EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia


Análise Diagnóstica Transfronteiriça da
Bacia do Rio Okavango:
Módulo do Caudal Ambiental
Relatório do Especialista
País: Angola
Disciplina: Sedimentologia &
Geomorfologia

Helder André de Andrade e Sousa
Junho 2009


1

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia


Análise Diagnóstica
Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango:
Módulo do Caudal Ambiental



Relatório do Especialista

País: Angola

Disciplina: Sedimentologia & Geomorfologia

Autor: Helder André de Andrade e Sousa

Data: 20/06/09


2

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
RESUMO EXECUTIVO
Introdução
Um Projecto de Protecção Ambiental e Gestão Sustentável da Bacia do Rio
Okavango (PAGSO) está sendo implementado sob auspícios da Organização das
Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Entre outras, esse projecto
compreende a realização de uma análise diagnóstica transfronteiriça (ADT) que
permita o desenvolvimento de um Plano Estratégico de Acções para a bacia, de
modo a compreender e prevenir eventuais causas de problemas transfronteiriços
entre os três países (Angola, Namíbia e Botswana) banhados por essa bacia.
O Comité Directivo da Bacia de Okavango (OBSC) da Comissão da Bacia do Rio
Okavango (OKACOM), notando que os eventuais problemas poderiam ocorrer em
resultado de eventuais desenvolvimentos que poderiam modificar os regimes de
caudais dentro do Rio Okavango, e notando ainda a existência de lacunas ­ em
termos de informação ­ sobre os efeitos desses possíveis desenvolvimentos,
recomendou a realização de uma Avaliação do Caudal Ambiental (ACA) de modo a
prevenir acções que possam conduzir a modificações de impacto no regime de fluxo
da bacia e, consequentemente, no ecosistema e na vertente sócio-económica.
No âmbito da ACA, foram previstas uma série de estudos especificos de cada país
por especialistas: portanto, o presente Relatório de Sedimentologia & Geomorfologia
para Angola, responde á parte das recomendações do Comité Directivo da Bacia de
Okavango (OBSC) da Comissão da Bacia do Rio Okavango (OKACOM), e insere-se
no âmbito da ACA; por sua vez, a ACA (Avaliação do Caudal Ambiental) é uma
actividade conjunta do Projecto PAGSO e do Projecto Biokavango.
Área de estudo e respectivas características
No âmbito deste exercício, as pesquisas - na parte angolana da bacia - foram
concentradas nos sítios Capico, Mucundi e Cuito-Cuanavale integradas nas
Unidades Integradas de Análise 1, 2 e 3, respectivamente. Foi com base na relativa
homogeneidade de caracteres biofísicos que apresentam, que essas Unidades - e
os respectivos sítios - foram seleccionadas como representativas e boas para aí se
efectuarem os estudos de detalhe, mesmo tendo em conta a impraticabilidade desse
tipo de pesquisas na totalidade da bacia.
Juntamente com as características gerais da bacia do Okavango, as características
gerais das áreas em cada uma das Unidades Integradas de Análise, assim como as
dos sítios respectivos, são descritas com detalhe nos capítulos pertinentes.
Quanto às características, sob o ponto de vista geomorfológico e sedimentológico,
pode-se dizer ­ em termos gerais - que os troços dos rios Cuebe em Capico, e
Cubango em Mucundi, apresentam caracteres bastante similares, correndo em vales
profundos e fortemente encaixados nas rochas do substrato resistente, e ao longo
do qual as raras e pouco desenvolvidas planícies de inundação apresentam
baixíssimas quantidades de sedimentos fluviais. Já o rio Kuito-Kuanavale corre
livremente, meandrando no interior de uma planície de inundação ampla e bem
desenvolvida. Em qualquer dos casos, os sedimentos da carga de fundo que esses
rios transportam é granulométricamente pouco variável, e quase que inteiramente
constituído ­ nos locais estudados - por areias finas da formação Kalahari.


3

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Principais indicadores escolhidos e respostas
O melhor conhecimento das caracteríticas geomorfológicas e sedimentológicas dos
rios, nos troços analisados, permitiu identificar um conjunto de indicadores, que
podem ser usados para avaliar as respostas das diversas componentes ás variações
do fluxo no sistema fluvial e os efeitos sobre o ecosistema e, ademais, predizer e a
sua possível evolução. A identificação desses indicadores foi também apoiada por
uma extensa e exaustiva análise da documentação bibliográfica que foi possível
obter, a maior parte deles referentes a rios fora do contexto angolano.
Foram analisadas a aplicabilidade de cada indicador em cada sítio da inteira bacia e
os indicadores adoptados ­ pela equipa de especialistas dos três países ­ foram
seleccionados tendo em conta a sua potencial resposta á variação dos fluxos no
regime fluvial (estação seca, transição 1, estação húmida e transição 2), e as
influências que essas respostas poderiam exercer na generalidade do ecosistema.
Foram seleccionados os dez indicadores (número máximo recomendado) constantes
na tabela seguinte:
Tabela 1- indicadores geomorfológicos e sedimentológicos
Sitios Representados
Nº do
Nome do Indicador
Indicador
1 -Capico 2- Mucundi 3- Kuito

Kuanavale
1
Extent of exposed rocky habitat in main channels.
No
Yes
No
2
Extent of coarse sediments on the bed
No
No
No
3
Cross sectional area of bank full channel
Yes
Yes Yes
4
Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
Yes
Yes
Yes
5
Extent of exposed sandbars at low flow
No
No
No
6
Extent of vegetated islands
No
Yes No
7
Percentage silt & clay in the top of the floodplain
No
No Yes
8
Extent of the floodplain inundated each wet season
No
No Yes
9
Extent of inundated pools/pans on floodplain
No
No Yes
10
Extent of cut banks along the active channel
No
No Yes

No capítulo 3 fornece-se a descrição cada um desses indicadores, a sua eventual
presença e localização no interior de cada sítio estudado, e o modo como
respondem ás variações dos fluxos no interior do sistema fluvial.


4

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
ÍNDICE DOS ASSUNTOS

RESUMO EXECUTIVO ................................................................................................... 3
LISTA DE TABELAS ....................................................................................................... 8
LISTA DE IMAGENS ....................................................................................................... 9
AGRADECIMENTOS .................................................................................................... 11
INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 12
Antecedentes ............................................................................................................ 12
Objectivos e Plano de Trabalho da ACA da Bacia do Okavango .............................. 12
Objectivos do Projecto ........................................................................................... 12
Disposição do presente relatório ............................................................................... 13
ÁREA DE ESTUDO ...................................................................................................... 14
Descrição da Bacia do Okavango ............................................................................. 14
Delineamento da Bacia do Okavango em Unidades Integradas de Análise ............. 15
Panorama geral dos locais ........................................................................................ 16
Local 1: Rio Cuebe em Capico .............................................................................. 16
Local 2: Rio Cubango em Mucundi ........................................................................ 16
Local 3: Rio Cuito no Cuito Cuanavale .................................................................. 17
Sedimentologia & Geomorfologia - descrição especifica dos locais de Angola ........ 17
Local 1: Capico ...................................................................................................... 18
Local 2: Mucundi .................................................................................................... 20
Local 3: Cuito-Cuanavale....................................................................................... 22
Integridade do habitat dos locais em Angola ......................................................... 23
IDENTIFICAÇÃO DE INDICADORES E CATEGORIAS DE CAUDAIS ....................... 25
Indicadores ................................................................................................................ 25
Introdução .............................................................................................................. 25
Lista indicativa para a Sedimentologia & Geomorfologia ...................................... 25
Descrição e localização dos indicadores ............................................................... 26
Categorias de caudais ­ sítios do rio ........................................................................ 41
Categorias de inundação ­ pontos do Delta ............................................................. 43
ANÁLISE DA BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 45
Introdução.................................................................................................................. 45
Indicador nº 1 - Extent of exposed rocky habitat in main channels ........................... 46
Principais características do Indicador 1 Extent of exposed rocky habitat in main channels46
Ligação ao caudal .................................................................................................. 46
Indicador nº 2 - Extent of coarse sediments on the bed ............................................ 46
Principais características do Indicador 2 Extent of coarse sediments on the bed . 46
References on Discharge (Q) and sediment load (Qs) .......................................... 47
Ligação ao caudal .................................................................................................. 47
Indicador nº 3 - Cross sectional area of bank full channel ....................................... 47
Principais características do Indicador 3- Cross sectional area of bank full channel ........ 47
Ligação ao caudal .................................................................................................. 48


5

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador nº 4 - Extent of backwater areas (slow/no flow areas) .............................. 49
Principais características do Indicador 4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas) 49
Ligação ao caudal .................................................................................................. 49
Indicador nº 5: Extent of exposed sandbars at low flow ............................................ 50
Principais características do Indicador nº5 Extent of exposed sandbars at low flow ........ 50
Indicador nº 6: Extent of vegetated islands ............................................................... 50
Principais características do Indicador nº6 Extent of vegetated islands ................ 50
Ligação ao caudal .................................................................................................. 50
Indicador nº 7: Percentage silt & clay in the top of the floodplain .............................. 51
Principais características do Indicador 7 Percentage silt & clay in the top of the floodplain 51
References on Floodplains Dynamics& Discharge (Q) and Sediment Load ......... 51
Ligação ao caudal .................................................................................................. 51
Indicador nº 8: Extent of the floodplain inundated each wet season ......................... 52
Principais características do Indicador nº8 Extent of the floodplain inundated ...... 52
References on Floodplains Dynamics ................................................................... 52
Ligação ao caudal .................................................................................................. 52
Indicador nº 9 - Extent of inundated pools/pans on floodplain .................................. 52
Principais características do Indicador nº 9 Extent of inundated pools/pans ......... 52
Ligação ao caudal .................................................................................................. 53
Indicador nº 10 - Extent of cut banks along the active channel ................................. 53
Principais características do Indicador nº 10 Extent of cut banks ......................... 53
References on Cut Banks ...................................................................................... 53
Ligação ao caudal .................................................................................................. 53
Resumo 54
RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS ............................................................................. 54
Metodologia para recolha e análise de dados ........................................................... 54
Resultados................................................................................................................. 55
Um resumo do entendimento presente das respostas previstas de todos os
indicadores (disciplinas) as potenciais mudanças no regime de fluxo ............. 55
Capico 56
Indicador 3-Cross sectional area of bank full channel ........................................... 57
Indicador 4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas) ............................... 59
Indicador 10- Extent of cut banks along the active channel ................................... 60
Mucundi (UIA 2) ......................................................................................................... 61
Indicador 1- Extent of the exposed Rocky Habitat in main channels ..................... 62
Indicador 3- Cross sectional area of bank full channel .......................................... 63
Indicador 6- Extent of vegetated islands ................................................................ 64
Kuito Kuanavale (UIA 3) ............................................................................................ 65
Indicador 3- Cross sectional area of bank full channel .......................................... 66
Indicador 4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas) ................................ 67
Indicador 7- Percentage silt & clay in the top of the floodplain .............................. 68
Indicador 8- Extent of the floodplain inundated each wet season .......................... 69


