
1.2 Objectivos e Plano de Trabalho da ACA da Bacia do Okavango
1.2.1 Objectivos do Projecto
Os objectivos da ACA são:
apresentar uma síntese de toda a informação relevante sobre o sistema do Rio Okavango e
seus utilizadores, e proceder a recolha de novos dados necessários dentros termos da
ACA
fazer uso destas informações para apresentar cenários de possiveis cursos de
desenvolvimento no futuro para apreciação dos decisores, permitindo que os decisores
discutam e façam negociações em aspectos inerentes ao desenvolvimento sustentável
da Bacia do Rio Okavango;
incluir em cada cenário o principal impacto ecológico positivo e negativo, recurso-económico
e social dos desenvolvimentos em causa;
concluir esse conjunto de actividades como ACA piloto, devido às limitações de tempo,
estes resultados servirão de contribuições para a ADT e uma futura ACA mais
abrangente.
Os objectivos específicos são:
determinar em diferentes pontos ao longo do sistema do Rio Okavango, incluindo o Delta, os
relacionamentos existentes entre o regime do caudal e a natureza ecológica e o
funcionamento do ecossistema do rio;
determinar os relacionamentos existentes entre o ecossistema do rio e os modos de vida
das populações ribeirinhas;
prever as eventuais mudanças causadas por desenvolvimentos no regime do caudal e
consequentemente ao ecossistema do rio;
prever os impactos dessas mudanças do ecossistema do rio sobre os modos de vida das
populações.
Fazer uso dos resultados da ACA com a melhoria da gestão da biodiversidade do Delta.
Desenvolver capacidades para a realização das ACAs em Angola, no Botswana, e na
Namíbia.


10

EFA Angola Macroinvertebrados
1.3 Disposição do presente relatório
O presente relatório diz respeito a ACA da Bacia do Okavango em Angola para a disciplina
de macroinvertebrados.

O capítulo 1 apresenta um histórico, objectivos e plano de trabalho da ACA. Segue-se o
capítulo 2 referente a aspectos relativos à área de estudo em que se faz a descrição da
bacia, seu delineamento em unidades integradas de análise, localização e panorâmica geral
dos locais de estudo em Angola, bem como da integridade destes locais.

A descrição e localização dos diferentes indicadores e a descrição das categorias de
caudais são parte integrante do capítulo 3.

O capítulo 4 faz a análise bibliográfica com referência às principais características do
indicador, sua ligação ao caudal e atributos do seu ciclo de vida, esta análise está
complementada pelo anexo A. A recolha e análise de dados com indicação da metodologia
aplicada e apresentação dos resultados é tratada no capítulo 5 com apresentação dos
resultados numa tabel no anexo B.

O capítulo 6 inclui a relação da curva resposta do caudal para uso na ACA-SAD do
Okavango.



11

EFA Angola Macroinvertebrados
2 ÁREA DE ESTUDO
2.1 Descrição da Bacia do Okavango
A Bacia do Rio Okavango consiste de áreas drenadas pelos rios Cubango, Cutato, Cuchi,
Cuelei, Cuebe, e Cuito em Angola, o Rio Okavango na Namíbia e Botswana, e o Delta do
Okavango (Imagem 2.1). Do ponto de vista topográfico, esta bacia inclui a área que foi
drenada pelo actual Rio fóssil de Omatako na Namíbia. As descargas do Delta do Okavango
são drenadas através dos rios Thamalakane e Boteti, este último aflui para a Bacia
(Depressão) do Makgadikgadi. O Rio Nata, que drena a parte ocidental do Zimbabué,
também aflui para a Bacia de Makgadikgadi. Assim, na base da topografia, a Bacia do Rio
Okavango inclui a Bacia de Makgadikgadi e a Bacia do Rio Nata (Imagem 2.2). Entretanto, o
presente estudo, se concentra em partes da bacia em Angola e na Namíbia, e no complexo
do Rio Panhandle/Delta/Boteti no Botswana. As Bacias do Makgadikgadi e do Rio Nata não
estão nele contemplados.

Upper Okavango River Basin
N
W
E
S
Cu
t

Cu
a
#
t
o

c
h
i

#
C
C
u
u
#
it
a
o
nava
#
le
Cu
#
C
Menongue
ba
u
n
c
g
h
#
Major settlement
o
i
# Cuito Cuanavale
River
C
#
ue
Fossil river
be
C
Panhandle
ANGOLA
uiri
Permanent swamps
ri
#
Seasonal swamps
Cubango
Cuito
NAMIBIA
Okavango
#
Rundu
#
#
#
0
300 Kilometers
#

Imagem 2.1 Parte Superior da Bacia do Rio Okavango da nascente para o extremo
norte do Delta



12

EFA Angola Macroinvertebrados
Okavango River Basin
N
W
E
S
C
u
ta

Cu
#
to
c
h
i
#
C
C
ui
ua
#
t
o

nava
#
l
e

C
# Menongue
ub
C
a
u
n
c
g
h
o
i
# Cuito Cuanavale
# Cuebe
C
ANGOLA
uirir
#
i
Cubango
Cuito
NAMIBIA
Okavango
#
Rundu
#
# #
#
##
#
#
#
Maun
#
Makgadikgadi Pans
# Ghanzi
#
Major settlement
River
Fossil river
Panhandle
0
600 Kilometers
Permanent swamps
Seasonal swamps

Imagem 2.2 A Bacia do Rio Okavango, mostrando a drenagem no Delta do Okavango
e nos pântanos de Makgadikgadi

2.2 Delineamento da Bacia do Okavango em Unidades Integradas de Análise
Nenhum estudo poderia de maneira pormenorizada descrever cada extensão do rio dentro
da Bacia do Rio Okavango, ou cada pessoa que reside dentro desta área, em especial um
estudo piloto como o actual. Ao invés disso, áreas representativas que são razoavelmente
homogéneas em carácter poderão eventualmente ser demarcadas e usadas para
representatividade de áreas muito maiores, e em seguida um ou mais pontos
representativos escolhidos em cada um como sendo área de ênfase para actividades de
recolha de dados. Os resultados de cada um dos locais representativos podem em seguida
ser extrapolados para as áreas maiores.
A utilização desta abordagem, implicará a demarcação da Bacia em Unidades Integradas de
Análise (PAGSO/Biokavango Relatório nº. 2; Relatório sobre o Delineamento) pela:
Divisão do rio em zonas longitudinais relativamente homogénea em termos de:
hidrologia;
geomorfologia;
química da água;
peixes;
invertebrados aquáticos;
vegetação;
harmonização dos resultados de cada disciplina num conjunto de zonas biofisicas do rio;
divisão da bacia em áreas relativamente homogéneas em termos de sistemas sociais;


13

EFA Angola Macroinvertebrados
harmonização das zonas biofísicas do rio e as áreas sociais num conjunto de Unidades
Integradas de Análise (UIAs).
As 19 UIAs reconhecidas foram em seguida apreciadas por cada equipa nacional como
candidatas para a localização do número de sítios afectados dos locais de estudo:
Angola: três
locais
Namíbia: dois
locais
Botswana: três
locais.
Os locais escolhidos pela equipa de Angola estão apresentados na Error! Reference
source not found.
.


EFA Local No
País
Rio
Localização
1 Angola
Cuebe
Capico
2 Angola
Cubango
Mucundi
3 Angola
Cuito Cuito
Cuanavale
Tabela 2. 1: Localização dos três pontos da EFA em Angola
2.3 Panorama geral dos locais
2.3.1 Local 1: Rio Cuebe em Capico

Capico está localizado a 110 Km a sul do município de Menongue capital da provincia do
Kuando Kubango. Tem como coordenadas geográficas: 15°33 Sul de latitude e 17°34 Este
de longitude. A altitude da zona varía entre 1160 e 1250 metros.

O rio Cuebe, um dos afluentes do rio Cubango (Okavango) é a única fonte de água na área.
Este serve as populações ribeirinhas, maioritariamente compostas pelo grupo étnico
Ngangela. As povoações existentes nas imediações de Capico são: Massosse e Bitângua à
Norte e Caindo à Sul.

Os principais modos de subsistência das populações provêm da prática da agricultura,
pesca artesanal e caça.
A principal vegetação da áera é do tipo bosques de Burkea-Brachystegia.

2.3.2 Local 2: Rio Cubango em Mucundi

O rio Cubango (Okavango) em Mucundi recebe as contribuições dos rios Cutato, Cuchi,
Cuelei e Cuebe. Mucundi encontra-se a 192 quilómetros a Sul do município de Menongue, à
jusante da povoação de Caindo. As suas coordenadas geográficas são: 16°13 Sul de
latitude e 17°41 Este de longitude. A altitude da zona varía entre 1120 e 1250 metros. Está
limitada a Norte pela povoação de Chimbueta e a Sul por Kendelela. A sua população
pertence ao grupo étnico Ngangela. A principal vegetação da área é do tipo bosques
Burkea-Brachystegia.

O rio Cubango é a principal fonte de água desta região servindo para a agricultura,
pastorícia e actividades domésticas. A pesca, a caça e as actividades agro-pecuárias são as
principais fontes de subsistência das populações.



14

EFA Angola Macroinvertebrados
2.3.3 Local 3: Rio Cuito no Cuito Cuanavale

Cuito Cuanavale está situado na parte Leste da provincia do Kuando Kubango, a uma
distância de 189 quilómetros da cidade de Menongue e a 3 quilómetros à jusante da
confluência dos rios Cuito e Cuanavale. As suas coordenadas geográficas são: latitude -
15°10 Sul; longitude - 19°12 Este. A altitude da zona varía entre 1180 e 1250 metros. Tem
como limites Sacalumbo à Noroeste, Chissamba à Nordeste, Bocota à Sul, Caripa à
Sudoeste e Samungure à Sudeste. A principal vegetação da área é do tipo de bosques
Burkea-Brachystegia .

