EFA Angola Vegetação
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da
Bacia do Rio Okavango:
Módulo do Caudal Ambiental
Relatório do Especialista
País: Angola
Disciplina: Vegetação
Amândio Gomes
Março 2009
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EFA Angola Vegetação
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio Okavango:
Módulo do Caudal Ambiental
Relatório do Especialista
País: Angola
Disciplina: Vegetação
Autor: Amândio Gomes
Data: Março/2009
2
EFA Angola Vegetação
RESUMO EXECUTIVO
O presente relatório refere-se ao estudo realizado em três sítios (Capico, Mucundi e
Kuito Kuanavale) na parte angolana da bacia do Kubango/Okavango, com destaque
para a vegetação, no âmbito da implementação do Projecto PAGSO que envolve
Angola, Namíbia e Botswana. Os três pontos foram previamente seleccionados e
escolhidos os indicadores que serviram de base para o estudo da vegetação. Foram
feitas visitas de campo para a recolha do material que posteriormente foi levado ao
herbário para a identificação com base nos manuais e guias de campo disponíveis.
Os resultados mostram que existe uma grande diversidade vegetal na parte de
Angola da bacia do Kubango/Okavango. Entretanto, esta grande diversidade
necessita de ser estudada exaustivamente para a sua conservação e uso
sustentável, pois existem poucos dados de referência para os recursos florísticos e
faunísticos de Angola, o que tem dificultado a obtenção de informações de base
para estudo. Alguns dados bibliográficos consultados são relativamente antigos e
que requerem actualização.
3
EFA Angola Vegetação
ÍNDICE DOS ASSUNTOS
RESUMO EXECUTIVO ...................................................................................... 3
LISTA DE TABELAS ........................................................................................... 6
LISTA DE IMAGENS .......................................................................................... 7
AGRADECIMENTOS .......................................................................................... 9
1- INTRODUÇÃO .............................................................................................. 10
1.1 Antecedentes ........................................................................................ 10
1.2 Objectivos e Plano de Trabalho da ACA da Bacia do Okavango .......... 10
1.2.1
Objectivos do Projecto ................................................................. 10
1.3 Disposição do presente relatório ........................................................... 11
2 ÁREA DE ESTUDO ...................................................................................... 12
2.1 Descrição da Bacia do Okavango ......................................................... 12
2.2 Delineamento da Bacia do Okavango em Unidades Integradas
de Análise ............................................................................................. 13
2.3 Panorama geral dos locais .................................................................... 14
2.3.1
Local 1: Rio Cuebe em Capico .................................................... 14
2.3.2
Local 2: Rio Kubango em Mucundi .............................................. 15
2.3.3
Local 3: Rio Cuito no Cuito Cuanavale ........................................ 15
2.4 Vegetação-descrição especifica dos locais de Angola .......................... 15
2.4.1
Local 1: Capico ............................................................................ 15
2.4.2
Local 2: Mucundi .......................................................................... 16
2.4.3
Local 3: Cuito-Cuanavale............................................................. 16
2.4.4
Integridade do habitat dos locais em Angola ............................... 17
3- INDENTIFICAÇÃO DE INDICADORES E CATEGORIAS DE
CAUDAIS ................................................................................................. 18
3.1 Indicadores ............................................................................................ 18
3.1.1
Introdução .................................................................................... 18
3.1.2
Lista indicativa para a vegetação ................................................. 18
3.1.3
Descrição e localização dos indicadores ..................................... 19
3.2 Categorias de caudais sítios do rio .................................................... 22
3.3 Categorias de inundação pontos do Delta ......................................... 25
4 ANÁLISE DA BIBLIOGRAFIA ....................................................................... 27
4.1 Introdução ............................................................................................. 27
4.2 Indicador nº 1: Macrófitas submersas no canal ..................................... 28
4.2.1
Principais características do Indicador ........................................ 28
4.2.2
Atributos do ciclo de vida do indicador ........................................ 28
4.3 Indicador nº 2: Macrófitas da margem inferior húmida .......................... 28
4.3.1
Principais características do indicador ......................................... 28
4
EFA Angola Vegetação
4.3.2
Atributos do ciclo de vida do indicador ........................................ 28
4.4 Indicador nº 3: Margem superior húmida .............................................. 29
4.4.1
Principais características do indicador ......................................... 29
4.4.2
Atributos do ciclo de vida do indicador ........................................ 29
4.5 Indicador nº 4: Margem seca ................................................................ 29
4.5.1
Principais características do indicador ......................................... 29
4.5.2
Atributos do ciclo de vida do indicador ........................................ 29
4.6 Indicador nº5: Macrófitas da lagoa residual .......................................... 29
4.6.1
Principais características do indicador ......................................... 29
4.6.2
Atributos do ciclo de vida do indicador ........................................ 29
4.7 Indicador nº6: Macrófitas da planície pouco inundada .......................... 30
4.7.1
Principais características do indicador ......................................... 30
4.7.2
Atributos do ciclo de vida do indicador ........................................ 30
4.8 Indicador nº 7: Macrófitas da planície meio inundada ........................... 30
4.8.1
Principais características do indicador ......................................... 30
4.8.2
Atributos do ciclo de vida do indicador ........................................ 30
4.9 Indicador nº8: Árvores acima da planície inundada .............................. 30
4.9.1
Principais características do indicador ......................................... 30
4.9.2
Atributos do ciclo de vida do indicador ........................................ 30
4.10 Resumo ................................................................................................. 31
5- RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS ............................................................. 32
5.1 Metodologia para recolha e análise de dados ....................................... 32
5.2 Resultados ............................................................................................ 32
5.3 Um resumo do entendimento presente das respostas previstas
para a vegetação às potenciais mudanças no regime de fluxo ............. 33
5.3.1
Indicador nº 1 - Macrófitas do canal............................................. 34
5.3.2
Indicador nº 2 - Margem inferior húmida ...................................... 35
5.3.3
Indicador nº 3 Margem superior húmida ................................... 36
5.3.4
Indicador nº 4 - Margem seca ...................................................... 37
5.3.5
Indicador nº 5 Lagoa residual ................................................... 38
5.3.6
Indicador nº 6 Planície pouco inundada .................................... 39
5.3.7
Indicador nº 7 Planície meio inundada ...................................... 40
5.3.8
Indicador nº 8 Árvores acima da planície inundável ................. 41
5.4 Conclusão ............................................................................................. 42
6- RELAÇÃO DA CURVA DE RESPOSTA DOCAUDAL PARA USO NA
ACA-SAD (SISTEMA DE APOIO DE TOMADA DE DECISÃO) DO
OKAVANGO ............................................................................................. 43
7- REFERÊNCIAS ............................................................................................ 44
ANEXO A: DADOS BRUTOS ........................................................................... 45
5
EFA Angola Vegetação
LISTA DE TABELAS
Tabela 2.1
Localização dos oitos pontos da EFA ............................. 14
Tabela 3.1
Lista dos indicadores para a Vegetação ......................... 19
Tabela 3.2
Questões a serem abordadas no Workshop de
Captação de Conhecimentos, por indicador e por
local. Para todos os efeitos, o `natural' abarcará na
totalidade a vasta gama da variabilidade natural ............ 25
Tabela 3.3
Categorias de inundação para o Delta do Okavango
conforme reconhecido pelo modelo de inundação do
HOORC ........................................................................... 25
Tabela 5.1
Respostas previstas à possíveis mudanças no
regime de caudal das Macrófitas do canal no
ecosistema do Rio Okavango ......................................... 34
Tabela 5.1
Respostas previstas à possíveis mudanças no
regime de caudal da vegetação da planície pouco
inundada no ecossistema do Rio Okavango ................... 39
6
EFA Angola Vegetação
LISTA DE IMAGENS
Imagem 2.1 Parte superior da Bacio do Rio Okavango a partir da
nascente em direcção à extremidade norte do Delta ..... 12
Imagem 2.2 Bacia do Rio Okavango, monstrando a drenagem no Delta
do Okavango e a Makgadikgadi Bacia (Depressão) ....... 13
Imagem 3.1 Três anos representativos para o loca 1: Rio Cuebe em
Capico, que ilustram a divisão aproximada do regime
do caudal em quatro estações de fluxo ........................... 22
Imagem 3.2 Três anos representativos para o local 2: Rio Kubango em
Mucundi, que ilustram a divisão aproximada do
regime do caudal em quatro estações de fluxo ............... 23
Imagem 3.3 Três anos representativos para o local 3: Rio Cuito em Cuito
Cuanavale, que ilustram a divisão do regime do
caudal em quatro estações de fluxo ................................ 23
Imagem 3.4 Três anos representativos do local 4: Rio Okavango em
Kapoka (dados hidrológicos do Rundu), que ilustram
a divisão do regime do em quatro estações fluxo ........... 24
Imagem 3.5 Três anos representativos do local 5: Rio Okavango nos
Rápidos de Popa (dados hidrológicos de Mukwe),
que ilustram a divisão do regime do caudal em
quatro estações de fluxo ................................................. 24
7
EFA Angola Vegetação
ABREVIATURAS
ABREVIATURA
SIGNIFICADO
DTM (MDT)
Digital Terrain Model (Modelo Digital de Terreno)
8
EFA Angola Vegetação
AGRADECIMENTOS
A todos que contribuíram para a elaboração do presente relatório Um dos principais
pressupostos subjacentes ao processo da ACA a ser usado na ADT é que é possível
identificar de diferentes maneiras as partes do regime do caudal que são
ecologicamente relevantes e descrever sua natureza usando os registos hidrológicos
históricos. Nesse contexto, um dos primeiros passos para qualquer rio no processo
da ACA, é fazer consultas ao ecologista fluvial local a fim de identificar estas
categorias mais importantes de caudais do ponto de vista ecológico. Este processo
foi seguido durante o Workshop de Preparação realizado em Setembro de 2008 e
quatro categories de caudais foram acordadas para os locais da Bacia do rio
Okavango:
vão os meus agradecimentos. À Direcção da Faculdade de Ciências da UAN,
especialmente ao Departamento de Biologia; à todos os colegas de equipa da
Faculdade que em conjunto partilhamos as visitas de campo ao Kuando Kubango;
aos meus colegas da Namíbia e do Botswana; à FAO por ter confiado a mim esta
dura e árdua tarefa.