6

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 9- Extent of inundated pools/pans on floodplain .................................... 70
Indicador 10- Extent of cut banks along the active channel ................................... 71
Conclusão.................................................................................................................. 72
RELAÇÃO DA CURVA DE RESPOSTA DO CAUDAL PARA USO NA ACA-
SAD (SISTEMA DE APOIO DE TOMADA DE DECISÃO) DO
OKAVANGO ........................................................................................................ 73
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 74



7

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
LISTA DE TABELAS
Tabela 0.1
Localização dos três pontos da EFA em Angola ..................... 16
Tabela 0.1 indicadores para a disciplina de Sedimentologia e Geomorfologia
Lista dos indicadores para a Sedimentologia e
Geomorfologia e aqueles indicadores escolhidos para
representarem cada local ........................................................ 26
Tabela 0.2
Questões a serem abordadas no Workshop de Captação
de Conhecimentos, por indicador e por local. Para todos
os efeitos, o `natural' abarcará na totalidade a vasta gama
da variabilidade natural ............................................................ 43
Tabela 0.3
Categorias de inundação para o Delta do Okavango
conforme reconhecido pelo modelo de inundação do
HOORC .................................................................................... 44



8

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
LISTA DE IMAGENS
Imagem 0.1
Parte Superior da Bacia do Rio Okavango da nascente
para o extremo norte do Delta ................................................. 14
Imagem 0.2
A Bacia do Rio Okavango, mostrando a drenagem no
Delta do Okavango e nos pântanos de Makgadikgadi............. 15
Imagem 0.1
Três anos representativos para o local 1: Rio Cuebe em
Capico, que ilustram a divisão aproximada do regime do
caudal em quatro estações de caudais ................................... 41
Imagem 0.2
Três anos representativos para o local 2: Rio Cubango
em Mucindi, que ilustram a divisão aproximada do regime
do caudal em quatro estações de caudais .............................. 42
Imagem 0.3
Três anos representativos para o local 3: Rio Cuito em
Cuito Cuanavale, que ilustram a divisão aproximada do
regime do caudal em quatro estações de caudais .................. 42
Imagem 0.4
Três anos representativos para o local 4: Rio Okavango
em Kapoka (dados hidrológicos obtidos da estação
hidrometrica do Rundo), que ilustram a divisão
aproximada do regime do caudal em quatro estações de
caudais ..................................................................................... 42
Imagem 0.5
Três anos representatives para o local 5: Rio Okavango
nos Rápidos de Popa (dados hidrologicos obtidos a partir
da estação hidrométrica de Mukwe), que ilustram a
divisão aproximada do regime do caudal em quatro
estações de caudais ................................................................ 43


9

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
ABREVIATURAS

ABREVIATURA
SIGNIFICADO
DTM (MDT)
Digital Terrain Model (Modelo Digital de Terreno)
ACA (EFA)
Avaliação dos Caudais Ambientais (Environmental Flow Acessment)
UIA
Unidade Integrada de Análise





10

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
AGRADECIMENTOS
Muitos foram os que, de uma forma ou de outra, contribuiram para a feitura deste
relatório.
De entre eles, em primeiro lugar, a Dr. Jackie King que não poupou esforços na
orientação da escritura do relatório, a Dr. Cate Brown que nos Workshops sempre se
mostrou disponível a dar os esclarecimentos necessários, e o Engº Manuel Quintino
que, desde sempre, se caracterizou pela sua disponibilidade em compartilhar e fazer
fluir informações de grande utilidade.
Os meus agradecimentos vão também para os Dr.s Mark Rountree e Collin Christian
pela ajuda dada na modelagem das curvas de resposta e - juntamente com o Dr.
Dominique Mazvimazvi - nas discussões que conduziram á selecção dos
indicadores.



11

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
INTRODUÇÃO
Antecedentes
Um Projecto de Protecção Ambiental e Gestão Sustentável da Bacia do Rio Okavango
(PAGSO) está sendo implementado sob auspícios da Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura (FAO). Uma das actividades inscritas no projecto é a realização
de uma análise diagnóstica transfronteiriça (ADT) que visa o desenvolvimento de um Plano
Estratégico de Acções para a bacia. A ADT consiste na análise de actuais e futuras causas
de eventuais problemas transfronteiriços entre os três países membros da bacia,
nomeadamente: Angola, Namíbia e Botswana. O Comité Directivo da Bacia de Okavango
(OBSC) da Comissão da Bacia do Rio Okavango (OKACOM) notou durante a reunião do
mês de Março em Windhoek, Namíbia, que os eventuais problemas futuros dentro do Rio
Okavango ocorrerão mais provavelmente devido aos desenvolvimentos que modificarão os
regimes de caudais. O OBSC ainda notou que existem informações inadequadas acerca dos
efeitos físico-químicos, ecológicos e sócio-economicos desses possíveis desenvolvimentos.
O OBSC recomendou nessa reunião que uma Avaliação do Caudal Ambiental (ACA) seja
realizada para antecipar eventuais mudanças a serem causadas pelo desenvolvimento no
regime do caudal do sistema do Rio Okavango, as mudanças ecológicas relacionadas, e os
impactos consequentes sobre as populações que utilizam os recursos do rio.
A ACA é uma actividade conjunta do Projecto PAGSO e do Projecto Biokavango. Uma parte
da ACA constará de uma série de estudos especificos do país por especialistas, dentre os
quais o Relatório Sedimentologia & Geomorfologia para Angola.
Objectivos e Plano de Trabalho da ACA da Bacia do Okavango
Objectivos do Projecto
Os objectivos da ACA são:
apresentar uma síntese de toda a informação relevante sobre o sistema do Rio Okavango e
seus utilizadores, e proceder a recolha de novos dados necessários dentros termos da ACA
fazer uso destas informações para apresentar cenários de possiveis cursos de
desenvolvimento no futuro para apreciação dos decisores, permitindo que os decisores
discutam e façam negociações em aspectos inerentes ao desenvolvimento sustentável da
Bacia do Rio Okavango;
incluir em cada cenário o principal impacto ecológico positivo e negativo, recurso-económico
e social dos desenvolvimentos em causa;
concluir esse conjunto de actividades como ACA piloto, devido às limitações de tempo,
estes resultados servirão de contribuições para a ADT e uma futura ACA mais abrangente.
Os objectivos específicos são:
determinar em diferentes pontos ao longo do sistema do Rio Okavango, incluindo o Delta, os
relacionamentos existentes entre o regime do caudal e a natureza ecológica e o
funcionamento do ecossistema do rio;
determinar os relacionamentos existentes entre o ecossistema do rio e os modos de vida
das populações ribeirinhas;
prever as eventuais mudanças causadas por desenvolvimentos no regime do caudal e
consequentemente ao ecossistema do rio;
prever os impactos dessas mudanças do ecossistema do rio sobre os modos de vida das
populações.
Fazer uso dos resultados da ACA com a melhoria da gestão da biodiversidade do Delta.
Desenvolver capacidades para a realização das ACAs em Angola, no Botswana, e na
Namíbia.


12

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Disposição do presente relatório
O presente relatório compõe-se de seis Capítulos, referências bibliográficas e X anexos;
cada capítulo, eventualmente dividido em secções, aborda os seguintes aspectos:
Capítulo 1 ­ é a parte introdutiva onde se explica o porquê do projecto e do presente estudo,
os respectivos marcos e objectivos, as principais instituições envolvidas, os patrocinadores
do projecto, assim como a estruturação do presente relatório.
Capítulo 2 ­ este capítulo descreve as características gerais da Bacia do Okavango, o modo
como foi subdividido em áreas de amostragem (designadas por unidades integradas de
análise), o porquê dessa divisão, os sítios onde - dentro de cada uma dessas áreas de
amostragem ­ concentrar as pesquisas, as disciplinas escolhidas para o desenvolvimento
das pesquisas, as características gerais de cada um desses sítios em Angola e, finalmente,
as respectivas características sob o ponto de vista geomorfológico e sedimentológico.
Capítulo 3 ­ neste capítulo, especificam-se os principais indicadores escolhidos para a
compreensão - sob o ponto de vista geomorfológico e sedimentológico - do comportamento
fluvial ao longo de toda a bacia; também se descreve cada um desses indicadores, a sua
eventual presença e localização no interior de cada sítio estudado, e o modo como
respondem ás variações dos caudais.
Capítulo 4 ­ aqui, explica-se a abordagem seguida na análise da bibliografia, a extensão da
bibliografia encontrada, as pesquisas efectuadas, assim como os resultados obtidos em
função dos indicadores reconhecidos.
Capítulo 5 ­ neste capítulo, faz-se referência á metodologia seguida para a obtenção e
análise dos dados, os resultados obtidos , e as conclusões.
Capítulo 6 ­ este Capítulo trata da Relação da curva de resposta do caudal para uso na
ACA-SAD (Sistema de Apoio de Tomada de Decisão) do Okavango
Referências Bibliográficas


13

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
ÁREA DE ESTUDO
Descrição da Bacia do Okavango
A Bacia do Rio Okavango consiste de áreas drenadas pelos rios Cubango, Cutato, Cuchi,
Cuelei, Cuebe, e Cuito em Angola, o Rio Okavango na Namíbia e Botswana, e o Delta do
Okavango (Imagem 0.1). Do ponto de vista topográfico, esta bacia inclui a área que foi
drenada pelo actual Rio fóssil de Omatako na Namíbia. As descargas do Delta do Okavango
são drenadas através dos rios Thamalakane e Boteti, este último aflui para a Bacia
(Depressão) do Makgadikgadi. O Rio Nata, que drena a parte ocidental do Zimbabué,
também aflui para a Bacia de Makgadikgadi. Assim, na base da topografia, a Bacia do Rio
Okavango inclui a Bacia de Makgadikgadi e a Bacia do Rio Nata (Imagem 0.2). Entretanto, o
presente estudo, se concentra em partes da bacia em Angola e na Namíbia, e no complexo
do Rio Panhandle/Delta/Boteti no Botswana. As Bacias do Makgadikgadi e do Rio Nata não
estão nele contemplados.
Upper Okavango River Basin
N
W
E
S
Cu
t

Cu
a
#
t
o

c
h
i

#
C
C
u
u
#
it
a
o
nava
#
le
Cu
#
C
Menongue
ba
u
n
c
g
h
#
Major settlement
o
i
# Cuito Cuanavale
River
C
#
ue
Fossil river
be
C
Panhandle
ANGOLA
uiri
Permanent swamps
ri
#
Seasonal swamps
Cubango
Cuito
NAMIBIA
Okavango
#
Rundu
#
#
#
0
300 Kilometers
#