A sua população pertence ao grupo étnico Ngangela e tem como principais modos de vida a
agricultura, pesca artesanal e caça.


2.4. Descrição específica dos locais para Angola

2.4.1 Local 1: Capico

O rio Cuebe em Capico corre por um canal relativamente estreito, sinuoso com trechos
rectilíneos. O leito do canal apresenta "pools" e áreas de águas mais rasas. As margens
apresentam fundo lamacento associado à matéria orgânica e áreas de areia fina. Ambas
margens apresentam-se colonizadas por vegetação diversa. As planícies de inundação são
de área relativamente reduzida.
As raízes submersas da vegetação marginal conferem uma variedade de espaços físicos
que são utilizados pela comunidade de macroinvertebrados como áreas de alimentação,
refúgio, local para oviposição, viveiro protector para larvas. Estas áreas conferem protecção
contra uma grande variedade de perturbações.

2.4.2 Local 2: Mucundi
O rio Cubnago em Mucundi apresenta um canal muito sinuoso com alguns troços
rectilíneos. O leito do rio é de substracto rochososo em áreas de correntes rápidas.
Substracto arenoso ocorre em zonas de menor fluxo conformando os "pools". As margens
são de lama e matéria orgânica. A margem esquerda do rio apresenta-se amplamente
inundada durante o pico da estação chuvosa permanecendo submersa parte da vegetação
marginal. A margem direita apresenta uma forte elevação topográfica.

As zonas de corrente rápida são aproveitadas por invertebrados filtradores que colocam
suas redes de captura (Trichoptera) ou aparelho bucal filtrador (Simuliidae) na direção do
fluxo de forma a otimizar a obtenção de alimento.

Junto às margens, nas áreas de águas mais lentas verifica-se a acumulação de material de
natureza vegetal (fragmentos de troncos e folhas) proporcionando local de alimento e
refúgio para diferentes espécies de invertebrados.


2.4.3 Local 3: Cuito-Cuanavale




15

EFA Angola Macroinvertebrados
O rio Cuito apresenta um canal a meandros com uma ampla planície de inundação coberta
espaçadamente por vegetação rasteira que abriga ampla comunidade de
macroinvertebrados. A vegetação desta planície apresenta-se completamente submersa
durante o pico da estação chuvosa. O sedimento é de natureza lamacenta com uma
camada de grande espessura.


2.4.4 Integridade do habitat dos locais em Angola

Os locais 1 e 2, Capico e Mucundi respectivamente, mostram pouca alteração dos habitats e
biotas naturais, mantendo as funções do ecossistema inalteráveis. O local 3, Cuito
Cuanavale, não apresenta modificações naturais. Considerando-se qualquer um dos
diferentes graus de desenvolvimento (baixo, médio e alto), prevêm-se modificações
acentuadas com perda do habitat natural, biota e funções do ecossistema para o local 1
(Capico). Para Mucundi e Cuito Cuanavale não se prevêm grandes modificações,
mantendo-se quase inalteráveis as funções do ecossitema.


Macroinvertebrates
5
Invertebrates
4
3
2
i
n
g
at
1
i
t
y
R
egr
P
P
nt 0
B to C
l
I
al
v
er -1
O
C to D
-2
D to E
-3
E to F
-4
-5
SITE 1
SITE 2
SITE 3
SITE 4
SITE 5
SITE 6
SITE 7
SITE 8
PD Simulated
Low Dev
Med Dev
High Dev


Imagem 2.3 Integridade do habitat 1






16

EFA Angola Macroinvertebrados
3. IDENTIFICAÇÃO DE INDICADORES E
CATEGORIAS DE CAUDAIS
3.1 Indicadores
3.1.1 Introdução
Os indicadores á biofisicos são atributos especificos da disciplina do sistema fluvial que
respondem a uma mudança do caudal do rio mediante alteração da sua:
afluência;
concentração; ou
extensão (área).

Os indicadores sociais são atributos das estruturas socias ligadas ao rio que respondem a
mudanças na disponibilidade de recursos fluviais (conforme descrito pelos indicadores
biofisicos).

Os indicadores são utilizados para caracterizar a situação actual e mudanças que ocorrerão
nos caudais, provocadas pelos desenvolvimentos a ter lugar ao longo do rio.

Dentro de cada uma disciplina biofísica, os principais atributos podem ser agrupados se
esperar-se que esses atributos respondam da mesma maneira ao regime caudal do rio. Por
exemplo, espécies de peixes que se movem para as planicies sujeitas à inundações em
quase mesma época e por mesmas razões de reprodução ou alimentação poderão ser
agrupadas em Grupo de Peixes X.

3.1.2 Lista indicativa para Macroinvertebrados
A fim de cobrir as principais características do sistema fluvial e seus utilizadores,
ser julgados necessários vários indicadores. Contudo, para qualquer um dos locais
o número de indicadores está limitado a dez (ou menos) de maneira a tornar possível
gestão do processo. A lista completa dos indicadores foi elaborada pelos
país na disciplina ­ Angola: Filomena Livramento, Botswana: Belda Mosepele e
Shishani Nakanwe ­ conforme apresentado na










17

EFA Angola Macroinvertebrados
Tabela 3.1. Outros detalhes de cada indicador, incluindo as espécies representativas de
cada espécie biológica, estão apresentadas no Anexo A, e detalhados no Capítulo 0.












18

EFA Angola Macroinvertebrados
Tabela 3.1
Lista dos indicadores para macroinvertebrados e aqueles indicadores
escolhidos para representarem cada local

Locais representados ­ não mais de dez
Número do
Nome do indicador
indicadores por local
Indicador
1 2 3 4 5 6 7 8





Comunidade de macroinvertebrados da
1
X
X
X


vegetação marginal






Comunidade de macroinvertebrados de
2

X



rápidos

Comunidade de macroinvertebrados em





3



pedras e cascalho
X
Comunidade de macroinvertebrados em





4
X


sedimento fino


Comunidade de macroinvertebrados da





5
vegetação marginal de zonas de

X


inundação
Comunidade de macroinvertebrados de





6



"pools"
X




3.1.3 Descrição e localização dos indicadores

Indicador macroinvertebrado nº 1

Nome: Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal

Descrição: Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal nos locais 1, 2 e 3



Taxa representativos: Aeshnidae (Odonata)

Outros taxa representativos: Baetidae e Caenidae (Ephemeroptera)


Determinação da posição do caudal relacionado:

- As ninfas vivem por entre as macrófitas e os sedimentos, ou enterradas nos sedimentos
superficiais

Necessidades conhecidas de água: Dependem da água para completar o seu ciclo de
desenvolvimento


19

EFA Angola Macroinvertebrados


Indicador macroinvertebrado nº 2

Nome: Comunidade de macroinvertebrados de rápidos

Descrição: Comunidade de macroinvertebrados de rápidos no local 2


Taxa representativos: Simuliidae


Determinação da posição do caudal relacionado: Geralmente encontrados no fundo preso a
substractos duros como rochas.

Necessidades conhecidas de água: encontrados em áreas de fluxo rápido


Indicador macroinvertebrado nº 3

Nome: Comunidade de macroinvertebrados em pedras e cascalho

Descrição: Comunidade de macroinvertebrados em pedras e cascalho no local 2



Taxa representativos: Hydropsychidae


Determinação da posição do caudal relacionado: encontrados geralmente por baixo de
pedras

Necessidades conhecidas de água: dependem da água para realização das suas funções
vitais


Indicador macroinvertebrado nº 4


Nome: Comunidade de macroinvertebrados em sedimento fino

Descrição: Comunidade de macroinvertebrados em sedimento fino no local 1



Taxa representativos: Unionidae


Determinação da posição do caudal relacionado: Enterrado em fundos lodosos

Necessidades conhecidas de água: Dependem da água para realização das suas funções
vitais




20

EFA Angola Macroinvertebrados
Indicador macroinvertebrado nº 5

Nome: Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal de zonas de inundação

Descrição: Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal de zonas de
inundação no local 3


Taxa representativos:Coenagrionidae


Determinação da posição do caudal relacionado: corrente junto á margem entre a vegetaçao

Necessidades conhecidas de água: Necessitam da água para completar o seu ciclo de
desenvolvimento



Indicador macroinvertebrado nº 6

Nome: Comunidade de macroinvertebrados de "pools"

Descrição: Comunidade de macroinvertebrados de "pools" no local 2



Taxa representativos: Dytiscidae


Determinação da posição do caudal relacionado: Encontra-se à superfície da água

Necessidades conhecidas de água: Necessitam da água para completar o seu ciclo de
desenvolvimento



3.2 Categorias de caudais ­ sítios do rio


Um dos principais pressupostos subjacentes ao processo da ACA a ser usado na ADT é que
é possível identificar de diferentes maneiras as partes do regime do caudal que são
ecologicamente relevantes e descrever sua natureza usando os registos hidrológicos
históricos. Nesse contexto, um dos primeiros passos para qualquer rio no processo da ACA,
é fazer consultas ao ecologista fluvial local a fim de identificar estas categorias mais
importantes de caudais do ponto de vista ecológico. Este processo foi seguido durante o
Workshop de Preparação realizado em Setembro de 2008 e quatro categories de caudais
foram acordadas para os locais da Bacia do rio Okavango:
Época seca (Dry)
Época de transição 1 (Trans 1)
Época de inundações (Wet)
Época de transição 2. (Trans 2)

As divisões sazonais provisórias para os locais 1-5 do rio estão demonstradas na Imagem
3.5. Estas divisões sazonais serão formalizadas pela equipa de hidrologistas do projecto em
forma de norma dentro do modelo hidrológico. A título provisório, eles providenciam


21

EFA Angola Macroinvertebrados
contribuições valiosas no regime do caudal do sistema fluvial, sugerindo uma alta
variabilidade do caudal dentro do período de um ano, no Rio Cuebe e uma alta variabilidade
do Rio Cubango dentro do periodo de um ano.