9
EFA Angola Vegetação
1 INTRODUÇÃO
1.1 Antecedentes
Um Projecto de Protecção Ambiental e Gestão Sustentável da Bacia do Rio Okavango
(PAGSO) está sendo implementado sob auspícios da Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura (FAO). Uma das actividades inscritas no projecto é a realização de
uma análise diagnóstica transfronteiriça (ADT) que visa o desenvolvimento de um Plano
Estratégico de Acções para a bacia. A ADT consiste na análise de actuais e futuras causas de
eventuais problemas transfronteiriços entre os três países membros da bacia, nomeadamente:
Angola, Namíbia e Botswana. O Comité Directivo da Bacia de Okavango (OBSC) da Comissão
da Bacia do Rio Okavango (OKACOM) notou durante a reunião do mês de Março em
Windhoek, Namíbia, que os eventuais problemas futuros dentro do Rio Okavango ocorrerão
mais provavelmente devido aos desenvolvimentos que modificarão os regimes de caudais. O
OBSC ainda notou que existem informações inadequadas acerca dos efeitos físico-químicos,
ecológicos e sócio-economicos desses possíveis desenvolvimentos. O OBSC recomendou
nessa reunião que uma Avaliação do Caudal Ambiental (ACA) seja realizada para antecipar
eventuais mudanças a serem causadas pelo desenvolvimento no regime do caudal do sistema
do Rio Okavango, as mudanças ecológicas relacionadas, e os impactos consequentes sobre
as populações que utilizam os recursos do rio.
A ACA é uma actividade conjunta do Projecto PAGSO e do Projecto Biokavango. Uma parte da
ACA constará de uma série de estudos especificos do país por especialistas, do qual, se
destaca a vegetação dos locais de Angola.
1.2
Objectivos e Plano de Trabalho da ACA da Bacia do Okavango
1.2.1
Objectivos do Projecto
Os objectivos da ACA são:
· apresentar uma síntese de toda a informação relevante sobre o sistema do Rio Okavango e
seus utilizadores, e proceder a recolha de novos dados necessário dentro dos termos da
ACA
· fazer uso destas informações para apresentar cenários de possiveis cursos de
desenvolvimento no futuro para apreciação dos decisores, permitindo que os decisores
discutam e façam negociações em aspectos inerentes ao desenvolvimento sustentável da
Bacia do Rio Okavango;
· incluir em cada cenário o principal impacto ecológico positivo e negativo, recurso-
económico e social dos desenvolvimentos em causa;
· concluir esse conjunto de actividades como ACA piloto, devido às limitações de tempo,
estes resultados servirão de contribuições para a ADT e uma futura ACA mais abrangente.
Os objectivos específicos são:
· determinar em diferentes pontos ao longo do sistema do Rio Okavango, incluindo o Delta,
os relacionamentos existentes entre o regime do caudal e a natureza ecológica e o
funcionamento do ecossistema do rio;
· determinar os relacionamentos existentes entre o ecossistema do rio e os modos de vida
das populações ribeirinhas;
· prever as eventuais mudanças causadas por desenvolvimentos no regime do caudal e
consequentemente ao ecossistema do rio;
· prever os impactos dessas mudanças do ecossistema do rio sobre os modos de vida das
populações.
· Fazer uso dos resultados da ACA com a melhoria da gestão da biodiversidade do Delta.
10
EFA Angola Vegetação
· Desenvolver capacidades para a realização das ACAs em Angola, no Botswana, e na
Namíbia.
1.3
Disposição do presente relatório
O capítulo 1 mostra uma breve introdução sobre os propósitos do projecto e termina com os
objectivos que se pretende atingir. O capítulo 2 apresenta de uma maneira geral a descrição da
bacia do Kubango/Okavango e com mais detalhes cada um dos pontos específicos
previamente escolhidos para o ACA na parte de Angola, nomeadamente Capico, Mucundi e
Kuito Kuanavale. O capítulo 3 faz uma descrição dos oito indicadores para os pontos de Angola
das categorias de inundação e uma breve revisão bibliográfica da vegetação na parte de
Angola. No capítulo 4, os indicadores estão descritos com maiores detalhes. O capítulo 5 faz
referência a recolha e análise dos resultados. O capítulo 6 refere-se as curvas de respostas
cujos dados serão incluidos no Workshop de captura de conhecimentos. O capítulo 7 consta de
um Apendice com os dados de campo.
11
EFA Angola Vegetação
2 ÁREA
DE
ESTUDO
2.1
Descrição da Bacia do Okavango
A Bacia do Rio Okavango consiste de áreas drenadas pelos rios Kubango, Cutato, Cuchi,
Cuelei, Cuebe, e Cuito em Angola, o Rio Okavango na Namíbia e Botswana, e o Delta do
Okavango (Imagem 2.1). Do ponto de vista topográfico, esta bacia inclui a área que foi drenada
pelo actual Rio fóssil de Omatako na Namíbia. As descargas do Delta do Okavango são
drenadas através dos rios Thamalakane e Boteti, este último aflui para a Bacia (Depressão) do
Makgadikgadi. O Rio Nata, que drena a parte ocidental do Zimbabué, também aflui para a
Bacia de Makgadikgadi. Assim, na base da topografia, a Bacia do Rio Okavango inclui a Bacia
de Makgadikgadi e a Bacia do Rio Nata (Imagem 2.2). Entretanto, o presente estudo, se
concentra em partes da bacia em Angola e na Namíbia, e no complexo do Rio
Panhandle/Delta/Boteti no Botswana. As Bacias do Makgadikgadi e do Rio Nata não estão nele
contemplados.
Upper Okavango River Basin
N
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E
S
Cu
t
Cu
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t
o
c
h
i
#
C
C
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# Cuito Cuanavale
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Panhandle
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Permanent swamps
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Seasonal swamps
Cubango
Cuito
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Okavango
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Rundu
#
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#
0
300 Kilometers
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Imagem 2.1 Parte Superior da Bacia do Rio Okavango da nascente para o extremo norte do Delta
12
EFA Angola Vegetação
Okavango River Basin
N
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# Menongue
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# Cuito Cuanavale
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Cubango
Cuito
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Okavango
#
Rundu
#
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Maun
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Makgadikgadi Pans
# Ghanzi
#
Major settlement
River
Fossil river
Panhandle
0
600 Kilometers
Permanent swamps
Seasonal swamps
Imagem 2.2 A Bacia do Rio Okavango, monstrando a drenagem no Delta do Okavango e nos
pântanos de Makgadikgadi
2.2
Delineamento da Bacia do Okavango em Unidades Integradas de
Análise
Nenhum estudo poderia de maneira pormenorizada descrever cada extensão do rio dentro da
Bacia do Rio Okavango, ou cada pessoa que reside dentro desta área, em especial um estudo
piloto como o actual. Ao invés disso, áreas representativas que são razoavelmente
homogéneas em carácter poderão eventualmente ser demarcadas e usadas para
representatividade de áreas muito maiores, e em seguida um ou mais pontos representativos
escolhidos em cada um como sendo área de ênfase para actividades de recolha de dados. Os
resultados de cada um dos locais representativos podem em seguida ser extrapolados para as
áreas maiores.
A utilização desta abordagem, implicará a demarcação da Bacia em Unidades Integradas de
Análise (PAGSO/Biokavango Relatório nº. 2; Relatório sobre o Delineamento) pela:
· Divisão do rio em zonas longitudinais relativamente homogénea em termos de:
· hidrologia;
· geomorfologia;
13
EFA Angola Vegetação
· química da água;
· peixes;
· invertebrados
aquáticos;
· vegetação;
· harmonização dos resultados de cada disciplina num conjunto de zonas biofisicas do rio;
· divisão da bacia em áreas relativamente homogéneas em termos de sistemas sociais;
· harmonização das zonas biofísicas do rio e as áreas sociais num conjunto de Unidades
Integradas de Análise (UIAs).
As 19 UIAs reconhecidas foram em seguida apreciadas por cada equipa nacional como
candidatas para a localização do número de sítios afectados dos locais de estudo:
· Angola:
três
locais
· Namíbia:
dois
locais
· Botswana:
três
locais.
Os locais escolhidos pelas equipas nacionais estão apresentados na Tabela 2.1.