Imagem 0.1



14

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Okavango River Basin
N
W
E
S
C
u
ta

Cu
#
to
c
h
i
#
C
C
ui
ua
#
t
o

nava
#
l
e

C
# Menongue
ub
C
a
u
n
c
g
h
o
i
# Cuito Cuanavale
# Cuebe
C
ANGOLA
uirir
#
i
Cubango
Cuito
NAMIBIA
Okavango
#
Rundu
#
# #
#
##
#
#
#
Maun
#
Makgadikgadi Pans
# Ghanzi
#
Major settlement
River
Fossil river
Panhandle
0
600 Kilometers
Permanent swamps
Seasonal swamps

Imagem 0.2
Delineamento da Bacia do Okavango em Unidades Integradas de Análise
Nenhum estudo poderia de maneira pormenorizada descrever cada extensão do rio dentro
da Bacia do Rio Okavango, ou cada pessoa que reside dentro desta área, em especial um
estudo piloto como o actual. Ao invés disso, áreas representativas que são razoavelmente
homogéneas em carácter poderão eventualmente ser demarcadas e usadas para
representatividade de áreas muito maiores, e em seguida um ou mais pontos
representativos escolhidos em cada um como sendo área de ênfase para actividades de
recolha de dados. Os resultados de cada um dos locais representativos podem em seguida
ser extrapolados para as áreas maiores.
A utilização desta abordagem, implicará a demarcação da Bacia em Unidades Integradas de
Análise (PAGSO/Biokavango Relatório nº. 2; Relatório sobre o Delineamento) pela:
Divisão do rio em zonas longitudinais relativamente homogénea em termos de:
hidrologia;
geomorfologia;
química da água;
peixes;
invertebrados aquáticos;
vegetação;
harmonização dos resultados de cada disciplina num conjunto de zonas biofisicas do rio;
divisão da bacia em áreas relativamente homogéneas em termos de sistemas sociais;


15

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
harmonização das zonas biofísicas do rio e as áreas sociais num conjunto de Unidades
Integradas de Análise (UIAs).
As 19 UIAs reconhecidas foram em seguida apreciadas por cada equipa nacional como
candidatas para a localização do número de sítios afectados dos locais de estudo:
Angola: três
locais
Namíbia: dois
locais
Botswana: três
locais.
Os locais escolhidos pela equipa de Angola estão apresentados na Tabela 0.1.
Tabela 0.1
EFA Local No
País
Rio
Localização
1 Angola
Cuebe
Capico
2 Angola
Cubango
Mucundi
3 Angola
Cuito Cuito
Cuanavale
Panorama geral dos locais
Local 1: Rio Cuebe em Capico
O sítio do Capico está localizado na parte sul do município de Menongue. Ele enquadra-se
na Unidade Integrada de Análise (UIA) nº 3. Capico dista há 110 quilómetros à sul de
Menongue, a capital da provincia do Kuando Kubango, em direcção à fronteira com a
Namíbia. As suas coordenadas geográficas são: latitude - 15°33 Sul; longitude - 17°34
Este. A altitude da zona varía entre 1160 e 1250 metros. A maioría das pessoas que vivem
em Capico pertencem ao grupo étnico Ngangela. Existe em Capico um pequeno grupo de
residentes que pertencem ao grupo étnico Tchokwe (originários da província do Moxico),
que durante a guerra civil deslocaram-se da sua área de origem e fixaram a sua residência
em Capico. As povoações existentes nas imediações de Capico são: Massosse e Bitângua
à Norte e Caïndo à Sul.
O rio Cuébe, um dos afluentes do rio Cubango (Okavango) é a única fonte de água na area.
A principal vegetação da áera é do tipo bosques de Burkea-Brachystegia que se
desenvolvem sobre as areias do Kalahari.
Os principais modos de vida da população local são a Agricultura de sequeiro (durante a
estação chuvosa que ocorre entre Outubro e Abril), a Pesca artesanal usando o rio Cuébe, a
recolha de frutos silvestres e a Caça. O artesanato é também praticado pela população
local.

Devido à proximidade da povoação de Capico ao rio Cuébe, este último é usado de forma
intensiva pela população local. Apesar da sua secção estreita em Capico, as margens do rio
não são muito afectadas pela inundação, devido a profundidade do rio nesta secção.
Local 2: Rio Cubango em Mucundi
O sítio de Mucundi está localizado na parte sul do município de Menongue, à jusante da
povoação de Caïndo. Ele enquadra-se na UIA nº 2. Mucundi dista há 192 quilómetros à sul
de Menongue, a capital da província do Kuando Kubango, em direcção à fronteira com a
Namíbia. As suas coordenadas geográficas são: latitude - 16°13 Sul; longitude - 17°41
Este. A altitude da zona varía entre 1120 e 1250 metros. As pessoas residentes em Mucundi


16

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
pertecem ao grupo étnico Ngangela. As povoações existentes nas imediações de Mucundi
são: Chimbueta à Norte e Kendelela à Sul.
O rio Cubango (Okavango), depois de receber as contribuições dos rios Cutato, Cuchi,
Cuélei e Cuébe, é maior fonte de água na zona.
A principal vegetação da áera é do tipo bosques Burkea-Brachystegia que se desenvolvem
sobre as areias de Kalahari.
Os principais modos de vida das populações locais são a Agricultura de sequeiro (durante a
época chuvosa que ocorre entre Outubro e Abril), Pesca artesanal usando o rio Cubango
(Okavango) e produção pecuária. A Apicultura é também praticada na zona, mas numa
escala reduzida.
Devido à proximidade da povoação do Mucundi ao rio Cubango (Okavango), este último é
utilizado de forma intensiva pelas populações locais. A margem direita do rio não é muito
afectada pelas inundações devido à sua elevação topográfica. Durante o pico da estação
chuvosa (Fevereiro ­ Abril), a margem esquerda do rio fica eventualmente inundada.
Local 3: Rio Cuito no Cuito Cuanavale
O sítio do Cuito Cuanavale está situado na parte leste da provincia do Kuando Kubango. Ele
enquadra-se na UIA nº 6. O sítio encontra-se no município do mesmo nome. O Cuito
Cuanavale dista há 189 quilómetros da cidade de Menongue, a capital da provincial do
Kuando Kubango, na direcção leste para quem viaja para o município de Mavinga. As suas
coordenadas geográficas são: latitude - 15°10 Sul; longitude - 19°12 Este. A população
residente no Cuito Cuanavale pertecnce ao grupo étnico Ngangela. As povoações existentes
nas imediações do Cuito Cuanavale são: Sacalumbo à Noroeste, Chissamba à Nordeste,
Bocota à Sul, Caripa à Sudoeste e Samungure à Sudeste.
O sítio localiza-se há 3 quilómetros á jusante da confluência dos rios Cuito e Cuanavale. A
altitude da zona varía entre 1180 e 1250 metros.
O principal vegetação da area é do tipo de bosques Burkea-Brachystegia que se
desenvolvem sobre as areias do Kalahari.
Os principais modos de vida da população local são a Agricultura de sequeiro (durante a
época das chuvas que ocorre entre Outubro e Abril), Pesca artesanal usando os rios Cuito e
Cuanavale Rivers, a recolha de frutos silvestres e a Caça.
O rio Cuito é usado de forma intensive pela população local. Embora considerávelmente
profundo, existe nas imediações do sítio uma planície de inundação, que inunda durante o
pico das estação das chuvas (Fevereiro ­ Abril).
Sedimentologia & Geomorfologia - descrição especifica dos locais de Angola


17

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Local 1: Capico
Imagem 1.3 esquema das característcas morfológicas do rio Cuebe, em Capico
As características morfológicas mais marcantes do Rio Cuebe, em Capico, podem ser
visualizadas conforme o esquema ilustrativo acima dado. Nele, é possivel observar que o
canal do rio apresenta um andamento muito sinuoso com vários troços rectilíneos, e é
encaixado no interior de um vale com perfil em V estreito, limitado por paredes altas e
abruptas, e com fundo bastante estreito para apenas conter as margens ordinárias do canal
fluvial. Em alguns troços, as paredes altas do vale se alternam com estreitas faixas
depressivas de fundo aproximadamente planar, e com frequente exposição do substrato
rochoso, o que mostra corresponderem á áreas afectadas por processos principalmente
erosivos do rio, durante as fases de inundação, já que as rupturas de pendência que
marcam as respectivas margens externas coincidem com os limites máximos atingidos pelas
águas durante os eventos de cheias excepcionais (inundação): tratam-se, portanto, de
planícies de inundação, incipientes pela sua pequena extensão areal. Em outros troços, o
flanco do vale se apresenta cortado por incisões que conectam, imediatamente á montante,
com bacias de extensão apreciável, e cujo fundo rugoso é juncado de blocos erodidos das
suas áreas marginais; essas são bacias que actuam como colectores e integram linhas de
escorrência de água curtas, muito profundas e com grandes pendências ao longo do seu
perfil longitudinal (gullies), as quais por vezes se unem formando redes que confluem para o
interior dela; as formas relativamente jovens que o conjunto apresenta, demonstram a
intensidade dos processivos erosivos lineares (gullying) e areais (surface washing) activos
no interior dessas bacias, testemunhando também a sua grande importância no
fornecimento de sedimentos (areias e seixos) ao sistema fluvial.
As características típicas de um estádio de maturidade inicial do desenvolvimento do curso
fluvial que apresenta - sublinhadas também pelas apreciáveis pendências do canal e do
fundo do vale onde se encaixa, as quais mostram que o perfil longitudinal do curso fluvial
ainda não está completamente regularizado, pelo menos ao longo deste troço - podem ser
devidas ás características do substrato que cortam: este, é constituido por camadas de
arenito bem consolidado e de grão muito fino, alternadas com bancadas gresosas e


18

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
calcáreas muito resistentes, e com a ocorrência ­ no topo da sucessão ­ de concrecções
lateríticas frequentemente bastante espessas e formando couraça.
O canal por onde flui o rio Cuebe, ao longo do troço compreendido nesta UIA, apresenta um
perfil transversal assimétrico, a avaliar pelas profundidades medidas nas adjacências da
margem direita (Md), na parte central (C) e nas adjacências da margem esquerda (Me) ao
longo de 3 perfis localizados na estação hidrométrica e ~50 metros á jusante e á montante
dela, conforme a tabela abaixo (os valores entre parêntesis referem-se á elevação da
margem do canal de magra (+h) acima da superfície da água):

Tabela 2.2 profundidades do canal abaixo da superfície da água em Capico
ponto
Me (+h)
C
Md (+h)
~50m montante
0.85m (1.4m)
2,5m
2.1 m (?)
Estaç. Hidrom.
2.1m (0.4 m) 2.4m
0.7m (0.5 m)
~50m jusante
1.0m (0.5m) 3.0m
2.6m (?)