Planea-se utilizar caudais sazonais semelhantes para os restantes locais do rio: 6 e 8.

120
Wet
100
Trans
n 1
Trans
n 2
Dry
80
Year
Y
2
ear
60
Year
Y
1
ear
Year
Y
3
ear
40
20
0
O
N
D
J
D
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 3.1 Três anos representativos para o local 1: Rio Cuebe em Capico, que
ilustram a divisão aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais


1200
Wet
1000
Trans 1
Trans 2
n
Dry
800
Year
Y
1
600
Year
Y
2
Year
Y
3
400
200
0
O
N
D
J
D
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 3.2 Três anos representativos para o local 2: Rio Cubango em Mucundi, que
ilustram a divisão aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais




22

EFA Angola Macroinvertebrados
250
1
Wet
2
Dry
200
ans
ans
Tr
Tr
150
Year 1
Year 2
100
Year 3
50
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 3.3 Três anos representativos para o local 3: Rio Cuito em Cuito Cuanavale,
que ilustram a divisão aproximada do regime do caudal em quatro estações de
caudais


1000
900
Wet
We
800
Dry
Dr
Tra
Tr n
a s
n 1
s
Tra
Tr n
a s
n 2
s
Dry
Dr
700
600
Year 1
500
Year 2
400
Year 3
300
200
100
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 3.4 Três anos representativos para o local 4: Rio Okavango em Kapoka
(dados hidrológicos obtidos da estação hidrometrica do Rundo), que ilustram a
divisão aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais

1800
1600
Wet
1400
Dry
Trans
n 1
Trans 2
Dry
1200
1000
Year 3
00
Year 2
800
Year 1
600
400
200
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S



23

EFA Angola Macroinvertebrados
Imagem 3.5 Três anos representatives para o local 5: Rio Okavango nos Rápidos de
Popa (dados hidrologicos obtidos a partir da estação hidrométrica de Mukwe), que
ilustram a divisão aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais

A análise da bibliografia (Capítulo 0) e recolha de dados e os exercícios de análise (Capitulo
0) se concentra na abordagem do resultado inicialmente esperado a serem as nove
principais perguntas relacionadas com estas estações de caudais (Tabela 3.2).

Tabela 3.2
Questões a serem abordadas no Workshop de Captação de
Conhecimentos, por indicador e por local. Para todos os efeitos, o `natural' abarcará
na totalidade a vasta gama da variabilidade natural
Número da Época
Resposta do indicador se:
pergunta
1
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural
2
Época Seca
Os níveis das aguas são mais altos ou baixo que o modo/média natural
3
Demora-se mais que o modo/médianatural
A duração é mais longa ou mais curta que o modo/média natural - i.e. a
4
hidrografia torna-se mais escarpada ou de menor profundidade
Transição 1
Os fluxos são mais ou menos variaveis que o modo/média natural e assim como a
5
sua extensão
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural ­ a
6
Época de
sincronização com a chuva poderá se alterar
inundação
7
Alterada a proporção natural dos diferentes tipos de inundações anuais
8
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural
Transição 2
A duração é mais longa ou maus curta que o modo/média natural ­ i.e. a
9
hidrografia torna-se mais escarpada ou de menor profundidade


3.3 Categorias de inundação ­ pontos do Delta
As categorias reconhecidas de caudais do rio não são relevantes no Delta, onde portanto, a
inundação é o principal propulsor da forma e do funcionamento do ecossistema. As
principais categorias de inundação reconhecidas pelo modelo de inundação desenvolvido
pelo Centro de Pesquisas Harry Oppenheimer do Delta Okavango (HOORC) são usados no
presente documento (



24

EFA Angola Macroinvertebrados
Tabela 3.3).





25

EFA Angola Macroinvertebrados
Tabela 3.3
Categorias de inundação para o Delta do Okavango conforme
reconhecido pelo modelo de inundação do HOORC
Número de Nome da

Descrição
categoria
categoria de
de
inundação
inundação




















26

EFA Angola Macroinvertebrados
4. ANÁLISE DA BIBLIOGRAFIA
4.1 Introdução
A pesquisa bibliográfica centrou-se basicamente sobre os indicadores. A escassez de
bibliografia constitui uma forte limitação na informação constante do presente relatório. O
recurso à informação disponível na internet constituiu uma alternativa, porém os artigos de
acesso livre são maioritariamente do Brasil, pouco ou quase nada tendo sido encontrado
para África. Por este facto, boa parte da informação se restringe a trabalhos realizados
naquele país, o que ainda assim se revelou altamente insuficiente. Nenhuma informação
relativamente a macroinvertebrados foi encontrada para Angola.


4.2 Indicador nº1 ­ Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal

4.2.1 Principais características do Indicador nº. 1
Diversos índices de tolerância classificam os Odonata como organismos sensíveis à
poluição. Estão associados a ambientes íntegros, restritos às águas com um conteúdo de
oxigénio relativamente elevado e diminuindo seu número em áreas degradadas ((RobacK,
1974 in Wetzel, 1993).

As ninfas de Odonata vivem associadas à vegetação marginal que lhes servem de
protecção contra os predadores (peixes, etc) e esconderijo para a caça. O tamanho reduzido
destes organismos permite-lhes encontrar refúgio entre as ramificações das raízes em
eventos de cheias e correntezas mais fortes (Lara & Dubiasky-Silva, 2007)

A restrição dos Odonata e Ephemeroptera a águas com um conteúdo de oxigénio
relativamente elevado faz destes, importantes indicadores do sistema fluvial.

A família Baetidae está associada a a ambientes moderadamente degradados.

4.2.2 Atributos do ciclo de vida do indicador nº. 1
Odonata ­ os ovos fecundados são depositados na água, em substractos dentro ou perto da
água ou dentro de partes submersas da vegetação. As ninfas emergem duas a cinco
semanas após a deposição dos ovos; sofrem entre 10 e 20 mudas num período
compreendido entre cinco semanas e cinco anos. As ninfas maduras tornam-se adultos de
vida aérea.

Ephemeroptera ­ A cópula ocorre durante o vôo. Os ovos fecundados são depositados na
água ou sobre objectos submersos.
A eclosão ocorre entre alguns dias e muitas semanas após a deposição dos ovos
fecundados. Ocorrem entre 10 e 40 mudas durante um ciclo de vida médio de cerca de um
ano. A forma adulta é alcançada gradualmente com mudas sucessivas ­ metamorfose
gradual ou incompleta (desenvolvimento hemimetábolo).

Espécies de regiões tropicais e sub-tropicais geralmente formam duas a várias gerações
por ano tendo um estágio muito curto de vida aquática.




27

EFA Angola Macroinvertebrados
4.2.3 Ligação ao caudal

As espécies de Aeshnidae vivem debaixo de pedras em zonas de correntes rápidas ou
lentas. São muito sensíveis à poluição.

Os Baetidae são encontrados entre rochas, plantas ou areia grosseira em zonas de corrente
moderadamente rápidas. Apresentam adaptações morfológicas que os impedem de serem
levados em águas de maior corrente.

Os membros da família Caenidae habitam pedras ou áreas lodosas em áreas de fluxo lento
ou muito lento (Gerber & Gabriel, 2002).

4.3 Indicador nº2 ­ Comunidade de macroinvertebrados de rápidos
4.3.1 Principais características do Indicador nº 2 ­ Simuliidae

Este indicador caracteriza-se pelo facto de algumas espécies serem vectores da
oncocercose, doença causada por um verme filaróide que produz grandes tumores
subcutâneos. As fêmeas são hematófagas de mamíferos e de aves (Borror & Delong, 1969).

As formas imaturas desenvolvem-se em águas oxigenadas e estão bem adaptadas a águas
de fluxo rápido sendo a ausência de águas correntes um factor limitante na sua distribuição
regional. O fluxo rápido proporciona o alimento e elevada oxigenação da água da qual
dependem. (Day et al, 2002).

A dependência destes organismos a águas de fluxo rápido e bem oxigenadas aliada ao
facto de serem agentes transmissores de doenças, faz deles importantes indicadores para o
sistema fluvial.

Diversos impactos ambientais podem contribuir para o desequilíbrio populacional dos
simulídeos, como as alterações no leito dos rios, o uso e a ocupação dos solos das suas
margens e a destruição da vegetação ciliar nativa podendo resultar no aumento
populacional de algumas espécies e na eliminação de predadores naturais (Strieder et al
2006)

4.3.2 Atributos do ciclo de vida do indicador nº. 2

Os ovos são depositados pela fêmea na vegetação logo abaixo da superfície da água. As
larvas emergem e fixam-se a pedras e outros objectos por um disco de fixação situado na
extremidade posterior do corpo. Algumas larvas de Simulidae são filtradoras retirando o
alimento da corrente de água. A larva passa por diversos estágios antes de se formar a
pupa. Esta forma-se no interior de estojos cónicos presos a vegetação ou objectos na
água.(De Moor, 2002). Os adultos emergem da pupa e em algumas espécies ocorre o
acasalamento logo em seguida. O tempo de duração do ciclo de vida é variável em função
da espécie e da temperatura da água.