Tabela 2.1 Localização dos oitos pontos da EFA
EFA Local No
País
Rio
Localização
1 Angola
Cuebe
Capico
2 Angola
Kubango
Mucundi
3 Angola
Cuito Cuito
Cuanavale
2.3
Panorama geral dos locais
2.3.1
Local 1: Rio Cuebe em Capico
O sítio do Capico está localizado na parte sul do município de Menongue. Ele enquadra-se na
Unidade Integrada de Análise (UIA) nº 3. Capico dista há 110 quilómetros à sul de Menongue,
a capital da provincia do Kuando Kubango, em direcção à fronteira com a Namíbia. As suas
coordenadas geográficas são: latitude - 15°33 Sul; longitude - 17°34 Este. A altitude da zona
varía entre 1160 e 1250 metros. A maioría das pessoas que vivem em Capico pertencem ao
grupo étnico Ngangela. Existe em Capico um pequeno grupo de residentes que pertencem ao
grupo étnico Tchokwe (originários da provínc ia do Moxico), que durante a guerra civil
deslocaram-se da sua área de origem e fixaram a sua residência em Capico. As povoações
existentes nas imediações de Capico são: Massosse e Bitângua à Norte e Caïndo à Sul.
O rio Cuébe, um dos afluentes do rio Kubango (Okavango) é a única fonte de água na area
.
A principal vegetação da áera é do tipo bosques de Burkea-Brachystegia que se desenvolvem
sobre as areias do Kalahari.
Os principais modos de vida da população local são a Agricultura de sequeiro (durante a
estação chuvosa que ocorre entre Outubro e Abril), a Pesca artesanal usando o rio Cuébe, a
recolha de frutos silvestres e a Caça. O artesanato é também praticado pela população local.
Devido à proximidade da povoação de Capico ao rio Cuébe, este último é usado de forma
intensiva pela população local. Apesar da sua secção estreita em Capico, as margens do rio
não são muito afectadas pela inundação, devido a profundidade do rio nesta secção.
14
EFA Angola Vegetação
2.3.2
Local 2: Rio Kubango em Mucundi
O sítio de Mucundi está localizado na parte sul do município de Menongue, à jusante da
povoação de Caiundo. Ele enquadra-se na UIA nº 2. Mucundi dista há 192 quilómetros à sul
de Menongue, a capital da província do Kuando Kubango, em direcção à fronteira com a
Namíbia. As suas coordenadas geográficas são: latitude - 16°13 Sul; longitude - 17°41 Este.
A altitude da zona varía entre 1120 e 1250 metros. As pessoas residentes em Mucundi
pertecem ao grupo étnico Ngangela. As povoações existentes nas imediações de Mucundi são:
Chimbueta à Norte e Kendelela à Sul.
O rio Kubango (Okavango), depois de receber as contribuições dos rios Cutato, Cuchi, Cuélei e
Cuébe, é maior fonte de água na zona.
A principal vegetação da áera é do tipo bosques Burkea-Brachystegia que se desenvolvem
sobre as areias de Kalahari.
Os principais modos de vida das populações locais são a Agricultura de sequeiro (durante a
época chuvosa que ocorre entre Outubro e Abril), Pesca artesanal usando o rio Kubango
(Okavango) e produção pecuária. A Apicultura é também praticada na zona, mas numa escala
reduzida.
Devido à proximidade da povoação do Mucundi ao rio Kubango (Okavango), este último é
utilizado de forma intensiva pelas populações locais. A margem direita do rio não muito
afectada pelas inundações devido à sua elevação topográfica. Durante o pico da estação
chuvosa (Fevereiro Abril), a margem esquerda do rio fica eventualmente inundada.
2.3.3
Local 3: Rio Cuito no Cuito Cuanavale
O sítio do Cuito Cuanavale está situado na parte leste da provincial do Kuando Kubango. Ele
enquadra-se na UIA nº 6. O sítio encontra-se no município do mesmo nome. O Cuito
Cuanavale dista há 189 quilómetros da cidade de Menongue, a capital da provincial do Kuando
Kubango, na direcção leste para quem viaja para o município de Mavinga. As suas
coordenadas geográficas são: latitude - 15°10 Sul; longitude - 19°12 Este. A população
residente no Cuito Cuanavale é pertecnce ao grupo étnico Ngangela. As povoações existentes
nas imediações do Cuito Cuanavale são: Sacalumbo à Noroeste, Chissamba à Nordeste,
Bocota à Sul, Caripa à Sudoeste e Samungure à Sudeste.
O sítio localiza-se há 3 quilómetros á jusante da confluência dos rios Cuito e Cuanavale. A
altitude da zona varía entre 1180 e 1250 metros.
O principal vegetação da area é do tipo de bosques Burkea-Brachystegia que se desenvolvem
sobre as areias do Kalahari.
Os principais modos de vida da população local são a Agricultura de sequeiro (durante a época
das chuvas que ocorre entre Outubro e Abril), Pesca artesanal usando os rios Cuito e
Cuanavale Rivers, a recolha de frutos silvestres e a Caça.
O rio Cuito é usado de forma intensive pela população local. Embora considerávelmente
profundo, existe nas imediações do sítio uma planície de inundação, que inunda durante o pico
das estação das chuvas (Fevereiro Abril)
2.4
Vegetação-descrição especifica dos locais de Angola
2.4.1
Local 1: Capico
Capico apresenta um relevo com declive ligeiramente acentuado, o que faz com que a água do
rio Kuebe corra com maior velocidade no vale encaixado, não existindo por isso praticamente
zonas de inundação a realçar. Em função disso, a vegetação do tipo Bosques baixos com
15
EFA Angola Vegetação
"Miombo" de Julbernadia, Braquistegia e Burkea estende-se até a poucos metros da linha de
água. Esta é marginada por Caniços (Phragmites mauritianus) associado a outras espécies,
sobretudo Rhus sp. e Ficus pigmea que mantêm a estabilidade das margens e impedem a
erosão do solo. Podem ainda observar-se algumas gramíneas como Panicum, setaria e
também ciperáceas.
Importa referir ainda que, devido a inexistência de planície de inundação e consequentemente
de bolsas residuais calmas, as águas atingem velocidades relativamente maiores sobretudo
em períodos de cheias, raramente aparecem macrófitas aquáticas de folhas flutuantes
sobretudo as do género Nymphaea. Entretanto, em locais de pouca profundidade, sob o
substrato rochoso e onde as condições de luminosidade o permitem, podem observar-se
macrófitas submersas, cuja identificação carece de guias de campo.
2.4.2 Local
2:
Mucundi
O rio Cubango em Mucundi apresenta um perfil que permite as águas fluirem normalmente no
canal, só transbordando dele com a subida do caudal para a vasta planície alagável na
margem esquerda. Esta planície apresenta um coberto vegetal variado, com o estato herbáceo
graminóide, salpicado por arbustos e árvores (Acacia sp., Piliostigma toningii e Bauhinia
petersiana) nos estratos imediatos sujeitas a queimadas na época seca quando o caudal do rio
baixa, fazendo retroceder a água ao canal.
A presença de caniço de água (Phragmites mauritianus) e outras espécies associadas como
Syzigium guineensis e S. cordatum na margem direita e Rhus em ambas as margens continua
a ser característica, formando uma linha marginal do longo do canal. Sobre os rochedos
submersos e/ou parcialmente expostos observam-se inúmeras espécies de macrófitas
aderentes, incluindo algumas algas.
2.4.3
Local 3: Cuito-Cuanavale
Cuito Cuanavale é o sítio que dentre os três apresenta uma vasta planície de inundação
permanentemente húmida, formando uma grande "Chana" com aspecto fisionómico de prado
graminóide, constituída por uma manta de vegetação que consiste de numerosas espécies
maioritariamente das famílias Gramineae (sobretudo o género Miscanthus), Cyperaceae,
Commelinaceae, Amaryllidaceae, Liliaceae, Convolvulaceae, dentre outras.
Há aqui a destacar a presença considerável de caniço de água, junto ao leito, separando a
linha de água da zona de inundação cuja abundância alterna-se duma margem a outra a
medida que o rio serpenteia na planície. Podem observar-se igualmente alguns arbustos de
folhas persistentes, raras vezes ultrapassando a altura de 1 metro, muito dispersos e
esporádicos característicos destas zonas, essencialmente do género Rhus.
Em alguns pontos o rio forma lagoas residuais na zona alagadiça com águas abertas e calmas,
onde se observa um grande número de plantas macrófitas aquáticas submersas, bem como de
folhas flutuantes, com especial destaque para os nenúfares (Nymphaea Lotus, N. nouchali
caurulea Aeschynomene fluitans e Nymphoides indica).
Sobre o substrato arenoso e em locais bem iluminados pelo sol notam-se várias macrófitas
submersas, que expõem à superfície somente as hastes florais. Destacam-se aqui as espécies
Ottelia ulvifolia, O. muricata e Utricularia sp.
16
EFA Angola Vegetação
2.4.4
Integridade do habitat dos locais em Angola
No
i
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ira
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d
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F) P
Rio
Sitio
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is baix
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Canal
Lixo
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Canal
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Peixes
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Cauda
e
t
i
ra
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TDA (E
Integri
R
pressão pes
o
1
B 89,3 94,5
84
3
0
0
5
0
5
0
0
0
0
10
1
0
3
5
0
3
6
Cuebe
Capic
Pressão
no sector
pesqueiro,
o
provoca
ng
ndi
2
B 89,6 94,5 84,6
3
0
0
5
0
5
0
0
0
0
10
1
0
3
5
0
3
5 uma
diminuição
Cuba
Mucu
no
tamanho
do peixe e
o
o
vale
3
B 82,0 87,4 76,6
6
2
0
5
5
5
0
0
0
7
12
1
0
5
8
0
6 10 na sua
Cuit
Cuit
densidade
Cuana
17
EFA Angola Vegetação
3
INDENTIFICAÇÃO DE INDICADORES E CATEGORIAS DE CAUDAIS
3.1 Indicadores
3.1.1 Introdução
Os indicadores biofisicos são atributos especificos da disciplina do sistema fluvial que
respondem a uma mudança do caudal do rio mediante alteração da sua:
· afluência;
· concentração;
ou
· extensão
(área).