Os valores acima dados mostram também que o leito do canal apresenta um andamento
ondulado, neste troço apreciavelmente rectilíneo, facto que testemunha a alternância, ao
longo das margens e na parte central do canal, de áreas de maior profundidade (pools) com
áreas de águas mais rasas (riffles).
As margens do canal apresentam alguns troços constituidos por lama + matéria orgânica
(MO) consolidada, assim como troços constituidos por areias massivas muito finas e friáveis:
em ambos os casos, se apresentam colonizados por vegetação variável ao longo de todo o
traçado, com prevalência de canaviais mangais, palmeiras etc.; é de se remarcar que, em
muitos pontos do traçado rectilíneo, essas margens apresentam sinais de "slumping" activo
e potencial, com linhas de destaque situadas ao longo do contacto com as rochas do
substrato (no caso das margens constituidas por lama), e nas proximidades do contacto com
a massa de água (para as margens constituidas por areias massivas). A esse processo, que
contribui para o fornecimento de carga detrítica para o rio, se acrescenta processos de
erosão marginal principalmente concentrado ao longo das margens côncavas do meandro
(cut bank), e cujos produtos tendem a depositar-se prevalentemente em correspondência da
margem convexa imediatamente adjacente (point bar), e a profundidades muito baixas, pelo
que esta se encontra densamente colonizada por vegetação típica de zonas pantanosas
(canaviais, etc).


19

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Local 2: Mucundi
Imagem 2.4 esquema das caracteristicas morfológicas do rio Cubango, em Mucundi

O Rio Cubango, em Mucundi, apresenta características morfológicas cujos traços principais
são as que podem ser visualizadas no esquema ilustrativo acima dado. O canal deste rio,
que apresenta um andamento muito sinuoso alternado a pequenos troços rectilíneos, é
encaixado no interior de um vale com perfil em V estreito, limitado por paredes altas e
abruptas, de fundo suficientemente estreito para apenas conter o canal fluvial, e cujas
margens ordinárias (bankfull channel) dificilmente se distinguem das margens do canal de
magra
(lowstream channel); acrescente-se que, ambos os tipos de margens são dificilmente
perceptíveis na paisagem. Tal como na UIA 1, as paredes altas e abruptas que constituem
os flancos do vale do Cubango no troço da UIA 2, parecem estar estreitamente relacionadas
com as características do substrato que cortam, o qual é constituido por camadas de arenito
de grão muito fino, bem consolidados, alternadas com bancadas gresosas e calcáreas muito
resistentes, e com a ocorrência ­ no topo da sucessão ­ de concrecções lateríticas que por
vezes se apresentam com espessuras tais que formam couraça.
As paredes do vale se alternam, ao longo de alguns troços, com estreitas depressões de
fundo aproximadamente planar que cortam o substrato, se inclinam ligeiramente para o
continente, e cuja superfície apresenta ­ em muitos pontos ­ depósitos de lama muito
escura; estas depressões correspondem á áreas afectadas por processos erosivos e
deposicionais do rio durante as fases de inundação, mesmo porque as rupturas de
pendência que marcam as respectivas margens externas coincidem com os limites máximos
atingidos pelas suas águas durante os eventos de inundação: tratam-se, portanto, de
planícies de inundação, geralmente de pequena extensão areal, embora seja de se registar
a presença de uma com extensão bastante significativa, localizada ao longo de quase todo o
comprimento da margem esquerda da área de estudo, e cujas margens externas se
adentram por cerca de 200 m para o interior do continente. As paredes do vale apresentam-
se também ­ em alguns pontos, cortadas por pequenas bacias mas de apreciável extensão
areal, as quais funcionam como areas de recolha e de passagem dos detritos (areias e


20

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
seixos) resultantes de erosão areal (washing) e linear (gullying) das respectivas áreas
marginais á montante; os flancos rípidos e livres de detritos que apresentam as formas
lineares no interior dessas bacias, assim como as altas pendências dos respectivos perfis
longitudinais e das áreas marginais, são testemunhos da intensidade dos processos
erosivos activos nessas bacias, assim como da sua grande importância no contributo
sedimentar ao sistema fluvial adjacente.
Quanto à geometria que o canal do rio Cubango apresenta, ela é bastante irregular ao longo
do troço observado nesta UIA, conforme é possível constatar pelas profundidades que
apresenta nos seguintes perfis transversais observados de montante para jusante da
Estação Hidrométrica (EH), onde Md = margem direita, C = parte central, Me = margem
esquerda do canal, e (+h) = elevação da margem do canal de magra, acima da superfície da
água:

Tabela 3.3 profundidades do canal abaixo da superfície da água em Mucundi
Ponto Me
C
Md
Curva, ~200 m montante EH
?
Ilha fluvial
?
100 m, montante EH
2.0 m
1.8 m
0. 9 m
Leito de águas rasas sobre substrato resistente, com
Proximidades EH
profundidades maiores (~1 m) nas áreas marginais
100 m jusante EH
1.5 m
3.0 m
1.0 m

Refira-se que o substrato granítico resistente - que aflora á superfície e sob uma espessura
de poucos centímetros de água por quase toda a largura do leito do canal e ao longo de
cerca de 60-70 m de comprimento, e que mormente nas áreas marginais foi erodido até
profundidades em torno de 1 m ­ apresenta uma superfície muito áspera devida á abrasão
fluvial, com ocorrência de sulcos, fendas e depressões de geometria irregular e dimensões
centimétricas a métricas, assim como depressões em bacia com profundidades em torno do
metro e diâmetros que podem atingir 2 a 3 m, e cujos fundos são preenchidos por pequenas
quantidades de areia de grão grosseiro, bem seleccionado, e com raros seixos; os rápidos,
que caracterizam a corrente neste troço significativamente amplo e retilíneo, são
incrementados, mormente na parte mais á jusante, pela presença de degraus cujos saltos ­
em conjunto ­ superam grandemente 2 m de altura. As variações de pendência do canal e
do fundo do vale que o encaixa ­ apreciáveis ao longo deste troço - mostra que o perfil
longitudinal deste curso fluvial ainda não está regularizado.
As características do canal acabadas de descrever, assim como as do fundo do vale acima
descritas, são típicas de um estádio de maturidade inicial do desenvolvimento do curso
fluvial e são indicativos da grande potencialidade dos processos de aprofundamento que
poderão ocorrer pelo menos neste troço do Rio Cubango.
Relativamente ás margens do canal, estas apresentam raros troços onde aflora o substrato
resistente, sendo que na maior parte do traçado são mormente constituidos por lama +
matéria orgânica (MO) consolidada, alternados por pequenos troços constituidos por areias
massivas muito finas e friáveis: nestes dois últimos casos, as margens são marcadamente
estreitas e se apresentam colonizados por vegetação variável ao longo de todo o traçado,
com prevalência de canaviais, mangais, palmeiras etc.; em muitos pontos, essas margens
apresentam sinais de "slumping" activo e potencial, com linhas de destaque situadas ao
longo do contacto com as rochas do substrato (no caso das margens constituidas por lama),
e no contacto com a massa de água (para as margens constituidas por areias massivas): os
sinais de "slumping", amplamente distribuidos ao longo do traçado da UIA 2, mostram a
prevalência actual dos processos de erosão lateral (alargamento do canal) ­ sobre os
processos de aprofundamento. A esse processo de erosão marginal, que contribui para o


21

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
fornecimento de carga detrítica para o rio, se acrescentam aos que principalmente se
concentram ao longo das margens côncavas do meandro (cut bank), e cujos produtos
tendem a depositar-se prevalentemente em correspondência de margens convexas
imediatamente adjacentes, e a profundidades muito baixas, pelo que esta se encontra
densamente colonizada por vegetação típica de zonas pantanosas (canaviais, etc).

Local 3: Cuito-Cuanavale
Imagem 2.5 esquema das características morfológicas do rio Cuito em Kuito-Kuanavale

Alguns dos traços morfológicas principais do Rio Kuito-Kuanavale, na área escolhida como
UIA 3, são as que podem ser visualizadas nos esquemas ilustrativos A e B acima dados.
Assim, como no esquema A, é possível observar que este rio apresenta um canal á
meandros que livremente se desenvolve no interior de uma ampla planície de inundação,
onde facilmente se podem encontrar braços de meandros abandonados uns em forma de
"oxbow lakes", outros ainda com uma das extremidades conectadas ao canal principal. Nas
áreas marginais em torno desses canais, o pavimento da planície aluvial se encontra quase
totalmente coberto por vegetação frequentemente rasteira, mormente erbácea, e a qual se
distribui em manchas fácilmente distinguíveis quer pela diversa tonalidade de verde, quer
pela diversa densidade de ocupação do terreno, aspectos esses que parecem estar
estreitamente relacionados com o teor de humidade presente em cada uma dessas
manchas; de facto, foi observada a presença de vegetação mais densa, mais variada e de
maiores dimensões nos pontos em que o terreno se apresentava mais húmido e por vezes
encharcado (swamps), zonas mais vastas e menos húmidas ocupadas quase
exclusivamente por vegetação erbácea (e intensamente utilizada para pastorícia), e faixas
ainda menos húmidas ­ principalmente localizadas nas proximidades das margens da
planície aluvial ­ onde a vegetação rasteira se encontra esparsamente distribuido no
terreno: nesta última faixa é frequente encontrarem-se escavações antropogénicas de
dimensões variadas, resultantes da intensa extracção dos sedimentos silto-argilosos
constituintes desses terrenos, sedimentos esses que a população utiliza para a feitura de
blocos destinados á construcção das respectivas habitações.