28

EFA Angola Macroinvertebrados
4.3.3 Ligação ao caudal

Simuliidae são encontrados em correntes rápidas aderidos a substractos submersos, como
rocha ou vegetação (Merrit & Cummins, 1984).


4.4 Indicador nº3 ­ Comunidade de macroinvertebrados de pedras e cascalho

4.4.1 Principais características do Indicador n.º 3 ­ Hydropsychidae

As larvas constroem um abrigo de areia, pedrinhas ou detritos e no interior deste ocorre a
sua transformação em pupa. Próximo ao abrigo tecem uma rede voltada para a corrente,
que aprisiona os materiais dos quais se alimenta (Borror & Delong, 1969)

4.4.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
Os ovos são colocados sobre a vegetação ou sobre substractos debaixo de água,
demorando o seu desenvolvimento de uma a sete semanas. Após uma a sete mudas forma-
se a pupa. O estado de pupa dura geralmente algumas semanas, após as quais sai do
casulo, desloca-se para um substracto aéreo e emerge na forma adulta.


4.4.3 Ligação ao caudal

Encontrado preferencialmente em locais de fluxo muito rápido.(Gerber& Gabriel)


4.5 Indicador nº4 ­ Comunidade de macroinvertebrados de sedimentos finos

4.5.1 Principais características do Indicador nº. 4 ­ Unionidae
Os membros desta família são usados para alimentação, pelas populações ribeirinhas. São
animais filtradores que retiram continuamente partículas alimentares da água. Jogam um
papel fundamental na ecologia do ecossistema porque participam na decomposição dos
detritos e mantêm sob controlo as populações bacterianas e planctónicas.
Unionidae são considerados bons indicadores da qualidade da água. No processo de
alimentação por filtração acumulam em seus tecidos os poluentes da água até níveis de
concentração letais. Uma drástica redução da população é indicação de má qualidade da
água (Winhold, 2004)
Elevadas concentrações populacionais dependem de correntes rápidas para sobrevivência.
Durante períodos de fluxo lento ou nulo, elevadas densidades populacionais causam rápida
deplecção de oxigénio dissolvido e suprimento alimentar levando à morte destes e outros
organismos.
Alterações no leito do rio conducentes à deposição de sedimentos finos colmatam o
substracto impedindo o desenvolvimento dos juvenis.


29

EFA Angola Macroinvertebrados
As características acima apontadas são determinantes na escolha desta comunidade como
um indicador fluvial.

4.5.2 Atributos do ciclo de vida do indicador nº. 4
Os ovos são incubados entre as lamelas branquiais onde se desenvolvem na larva
gloquídio. A larva tem existência parasitária em peixes que servem de agentes de dispersão
para estas espécies. Esta fase dura de dez a trinta dias após as quais os juvenis
abandonam o hospedeiro terminando o desenvolvimento no sedimento. A maioria das
espécies parasita mais de uma espécie de peixe (Barnes, 1996)


4.5.3 Ligação ao caudal

Habitam substractos lodosos.

4.6 Indicador nº 5 ­ Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal de
zonas de inundação

4.6.1 Principais características do Indicador nº. 5 ­ Coenagrionidae
Diversos índices de tolerância classificam os Odonata como organismos sensíveis à
poluição. Estão associados a ambientes íntegros, restritos às águas com um conteúdo de
oxigénio relativamente elevado (RobacK, 1974 in Wetzel, 1993) e diminuindo seu número
em áreas degradadas, o que faz deste grupo um indicador do sistema fluvial.


4.6.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
A oviposião ocorre em série; neste processo a fêmea coloca-se à superfície da água e
submerge o abdómen no seu interior. Os ovos são depositados entre a vegetação
submersa.

4.6.3 Ligação ao caudal

Ocorrem em águas correntes e paradas

4.7 Indicador nº 6 ­ Comunidade de macroinvertebrados de "pools"

4.7.1 Principais características do Indicador nº. 6 - Dytiscidae
Os Dytiscidae alimentam-se de pequenos animais aquáticos, incluindo peixes. Para
respirarem vêm à tona da água captar o oxigénio, mas podem permanecer submersos por
longos períodos porque carregam ar em uma câmara situada sob os élitros (Borror &
Delong, 1969). As larvas absorvem principalmente oxigénio dissolvido na água. Larvas e
adultos são carnívoros alimentando-se inclusive de pequenos peixes. Referidos como muito
tolerantes à poluição


30

EFA Angola Macroinvertebrados

4.7.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
A postura é feita na superfície de plantas aquáticas ou de outros suportes, ou no interior dos
tecidos das plantas (postura endofítica). Quando a larva completa o desenvolvimento,
desloca-se até à margem húmida onde se enterra, preparando uma célula subterrânea
dentro da qual se metamorfosea em pupa.

4.7.3 Ligação ao caudal

Encontram-se preferencialmente em áreas de fluxo lento.
4.8 Resumo

É de certa forma frustante a realização de um relatório desta natureza sem informação que
se possa considerar satisfatória. A pouco informação a que se conseguiu aceder é muito
generalizada e não abarca aquilo que se tem como objectivo. Relativamente ao
conhecimento dos nossos rios há ainda muito ou quase tudo por se fazer.


























31

EFA Angola Macroinvertebrados

5. RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS

5.1
Metodologia para recolha e análise de dados

As visitas ao campo com recolha de amostras nos 3 locais de estudo foram efectuadas em
Outubro e Novembro de 2008 e Março de 2009.

A amostragem foi realizada com uma rede de mão quadrada com 30 cm de largura e rede
de malha de 500 µm. Estas foram realizadas nos diferentes tipos de habitats encontrados
em cada rio.

A amostragem foi feita por movimentação da rede de mão com a boca voltada em direcção
a montante. O substracto foi revolvido com a própria rede para desalojamento dos
macroinvertebrados. Para o substracto rochoso a colecta dos macroinvertebrados foi
realizada com o auxílio de uma pinça.

As amostras foram vertidas para um tabuleiro de plástico branco para separação e
identificação dos grupos taxonómicos até ao nível de família com auxílio do manual de
identificação de campo de Gerber & Gabriel, 2002. O material cuja identificação no campo
não foi possível foi conservado em frascos com álcool a 70% devidamente etiquetados e
posteriormente identificados em laboratório com o auxílio de uma lupa binocular.


5.2 Resultados

Com base na diversidade de habitas encontrados nos diferentes locais de estudo, foram
defenidos seis indicadores macroinvertebrados. O rio Cubango no Mucundi é o que oferece
maior diversidade de habitats e consequentemente maior número de indicadores
relativamente aos outros dois locais estudados.

A comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal (indicador nº1) representada
pelos Odonata revela-se a mais rica em diversidade e número relativamente aos outros
indicadores. Os Odonata são sensíveis à poluição e restritos a águas com elevado conteúdo
em oxigénio, o que nos leva a inferir a boa qualidade da água dos três locais de estudo.

As comunidades de macroinvertebrados em rápidos (indicador nº2) e em pedras e cascalho
(indicador nº3) são restritos ao rio Cubango em Mucundi que se caracteriza por apresentar
correntes rápidas. O indicador nº. 2, representado pelos dípteros da família Simulidae e o nº.
3 pelos tricópteros Hydropsychidae estão bem adaptados a áreas de fluxo rápido.
Unionidae representa a comunidade de macroinvertebrados de sedimentos finos (indicador
nº 4). Registada apenas no rio Cuebe em Capico, é usada como alimento pela população
local.

O indicador nº. 5 ­ comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal de zonas de
inundação ­ representada pelos odonata da família Coenagrionidae, restringe-se ao rio


32

EFA Angola Macroinvertebrados
Cuito no Cuito Cuanavale, área que apresenta extensa planície de inundação. Tal como foi
acima referido, os odonata estão associados a água com elevados conteúdos de oxigénio e
a ambientes íntegros.

A comunidade de macroinvertebrados de "pools" define o indicador nº. 6 representado pelos
coleópteros da família Dytiscidae, está restrita ao rio Cubango em Mucundi.

Um total de 28 famílias foi registado nos 3 locais de estudo. Capico é o local que apresenta
maior diversidade, seguida de Mucundi. Considerando os diferentes tipos de habitat,
verifica-se que a vegetação marginal alberga uma maior variedade de taxa. Seguem-se os
habitat de pedras e cascalho, vegetação marginal de zonas húmidas, sedimentos finos e por
fim "pools". A maior abundância foi igualmente verificada em Capico, seguida de Mucundi.
As amostragens realizadas em Outubro (início das chuvas) mostraram uma maior variedade
e abundância em qualquer dos 3 locais de estudo.

As amostragens feitas em Março revelaram-se mais pobres relativamente às anteriores.
Nesta altura as margens encontravam-se completamente inundadas recobrindo uma grande
parte da vegetação marginal em Capico e Mucundi.

Os resultados parecem concordar com o de vários estudos que apontam diminuição da
fauna de macroinvertebrados como um todo, em épocas de chuva devido a desestabilização
dos ambientes pelas enxurradas comuns nestes períodos (Kikuchi & Uieda, 1998).

Em Mucundi, no mês de Março não foi possível fazer a amostragens nas pedras por estas
estarem completamente submersas. No Cuito Cuanavale a vegetação da extensa planície
de inundação encontrava-se igualmente submersa.