Os indicadores sociais são atributos das estruturas socias ligadas ao rio que respondem a
mudanças na disponibilidade de recursos fluviais (conforme descrito pelos indicadores
biofisicos).
Os indicadores são utilizados para caracterizar a situação actual e mudanças que ocorrerão
nos caudais, provocadas pelos desenvolvimentos a ter lugar ao longo do rio.
Dentro de cada uma disciplina biofísica, os principais atributos podem ser agrupados se
esperar-se que esses atributos respondam da mesma maneira ao regime caudal do rio. Por
ex., espécies de peixes que se movem para as planicies sujeitas à inundações em quase
mesma época e por mesmas razões de reprodução ou alimentação poderão ser agrupadas em
Grupo de Peixes X.
3.1.2 Lista
indicativa para a vegetação
A fim de cobrir as principais características do sistema fluvial e seus utilizadores, poderão ser
julgados necessários vários indicadores. Contudo, para qualquer um dos locais da ACA, o
número de indicadores está limitado a dez (ou menos) de maneira a tornar possível a gestão
do processo. A lista completa dos indicadores foi elaborada pelos representantes do país na
disciplina Amândio Luís Gomes (Angola), Barbara Curtis (Namíbia) e Casper Bonyongo e
Nkobi Moleele (Botswana) conforme apresentado na Tabela 3.1. Outros detalhes de cada
indicador, incluindo as espécies representativas de cada espécie biológica, estão apresentadas
no Anexo B e detalhados no Capítulo 4.
18
EFA Angola Vegetação
Tabela 3.1 Lista dos indicadores para a Vegetação
Número
Locais representados não mais de dez
do
Nome do indicador
indicadores por local
Indicador
1 2 3 4 5 6 7 8
1
Macrófitas submersas no canal
x
x
x
2
Margem inferior húmida (caniços)
x
x
x
3 Margem
superior
húmida
x x
4 Margem
seca
x x x
5
Macrófitas da lagoa residual
x
6 Planície
pouco
inundada
x x
7 Planície
meio
inundada
x x
8
Árvores acima da planície inundada
x
x
x
3.1.3 Descrição
e
localização dos indicadores
Indicador da vegetação 1
Nome: Macrófitas submersas no canal.
Descrição:
Esta comunidade compreende plantas que aparecem nas
profundidades dentro da zona fótica É constituída pelas plantas
aquáticas enraizadas no fundo do rio, cujos órgãos vegetativos
encontram-se completamente submersos em água. Na altura da
floração, uma haste se desenvolve até à superfície para expor a
flor aos agentes polinizadores. Exposição ao sol, substrato
arenoso e águas límpidas são excelentes para o seu
desenvolvimento.
Espécies representativas:
Ottelia mucronata.
Outras espécies características:
O. ulvifolia, Utricullaria sp, Potamogeton polygonifolia.
Determinação da posição do caudal relacionado: Estas espécies encontram-se completamente
submersas e enraizadas no leito do rio, mesmo com caudal
baixo. Portanto, são completamente dependentes do caudal do
canal.
Indicador da vegetação 2
Nome:
Margem inferior húmida.
Descrição:
Esta unidade sociológica é constituida por agrupamentos de
plantas da margem do rio com aspecto de caniçal, cujos rizomas
e a base dos caules estão permanentemente submersos na
água.
19
EFA Angola Vegetação
Espécies representativas:
Phragmites
mauritianus (caniço-de-água)
Outras espécies características: Cyperus sp. e Limnophyton angolense.
Determinação da posição do caudal relacionado: Encontram-se na linha de água, mesmo com
o caudal mínimo, pois têm os rizomas e a base dos caules
sempre submersos. Na época de grandes inundações, a planta
completa chega a ficar submersa em água, incluindo as
inflorescências.
Indicador da vegetação 3
Nome:
Margem superior húmida.
Descrição:
Esta comunidade é constituída de árvores e/ou arbustos
ribeirinhos que normalmente marginam o curso do rio, podendo
aparecer esporadicamente dentro das zonas inundadas sob a
forma de arbustos.
Espécies representativas: Rhus sp.
Outras espécies características: Syzigium cordatum, S. guineensis
Determinação da posição do caudal relacionado: Encontram-se nas margens do curso de água
e podem tolerar períodos curtos de grandes inundações, sem
sofrerem grandes danos.
Indicador da vegetação 4
Nome:
Margem seca.
Descrição: Esta comunidade é constituída pelas árvores características
da região onde se localiza o rio. Embora não se encontrarem
muito próximo dele, a sua dependência parcial as faz tornarem-
se indicadoras para determinados locais.
Espécies representativas: Brachystegia spiciformis, Burkea africana, Terminalia prunioides,
T. brachystemma, T. sericea.
Outras espécies características: Julbernardia paniculata, Combretum sp., Swartzia
madagascariensis, Peltophorum africanum.
Determinação da posição do caudal relacionado: Localizam-se a certa distância do rio mas as
suas raízes podem atingir grandes profundidades. Sua
dependência do caudal é insignificante.
Indicador da vegetação 5.
Nome:
Comunidade de macrófitas da lagoa residual.
20
EFA Angola Vegetação
Descrição:
Esta comunidade é constituida pelas plantas aquáticas
enraizadas no fundo do rio, cujas folhas possuem longos
pecíolos que permitem, acompanhar as flutuações do caudal.
As flores desenvolvem-se em hastes igualmente longas e
flexíveis, permitindo a sua exposição à superfície para
polinização.
Espécies representativas: Nymphaea nouchali, var. caurulea.
Outras espécies características: Nymphaea Lotus, Nymphoides indica, Aeschynomene
fluitans.
Determinação da posição do caudal relacionado: Normalmente desenvolvem-se em águas
calmas e em locais bem expostos à luz. A sua anatomia
permite-lhes acompanhar as variações do caudal do rio.
Entretanto, quando o caudal é alto, há maior superdície para a
sua expansão e disperção, já que formam-se novas lagoas
residuais na zona inundada.
Indicador da vegetação 6.
Nome:
Macrófitas da planície pouco inundada.
Descrição:
Comunidade de vegetação herbácea de aspecto graminóide
dos lugares permanentemente húmidos e sujeitos a
inundação durante o aumento do caudal do rio.
Espécies representativas:
Eleocharis sp.
Outras espécies características: Cyperus sp. e outras gramíneas.
Determinação da posição do fluxo relacionado: O seu desenvolvimento dá-se melhor com
caudal mínimo na época seca, após a deposição da
matéria orgânica pela cheia, na margem húmida.
Necessidades conhecidas de água:
Indicador de Vegetação 7
Nome:
Gramineas da planície meio inundada.
Descrição:
Esta comunidade é constituída por um grande número de
plantas aquáticas com aspecto de prado graminóide e outras
plantas da família das Liliáceas, cujos bolbos encontram-se
sobre o solo potencialmente encharcado.
Espécies representativas: Mischantus junceus, Ciperus sp.
Outras espécies características: Eleocharis sp., Eragrostis sp., Panicum, Scadoxis sp., e
Crinum sp.
Determinação da posição do fluxo relacionado: O nível do lençol nestes locais é alto, o que faz
com que em alguns locais, mesmo com o caudal baixo estas
21
EFA Angola Vegetação
plantas possam resistir e mantere-se por algum tempo em
condições de inundação.
Indicador de Vegetação 8
Nome:
Árvores acima da planície inundada
Descrição:
Esta comunidade é constituída de árvores e/ou arbustos que
normalmente formam as margens secas do canal, cuja
relação com este é pouco expressiva. Muitas dessas árvores
fazem parte da vegetação característica do local.
Espécies representativas: Brachystegia spiciformes, Acacia sp.,Swartzia Madagascariensis,
Julbernardia paniculata.
Outras espécies características: Acacia sp., Rhus sp.
Determinação da posição do fluxo relacionado: As grandes árvores não dependem
praticamente dos caudais.
3.2
Categorias de caudais sítios do rio
· Época
seca
(Dry)
· Época de transição 1 (Trans 1)
· Época de inundações (Wet)
· Época de transição 2. (Trans 2)
As divisões sazonais provisórias para os locais 1-5 do rio estão demonstradas na Imagem 3.5.
Estas divisões sazonais serão formalizadas pela equipa de hidrologistas do projecto em forma
de norma dentro do modelo hidrológico. A título provisório, eles providenciam contribuições
valiosas no regime do caudal do sistema fluvial, sugerindo uma alta variabilidade do caudal
dentro do período de um ano, no Rio Cuebe e uma alta variabilidade do Rio Kubango dentro do
periodo de um ano.
Planea-se utilizar caudais sazonais semelhantes para os restantes locais do rio: 6 e 8.