22

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
O amplo vale onde se insere a planície de inundação é cortado nas areias massivas muito
finas e pouco coerentes da formação Kalahari e apresenta flancos altos ora mediamente
inclinados para o vale, ora com pendências mais abruptas. O flanco direito deste vale é, em
vários pontos, cortado por longas e profundas ravinas (gullyes) cujas cabeceiras se situam
no interior das terras altas á sua montante ­ principalmente nas áreas ocupadas pelo denso
aglomerado que constitui a população do Kuito Kuanavale - e as quais formam bacias de
drenagem notávelmente amplas e com significado apreciável no contributo sedimentar que
aportam á planície aluvial e ao sistema fluvial adjacente, sem esquecer o contributo que é
de se atribuir aos processos areais ("splash erosion" e "sheet wash") também activos nessas
vertentes; o notável contributo em carga sedimentar que esses processos dão ao sistema
fluvial é parcialmente testemunhado pela presença, no pavimento da planície de inundação,
de espessas camadas de lama argilo-siltosa entre as quais se intercalam lentes de areia
muito fina e de pequenas espessuras nas adjacências do canal (que podem resultar da
deposição por "overbank" de sedimentos fluviais provenientes dos cursos á montante) e que
por vezes atingem a ordem do metro em alguns pontos afastados da adjacência do canal
fluvial (que podem resultar, portanto, da erosão nas vertentes adjacentes).
Ao longo do troço observado nesta UIA 3, o canal do rio Kuito-Kuanavale ­ que corta os
sedimentos silto-argilosos e arenosos da sua planície de inundação - apresenta uma
geometria assimétrica bastante regular nas secções transversais, e com leito de andamento
não uniforme, conforme é evidenciado pelas profundidades variando regularmente de 3 a 4
m ao longo da parte central do seu curso, enquanto os perfis transversais apresentavam
profundidades variando de 1 a 2 m, de modo alternado, nas adjacências de uma e de outra
margem; naturalmente, ao longo dos perfis transversais, as profundidades maiores se
situavam nas proximidades das margens côncavas e, também, no eixo dos troços entre as
curvas de meandro. Esses caracteres sugerem a presença de ondulações ao longo do leito
do canal (sand waves?), com troços de maior profundidade (pools) alternando-se a outros
de águas mais rasas (riffles): pelas observações de campo, não suficientemente
confirmadas por medições adequadas, os "pools" se localizam ou na parte central do canal
ou em troços adjacentes ás margens côncavas, enquanto os "riffles" se situam em pontos de
troços entre as curvas marcados por margens mais esbatidas e frequentemente colonizadas
por canaviais.
Dentre as formas modeladas pelo dinámica fluvial que foi possível observar nesta área - as
quais incluem a planície aluvial e os canais de meandro abandonados que mais acima se
referiu, e os "sand waves" acabados de referir - destacam-se os "cut bank" e os "point bar",
os quais testemunham a acção de processos de erosão lateral presentes ao longo de todo o
curso, mas principalmente concentrado ao longo das margens côncavas do meandro, assim
como de processos de deposição dos sedimentos, os quais tendem a concentrar-se com
prevalência nas margens convexas imediatamente adjacentes á jusante, e a profundidades
que ­ na maior parte das vezes ­ se situa a poucos centímetros abaixo da superfície da
água: assim, a maior dos sedimentos que constituem os "point bar" se tornam dificilmente
reconhecíveis, principalmente porque se encontram mascarados por uma densa vegetação
que os coloniza, constituída mormente por canaviais.
Na área observada, o conjunto formado pelo vale e pelo canal de meandros mostra
pendências locais muito baixas, e baixíssimos gradientes do canal ao longo de um perfil
longitudinal regularizado: estes aspectos, somados com os acima descritos, são indicativos
de que o conjunto se encontra num estádio de maturidade tardia do seu desenvolvimento,
em situação de quase-equilíbrio e, por isso mesmo, muito sensível á quaisquer variações
cujas amplitudes ultrapassem as capacidades de absorção do sistema.
Integridade do habitat dos locais em Angola
A tabela seguinte resume a integridade dos habitats em Angola, de acordo com o que foi
observado nos sítios analisados, e calculado pelos especialistas das várias disciplinas que
integram a equipa angolana.


23

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Tabela 4
OKAVANGO TDA: ENVIRONMENTAL FLOW ASESSMENT - Habitat Integrity Assessments


y
y


s
nt

t

e No

n




n
sure

io



ws

al
io
nel
e
me
ws
nel
tegor
hyte
h
men
Integrit
r
a
ct

Bed
Fish
a
st

mov
r
a
ct

o
sion
ss
(EF) Sit
River
Place
st
W
st
Instream
Riparian
b
Quality
Floods
Floods
Lowflo
Chan
Re
Lowflo
Chan
b
Er
PD Ca
a
bitat

A
Inundation
Macrop
Inundation
A
asse
TDA
H
Encroac
Fishing pres
1
Cuebe
Capico B 89,3
94,5 84,04 3 0 0 5 0 5 0 0 0 0 10 1 0 3 5 0 3 6

2 Cubango
Mucundi B 89,6
94,5 84,6 3 0 0 5 0 5 0 0 0 0 10 1 0 3 5 0 3 5

Fishing pressure increasing,density and
3
Cuito Cuito Cuanavale B 82,0
87,4 76,6 6 2 0 5 5 5 0 0 0 7
12 1 0 5 8 0 6 10 size of fish declining slightly
4 Okavango
Kapako B 86,2
86,6 85,72 5 7 0 0 8 0 0 1 0 9
16 1 0 0 0 0 5 0 Fishing pressure high
5 Okavango
Popa Falls A 91,2
92,6 89,72 2 3 0 0 0 1 0 0 0 17
11 0 0 0 1 0 2 2 Ben still to score fishing pressure
Not EF Okavango
Mahangu A 97,4
96,6 98,2 2 4 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 2 0 No fishing pressure in the reach
6 Okavango
Panhandle A 100,0 100,0
100 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

7 Okavango
Xan A 100,0 100,0
100 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

8 Okavango
Maun A 100,0 100,0
100 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0


INTEGRIDADE (%)
SEVERIDADE DO IMPACTO
ESCALA
A 90 - 100
D 40 ­ 59
0 (sem impacto)
11 a 15 (impacto grande)
temporal: actual
B 80 - 89
E 20 - 39
1 a 5 (impacto leve)
16 a 20 (impacto sério)
C 60 - 79
F 0 ­ 19
espacial: raio < 3 km em torno do local de estudo
6 a 10(impacto moderado)
21 a 25 (impacto crítico








24

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
IDENTIFICAÇÃO DE INDICADORES E CATEGORIAS DE CAUDAIS
Indicadores
Introdução
Os indicadores biofisicos são atributos especificos da disciplina do sistema fluvial que
respondem a uma mudança do caudal do rio mediante alteração da sua:
afluência;
concentração; ou
extensão (área).
Os indicadores sociais são atributos das estruturas socias ligadas ao rio que
respondem a mudanças na disponibilidade de recursos fluviais (conforme descrito
pelos indicadores biofisicos).
Os indicadores são utilizados para caracterizar a situação actual e mudanças que
ocorrerão nos caudais, provocadas pelos desenvolvimentos a ter lugar ao longo do rio.
Dentro de cada uma disciplina biofísica, os principais atributos podem ser agrupados
se esperar-se que esses atributos respondam da mesma maneira ao regime caudal do
rio. Por exemplo, espécies de peixes que se movem para as planicies sujeitas à
inundações em quase mesma época e por mesmas razões de reprodução ou
alimentação poderão ser agrupadas em Grupo de Peixes X.
Lista indicativa para a Sedimentologia & Geomorfologia
A fim de cobrir as principais características do sistema fluvial e seus utilizadores,
poderão ser julgados necessários vários indicadores. Contudo, para qualquer um dos
locais da ACA, o número de indicadores está limitado a dez (ou menos) de maneira a
tornar possível a gestão do processo. A lista completa dos indicadores foi elaborada
por Dominique Mazvimazvi (Botswana), Collin Christian (Namíbia) e Helder de Andrade
e Sousa (Angola), representantes dos países na disciplina Sedimentologia &
Geomorfologia, os quais contaram com a assistência, orientação e colaboração activa
do especialista em geomorfologia fluvial Mark Rountree (África do Sul).
Essa lista é conforme a apresentada na














25

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Tabela 0.1. Outros detalhes de cada indicador, estão detalhados no Capítulo 0.















26

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Tabela 0.1 indicadores para a disciplina de Sedimentologia e Geomorfologia Lista dos
indicadores para a Sedimentologia e Geomorfologia e aqueles indicadores escolhidos
para representarem cada local

Sitios Representados

Nome do Indicador
Indicador
1 -Capico 2- Mucundi 3- Kuito

Kuanavale
1
Extent of exposed rocky habitat in main channels.
No
Yes
No
2
Extent of coarse sediments on the bed
No
No
No
3
Cross sectional area of bank full channel
Yes
Yes Yes
4
Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
Yes
No Yes
5
Extent of exposed sandbars at low flow
No
No
No
6
Extent of vegetated islands
No
Yes No
7
Percentage silt & clay in the top of the floodplain
No
No Yes
8
Extent of the floodplain inundated each wet season
No
No
Yes
9
Extent of inundated pools/pans on floodplain
No
No Yes
10
Extent of cut banks along the active channel
Yes
No
Yes
Descrição e localização dos indicadores
Mencionar cada indicador da sua lista da tabela acima, com detalhes de cada em sub-
titulos conforme demonstrado a seguir.
Indicador geomorfológico nº 1
Nome: Extent of exposed rocky habitat in main channels
Descrição: Aqui, trata-se dos leitos rochosos que ­ durante os períodos de médio a alto
caudal - são cobertos pela coluna de água, e que ­ nos períodos de baixo caudal -
afloram á superfície. Este indicador é presente em Mucundi, onde o substrato granítico
resistente aflora por cerca de 60-70 m ao longo do leito do canal e quase cobrindo toda
a sua largura.
Outras características: neste troço, o canal se apresenta notávelmente amplo e pouco
profundo, onde é frequente a presença de degraus rípidos e de bruscos saltos de
pendência que determinam a formação de rápidos; não obstante, o substrato aflorante
é quase que totalmente colonizado por uma subtil mas densa camada de organismos
incrustantes, de forma estelar, providos de vários tentâculos ciliados e com
ramificações foliculares.
Posição do caudal relacionado: no leito, ao longo e/ou ao largo do traçado do canal.
Necessidades conhecidas de água: A exposição desses habitat rochosos requer
caudais médio-baixos.
Indicador geomorfológico nº 2
Nome: Extent of coarse sediments on the bed
Descrição: embora ocorram em alguns troços do rio Cubango (p.ex. nos arredores de
Caiundo) e possam, em geral, ocorrer entre troços de alto gradiente na parte angolana
da bacia, este indicador é ausente nos troços fluviais em qualquer dos três sítios
estudados. Ressalte-se que, nos troços correspondentes aos sítios estudados, a maior
parte dos sedimentos transportados como carga de fundo é constituído por areias finas
retrabalhadas da Formação Kalahari, provenientes ou da carga transportada desde
montante, ou da erosão das margens e do canal, ou ainda da erosão das terras
circundantes.