5.3
Um resumo do entendimento presente das respostas previstas de todos
os indicadores (macroinvertebrados) as potenciais mudanças no regime
de fluxo









33

EFA Angola Macroinvertebrados

5.3.1 Indicador nº. 1 Comunidade de Macroinvertebrados da vegetação marginal


Tabela 5.1 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de macroinvertebrados da vegetação marginal no
ecosistema do Rio Okavango - Capico

Confiança na previsão
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


1
o natural
Não afecta
Alta
Os níveis das águas são mais altos ou mais


2
Época Seca
baixos que o natural
Níveis mais baixos vão levam a mudanças para fora do natural
Alta


3
Estende-se por mais tempo que o natural
Conduz a mudanças para fora do natural (redução da população)
Alta


A duração é mais longa ou mais curta que o


4
natural - i.e. hidrografia torna-se mais


Transição 1
escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta
Os caudais são mais ou menos variáveis que

5
o natural
Não afecta
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


6
o natural ­ a sincronização com a chuva


Época de
poderá ser alterada
Não afecta
Alta
inundação
Alterada a proporção natural dos diferentes


7
tipos de inundações anuais
Alterações pouco significativas
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


8
o natural
Não afecta
Alta


Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o


9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais


escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta



34

EFA Angola Macroinvertebrados



Tabela 5.2 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de macroinvertebrados da vegetação marginal no
ecosistema do Rio Okavango ­ Mucundi

Confiança na
previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média,
alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


1
o natural
Não afecta
Alta
Os níveis das águas são mais altos ou mais


2
Época Seca
baixos que o natural
Níveis mais baixos vão levar a uma redução da população
Alta


3
Estende-se por mais tempo que o natural
Redução da população
Alta


A duração é mais longa ou mais curta que o


4
natural - i.e. hidrografia torna-se mais


Transição 1
escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta
Os caudais são mais ou menos variáveis que

5
o natural
Não afecta
Alta

O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que



o natural ­ a sincronização com a chuva


Época de
6
poderá ser alterada
Não afecta
Alta
inundação
Alterada a proporção natural dos diferentes


7
tipos de inundações anuais
Acima da média leva ao afastamento do natural
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


8
o natural
Não afecta
Alta


Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o


9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais


escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta


35

EFA Angola Macroinvertebrados


Tabela 5.3 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de macroinvertebrados da vegetação marginal no
ecosistema do Rio Okavango ­ Cuito Cuanavale

Confiança na
previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média,
alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


1
o natural
Não afecta
Alta
Os níveis das águas são mais altos ou mais
Níveis mais baixos vão levar ao afastanento do natural.

2
Época Seca
baixos que o natural
Níveis acima da média levam em direcção ao natural.
Alta


3
Estende-se por mais tempo que o natural
Não afecta
Alta


A duração é mais longa ou mais curta que o


4
natural - i.e. hidrografia torna-se mais


Transição 1
escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta
Os caudais são mais ou menos variáveis que

5
o natural
Não afecta
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


6
o natural ­ a sincronização com a chuva


Época de
poderá ser alterada
Não afecta
Alta
inundação
Alterada a proporção natural dos diferentes


7
tipos de inundações anuais
Não afecta de forma significativa.
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


8
o natural
Não afecta
Alta


Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o


9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais


escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta



36

EFA Angola Macroinvertebrados

5.3.2 Indicador nº. 2 - Comunidade de macroinvertebrados de rápidos

Tabela 5.3 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de macroinvertebrados de rápidos no ecosistema do
Rio Okavango ­ Mucundi

Confiança na
previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média,
alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


1
o natural
Não afecta
Alta
Os níveis das águas são mais altos ou mais


2
Época Seca
baixos que o natural
Não afecta
Média


3
Estende-se por mais tempo que o natural
Afecta de forma pouco significativa
Média


A duração é mais longa ou mais curta que o


4
natural - i.e. hidrografia torna-se mais


Transição 1
escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta
Os caudais são mais ou neos variáveis que o

5
natural
Não afecta
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


6
o natural ­ a sincronização com a chuva


Época de
poderá ser alterada
Não afecta
Alta
inundação
Alterada a proporção natural dos diferentes
Volumes minímos resultam em mudanças em direcção ao natural; volumes máximos, em dirtecção

7
tipos de inundações anuais
oposta
Média
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


8
o natural
Não afecta
Alta
Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o

9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais


escarpada ou de menor profundidade
Não afecta


37

EFA Angola Macroinvertebrados

5.3.3 Indicador nº. 3 ­ Comunidade de macroinvertebrados de pedras e cascalho

Tabela 5.4

Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de macroinvertebrados de pedras e cascalho no
ecosistema do Rio Okavando ­ Mucundi

Confiança na
previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média,
alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que

1

o natural
Não afecta
Os níveis das águas são mais altos ou mais
Níveis mais baixos resultam em perda de população. Esta depende de fluxos de água rápidos para a
2
Época Seca

baixos que o natural
alimentação.

3
Exsende-se por mais tempo que o natural

Não afecta

A duração é mais longa ou mais curta que o

4
natural - i.e. hidrografia torna-se mais


Transição 1
escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Os caudais são mais ou neos variáveis que o
5

natural
Não afecta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que

6
o natural ­ a sincronização com a chuva


Época de
poderá ser alterada
Não afecta
inundação
Alterada a proporção natural dos diferentes

7

tipos de inundações anuais
Não afecta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que

8

o natural
Não afecta
Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o

9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais
Não afecta

escarpada ou de menor profundidade



38

EFA Angola Macroinvertebrados

Indicador nº. 4 ­ Comunidade de macroinvertebrados de sedimentos finos

Tabela 5.5

Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de macroinvertebrados de sedimento fino no
ecosistema do Rio Okavango ­ Capico

Confiança na previsão
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que

1
Alta
o natural
Não afecta
Níveis de água abaixo do normal levam a um forte decréscimo da população por: redução dos recursos
Os níveis das águas são mais altos ou mais
alimentares; maior tempo de exposição aos seus pedradores; menor disponibilidade de oxigénio;

2
Época Seca
baixos que o natural
inviabilidade na renovação da população por falta de espécies hospedeiras das formas larvares. Níveis

mais altos não afecta.
Alta


3
Estende-se por mais tempo que o natural
Conduz a mudanças para fora do natural
Média


A duração é mais longa ou mais curta que o


4
natural - i.e. hidrografia torna-se mais


Transição 1
escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta
Os caudais são mais ou neos variáveis que o

5
natural
Mudanças pouco significativas
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


6
o natural ­ a sincronização com a chuva


Época de
poderá ser alterada
Não afecta
Alta
inundação
Alterada a proporção natural dos diferentes


7
tipos de inundações anuais
Não afecta
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


8
o natural
Não afecta
Alta
Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o


9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais
Não afecta
Alta
escarpada ou de menor profundidade




39

EFA Angola Macroinvertebrados

5.3.5 Indicador nº. 5 ­ Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal da zona de inundação

Tabela 5.6

Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de macroinvertebrados da vegetação marginal da zona
de inundação no ecosistema do Rio Okavango ­ Cuito Cuanavale

Confiança na
previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média,
alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


1
o natural
Não afecta
Alta
Os níveis das águas são mais altos ou mais


2
Época Seca
baixos que o natural
Não afecta
Alta


3
Estende-se por mais tempo que o natural
Não afecta
Baixa


A duração é mais longa ou mais curta que o


4
natural - i.e. hidrografia torna-se mais


Transição 1
escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta
Os caudais são mais ou neos variáveis que o

5
natural
Não afecta
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


6
o natural ­ a sincronização com a chuva


Época de
poderá ser alterada
Não afecta
Alta
inundação
Alterada a proporção natural dos diferentes
Caudais minímos conduzem para fora do natural.

7
tipos de inundações anuais
Caudais maiores conduzem em direcção ao natural
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


8
o natural
Não afecta
Alta
Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o
Não afecta
9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais
Alta
escarpada ou de menor profundidade



40

EFA Angola Macroinvertebrados

5.3.6 Indicador nº. 6 ­ Comunidade de macroinvertebrados de "pools"

Tabela 5. 1.8: Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de macroinvertebrados de "pools" no ecosistema do
Rio Okavando ­ Mucundi

Confiança na
previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média,
alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


1
o natural
Não afecta
Alta
Os níveis das águas são mais altos ou mais


2
Época Seca
baixos que o natural
Não afecta
Alta


3
Estende-se por mais tempo que o natural
Mudança pouco significativa para fora do natural
Alta

A duração é mais longa ou mais curta que o


4
natural - i.e. hidrografia torna-se mais


Transição 1
escarpada ou de menor profundidade
Alta
Não afecta
Os caudais são mais ou neos variáveis que o

5
natural
Não afecta
Alta
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


6
o natural ­ a sincronização com a chuva
O inicio antecipado conduz a uma mudança para fora do natural.

Época de
poderá ser alterada
O inicio tardio leva a uma mudança em direcção ao natural.
Média
inundação
Alterada a proporção natural dos diferentes


7
tipos de inundações anuais
Mudanças em relação ao natural pouco significativs
Média
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que


8
o natural
Não afecta
Alta


Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o


9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais


escarpada ou de menor profundidade
Não afecta
Alta


41

EFA Angola Macroinvertebrados

Conclusão
Resumir aqui neste espaço as suas impressões sobre as actividades que tem concluido, que
dados em falta teriam melhorado consideravelmente a qualidade e a confiança das suas
previsões, e portanto, que acha sobre areas a enfatizar na pesquisa futura.






42

EFA Angola Macroinvertebrados

6. RELAÇÃO DA CURVA DE RESPOSTA DOCAUDAL PARA USO NA
ACA-SAD (SISTEMA DE APOIO DE TOMADA DE DECISÃO) DO
OKAVANGO

Deverá inserir estas curvas de respostas depois de os ter criado durante o
Workshop de Captação de Conhecimentos em Março de 2009. Deixar o presente
espaço em branco por agora.