120
Wet
100
Trans
n 1
Trans
n 2
Dry
80
Year
Y
2
ear
60
Year
Y
1
ear
Year
Y
3
ear
40
20
0
O
N
D
J
D
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S
Imagem 3.1 Três anos representativos para o local 1: Rio Cuebe em Capico, que ilustram a divisão
aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais
22
EFA Angola Vegetação
1200
Wet
1000
Trans 1
Trans 2
n
Dry
800
Year
Y
1
600
Year
Y
2
Year
Y
3
400
200
0
O
N
D
J
D
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S
Imagem 3.2 Três anos representativos para o local 2: Rio Kubango em Mucindi, que ilustram a
divisão aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais
250
1
Wet
2
Dry
200
ans
ans
Tr
Tr
150
Year 1
Year 2
100
Year 3
50
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S
Imagem 3.3 Três anos representativos para o local 3: Rio Cuito em Cuito Cuanavale, que ilustram
a divisão aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais
23
EFA Angola Vegetação
1000
900
Wet
We
800
Dry
Dr
Tra
Tr n
a s
n 1
s
Tra
Tr n
a s
n 2
s
Dry
Dr
700
600
Year 1
500
Year 2
400
Year 3
300
200
100
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S
Imagem 3.4 Três anos representativos para o local 4: Rio Okavango em Kapoka (dados
hidrológicos obtidos da estação hidrometrica do Rundo), que ilustram a divisão
aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais
1800
1600
Wet
1400
Dry
Trans
n 1
Trans 2
Dry
1200
1000
Year 3
00
Year 2
800
Year 1
600
400
200
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S
Imagem 3.5 Três anos representatives para o local 5: Rio Okavango nos Rápidos de Popa (dados
hidrologicos obtidos a partir da estação hidrométrica de Mukwe), que ilustram a
divisão aproximada do regime do caudal em quatro estações de caudais
A análise da bibliografia (Capítulo 4) e recolha de dados e os exercícios de análise (Capitulo 5)
se concentra na abordagem do resultado inicialmente esperado a serem as nove principais
perguntas relacionadas com estas estações de caudais (Tabela 3.2).
24
EFA Angola Vegetação
Tabela 3.2 Questões a serem abordadas no Workshop de Captação de Conhecimentos, por
indicador e por local. Para todos os efeitos, o `natural' abarcará na totalidade a vasta
gama da variabilidade natural
Número
da
Época
Resposta do indicador se:
pergunta
1
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural
2
Época Seca
Os níveis das aguas são mais altos ou baixo que o modo/média natural
3
Demora-se mais que o modo/médianatural
A duração é mais longa ou mais curta que o modo/média natural - i.e. a
4
hidrografia torna-se mais escarpada ou de menor profundidade
Transição 1
Os fluxos são mais ou menos variaveis que o modo/média natural e assim
5
como a sua extensão
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural a
6
Época de
sincronização com a chuva poderá se alterar
inundação
7
Alterada a proporção natural dos diferentes tipos de inundações anuais
8
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural
Transição 2
A duração é mais longa ou maus curta que o modo/média natural i.e. a
9
hidrografia torna-se mais escarpada ou de menor profundidade
3.3
Categorias de inundação pontos do Delta
As categorias reconhecidas de caudais do rio não são relevantes no Delta, onde portanto, a
inundação é o principal propulsor da forma e do funcionamento do ecossistema. As principais
categorias de inundação reconhecidas pelo modelo de inundação desenvolvido pelo Centro de
Pesquisas Harry Oppenheimer do Delta Okavango (HOORC) são usadas no presente
documento (Tabela 3.3).
Tabela 3.3 Categorias de inundação para o Delta do Okavango conforme reconhecido pelo
modelo de inundação do HOORC
Número
Nome da
Descrição
de
categoria de
categoria
inundação
de
inundação
25
EFA Angola Vegetação
(Nesse momento, quer o hidrólogo principal, assim como os especialistas do Delta estão a
trabalhar na definição das principais categorias de inundação para o Delta, e estas definições
serão providenciadas a equipa do Botswana logo que tenham finalizado essa actividade.)
26
EFA Angola Vegetação
4
ANÁLISE DA BIBLIOGRAFIA
4.1 Introdução
Existem poucos dados bibliográficos referentes a descrição da vegetação da região do Kuando
Kubango, mais precisamente da vegetação aquática e subaquática das suas bacias
hidrográficas. Os poucos dados existentes datam de há muitos anos e de lá para cá pouco ou
nada foi publicado, o que dificulta os trabalhos de pesquisa bibliográfica para a obtenção de
dados preliminares. Apesar disso, alguns dados foram possíveis de se obter.
Barbosa (1970), por exemplo, um dos poucos que descreve de uma maneira geral a
fitogeografia de grande parte de Angola caracteriza a vegetação local como sendo do tipo
Mosáico de Savanas Herbosas ou com arbustos, Bosques e retalhos de floresta densa seca
em areias do Calahari, onde se detacam as espécies do género Brachystegia.
É característica marcante a vastidão e a largura dos grandes vales dos rios que correm
lentamente e serpenteiam pelas margens aplanadas e alagadiças, constituindo grandes
"Chanas" ribeirinhas e até áreas turfosas, originando os turfo-psamossolos com matéria
orgânica.
Ainda de acordo com o Barbosa (1970), o relevo da região é caracterizado de um modo geral
como ondulado suave, podendo ser distinguidos três tipos de agrupamentos fitogeográficos na
região:
· Retalhos de floresta densa seca de Braquistegia, Julbernardia, Guibourdia e
Cryptosepalum, localizados nos pontos relativamente mais elevados;
· Bosques baixos com "Miombo" de Julbernadia, Braquistegia e Burkea, localizado nas
encostas suaves;
· Finalmente savanas arbustivas ou herbosa, manchas de balcedos baixos rizomatosos
e formações hidrófitas, localizadas nos vales largos.
Este último agrupamento merece destaque no presente relatório, por se tratar de vegetação
que contacta parcial ou totalmente com os cursos de água, onde se localizam os pontos em
estudo.
Segundo a Carta Fitogeográfica de Gossweiler e Mendonça (1939), todas as comunidades
herbáceas, incluindo criptogâmicas, dependentes do abastecimento permanente de água pela
toalha superficial são denominadas por Aquierbosa. A Aquierbosa subdivide-se em
Emersiherbosa, que compreende a comunidade das lagoas, rios e pântanos, cujos caules e
folhas emersas, ascendentes e rijas, estão enraizadas no terreno submerso ou humedecido
durante pelo menos 10 meses do ano e Submersiherbosa, constituida por plantas herbáceas
ou flutuantes no mar, nos rios e lagoas.
A Emersiherbosa subdivide-se ainda em Humidiherbosa e Terrificientiherbosa. A
Humidiherbosa tem aspecto fisionómico de prado graminóide onde a água apenas aflora à
superfície, não chegando a constituir pântanos. Em Angola, a Humidiherbosa, ainda pouco
estudada, limita-se às baixas húmidas e margens dos rios, atingindo o seu climax nas Lundas e
Moxico, assim como nas bacias hidrográficas do Kubango, Kuito e Kuango.
A Terrificientiherbosa é a unidade sociológica constituida por halófitas das margens dos rios e
lagoas, com o aspecto de caniçal, cujos rizomas e a base dos caules estão durante todo o ano
submersas em água, sendo os massiços mais notáveis desta comunidade constituidos por
Phragmites, Cyperus, Pennisetum, dentre outros.
27
EFA Angola Vegetação
A Aquierbosa acima referida corresponde com a comunidade das plantas macrófitas aquáticas,
termo que se refere as formas macroscópicas de vegetação aquática, englobando as
macroalgas, as poucas espécies de musgos e fetos adaptados ao habitat aquático, assim
como verdadeiras Angiospérmicas. Segundo Wetzel (1993), as plantas macrófitas aquáticas
são classificadas, tendo por base o meio de fixação, que se tem mostrado também útil para
estudos de morfologia, de fisiologia e de ecologia. Assim considera a Comunidade das
macrófitas aquáticas fixas ao substrato (emergentes, de folhas flutuantes e submersas) e a das
macrófitas flutuantes, ambas incluídas nos indicadores considerados no presente relatório.
Normalmente a maior parte dos cursos de água são marginados por comunidades de árvores
e/ou arbustos, cujo desenvolvimento é facilitado pela disponibilidade de água permanente, já
que na maior parte dos casos as suas raízes conseguem estender-se até a beira do rio. Por
esta razão, tais árvores e/ou arbustos são considerados indicadores neste relatório.
4.2
Indicador nº 1: Macrófitas submersas no canal
4.2.1 Principais características do Indicador
Este indicador encontra-se essencialmente na zona fótica do leito, em águas abertas e claras.
Todos os membros desta comunidade vegetal encontram-se submersos no leito do rio. A
morfologia das folhas é muito variada, desde as finamente divididas como as de Ceratophyllum
demersum e Utrucularia sp. até as muito largas como as de Ottelia ulvifolia. Os órgãos
reprodutores podem ser aéreos, flutuantes ou submersos. Constitui um indicador importante
porque necessita de águas límpidas e com boa luminosidade. A turbidez da água pode
dificultar o seu desenvolvimento.
4.2.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
Ceratophylum e Ottelia são plantas que crescem em águas calmas, com temperaturas variando
entre 15 a 30º, ricas em nutrientes. Produzem flores entre os meses de Janeiro a Maio.
Utricularia produz flores todo o ano.
4.3
Indicador nº 2: Macrófitas da margem inferior húmida
4.3.1 Principais características do indicador
Encontram-se nos solos saturados de água ou submersos, desde o ponto em que a toalha de
água está cerca de 0,5 m abaixo da superfície do solo até onde os sedimentos estão cobertos
de aproximadamente 1,5 m de água. São principalmente plantas com rizomas ou com cormos
e perenes (como por ex. Eleocharis, Phragmites, Scirpus, Typha) cujas bases encontram-se
permanentemente submersos em água. Nas espécies heterófilas as folhas submersas e/ou
flutuantas precedem as folhas aéreas. Muitas espécies existem como formas submersas.