27

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Posição do caudal relacionado: lá onde ocorrem, os sedimentos grosseiros formam
pequenas barras regularmente distribuídas ao longo do eixo e das margens do canal.
Necessidades conhecidas de água: a distribuição deste tipo de sedimentos ao longo do
canal requer caudais altos e variáveis.
Indicador geomorfológico nº 3
Nome: Cross sectional area of bank full channel
Descrição: este indicador refere-se á secção transversal do canal principal (ou canal
ordinário), isto é, do canal definido pelo curso de águas nas cheias ordinárias; este,
que tem margens geralmente nítidas e colonizadas por vegetação permanente,
distingue-se do canal de magra (lowstream channel) ocupado pelas águas durante os
períodos de baixos caudais.
Em Capico (UIA1), as margens do canal ordinário (bankfull channel) são muito estreitas
e se estendem por cerca de 3 m de um lado e doutro das margens externas do canal
de magra (lowstream channel); a sua secção transversal apresenta forma em V
assimétrica, com larguras em torno dos 30-40 metros e profundidades máximas em
torno dos 3,5 m no regime de caudais baixos.
No rio Cubango, em Mucundi (UIA2), as margens do canal ordinário (bankfull channel)
também se estendem por cerca de 3 m de um lado e doutro das margens externas do
canal de magra (lowstream channel); aqui, dificilmente se distinguem das margens do
canal de magra, seja pela sua estreiteza, seja porque os contornos do canal de magra
são também pouco perceptíveis na paisagem, em virtude da densa vegetação que a
cobre. Não obstante, observou-se que a secção transversal do canal varia
grandemente ao longo do troço estudado: parte dele apresenta um perfil transversal
em V aberto e de margens assimétricas, com larguras em torno dos 50 - 60 m e
profundidades máximas em torno de 3,5; na parte do traçado mediano, aí onde corta o
substrato resistente, o perfil transversal é mais assimilável á forma de U, de fundo
muito articulado mas aproximadamente plano, e com águas geralmente rasas mas que
podem, em alguns pontos, atingir profundidades da ordem dos 2 m.
Em Cuito-Cuanavale (UIA3), as margens são bem definidas e, de acordo com os
valores de profundidade obtidos ao longo do eixo e das margens, os perfis transversais
do canal apresentam forma em V assimétrica, com troços de maior e menor
profundidade que - com regularidade ­ se vão alternando ao longo do canal e de uma
margem para outra, sugerindo a presença de sequências pools/riffles.
Posição do caudal relacionado: interior do canal definido pelo regime de margens
plenas (bankfull channel).
Necessidades conhecidas de água: a área da secção transversal do canal de cheia
(Cross sectional area of bankfull channel) define-se sob o regime de cheias ordinárias,
pelo que este indicador responde á normais condições de caudais altos e, nessas
condições, se mantém em equilíbrio dinámico. Alterações ás condições de fluxo, que
se afastem da norma, podem conduzir ao aumento (caudais superiores aos normais)
ou reducção (caudais inferiores aos normais) das áreas ocupadas pelo canal em cada
ponto ao longo do seu traçado: com o tempo, o aumento dos caudais poderia conduzir
ao alargamento do canal por erosão lateral, enquanto a reducção dos caudais poderia
favorecer as acções deposicionais e o gradual estreitamento do canal.
Indicador geomorfológico nº 4
Nome: Extent of backwater areas
Descrição: o indicador Extent of backwater areas refere-se á extensão areal ocupada
pelos corpos de águas conectadas ao rio, mas não afectadas pelas suas correntes; os
backwaters são, portanto, corpos de águas calmas, paradas ou mesmo estagnantes.


28

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Nos sítios Capico Mucundi e Kuito Kuanavale os corpos de águas calmas encontram-
se em correspondência das margens convexas dos meandros, ocupando as faixas
depressivas presentes nos depósitos de "point bar"; no Kuito-Kuanavale, encontram-se
também ao longo de algumas margens, e em troços de meandro abandonado que
apresentam um dos extremos conectados ao canal principal.
Outras características: com excepção dos correspondentes aos troços de meandro
abandonado, os backwaters apresentam-se mascarados por uma densa vegetação
que os coloniza, dificultando o seu reconhecimento, nos três sítios estudados.
Posição do caudal relacionado: troços marginais do canal principal e troços de
meandro abandonado.
Necessidades conhecidas de água: de modo geral, e em virtude de serem
estreitamente dependentes dos níveis de água no canal principal, as áreas ocupadas
pelos backwaters crescem ou decrescem em função do aumento ou decréscimo dos
caudais.
Indicador geomorfológico nº 5


29

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Muitos foram os que, de uma forma ou de outra, contribuiram para a feitura deste relatório.
De entre eles, em primeiro lugar, a Dr. Jackie King que não poupou esforços na orientação
da escritura do relatório, a Dr. Cate Brown que nos Workshops sempre se mostrou
disponível a dar os esclarecimentos necessários, e o Engº Manuel Quintino que, desde
sempre, se caracterizou pela sua disponibilidade em compartilhar e fazer fluir informações
de grande utilidade.
Os meus agradecimentos vão também para os Dr.s Mark Rountree e Collin Christian pela
ajuda dada na modelagem das curvas de resposta e - juntamente com o Dr. Dominique
Mazvimazvi - nas discussões que conduziram á selecção dos indicadores.

Um Projecto de Protecção Ambiental e Gestão Sustentável da Bacia do Rio Okavango
(PAGSO) está sendo implementado sob auspícios da Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura (FAO). Uma das actividades inscritas no projecto é a realização
de uma análise diagnóstica transfronteiriça (ADT) que visa o desenvolvimento de um Plano
Estratégico de Acções para a bacia. A ADT consiste na análise de actuais e futuras causas
de eventuais problemas transfronteiriços entre os três países membros da bacia,
nomeadamente: Angola, Namíbia e Botswana. O Comité Directivo da Bacia de Okavango
(OBSC) da Comissão da Bacia do Rio Okavango (OKACOM) notou durante a reunião do
mês de Março em Windhoek, Namíbia, que os eventuais problemas futuros dentro do Rio
Okavango ocorrerão mais provavelmente devido aos desenvolvimentos que modificarão os
regimes de caudais. O OBSC ainda notou que existem informações inadequadas acerca dos
efeitos físico-químicos, ecológicos e sócio-economicos desses possíveis desenvolvimentos.
O OBSC recomendou nessa reunião que uma Avaliação do Caudal Ambiental (ACA) seja
realizada para antecipar eventuais mudanças a serem causadas pelo desenvolvimento no
regime do caudal do sistema do Rio Okavango, as mudanças ecológicas relacionadas, e os
impactos consequentes sobre as populações que utilizam os recursos do rio.
A ACA é uma actividade conjunta do Projecto PAGSO e do Projecto Biokavango. Uma parte
da ACA constará de uma série de estudos especificos do país por especialistas, dentre os
quais o Relatório Sedimentologia & Geomorfologia para Angola.
Os objectivos da ACA são:
apresentar uma síntese de toda a informação relevante sobre o sistema do Rio Okavango e
seus utilizadores, e proceder a recolha de novos dados necessários dentros termos da ACA
fazer uso destas informações para apresentar cenários de possiveis cursos de
desenvolvimento no futuro para apreciação dos decisores, permitindo que os decisores
discutam e façam negociações em aspectos inerentes ao desenvolvimento sustentável da
Bacia do Rio Okavango;
incluir em cada cenário o principal impacto ecológico positivo e negativo, recurso-económico
e social dos desenvolvimentos em causa;
concluir esse conjunto de actividades como ACA piloto, devido às limitações de tempo,
estes resultados servirão de contribuições para a ADT e uma futura ACA mais abrangente.
Os objectivos específicos são:
determinar em diferentes pontos ao longo do sistema do Rio Okavango, incluindo o Delta, os
relacionamentos existentes entre o regime do caudal e a natureza ecológica e o
funcionamento do ecossistema do rio;
determinar os relacionamentos existentes entre o ecossistema do rio e os modos de vida
das populações ribeirinhas;
prever as eventuais mudanças causadas por desenvolvimentos no regime do caudal e
consequentemente ao ecossistema do rio;
prever os impactos dessas mudanças do ecossistema do rio sobre os modos de vida das
populações.
Fazer uso dos resultados da ACA com a melhoria da gestão da biodiversidade do Delta.


30

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Desenvolver capacidades para a realização das ACAs em Angola, no Botswana, e na
Namíbia.
O presente relatório compõe-se de seis Capítulos, referências bibliográficas e X anexos;
cada capítulo, eventualmente dividido em secções, aborda os seguintes aspectos:
Capítulo 1 ­ é a parte introdutiva onde se explica o porquê do projecto e do presente estudo,
os respectivos marcos e objectivos, as principais instituições envolvidas, os patrocinadores
do projecto, assim como a estruturação do presente relatório.
Capítulo 2 ­ este capítulo descreve as características gerais da Bacia do Okavango, o modo
como foi subdividido em áreas de amostragem (designadas por unidades integradas de
análise), o porquê dessa divisão, os sítios onde - dentro de cada uma dessas áreas de
amostragem ­ concentrar as pesquisas, as disciplinas escolhidas para o desenvolvimento
das pesquisas, as características gerais de cada um desses sítios em Angola e, finalmente,
as respectivas características sob o ponto de vista geomorfológico e sedimentológico.
Capítulo 3 ­ neste capítulo, especificam-se os principais indicadores escolhidos para a
compreensão - sob o ponto de vista geomorfológico e sedimentológico - do comportamento
fluvial ao longo de toda a bacia; também se descreve cada um desses indicadores, a sua
eventual presença e localização no interior de cada sítio estudado, e o modo como
respondem ás variações dos caudais.
Capítulo 4 ­ aqui, explica-se a abordagem seguida na análise da bibliografia, a extensão da
bibliografia encontrada, as pesquisas efectuadas, assim como os resultados obtidos em
função dos indicadores reconhecidos.
Capítulo 5 ­ neste capítulo, faz-se referência á metodologia seguida para a obtenção e
análise dos dados, os resultados obtidos , e as conclusões.
Capítulo 6 ­ este Capítulo trata da Relação da curva de resposta do caudal para uso na
ACA-SAD (Sistema de Apoio de Tomada de Decisão) do Okavango
Referências Bibliográficas
A Bacia do Rio Okavango consiste de áreas drenadas pelos rios Cubango, Cutato, Cuchi,
Cuelei, Cuebe, e Cuito em Angola, o Rio Okavango na Namíbia e Botswana, e o Delta do
Okavango (Imagem 0.1). Do ponto de vista topográfico, esta bacia inclui a área que foi
drenada pelo actual Rio fóssil de Omatako na Namíbia. As descargas do Delta do Okavango
são drenadas através dos rios Thamalakane e Boteti, este último aflui para a Bacia
(Depressão) do Makgadikgadi. O Rio Nata, que drena a parte ocidental do Zimbabué,
também aflui para a Bacia de Makgadikgadi. Assim, na base da topografia, a Bacia do Rio
Okavango inclui a Bacia de Makgadikgadi e a Bacia do Rio Nata (Imagem 0.2). Entretanto, o
presente estudo, se concentra em partes da bacia em Angola e na Namíbia, e no complexo
do Rio Panhandle/Delta/Boteti no Botswana. As Bacias do Makgadikgadi e do Rio Nata não
estão nele contemplados.
Nenhum estudo poderia de maneira pormenorizada descrever cada extensão do rio dentro
da Bacia do Rio Okavango, ou cada pessoa que reside dentro desta área, em especial um
estudo piloto como o actual. Ao invés disso, áreas representativas que são razoavelmente
homogéneas em carácter poderão eventualmente ser demarcadas e usadas para
representatividade de áreas muito maiores, e em seguida um ou mais pontos
representativos escolhidos em cada um como sendo área de ênfase para actividades de
recolha de dados. Os resultados de cada um dos locais representativos podem em seguida
ser extrapolados para as áreas maiores.
A utilização desta abordagem, implicará a demarcação da Bacia em Unidades Integradas de
Análise (PAGSO/Biokavango Relatório nº. 2; Relatório sobre o Delineamento) pela:
Divisão do rio em zonas longitudinais relativamente homogénea em termos de:
hidrologia;