43

EFA Angola Macroinvertebrados

7. REFERÊNCIAS


ALVARENGA, A.J. & ABREU, C.B. 2007. Monitoramento da Fauna de
Macroinvertebrados Bentónicos do Ribeirão Ipanema ­ Ipatinga MG: Uma
comunidade Bioindicadora da Efectividade de Programas de Despoluição de Cursos
D'água. PRINCIPIUM ON LINE: Iniciação Científica no UnilesteMG, Coronel
Fabriciano 1
: 130-139.

BUENO, A.A.P., BOND-BUCKUP, G. & FERREIRA, B.D.P. 2003. Estrutura da
comunidade de macroinvertebratos bentônicos em dois cursos d`água do Rio
Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia 20(1): 115-125.

BUTLER, J.F. and HOGSETTE,J.A. 1998. Black Flyes, Simulium spp. (Insecta:
Diptera: Simuliidae). University of Florida. IFAS extension. EENY-030

BORROR, D.J. & DELONG, M.D. 1969. Estudo dos Insectos. Editora Edgard
Blucher Ltda.

BORROR, D.J. Ecological studies of Argia Moesta Hagem (Odonata:
Coenagrionidae) by means of marking

DAY, J.A., HARRISON, A.D. & MOOR, I.J. 2002. Guides to the Freswater
Invertebrates of Southern Africa. Vol. 9: Diptera. Water Research Comission.

DE MOOR, I.J., DAY, J.A. & DE MOOR. 2003. Guides to the Freswater Invertebrates
of Southern Africa. Vol. 7: Insecta I. Ephemeroptera, Odonata and Plecoptera.
Water Research Comission.

GERBER, A. & GABRIEL, M.J.M. 2002. Aquatic Invertebrates of South African
Rivers. Field Guide. Institute for Water Quality Studies. Department of Water Affairs
and Forestry.

FIGUEIRÓ, R., NASCIMENTO, E.S.M MAIA-HERZOLG & M, MONTEIRO, R.F.
Variações na velocidade de correnteza e sua influência nos padrões de distribuição
local das larvas de simulídeos (Diptera: Simulidae)???????????????

KIKUCHI, R.M. & UIEDA, V.S. 2005. Composição e distribuição dos
macroinvertebrados em diferentes substractos de fundo de um riacho no município
de Itatinga, São Paulo, Brasil. Entomol. Vect. 12 (2): 193-231

LARA, F.B. & DUBIASKY-SILVA, J. 2007. Distribuição Sazonal da Ordem
Ephemeroptera no Rio Campestre, Piraquara (PR). Anais do VIII Congresso de
ecologia do Brasil

Plano Sectorial da Rede Natura 2000. 2006. Fauna, Invertebrados. Instituto de
Conservação da Natureza. Disponível em:
http://www.icn.pt/psrn2000/caracterizacao_valores_naturais/FAUNA/invertebrados/U
nio%20crassus.pdf

REZENDE, C.F. Colonização de folhiço submerso por macroinvertebrados em áreas
de remanso e correnteza em igarapés na Amazônia central.



44

EFA Angola Macroinvertebrados

SOUZA, L.O.I; COSTA, J.M. & OLDRINI, B.B. 2007. Odonata. In: Guia on line:
Identificação de larvas de Insectos Aquáticos do Estado de São Paulo. Froehlich,
C.G. (org.). Disponível em:. http://sites.ffclrp.usp.br/aguadoce/Guia_online

WETZEL, R.G. 1993. Limnologia. Fundação Calouste Gulbenkian.Lisboa

WINHOLD, L. 2004. "Unionidae" (On-line), Animal Diversity Web. Acessado em 4 de
Março de 2009 em
http://animaldiversity.ummz.umich.edu/site/accounts/information/Unionidae.html).



45

EFA Angola Macroinvertebrados

8. ANEXO A: DESCRIÇÃO COMPLETA DOS INDICADORES


Indicador nº. 1: Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal

ODONATA

Os Odonata são insectos hemimetábolos com adultos terrestres e larvas aquáticas.
Estas respiram por meio de brânquias. Os adultos são voadores activos e de hábitos
diurnos. Os adultos e todas as formas imaturas são pedradores vorazes
alimentando-se de outros insectos incluindo outros odonata e provavelmente
importantes agentes naturais de controlo de mosquitos e outros insectos.
Alimentam-se de outros insectos incluindo outros odonata, girinos e de larvas de
peixes. As larvas caracterizam-se por apresentarem um lábio extensível armado
com espinhos e cerdas para captura de alimentos. O lábio fica dobrado sob a
cabeça quando em repouso, quando estendido tem em geral, pelo menos, um terço
do comprimento do corpo. Servem de alimento a outros artrópodes, peixes, anfíbios
e aves (Sousa et al, 2007; Borror & Delong, 1969).
Os machos de odonata distinguem-se de outras espécies por apresentarem os
órgãos copuladores masculinos localizados na parte anterior do abdómen no lado
ventral do segundo segmento. Em outros insectos a genitália masculina encontra-se
na parte posterior do abdómen (Borror & Delong, 1969)
Os ovos fecundados são depositados na água, em substractos dentro ou perto da
água ou dentro de partes submersas da vegetação (postura endofítica). As ninfas
emergem duas a cinco semanas após a deposição dos ovos; Sofrem entre 10 e 20
mudas num período que vai entre cinco semanas e cinco anos (Wetzel, 1993).
Terminado o crescimento da ninfa, esta arrasta-se para fora da água onde sofre a
muda final. As ninfas maduras tornam-se adultos de vida aérea. (Wetzel, 1993).
Odonatas vivem caracteristicamente no habitat litoral por entre as macrófitas e os
sedimentos, ou enterrados nos sedimentos superficiais. Dependem de elevadas
concentrações de oxigénio para respirar (Wetzel, 1993)
As ninfas vivem associadas à vegetação marginal que lhes servem de protecção
contra os predadores e esconderijo para a caça. O tamanho reduzido destes
organismos permite-lhes encontrar refúgio entre as ramificações das raízes em
eventos de cheias e correntezas mais fortes.
Os membros da família Baetidae apresentam modificações morfológicas que os
impedem de serem carreados pela corrente.


EPHEMEROPTERA


Oadulto possui uma longevidade muito curta (três a quatro dias) e nunca se
alimenta. As ninfas podem viver até três anos em águas correntes, limpas e bem
oxigenadas (Roldán-Pérez, 1988 in Lara e Dubiasky-Silva, 2007).
A cópula ocorre durante o vôo. Os ovos fecundados são depositados na água ou
sobre objectos submersos (Barber-James & Lugo-Ortiz in De Moore t al, 2003). Os
ovos têm importância taxonómica por serem característicos em muitas espécies
A eclosão ocorre entre alguns dias e muitas semanas após a deposição dos ovos
fecundados ou pode seguir-se uma diapausa de vários meses. Ocorrem entre 10 e
40 mudas durante um ciclo de vida médio de cerca de um ano (Wetzel, 1993).


46

EFA Angola Macroinvertebrados

Em muitas espécies os ovos passam por um processo de diapausa antes da
incubação.
A forma adulta é alcançada gradualmente com mudas sucessivas ­ metamorfose
gradual ou incompleta (desenvolvimento hemimetábolo).
Espécies de regiões tropicais e sub-tropicais geralmente formam duas a várias
gerações por ano tendo um estágio muito curto de vida aquática. Isto pode ser uma
adaptação a cursos de água intermitentes.
As ninfas ocorrem em ambientes lênticos e lóticos, caracteristicamente em locais
pouco profundos. Algumas espécies estão restritas a substractos específicos de
macrófitas ou a determinados sedimentos (Eriksen, 1963b in Wetzel, 1993)
Estas alimentam-se de matéria orgânica particulada, bactérias, perifíton (sobretudo
diatomáceas) e macroinvertebrados, podendo ser filtradoras, consumidoras de
depósito ou predadoras. Diferentes adaptações aos diversos modos de alimentação
são encontradas, entre as ninfas. Espécies filtradoras apresentam longas cerdas
especializadas, localizadas nas pernas anteriores que permitem a colecta de matéria
fina particulada. Espécies predadoras colocam-se de frente para a corrente no topo
de rochas em áreas de rifles (Barber-James & Lugo-Ortiz in De Moor et al, 2003).
O número de instares da ninfa varia entre 10 e 50 em função da espécie e está
relacionado com o regime de temperaturas. O aumento da temperatura acelera o
desenvolvimento resultando em menos instares e indivíduos menores. Em
condições de baixas temperaturas ocorrem maiores números de instares, indivíduos
maiores e as fêmeas tendem a produzir mais ovos que indivíduos da mesma
espécie em águas quentes (Barber-James & Lugo-Ortiz in De Moor et al, 2003).
Apresentam uma ampla distribuição mesmo em águas com uma sobrecarga
orgânica moderada embora estejam restritos à águas com um conteúdo de oxigénio
relativamente elevado Roback, 1974 in Wetzel, 1993)
Como resposta às alterações da concentração de oxigénio algumas espécies são
capazes de regular os movimentos respiratórios das guelras (Eriksen, 1963a in
Wetzel, 1993)
As ninfas estão muitas vezes associadas a zonas de fluxo reduzido ou quase nulo
tais como polls e "poças". Em zonas de corrente são encontradas entre os
sedimentos de águas estagnadas ou entre a vegetação onde se alimentam de
partículas finas de detritos e de perifíton (Barber-James & Lugo-Ortiz in De Moor et
al,
2003)


Indicador nº. 2: Comunidade de macroinvertebrados de rápidos

SIMULIDAE


Este indicador caracteriza-se pelo facto de algumas espécies serem vectores da
oncocercose, doença causada por um verme filaróide que produz grandes tumores
subcutâneos. As fêmeas são hematófagas de mamíferos e de aves (Borror &
Delong, 1969).
As formas imaturas desenvolvem-se em águas oxigenadas (Butler & Hogsette,
1998). As larvas e pupas estão bem adaptadas a águas de fluxo rápido sendo a
ausência de águas correntes um factor limitante na sua distribuição regional. O fluxo
rápido proporciona o alimento e elevada oxigenação da água da qual dependem.
(Harrison & Day in Day e tal, 2002).
As larvas têm hábitos filtradores, alimentando-se de material em suspensão,
dependem de substractos duros para sua fixação e corrente para alimentação.