Todas produzem órgãos aéreos (Wetzel 1993). As diferentes espécies do género Phragmites
são bons indicadores nos cursos de água, pois estão envolvidos na purificação da água dos
possíveis poluentes que possa conter.
4.3.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
As plantas deste indicador são maioritariamente anuais. Entretanto produzem inflorescências
preferencialmente nos meses de Fevereiro a Maio.
28
EFA Angola Vegetação
4.4
Indicador nº 3: Margem superior húmida
4.4.1 Principais características do indicador
Este indicador é constituído por árvores ou arbustos perenes que normalmente crescem a beira
dos cursos de água, podendo ocasionalmente crescer fora dele. É frequente encontrarem-se
várias espécies do género Rhus, Ziziphus e Sizigium. Pela sua proximidade com o curso de
água, estas plantas estão sujeitas a períodos de inundação, sendo por este motivo
relativamente tolerante à excessos de água.
4.4.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
Rhus produz flores entre Outubro a Fevereiro. Ziziphus floresce de Novembro a Fevereiro e
Sizigium de Agosto a Novembro.
4.5
Indicador nº 4: Margem seca
4.5.1 Principais características do indicador
Este indicador é constituído pelas árvores características da região onde se localiza o rio.
Embora não se encontrarem muito próximo dele, a sua dependência parcial as faz tornarem-se
indicadoras para os cursos de água, pois contrubuem para a estabilidade das margens.
Algumas árvores e arbustos do indicador anterior podem igualmente ser encontrados neste
indicador.
4.5.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
As plantas deste indicador são maioritariamente plantas perenes, cuja floração acontece
sobretudo depois das primeiras chuvas.
4.6
Indicador nº5: Macrófitas da lagoa residual
4.6.1 Principais características do indicador
Fazem parte deste indicador principalmente angiospérmicas que vivem fixas aos sedimentos
submersos em locais onde a água é calma e a profundidade varia de cerca de 0,5 até 3 m. Nas
especies heterófilas as folhas submersas precedem ou acompanham as flutuantes. Os órgãos
reprodutores podem ser flutuantes ou aéreos. As folhas flutuantes possuem pecíolos longos e
flexíveis como por ex. os nenúfares (Nymphaea sp.) ou pecíolos pequenos ligados a ramos
ascendentes longos, como por ex. os géneros Brasemia e Potamogeton. São plantas
características de águas calmas e de locais bem expostos à luz do sol. A sua presença indica
ausência ou muito baixa poluição hídrica.
4.6.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
A maior parte das espécies de Nymphaeae produz flores durante quase todo o ano, com
preferência para o verão. Nymphoides indica floresce entre Março e Junho.
29
EFA Angola Vegetação
4.7
Indicador nº6: Macrófitas da planície pouco inundada
4.7.1 Principais características do indicador
Este indicador é muito variado, pois está constituída por uma vegetação herbácea de aspecto
graminóide dos lugares permanentemente húmidos e sujeitos a inundação durante o aumento
do caudal do rio, onde se destaca a o género Miscanthus, Eleocharis, Cyperus e outras.
4.7.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
Mischanthus, Eleocharis e Cyperus florescem de preferência de Março a Junho.
4.8
Indicador nº 7: Macrófitas da planície meio inundada
4.8.1 Principais características do indicador
Em períodos de seca a água encontra-se a poucos centímetros do solo, o que faz com que
facilmente se torna inundada quando o nível de água do rio aumenta. Estas condições
favorecem o desenvolvimento de muitas gramíneas, sobretudo os géneros Panicum,
eragrostis, Eleocharis, e outros que dão o aspecto de prado graminóide.
4.8.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
A maior parte das gramímeas são plantas anuais que florescem sobretudo entre os meses de
Março e Abril, embora algumas possam florescer cedo ou tardiamente.
4.9
Indicador nº8: Árvores acima da planície inundada
4.9.1 Principais características do indicador
Esta comunidade é variável e dependente da fitogeografia da região em estudo. Normalmente
é constituída pela vegetação arbórea ou arbustiva dominante na área que entretanto adquire
um aspecto diferente pela proximidade e disponibilidade de água permanente. Nos grandes
vales, a medida que se aproxima do rio, a vegetação arbórea vai gradualmente tomando o
aspecto arbustivo e devanece-se ao entrar na zona da chana onde passa a dominar o tipo de
vegatação palustre. São comuns várias espécies dos géneros Combretum, Terminália,
Brachystegia, Burkea, Acacia e Piliostigma, dentre outras.
4.9.2 Atributos do ciclo de vida do indicador
As plantas deste indicador são todas perenes e produzem flores sobretudo depois das
primeiras quedas pluviométricas de Novembro a Janeiro.
30
EFA Angola Vegetação
4.10 Resumo
O estudo da biodiversidade de qualquer ecossistema requer um extenso trabalho de pesquisa
bibliográfica e trabalho de campo para se obterem dados mais fiáveis e completos. O presente
estudo foi o possível que se podia fazer no momento que entretanto foi proveitosa pelo número
de espécies identificadas. Várias espécies citadas pelos autores citados nos poucos livros que
consultamos apontam para um grande número de outras espécies ao longo da bacia do
Kubango/Okavango que entretanto não foram localizadas. As espécies mencionadas são
aquelas que à primeira vista caracterizam qualquer um dos sítios.
Depois de várias consultas entre os especiaalistas em vegetação dos três países
intervenientes no estudo, foram escolhidos os indicadires acima referenciados e descritos.
Infelizmente, os atributos do ciclo de vida de cada indicador não constam por não haver dados
concretos.
31
EFA Angola Vegetação
5
RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS
A bacia do Kubango/Okavango em Angola é bastante vasta e constituída por uma série de rios
e riachos que nascem nas zonas planálticas do Huambo e Bié e afluem aos rios Cuito e
Kubango. Cada um destes afluentes tem características próprias e espécies vegetais
endémicas que deveriam ser amostradas e estudadas com pormenor. Mesmo ao longo dos
rios Cuito e Kubango, devido a sua vastidão, atravessa regiões onde se podem encontrar
diferentes comunidades vegetais com espécies próprias de grande interesse para o
conhecimento da bacia que segundo a bibliografia é muito rica em espécies e entretanto ainda
pouco conhecida.
Os dados recolhidos nos três sítios amostrados, apesar de serem poucos para a descrição da
vegetação ao longo da bacia do lado angolano são relevantes para o conhecimento científico.
Confrontados com os dados bibliográficos, as espécies encontradas nos sítios em estudo
constituem uma parte significativa da biodiversidade vegetal existente.
A identificação dos exemplares colhidos durante as duas expedições foi muito difícil por falta de
guias de campo, sobretudo das plantas aquáticas. Um número reduzido de algumas espécies
por identificar continua guardado para estudos posteriores com vista a sua descrição completa.
5.1
Metodologia para recolha e análise de dados
Para o presente estudo foram previamente seleccionados três pontos, nomeadamente Capico
(rio Kuebe), Mucundi (rio Kubango) e Kuito-Kuanavale (rio Kuito). Fez-se uma pesquisa
bibliográfica a fim de se obterem dados preliminares relacionados com a parte angolana da
bacia e foram escolhidos os indicadores para efeito de descrição.
Em cada um dos sítios foram feitas duas colheitas das amostras das espécies vegetais mais
frequentes nos indicadores escolhidos, sendo a primeira de 16 a 24 de Novembro, ainda com o
caudal baixo e segunda de 9 a 14 Março do ano em curso, em plena época de cheias. Ambas
as visitas de campo foram precedidas de uma viagem esploratória em Outubro para se
constatar a realidade dos três sítios e as condições de trabalho. Foram utilizados para a
colheita, tesoura de poda, prensas, jornais, pá de jardinagem, frascos para conservação de
frutos e outro material de herborização. Os exemplares colhidos foram herborizados e
posteriormente levados ao herbário didactico da Faculdade de Ciências para a identificação,
onde também permanecerão conservados para estudos posteriores.
Para o conhecimento de alguns dados foram consultados habitantes locais conhecedores das
plantas que também mencionaram algumas utilidades locais das mesmas.
Para cada ponto foi feita a escala de Abundância-dominância, relativa a cada indicador, cujos
dados encontram-se mencionados no anexo B.
5.2 Resultados
Do trabalho realizado resultou um levantamento de dados de campo importantes que
demonstram a imensa riqueza específica da região. Foram colhidas e identificadas até ao
momento um total de 50 espécies, correspondentes a 26 famílias. As famílias Fabaceae e
Graminae foram as mais representativas com um total de 10 e 8 espécies respectivamente.
32
EFA Angola Vegetação
Acredita-se que um número ainda maior de espécies pode ser encontrada ao longo da secção
angolana da bacia, tendo em conta a sua vastidão e a sua riqueza muito pouco conhecida.
Estudos exaustivos são necessários para a obtenção de dados mais fiáveis e exaustivos que
correspondam com as expectativas.
As variações no fluxo do caudal podem ter grandes ou pequenas influências sobre as
diferentes espécias, em função das suas necessidades em água e a sua dependência ou não
do nível de água do rio.
Os dados completos e brutos encontram-se descriminados no anexo A.
5.3
Um resumo do entendimento presente das respostas previstas para a
vegetação às potenciais mudanças no regime de fluxo
Uma vez que o Workshop de Captação de conhecimentos já foi realizado, ficam sem efeito as
respostas neste ponto, já que os dados já constam das curvas de respostas.