31

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
geomorfologia;
química da água;
peixes;
invertebrados aquáticos;
Local 1: Rio Cuebe em Capico
O sítio do Capico está localizado na parte sul do município de Menongue. Ele enquadra-se
na Unidade Integrada de Análise (UIA) nº 3. Capico dista há 110 quilómetros à sul de
Menongue, a capital da provincia do Kuando Kubango, em direcção à fronteira com a
Namíbia. As suas coordenadas geográficas são: latitude - 15°33 Sul; longitude - 17°34
Este. A altitude da zona varía entre 1160 e 1250 metros. A maioría das pessoas que vivem
em Capico pertencem ao grupo étnico Ngangela. Existe em Capico um pequeno grupo de
residentes que pertencem ao grupo étnico Tchokwe (originários da província do Moxico),
que durante a guerra civil deslocaram-se da sua área de origem e fixaram a sua residência
em Capico. As povoações existentes nas imediações de Capico são: Massosse e Bitângua
à Norte e Caïndo à Sul.
O rio Cuébe, um dos afluentes do rio Cubango (Okavango) é a única fonte de água na area.
A principal vegetação da áera é do tipo bosques de Burkea-Brachystegia que se
desenvolvem sobre as areias do Kalahari.
Os principais modos de vida da população local são a Agricultura de sequeiro (durante a
estação chuvosa que ocorre entre Outubro e Abril), a Pesca artesanal usando o rio Cuébe, a
recolha de frutos silvestres e a Caça. O artesanato é também praticado pela população
local.

vegetação;
harmonização dos resultados de cada disciplina num conjunto de zonas biofisicas do rio;
divisão da bacia em áreas relativamente homogéneas em termos de sistemas sociais;
harmonização das zonas biofísicas do rio e as áreas sociais num conjunto de Unidades
Integradas de Análise (UIAs).
As 19 UIAs reconhecidas foram em seguida apreciadas por cada equipa nacional como
candidatas para a localização do número de sítios afectados dos locais de estudo:
Angola: três
locais
Namíbia: dois
locais
Botswana: três
locais.
Devido à proximidade da povoação de Capico ao rio Cuébe, este último é usado de forma
intensiva pela população local. Apesar da sua secção estreita em Capico, as margens do rio
não são muito afectadas pela inundação, devido a profundidade do rio nesta secção.
Local 2: Rio Cubango em Mucundi
O sítio de Mucundi está localizado na parte sul do município de Menongue, à jusante da
povoação de Caïndo. Ele enquadra-se na UIA nº 2. Mucundi dista há 192 quilómetros à sul
de Menongue, a capital da província do Kuando Kubango, em direcção à fronteira com a
Namíbia. As suas coordenadas geográficas são: latitude - 16°13 Sul; longitude - 17°41
Este. A altitude da zona varía entre 1120 e 1250 metros. As pessoas residentes em Mucundi
pertecem ao grupo étnico Ngangela. As povoações existentes nas imediações de Mucundi
são: Chimbueta à Norte e Kendelela à Sul.
O rio Cubango (Okavango), depois de receber as contribuições dos rios Cutato, Cuchi,
Cuélei e Cuébe, é maior fonte de água na zona.


32

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
A principal vegetação da áera é do tipo bosques Burkea-Brachystegia que se desenvolvem
sobre as areias de Kalahari.
Os principais modos de vida das populações locais são a Agricultura de sequeiro (durante a
época chuvosa que ocorre entre Outubro e Abril), Pesca artesanal usando o rio Cubango
(Okavango) e produção pecuária. A Apicultura é também praticada na zona, mas numa
escala reduzida.
Devido à proximidade da povoação do Mucundi ao rio Cubango (Okavango), este último é
utilizado de forma intensiva pelas populações locais. A margem direita do rio não é muito
afectada pelas inundações devido à sua elevação topográfica. Durante o pico da estação
chuvosa (Fevereiro ­ Abril), a margem esquerda do rio fica eventualmente inundada.
O sítio do Cuito Cuanavale está situado na parte leste da provincia do Kuando Kubango. Ele
enquadra-se na UIA nº 6. O sítio encontra-se no município do mesmo nome. O Cuito
Cuanavale dista há 189 quilómetros da cidade de Menongue, a capital da provincial do
Kuando Kubango, na direcção leste para quem viaja para o município de Mavinga. As suas
coordenadas geográficas são: latitude - 15°10 Sul; longitude - 19°12 Este. A população
residente no Cuito Cuanavale pertecnce ao grupo étnico Ngangela. As povoações existentes
nas imediações do Cuito Cuanavale são: Sacalumbo à Noroeste, Chissamba à Nordeste,
Bocota à Sul, Caripa à Sudoeste e Samungure à Sudeste.
O sítio localiza-se há 3 quilómetros á jusante da confluência dos rios Cuito e Cuanavale. A
altitude da zona varía entre 1180 e 1250 metros.
O principal vegetação da area é do tipo de bosques Burkea-Brachystegia que se
desenvolvem sobre as areias do Kalahari.
Os principais modos de vida da população local são a Agricultura de sequeiro (durante a
época das chuvas que ocorre entre Outubro e Abril), Pesca artesanal usando os rios Cuito e
Cuanavale Rivers, a recolha de frutos silvestres e a Caça.
O rio Cuito é usado de forma intensive pela população local. Embora considerávelmente
profundo, existe nas imediações do sítio uma planície de inundação, que inunda durante o
pico das estação das chuvas (Fevereiro ­ Abril).
As características morfológicas mais marcantes do Rio Cuebe, em Capico, podem ser
visualizadas conforme o esquema ilustrativo acima dado. Nele, é possivel observar que o
canal do rio apresenta um andamento muito sinuoso com vários troços rectilíneos, e é
encaixado no interior de um vale com perfil em V estreito, limitado por paredes altas e
abruptas, e com fundo bastante estreito para apenas conter as margens ordinárias do canal
fluvial. Em alguns troços, as paredes altas do vale se alternam com estreitas faixas
depressivas de fundo aproximadamente planar, e com frequente exposição do substrato
rochoso, o que mostra corresponderem á áreas afectadas por processos principalmente
erosivos do rio, durante as fases de inundação, já que as rupturas de pendência que
marcam as respectivas margens externas coincidem com os limites máximos atingidos pelas
águas durante os eventos de cheias excepcionais (inundação): tratam-se, portanto, de
planícies de inundação, incipientes pela sua pequena extensão areal. Em outros troços, o
flanco do vale se apresenta cortado por incisões que conectam, imediatamente á montante,
com bacias de extensão apreciável, e cujo fundo rugoso é juncado de blocos erodidos das
suas áreas marginais; essas são bacias que actuam como colectores e integram linhas de
escorrência de água curtas, muito profundas e com grandes pendências ao longo do seu
perfil longitudinal (gullies), as quais por vezes se unem formando redes que confluem para o
interior dela; as formas relativamente jovens que o conjunto apresenta, demonstram a
intensidade dos processivos erosivos lineares (gullying) e areais (surface washing) activos


33

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
no interior dessas bacias, testemunhando também a sua grande importância no
fornecimento de sedimentos (areias e seixos) ao sistema fluvial.
As características típicas de um estádio de maturidade inicial do desenvolvimento do curso
fluvial que apresenta - sublinhadas também pelas apreciáveis pendências do canal e do
fundo do vale onde se encaixa, as quais mostram que o perfil longitudinal do curso fluvial
ainda não está completamente regularizado, pelo menos ao longo deste troço - podem ser
devidas ás características do substrato que cortam: este, é constituido por camadas de
arenito bem consolidado e de grão muito fino, alternadas com bancadas gresosas e
calcáreas muito resistentes, e com a ocorrência ­ no topo da sucessão ­ de concrecções
lateríticas frequentemente bastante espessas e formando couraça.
O canal por onde flui o rio Cuebe, ao longo do troço compreendido nesta UIA, apresenta um
perfil transversal assimétrico, a avaliar pelas profundidades medidas nas adjacências da
margem direita (Md), na parte central (C) e nas adjacências da margem esquerda (Me) ao
longo de 3 perfis localizados na estação hidrométrica e ~50 metros á jusante e á montante
dela, conforme a tabela abaixo (os valores entre parêntesis referem-se á elevação da
margem do canal de magra (+h) acima da superfície da água):
Os valores acima dados mostram também que o leito do canal apresenta um andamento
ondulado, neste troço apreciavelmente rectilíneo, facto que testemunha a alternância, ao
longo das margens e na parte central do canal, de áreas de maior profundidade (pools) com
áreas de águas mais rasas (riffles).
As margens do canal apresentam alguns troços constituidos por lama + matéria orgânica
(MO) consolidada, assim como troços constituidos por areias massivas muito finas e friáveis:
em ambos os casos, se apresentam colonizados por vegetação variável ao longo de todo o
traçado, com prevalência de canaviais mangais, palmeiras etc.; é de se remarcar que, em
muitos pontos do traçado rectilíneo, essas margens apresentam sinais de "slumping" activo
e potencial, com linhas de destaque situadas ao longo do contacto com as rochas do
substrato (no caso das margens constituidas por lama), e nas proximidades do contacto com
a massa de água (para as margens constituidas por areias massivas). A esse processo, que
contribui para o fornecimento de carga detrítica para o rio, se acrescenta processos de
erosão marginal principalmente concentrado ao longo das margens côncavas do meandro
(cut bank), e cujos produtos tendem a depositar-se prevalentemente em correspondência da
margem convexa imediatamente adjacente (point bar), e a profundidades muito baixas, pelo
que esta se encontra densamente colonizada por vegetação típica de zonas pantanosas
(canaviais, etc).
O Rio Cubango, em Mucundi, apresenta características morfológicas cujos traços principais
são as que podem ser visualizadas no esquema ilustrativo acima dado. O canal deste rio,
que apresenta um andamento muito sinuoso alternado a pequenos troços rectilíneos, é
encaixado no interior de um vale com perfil em V estreito, limitado por paredes altas e
abruptas, de fundo suficientemente estreito para apenas conter o canal fluvial, e cujas
margens ordinárias (bankfull channel) dificilmente se distinguem das margens do canal de
magra
(lowstream channel); acrescente-se que, ambos os tipos de margens são dificilmente
perceptíveis na paisagem. Tal como na UIA 1, as paredes altas e abruptas que constituem
os flancos do vale do Cubango no troço da UIA 2, parecem estar estreitamente relacionadas
com as características do substrato que cortam, o qual é constituido por camadas de arenito
de grão muito fino, bem consolidados, alternadas com bancadas gresosas e calcáreas muito
resistentes, e com a ocorrência ­ no topo da sucessão ­ de concrecções lateríticas que por
vezes se apresentam com espessuras tais que formam couraça.
As paredes do vale se alternam, ao longo de alguns troços, com estreitas depressões de
fundo aproximadamente planar que cortam o substrato, se inclinam ligeiramente para o
continente, e cuja superfície apresenta ­ em muitos pontos ­ depósitos de lama muito
escura; estas depressões correspondem á áreas afectadas por processos erosivos e
deposicionais do rio durante as fases de inundação, mesmo porque as rupturas de