47

EFA Angola Macroinvertebrados

A dependência destes organismos a águas de fluxo rápido e bem oxigenadas faz
deles um importante indicador para o sistema fluvial
Diversos impactos ambientais podem contribuir para o desequilíbrio populacional
dos simulídeos, como as alterações no leito dos rios, o uso e a ocupação dos solos
das suas margens e a destruição da vegetação ciliar nativa podendo resultar no
aumento populacional de algumas espécies e na eliminação de predadores naturais
(Strieder et al 2006)
Os machos distinguem-se das fêmeas por apresentarem os olhos localizados juntos
no centro da cabeça com grandes facetas na metade superior e facetas menores na
metade inferior, enquanto as fêmeas têm olhos bem separados com facetas de
tamanho uniforme.
Após o acasalamento e um período de maturação dos ovos a fêmea deposita-os na
água, na vegetação submersa ou outro material igualmente submerso. Esta
alimenta-se de sangue de aves e mamíferos.
As formas imaturas desenvolvem-se em águas bem oxigenadas (Butler & Hogsette,
1998) e estão bem adaptados às correntes rápidas.
As larvas apresentam um elevado potencial colonizador (Kiel e tal. 1998 in Figueiró
et al) são encontradas aderidas a rochas e vegetação submersa ou em outro
substracto duro em águas de moderadas a muito rápidas. Uma secreção de seda
permite a adesão feita por um "falso pé" modificado na região posterior (Merrit &
Cummins, 1984 in Kikuchi e Uieda 2005).
Fluxo de água rápido provê alimento e elevados níveis de oxigénio dissolvido. As
larvas alimentam-se de algas, invertebrados microscópicos e bactérias.
A larva fixa-se ao substracto por meio de ganchos. Quando se alimenta coloca-se
em posição semi-vertical de frente para a corrente de forma a filtrar as partículas
alimentares suspensas na coluna de água.
A larva passa por vários instares até atingir o estádio de pupa. Esta fixa-se a vários
substractos.
Um par de brânquias extrai o oxigénio dissolvido na água. A forma das brânquias
serve de carácter de identificação das pupas.
Os simulídeos são transmissores do nemátodo Onchocerca volvulus causador da
cegueira dos rios.
Fêmeas adultas alimentam-se de mamíferos e de aves.
As principais espécies são Simulium chuterri, S. nigritarse, S. adersi e S.
damnosum.
Podem constituir 95% do total de indivíduos colectados em pedras de rápidos, sendo
considerados importantes componentes da cadeia alimentar de águas de correntes
rápidas.

Indicador nº. 3: Comunidade de macroinvertebrados de pedras e cascalho

HYDROPSYCHIDAE

As larvas constroem um abrigo de areia, pedrinhas ou detritos e no interior deste
ocorre a sua transformação em pupa. Próximo ao abrigo tecem uma rede voltada
para a corrente, que aprisiona os materiais dos quais se alimenta (Borror & Delong,
1969).
Os ovos são colocados sobre a vegetação ou sobre substractos debaixo de água,
demorando o seu desenvolvimento de uma a sete semanas. Após uma a sete
mudas forma-se a pupa. O estado de pupa dura geralmente algumas semanas, após
as quais sai do casulo, desloca-se para um substracto aéreo e emerge na forma
adulta.
São encontrados em rios de fluxo rápido (Gerber & Gabriel, 2002)


48

EFA Angola Macroinvertebrados

Indicadornº. 4: Comunidade de macroinvertebrados de sedimentos finos

UNIONIDAE


Os Unionidae utilizam uma grande variedade de habitats tais como lagos, córregos e
rios enterrados total ou parcialmente no substracto. São mais abundantes a
profundidade inferiores a 2 m embora possam ser encontrados até 7 m (Smith, 2001
in Winhold).
Alimentação: A dieta é constituída basicamente por detritos e plâncton. Os bivalves
alimentam-se por um processo de filtração da água usando, para o efeito, um
sistema de cílios.
Um estudo apresentado pelo Plano Sectorial da Rede Natura 2000 em 2006
realizado sobre a espécie Unio crassus, refere que quando em densidades
elevadas, os bivalves são determinantes da qualidade da água devido ao volume de
água que filtram, sendo um indicador da boa qualidade da água
O mesmo estudo refere ainda a importância da alternância das zonas de remanso e
de rápidos para a sobrevivência destes bivalves e para o refúgio, reprodução e
alimentação dos peixes hospedeiros das suas larvas. Qualquer alteração na
morfologia do leito do rio vai afectá-los. Alterações conducentes à deposição de
sedimentos finos colmatam o substracto, impedindo o desenvolvimento de formas
juvenis.
Desenvolvimento: Os Unionidae apresentam um desenvolvimento indirecto. Os ovos
são incubados entre as lamelas branquiais onde se desenvolvem na larva gloquídio.
Esta, tem uma existência parasitária em peixes, alojando-se nas brânquias,
barbatanas ou outras partes da superfície corporal. Após um período parasitário de
10 a 30 dias o bivalve imaturo cai para o fundo, completando o seu ciclo de
desenvolvimento enterrado na lama. A maioria das espécies parasita mais de uma
espécie de peixe. Os peixes permitem a dispersão das espécies mais sedentárias
(Barnes, 1996)
São animais filtradores retirando continuamente partículas alimentares da água.
Jogam um papel fundamental na ecologia do ecossistema porque participam na
decomposição dos detritos e mantêm sob controlo as populações bacterianas e
planctónicas.
Elevadas concentrações populacionais dependem de correntes rápidas para
sobrevivência. Durante períodos de fluxo lento ou nulo, elevadas densidades
populacionais causam rápida deplecção de oxigénio dissolvido e suprimento
alimentar levando à morte destes e outros organismos (Jorgensen, 1990 in Winhold)

Unionidae são considerados bons indicadores da qualidade da água. No processo
de alimentação por filtração acumulam em seus tecidos os poluentes da água até
níveis de concentração letais. Uma drástica redução da população é indicação de
má qualidade da água (Winhold



Indicador nº. 5: Comunidade de macroinvertebrados da vegetação marginal de
zonas húmidas



49

EFA Angola Macroinvertebrados


ODONATA ­ COENAGRIONIDAE
Idêntica informação ao indicador nº. 1


Indicador nº. 6: Comunidade de macroinvertebrados de "pools"


DYTISCIDAE


Os Dytiscidae alimentam-se de pequenos animais aquáticos, incluindo peixes. Para
respirarem vêm à tona da água captar o oxigénio, mas podem permanecer
submersos por longos períodos porque carregam ar em uma câmara situada sob os
élitros. As larvas absorvem principalmente oxigénio dissolvido na água.
Larvas e adultos são predadores alimentando-se de animais aquáticos inclusive de
pequenos peixes. As larvas servem-se de suas longas e ocas mandíbulas para
sugar os fluidos corporais de suas presas (Borror & Delong, 1969).
Possuem um ciclo de vida anual com três ou quatro mudas larvares (Wetzel, 1993).
A postura é feita na superfície de plantas aquáticas ou de outros suportes, ou no
interior dos tecidos das plantas (postura endofítica). O desenvolvimento larvar ocorre
entre um e oito meses. Quando a larva completa o desenvolvimento, desloca-se até
à margem húmida onde se enterra, preparando uma célula subterrânea dentro da
qual se metamorfosea em pupa.(Borror & Delong, 1969; Wetzel,1993).






50

EFA Angola Macroinvertebrados

9. ANEXO B: DADOS BRUTOS







Habitat
Local
Táxons

Veget Rápidos Pedras Sedi-
Veg.
pool Capico Mucundi Cuito
Marg.
e casc. Mentos
Marg.
Cua-
Zonas
naval
húmidas










Ephemeroptera









Baetidae X

X

X
X X
X
Caenidae

X


X
Heptageniidae X X
Leptophlebiidae X X

X
X

Trichoptera









Hydropsychidae X X

X
Pisuliidae X





X


Leptoceridae X X

Coleoptera









Dytiscidae




X

X

Gyrinidae X





X


Hemiptera









Gerridae X





X
X

Hydrometridae
Nepidae X



X
X X X
Notonectidae X
X
Veliidae X





X


Odonata









Aeshnidae X





X


Gomphidae
X
X
Corduliidae

X




X

Libellulidae

X




X

Coenagrionidae X



X
Lestidae X





X


Diptera














51

EFA Angola Macroinvertebrados





Habitat
Local
Táxons

Veget Rápidos Pedras Sedim.
Veg. Marg.
pool Capico Mucundi Cuito
Marg.
e casc.