33
EFA Angola Vegetação
5.3.1
Indicador nº 1 - Macrófitas do canal
Tabela 5.1 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal das Macrófitas do canal no ecosistema do Rio Okavango
Confiança na previsão
Número da
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
pergunta
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais
1
Nada
Média
tarde que o natural
Os níveis das águas são mais altos
2
Época Seca
Nada
Média
ou mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
3
Nada
Média
natural
A duração é mais longa ou mais
curta que o natural - i.e. hidrografia
4
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
Transição 1
menor profundidade
Os caudais são mais ou neos
5
Nada
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais
6
tarde que o natural a sincronização
Nada
Média
Época de
com a chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
7
diferentes tipos de inundações
Nada
Média
anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais
8
Nada
Média
tarde que o natural
A duração é mais longa ou mais
Transição 2
curta que o natural i.e. hidrografia
9
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
menor profundidade
34
EFA Angola Vegetação
5.3.2
Indicador nº 2 - Margem inferior húmida
Tabela 5.2 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal das plantas da margem inferior húmida no ecosistema do Rio
Okavango
Confiança na previsão
Número da
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
pergunta
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais
1
Nada
Média
tarde que o natural
Os níveis das águas são mais altos
2
Época Seca
Nada
Média
ou mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
3
Nada
Média
natural
A duração é mais longa ou mais
curta que o natural - i.e. hidrografia
4
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
Transição 1
menor profundidade
Os caudais são mais ou neos
5
Nada
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais
6
tarde que o natural a sincronização
Nada
Média
Época de
com a chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
7
diferentes tipos de inundações
Nada
Média
anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais
8
Nada
Média
tarde que o natural
A duração é mais longa ou mais
Transição 2
curta que o natural i.e. hidrografia
9
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
menor profundidade
35
EFA Angola Vegetação
5.3.3
Indicador nº 3 Margem superior húmida
Tabela 5.3 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal das plantas da margem superior húmida no ecosistema do Rio
Okavango
Confiança na previsão
Número da
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
pergunta
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais
1
Nada
Média
tarde que o natural
Os níveis das águas são mais altos
2
Época Seca
Nada
Média
ou mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
3
Nada
Média
natural
A duração é mais longa ou mais
curta que o natural - i.e. hidrografia
4
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
Transição 1
menor profundidade
Os caudais são mais ou neos
5
Nada
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais
6
tarde que o natural a sincronização
Nada
Média
Época de
com a chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
7
diferentes tipos de inundações
Nada
Média
anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais
8
Nada
Média
tarde que o natural
A duração é mais longa ou mais
Transição 2
curta que o natural i.e. hidrografia
9
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
menor profundidade
36
EFA Angola Vegetação
5.3.4
Indicador nº 4 - Margem seca
Tabela 5.4 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal dos arbustos ribeirinhos da margem seca no ecosistema do Rio
Okavango
Confiança na previsão
Número da
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
pergunta
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais
1
Nada
Média
tarde que o natural
Os níveis das águas são mais altos
2
Época Seca
Pode provocar distúrbios no seu ciclo de vida
Média
ou mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
3
A época seca prolongada pode afectar negativamente embora pouco, por falta de água disponível
Média
natural
A duração é mais longa ou mais
curta que o natural - i.e. hidrografia
4
Afecta pouco
Média
torna-se mais escarpada ou de
Transição 1
menor profundidade
Os caudais são mais ou neos
5
Afecta pouco
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais
6
tarde que o natural a sincronização
Nada
Baixo
Época de
com a chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
7
diferentes tipos de inundações
Afecta pouco
Média
anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais
8
Nada
Média
tarde que o natural
A duração é mais longa ou mais
Transição 2
curta que o natural i.e. hidrografia
9
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
menor profundidade
37
EFA Angola Vegetação
5.3.5
Indicador nº 5 Lagoa residual
Tabela 5.5 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal das Macrófitas da lagoa residual no ecosistema do Rio Okavango
Confiança na previsão
Número da
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
pergunta
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais
1
Afecta pouco
Média
tarde que o natural
Os níveis das águas são mais altos
2
Época Seca
Afecta pouco porque as plantas possuem mecanismos para acompanhar as oscilações
Média
ou mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
3
Pouca área de desenvolvimento
Média
natural
A duração é mais longa ou mais
curta que o natural - i.e. hidrografia
4
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
Transição 1
menor profundidade
Os caudais são mais ou neos
5
Nada
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais
6
tarde que o natural a sincronização
Nada
Média
Época de
com a chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
7
diferentes tipos de inundações
Afecta pouco
Média
anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais
8
Nada
Média
tarde que o natural
A duração é mais longa ou mais
Transição 2
curta que o natural i.e. hidrografia
9
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
menor profundidade
38
EFA Angola Vegetação
5.3.6
Indicador nº 6 Planície pouco inundada
Tabela 5.2 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal da vegetação da planície pouco inundada no ecossistema do Rio
Okavango
Confiança na previsão
Número da
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
pergunta
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais
Afecta o ciclo natural das plantas. Se ocorrer mais cedo as plantas não completam o ciclo e se for mais tarde o
1
Média
tarde que o natural
ciclo será prolongado.
Os níveis das águas são mais altos
2
Época Seca
Afecta pouco porque as plantas possuem mecanismos para acompanhar as oscilações
Média
ou mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
3
Afecta negativamente as plantas
Média
natural
A duração é mais longa ou mais
curta que o natural - i.e. hidrografia
4
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
Transição 1
menor profundidade
Os caudais são mais ou neos
5
Nada
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais
6
tarde que o natural a sincronização
Afecta negativamente
Média
Época de
com a chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
7
diferentes tipos de inundações
Afecta pouco
Média
anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais
8
Nada
Média
tarde que o natural
A duração é mais longa ou mais
Transição 2
curta que o natural i.e. hidrografia
9
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
menor profundidade
39
EFA Angola Vegetação
5.3.7
Indicador nº 7 Planície meio inundada
Tabela 5.7 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal da vegetação da planície meio inundada no ecossistema do Rio
Okavango
Confiança na previsão
Número da
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
pergunta
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais
1
Afecta pouco
Média
tarde que o natural
Os níveis das águas são mais altos
2
Época Seca
Afecta pouco
Média
ou mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
3
Afecta pouco
Média
natural
A duração é mais longa ou mais
curta que o natural - i.e. hidrografia
4
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
Transição 1
menor profundidade
Os caudais são mais ou nenos
5
Nada
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais
6
tarde que o natural a sincronização
Afecta negativamente
Média
Época de
com a chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
7
diferentes tipos de inundações
Afecta pouco
Média
anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais
8
Nada
Média
tarde que o natural
A duração é mais longa ou mais
Transição 2
curta que o natural i.e. hidrografia
9
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
menor profundidade
40
EFA Angola Vegetação
5.3.8
Indicador nº 8 Árvores acima da planície inundável
Tabela 5.8 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal das árvores fora da planície de inundação no ecossistema do Rio
Okavango
Confiança na previsão
Número da
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
(bastante baixa, baixa,
pergunta
média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais
1
Nada
Alta
tarde que o natural
Os níveis das águas são mais altos
2
Época Seca
Nada
Alta
ou mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
3
Nada
Alta
natural
A duração é mais longa ou mais
curta que o natural - i.e. hidrografia
4
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
Transição 1
menor profundidade
Os caudais são mais ou nenos
5
Nada
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais
6
tarde que o natural a sincronização
Nada
Alta
Época de
com a chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
7
diferentes tipos de inundações
Nada
Alta
anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais
8
Nada
Média
tarde que o natural
A duração é mais longa ou mais
Transição 2
curta que o natural i.e. hidrografia
9
Nada
Média
torna-se mais escarpada ou de
menor profundidade
41
EFA Angola Vegetação
5.4 Conclusão
O presente estudo, apesar de ser de abrangência limitada (3 sítios) para a secção de Angola
da bacia do Kubango/Okavango demonstra que muito trabalho há ainda para se fazer com
vista a descrição mais pormenorizada da biodiversidade vegetal. Pelo facto de haver pouca
bibliografia disponível sobre a parte angolana dificultou a obtenção de dados preliminares
que pudessem facilitar os trabalhos de campo. Por outro, a falta de manuais para a
identificação dos exemplares recolhidos, sobretudo das plantas palustres constituiu também
um entrave para o bom andamento dos trabalhos.
Apesar de todas as dificuldades, foi possível fazer-se o levantamento de um grande número
de espécies vegetais comums nos sítios visitados. Num total de 26 famílias foram
identificadas mais de 50 espécies, cujo ciclo de vida está relativamente ligado as variações
do fluxo de água do rio. Na realidade, estes números estão muito além das expectativas,
visto que se trata de um ecosistema pouco estudado. Qualquer alteração profunda no
regime normal do rio poderá afectar negativamente o desenvolvimento das plantas e por
conseguinte o funcionamento normal do ecossistema do rio Kubango/Okavango até agora
pouco alterado.
Um estudo exaustivo ao longo da bacia englobando vários sítios seria necessário para a
recolha de mais dados essenciais para se fazer uma actualização dos dados existentes,
com vista a facilitar trabalhos futuros.
Os dados brutos encontram-se descriminados no anexo A.
42
EFA Angola Vegetação
6
RELAÇÃO DA CURVA DE RESPOSTA DOCAUDAL PARA USO
NA ACA-SAD (SISTEMA DE APOIO DE TOMADA DE DECISÃO)
DO OKAVANGO
Os dados referentes ao presente capítulo já foram discutidos no Workshop de Março
em Windhoek.