Zonas
Cua-
húmidas
naval
Diptera









Chironomidae X X

Culicidae
X
X
X
X

Simuliidae
X X
Decapoda









Potamonautidae X X
X
X
X
Gastropoda









Lymnaeidae X

X

Planorbidae X

X
X X
Bivalvia









Unionidae


X


X


Sphaeridae


X




X




































52

EFA Angola Macroinvertebrados

10. ANEXO C: IMAGENS DE REPRESENTANTES DOS INDICADORES








Imagem 10.1 Representante do indicador nº. 1: Aeshnidae (in Gerber &
Gabriel,2002)






Imagem 10.2 Representante do Iidicador nº. 2 Simulidae (in Gerber & Gabriel,
2002)


53

EFA Angola Macroinvertebrados










Imagem 10.3 Representante do indicador nº. 3 Hydropsychidae (in Gerber &
Gabriel, 2002)







Imagem 10.4 Representante do indicador nº. 4 Unionidae (in Gerber & Gabriel,
2002)





54

EFA Angola Macroinvertebrados










Imagem 10.5 Representante do indicador nº. 5 Coenagrionidae (in Gerber &
Gabriel, 2002)










Imagem 10.6 Representante do indicador nº. 4 Dysticidae (in Gerber & Gabriel,
2002)




55

EFA Angola Macroinvertebrados

The Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis Technical
Reports

In 1994, the three riparian countries of the
a base of available scientific evidence to guide
Okavango River Basin ­ Angola, Botswana and
future decision making. The study, created
Namibia ­ agreed to plan for collaborative
from inputs from multi-disciplinary teams in
management of the natural resources of the
each country, with specialists in hydrology,
Okavango, forming the Permanent Okavango
hydraulics, channel form, water quality,
River Basin Water Commission (OKACOM). In
vegetation, aquatic invertebrates, fish, birds,
2003, with funding from the Global
river-dependent terrestrial wildlife, resource
Environment Facility, OKACOM launched the
economics and socio-cultural issues, was
Environmental Protection and Sustainable
coordinated and managed by a group of
Management of the Okavango River Basin
specialists from the southern African region in
(EPSMO) Project to coordinate development
2008 and 2009.
and to anticipate and address threats to the

river and the associated communities and
The following specialist technical reports were
environment. Implemented by the United
produced as part of this process and form
Nations Development Program and executed
substantive background content for the
Okavango River Basin Transboundary
by the United Nations Food and Agriculture
Diagnostic Analysis
Organization, the project produced the
Transboundary Diagnostic Analysis to establish


Final Study
Reports integrating findings from all country and background reports, and covering the entire
Reports
basin.


Aylward, B.
Economic Valuation of Basin Resources: Final Report to
EPSMO Project of the UN Food & Agriculture Organization as
an Input to the Okavango River Basin Transboundary
Diagnostic Analysis



Barnes, J. et al.
Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis:
Socio-Economic Assessment Final Report



King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment Project
C.A.
Initiation Report (Report No: 01/2009)


King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment EFA
C.A.
Process Report (Report No: 02/2009)


King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Guidelines for Data Collection, Analysis and Scenario Creation
(Report No: 03/2009)


Bethune,
S.
Mazvimavi,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
D. and Quintino, M.
Delineation Report (Report No: 04/2009)


Beuster, H.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Hydrology Report: Data And Models(Report No: 05/2009)


Beuster,
H. Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Scenario Report : Hydrology (Report No: 06/2009)


Jones, M.J.
The Groundwater Hydrology of The Okavango Basin (FAO
Internal Report, April 2010)



King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions (Volume 1
of 4)(Report No. 07/2009)



King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions (Volume 2
of 4: Indicator results) (Report No. 07/2009)



King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions: Climate
Change Scenarios (Volume 3 of 4) (Report No. 07/2009)



King, J., Brown, C.A.,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Joubert, A.R. and
Scenario Report: Biophysical Predictions (Volume 4 of 4:
Barnes, J.
Climate Change Indicator Results) (Report No: 07/2009)


King, J., Brown, C.A.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment Project
and Barnes, J.
Final Report (Report No: 08/2009)


Malzbender, D.
Environmental Protection And Sustainable Management Of The
Okavango River Basin (EPSMO): Governance Review



Vanderpost, C. and
Database and GIS design for an expanded Okavango Basin
Dhliwayo, M.
Information System (OBIS)


56

EFA Angola Macroinvertebrados



Veríssimo, Luis
GIS Database for the Environment Protection and Sustainable
Management of the Okavango River Basin Project


Wolski,
P.
Assessment of hydrological effects of climate change in the
Okavango Basin





Country Reports
Angola
Andrade e Sousa,
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Biophysical Series
Helder André de
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Sedimentologia &
Geomorfologia



Gomes, Amândio
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Vegetação


Gomes,
Amândio
Análise Técnica, Biofísica e Socio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango: Relatório
Final:Vegetação da Parte Angolana da Bacia Hidrográfica Do
Rio Cubango



Livramento, Filomena
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina:Macroinvertebrados



Miguel, Gabriel Luís
Análise Técnica, Biofísica E Sócio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango:
Subsídio Para o Conhecimento Hidrogeológico
Relatório de Hidrogeologia



Morais, Miguel
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Análise Rio
Cubango (Okavango): Módulo da Avaliação do Caudal
Ambiental: Relatório do Especialista País: Angola Disciplina:
Ictiofauna


Morais,
Miguel
Análise Técnica, Biófisica e Sócio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango: Relatório
Final: Peixes e Pesca Fluvial da Bacia do Okavango em Angola



Pereira, Maria João
Qualidade da Água, no Lado Angolano da Bacia Hidrográfica
do Rio Cubango


Santos,
Carmen
Ivelize
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Van-Dúnem S. N.
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório de
Especialidade: Angola: Vida Selvagem



Santos, Carmen Ivelize
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Van-Dúnem S.N.
Okavango:Módulo Avaliação do Caudal Ambiental: Relatório de
Especialidade: Angola: Aves


Botswana Bonyongo, M.C.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Wildlife



Hancock, P.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module : Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Birds


Mosepele,
K. Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Fish



Mosepele, B. and
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Dallas, Helen
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Aquatic Macro Invertebrates


Namibia
Collin Christian &
Okavango River Basin: Transboundary Diagnostic Analysis
Associates CC
Project: Environmental Flow Assessment Module:
Geomorphology



Curtis, B.A.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report Country:
Namibia Discipline: Vegetation



Bethune, S.
Environmental Protection and Sustainable Management of the
Okavango River Basin (EPSMO): Transboundary Diagnostic
Analysis: Basin Ecosystems Report



Nakanwe, S.N.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia: Discipline: Aquatic Macro Invertebrates


Paxton,
M. Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist
Report:Country:Namibia: Discipline: Birds (Avifauna)



Roberts, K.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia: Discipline: Wildlife


Waal,
B.V. Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia:Discipline: Fish Life

Country Reports
Angola
Gomes, Joaquim
Análise Técnica dos Aspectos Relacionados com o Potencial
Socioeconomic
Duarte
de Irrigação no Lado Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio


57

EFA Angola Macroinvertebrados

Series
Cubango: Relatório Final

Mendelsohn,
.J.
Land use in Kavango: Past, Present and Future


Pereira, Maria João
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Qualidade da Água



Saraiva, Rute et al.
Diagnóstico Transfronteiriço Bacia do Okavango: Análise
Socioeconómica Angola


Botswana Chimbari, M. and
Okavango River Basin Trans-Boundary Diagnostic Assessment
Magole, Lapologang
(TDA): Botswana Component: Partial Report: Key Public Health
Issues in the Okavango Basin, Botswana


Magole,
Lapologang
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Land Use Planning



Magole, Lapologang
Transboundary Diagnostic Analysis (TDA) of the Botswana p
Portion of the Okavango River Basin: Stakeholder Involvement
in the ODMP and its Relevance to the TDA Process


Masamba,
W.R.
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Output 4: Water Supply and
Sanitation



Masamba,W.R.
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Irrigation Development


Mbaiwa.J.E. Transboundary Diagnostic Analysis of the Okavango River
Basin: the Status of Tourism Development in the Okavango
Delta: Botswana



Mbaiwa.J.E. &
Assessing the Impact of Climate Change on Tourism Activities
Mmopelwa, G.
and their Economic Benefits in the Okavango Delta

Mmopelwa,
G.
Okavango River Basin Trans-boundary Diagnostic Assessment:
Botswana Component: Output 5: Socio-Economic Profile



Ngwenya, B.N.
Final Report: A Socio-Economic Profile of River Resources and
HIV and AIDS in the Okavango Basin: Botswana


Vanderpost,
C.
Assessment of Existing Social Services and Projected Growth
in the Context of the Transboundary Diagnostic Analysis of the
Botswana Portion of the Okavango River Basin


Namibia
Barnes, J and
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Wamunyima, D
Environmental Flow Module: Specialist Report:
Country: Namibia: Discipline: Socio-economics



Collin Christian &
Technical Report on Hydro-electric Power Development in the
Associates CC
Namibian Section of the Okavango River Basin


Liebenberg, J.P.
Technical Report on Irrigation Development in the Namibia
Section of the Okavango River Basin



Ortmann, Cynthia L.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module : Specialist Report Country:
Namibia: discipline: Water Quality



Nashipili,
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis: Specialist
Ndinomwaameni
Report: Country: Namibia: Discipline: Water Supply and
Sanitation


Paxton,
C.
Transboundary Diagnostic Analysis: Specialist Report:
Discipline: Water Quality Requirements For Human Health in
the Okavango River Basin: Country: Namibia





58

EFA Angola Macroinvertebrados




60