43
EFA Angola Vegetação
7 REFERÊNCIAS
BARBOSA, L. A. G. (1970). Carta Fitogeográfica de Angola, Institudo de
Investigação Científica de Angola, Luanda.
BUTCHART, D. (2000). Wildlife of the Okavango, Struik Publishers, Cape Town.
CURTIS, B. & MANNHEIMER, C. (2007). Guia de campo de árvores seleccionadas
do Kuando Kubango, Ministério do Urbanismo e Ambiente, Luanda.
GOSSWEILER, J. & MENDONÇA, F. A. (1939). Carta Fitogeográfica de Angola,
Governo-geral de Angola, Luanda.
MANNHEIMER, C. et al. (2008). Wildflowers of the Southern Namib, Macmillan
Namibia, Windhoek.
MENDELSOHN, J. & OBEID, S. (2004). Rio Okavango, a fonte da vida, New
Holland, Cape Town.
PALGRAVE, K. C. (1983). Trees of Southern Africa, Struik Publishers, Cape Town.
WETZEL, R. G. (1993). Limnologia, 2ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian,
Lisboa p 621-669.
44
EFA Angola Vegetação
ANEXO A: DADOS BRUTOS
Sítio
Família Espécie
Obs:
1 2 3
EBENACEAE
Diospyros sp. A
F
A
Árvore
GRAMINAE
Vetiveria sp.
R R F Gramínia
anual
Myscanthus junceus
A R F Gramínia
anual
Eragrostis
A F R Gramínia
anual
lehmanniana
Imperata cilindrica
R F Gramínia
anual
Eleocharis palustris
A R F Gramínia
anual
Oriza
sp.
A A F Gramínia
anual
Phragmites
D D D Gramínia
anual
mauritianus
Panicum sp. R
F
R
Gramínia
anual
FABACEAE
Julbernardia
F F F Árvore
paniculata
Peltophorum
F F R Árvore
africanum
Piliostigma thonningii
F F A Árvore
Piliostigma tomentosa
F F A Arbusto
ou
árvore
Bauhinia petersiana
F F A Arbusto
ou
árvore
Swartzia
F R M
Árvore
madagascariensis
r
Acacia sp.
R F A Árvore
Burkea africana
F F R Árvore
Brachystegia
F F F Árvore
spiciformis
Aeschynomene
A A R Planta
aquática
fluitans
CHRYSOBALANAC
Parinari curatellifolia
A R F Árvore
EAE
MACKINLAYACEAE Centella sp.
R A F Erva
rastejante
BURSERACEAE
Commiphora
A D
A Árvore
p
ANNONACEAE
Annona nana
A R A Arbusto
NYMPHAEACEAE
Nymphaea lotus
M
A D Planta
aquática
r
Nymphaea nouchali
A A F Planta
aquática
MENYANTHACEAE
Nymphoides indica
A A F Planta
aquática
AQUIFOLIACEAE
Ilex mitis
F F A Árvore
MYRTACEAE
Syzigium cordatum
F F A Árvore
Syzigium gerardi
A F A Árvore
Gardenia sp.
A
F
A
Arbusto ou árvore
SALICACEAE
Salix
sp.
R R A Árvore
45
EFA Angola Vegetação
CYPERACEAE
Cyperus
sp.
F F F Herbácea
anual
COMBRETACEAE
Terminalia sericea
F F F Arbusto
ou
árvore
Terminalia prunioides
F F F Arbusto
ou
árvore
Combretum
sp.
F F F Árvore
ANACARDIACEAE
Rhus
sp.
F F R Arbusto
CELASTRACEAE
Maitenus senegalensis R A A Arbusto
TILIACEAE
Grewia sp.
F
A
A
Arbusto
CERATOPHYLLAC
Ceratophyllum
A R F Planta
aquática
EAE
demersum
THELIPTERIDACEA
Thelypterus interupta
F F F Feto
E
Cyclosorus interruptus A F F Feto
ALISMATACEAE
Limnophyton
A D F Herbácea
anual
angolense
AMARILIDACEAE
Scadoxus puniceus.
R A A Herbácea
anual
Crinum sp.
F A A Herbácea
anual
ASTERACEAE
Mikania sagittifera
F F F Herbácea
trepadeira
anual
LENTIBULARIACEA
Utricularia sp.
F F R Planta
aquática
E
HIDROCHARITACE
Ottelia ulvifolia
A A R Planta
aquática
AE
Ottelia mucronata
A A F Planta
aquática
POTAMOGETONAC
Potamogeton
R R F Planta
aquática
EAE
polygonifolius
POLYGONACEAE
Polygonum sp.
R F A Herbácea
anual
D=dominante; F=frequente; Dp=dispersa; R=rara; Mr=muito rara; A=ausente
46
EFA Angola Vegetação
The Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis Technical
Reports
In 1994, the three riparian countries of the
a base of available scientific evidence to guide
Okavango River Basin Angola, Botswana and
future decision making. The study, created
Namibia agreed to plan for collaborative
from inputs from multi-disciplinary teams in
management of the natural resources of the
each country, with specialists in hydrology,
Okavango, forming the Permanent Okavango
hydraulics, channel form, water quality,
River Basin Water Commission (OKACOM). In
vegetation, aquatic invertebrates, fish, birds,
2003, with funding from the Global
river-dependent terrestrial wildlife, resource
Environment Facility, OKACOM launched the
economics and socio-cultural issues, was
Environmental Protection and Sustainable
coordinated and managed by a group of
Management of the Okavango River Basin
specialists from the southern African region in
(EPSMO) Project to coordinate development
2008 and 2009.
and to anticipate and address threats to the
river and the associated communities and
The following specialist technical reports were
environment. Implemented by the United
produced as part of this process and form
Nations Development Program and executed
substantive background content for the
by the United Nations Food and Agriculture
Okavango River Basin Transboundary
Organization, the project produced the
Diagnostic Analysis.
Transboundary Diagnostic Analysis to establish
Final Study
Reports integrating findings from all country and background reports, and covering the entire
Reports
basin.
Aylward, B.
Economic Valuation of Basin Resources: Final Report to
EPSMO Project of the UN Food & Agriculture Organization as
an Input to the Okavango River Basin Transboundary
Diagnostic Analysis
Barnes, J. et al.
Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis:
Socio-Economic Assessment Final Report
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment Project
C.A.
Initiation Report (Report No: 01/2009)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment EFA
C.A.
Process Report (Report No: 02/2009)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Guidelines for Data Collection, Analysis and Scenario Creation
(Report No: 03/2009)
Bethune,
S.
Mazvimavi,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
D. and Quintino, M.
Delineation Report (Report No: 04/2009)
Beuster, H.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Hydrology Report: Data And Models(Report No: 05/2009)
Beuster,
H. Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Scenario Report : Hydrology (Report No: 06/2009)
Jones, M.J.
The Groundwater Hydrology of The Okavango Basin (FAO
Internal Report, April 2010)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions (Volume 1
of 4)(Report No. 07/2009)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions (Volume 2
of 4: Indicator results) (Report No. 07/2009)
King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions: Climate
Change Scenarios (Volume 3 of 4) (Report No. 07/2009)
King, J., Brown, C.A.,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Joubert, A.R. and
Scenario Report: Biophysical Predictions (Volume 4 of 4:
Barnes, J.
Climate Change Indicator Results) (Report No: 07/2009)
King, J., Brown, C.A.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment Project
and Barnes, J.
Final Report (Report No: 08/2009)
Malzbender, D.
Environmental Protection And Sustainable Management Of The
Okavango River Basin (EPSMO): Governance Review
Vanderpost, C. and
Database and GIS design for an expanded Okavango Basin
Dhliwayo, M.
Information System (OBIS)
Veríssimo, Luis
GIS Database for the Environment Protection and Sustainable
Management of the Okavango River Basin Project
Wolski,
P.
Assessment of hydrological effects of climate change in the
Okavango Basin
47
EFA Angola Vegetação
Country Reports
Angola
Andrade e Sousa,
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Biophysical Series
Helder André de
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Sedimentologia &
Geomorfologia
Gomes, Amândio
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Vegetação
Gomes,
Amândio
Análise Técnica, Biofísica e Socio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango: Relatório
Final:Vegetação da Parte Angolana da Bacia Hidrográfica Do
Rio Cubango
Livramento, Filomena
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina:Macroinvertebrados
Miguel, Gabriel Luís
Análise Técnica, Biofísica E Sócio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango:
Subsídio Para o Conhecimento Hidrogeológico
Relatório de Hidrogeologia
Morais, Miguel
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Análise Rio
Cubango (Okavango): Módulo da Avaliação do Caudal
Ambiental: Relatório do Especialista País: Angola Disciplina:
Ictiofauna
Morais,
Miguel
Análise Técnica, Biófisica e Sócio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango: Relatório
Final: Peixes e Pesca Fluvial da Bacia do Okavango em Angola
Pereira, Maria João
Qualidade da Água, no Lado Angolano da Bacia Hidrográfica
do Rio Cubango
Santos,
Carmen
Ivelize
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Van-Dúnem S. N.
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório de
Especialidade: Angola: Vida Selvagem
Santos, Carmen Ivelize
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Van-Dúnem S.N.
Okavango:Módulo Avaliação do Caudal Ambiental: Relatório de
Especialidade: Angola: Aves
Botswana Bonyongo, M.C.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Wildlife
Hancock, P.
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49
EFA Angola Vegetação
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