34

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
pendência que marcam as respectivas margens externas coincidem com os limites máximos
atingidos pelas suas águas durante os eventos de inundação: tratam-se, portanto, de
planícies de inundação, geralmente de pequena extensão areal, embora seja de se registar
a presença de uma com extensão bastante significativa, localizada ao longo de quase todo o
comprimento da margem esquerda da área de estudo, e cujas margens externas se
adentram por cerca de 200 m para o interior do continente. As paredes do vale apresentam-
se também ­ em alguns pontos, cortadas por pequenas bacias mas de apreciável extensão
areal, as quais funcionam como areas de recolha e de passagem dos detritos (areias e
seixos) resultantes de erosão areal (washing) e linear (gullying) das respectivas áreas
marginais á montante; os flancos rípidos e livres de detritos que apresentam as formas
lineares no interior dessas bacias, assim como as altas pendências dos respectivos perfis
longitudinais e das áreas marginais, são testemunhos da intensidade dos processos
erosivos activos nessas bacias, assim como da sua grande importância no contributo
sedimentar ao sistema fluvial adjacente.
Quanto à geometria que o canal do rio Cubango apresenta, ela é bastante irregular ao longo
do troço observado nesta UIA, conforme é possível constatar pelas profundidades que
apresenta nos seguintes perfis transversais observados de montante para jusante da
Estação Hidrométrica (EH), onde Md = margem direita, C = parte central, Me = margem
esquerda do canal, e (+h) = elevação da margem do canal de magra, acima da superfície da
água:
Refira-se que o substrato granítico resistente - que aflora á superfície e sob uma espessura
de poucos centímetros de água por quase toda a largura do leito do canal e ao longo de
cerca de 60-70 m de comprimento, e que mormente nas áreas marginais foi erodido até
profundidades em torno de 1 m ­ apresenta uma superfície muito áspera devida á abrasão
fluvial, com ocorrência de sulcos, fendas e depressões de geometria irregular e dimensões
centimétricas a métricas, assim como depressões em bacia com profundidades em torno do
metro e diâmetros que podem atingir 2 a 3 m, e cujos fundos são preenchidos por pequenas
quantidades de areia de grão grosseiro, bem seleccionado, e com raros seixos; os rápidos,
que caracterizam a corrente neste troço significativamente amplo e retilíneo, são
incrementados, mormente na parte mais á jusante, pela presença de degraus cujos saltos ­
em conjunto ­ superam grandemente 2 m de altura. As variações de pendência do canal e
do fundo do vale que o encaixa ­ apreciáveis ao longo deste troço - mostra que o perfil
longitudinal deste curso fluvial ainda não está regularizado.
As características do canal acabadas de descrever, assim como as do fundo do vale acima
descritas, são típicas de um estádio de maturidade inicial do desenvolvimento do curso
fluvial e são indicativos da grande potencialidade dos processos de aprofundamento que
poderão ocorrer pelo menos neste troço do Rio Cubango.
Relativamente ás margens do canal, estas apresentam raros troços onde aflora o substrato
resistente, sendo que na maior parte do traçado são mormente constituidos por lama +
matéria orgânica (MO) consolidada, alternados por pequenos troços constituidos por areias
massivas muito finas e friáveis: nestes dois últimos casos, as margens são marcadamente
estreitas e se apresentam colonizados por vegetação variável ao longo de todo o traçado,
com prevalência de canaviais, mangais, palmeiras etc.; em muitos pontos, essas margens
apresentam sinais de "slumping" activo e potencial, com linhas de destaque situadas ao
longo do contacto com as rochas do substrato (no caso das margens constituidas por lama),
e no contacto com a massa de água (para as margens constituidas por areias massivas): os
sinais de "slumping", amplamente distribuidos ao longo do traçado da UIA 2, mostram a
prevalência actual dos processos de erosão lateral (alargamento do canal) ­ sobre os
processos de aprofundamento. A esse processo de erosão marginal, que contribui para o
fornecimento de carga detrítica para o rio, se acrescentam aos que principalmente se
concentram ao longo das margens côncavas do meandro (cut bank), e cujos produtos
tendem a depositar-se prevalentemente em correspondência de margens convexas
imediatamente adjacentes, e a profundidades muito baixas, pelo que esta se encontra
densamente colonizada por vegetação típica de zonas pantanosas (canaviais, etc).


35

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Alguns dos traços morfológicas principais do Rio Kuito-Kuanavale, na área escolhida como
UIA 3, são as que podem ser visualizadas nos esquemas ilustrativos A e B acima dados.
Assim, como no esquema A, é possível observar que este rio apresenta um canal á
meandros que livremente se desenvolve no interior de uma ampla planície de inundação,
onde facilmente se podem encontrar braços de meandros abandonados uns em forma de
"oxbow lakes", outros ainda com uma das extremidades conectadas ao canal principal. Nas
áreas marginais em torno desses canais, o pavimento da planície aluvial se encontra quase
totalmente coberto por vegetação frequentemente rasteira, mormente erbácea, e a qual se
distribui em manchas fácilmente distinguíveis quer pela diversa tonalidade de verde, quer
pela diversa densidade de ocupação do terreno, aspectos esses que parecem estar
estreitamente relacionados com o teor de humidade presente em cada uma dessas
manchas; de facto, foi observada a presença de vegetação mais densa, mais variada e de
maiores dimensões nos pontos em que o terreno se apresentava mais húmido e por vezes
encharcado (swamps), zonas mais vastas e menos húmidas ocupadas quase
exclusivamente por vegetação erbácea (e intensamente utilizada para pastorícia), e faixas
ainda menos húmidas ­ principalmente localizadas nas proximidades das margens da
planície aluvial ­ onde a vegetação rasteira se encontra esparsamente distribuido no
terreno: nesta última faixa é frequente encontrarem-se escavações antropogénicas de
dimensões variadas, resultantes da intensa extracção dos sedimentos silto-argilosos
constituintes desses terrenos, sedimentos esses que a população utiliza para a feitura de
blocos destinados á construcção das respectivas habitações.
O amplo vale onde se insere a planície de inundação é cortado nas areias massivas muito
finas e pouco coerentes da formação Kalahari e apresenta flancos altos ora mediamente
inclinados para o vale, ora com pendências mais abruptas. O flanco direito deste vale é, em
vários pontos, cortado por longas e profundas ravinas (gullyes) cujas cabeceiras se situam
no interior das terras altas á sua montante ­ principalmente nas áreas ocupadas pelo denso
aglomerado que constitui a população do Kuito Kuanavale - e as quais formam bacias de
drenagem notávelmente amplas e com significado apreciável no contributo sedimentar que
aportam á planície aluvial e ao sistema fluvial adjacente, sem esquecer o contributo que é
de se atribuir aos processos areais ("splash erosion" e "sheet wash") também activos nessas
vertentes; o notável contributo em carga sedimentar que esses processos dão ao sistema
fluvial é parcialmente testemunhado pela presença, no pavimento da planície de inundação,
de espessas camadas de lama argilo-siltosa entre as quais se intercalam lentes de areia
muito fina e de pequenas espessuras nas adjacências do canal (que podem resultar da
deposição por "overbank" de sedimentos fluviais provenientes dos cursos á montante) e que
por vezes atingem a ordem do metro em alguns pontos afastados da adjacência do canal
fluvial (que podem resultar, portanto, da erosão nas vertentes adjacentes).
Ao longo do troço observado nesta UIA 3, o canal do rio Kuito-Kuanavale ­ que corta os
sedimentos silto-argilosos e arenosos da sua planície de inundação - apresenta uma
geometria assimétrica bastante regular nas secções transversais, e com leito de andamento
não uniforme, conforme é evidenciado pelas profundidades variando regularmente de 3 a 4
m ao longo da parte central do seu curso, enquanto os perfis transversais apresentavam
profundidades variando de 1 a 2 m, de modo alternado, nas adjacências de uma e de outra
margem; naturalmente, ao longo dos perfis transversais, as profundidades maiores se
situavam nas proximidades das margens côncavas e, também, no eixo dos troços entre as
curvas de meandro. Esses caracteres sugerem a presença de ondulações ao longo do leito
do canal (sand waves?), com troços de maior profundidade (pools) alternando-se a outros
de
águas mais rasas (riffles): pelas observações de campo, não suficientemente confirmadas
por medições adequadas, os "pools" se localizam ou na parte central do canal ou em troços
adjacentes ás margens côncavas, enquanto os "riffles" se situam em pontos de troços entre
as curvas marcados por margens mais esbatidas e frequentemente colonizadas por
canaviais.


36

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Dentre as formas modeladas pelo dinámica fluvial que foi possível observar nesta área - as
quais incluem a planície aluvial e os canais de meandro abandonados que mais acima se
referiu, e os "sand waves" acabados de referir - destacam-se os "cut bank" e os "point bar",
os quais testemunham a acção de processos de erosão lateral presentes ao longo de todo o
curso, mas principalmente concentrado ao longo das margens côncavas do meandro, assim
como de processos de deposição dos sedimentos, os quais tendem a concentrar-se com
prevalência nas margens convexas imediatamente adjacentes á jusante, e a profundidades
que ­ na maior parte das vezes ­ se situa a poucos centímetros abaixo da superfície da
água: assim, a maior dos sedimentos que constituem os "point bar" se tornam dificilmente
reconhecíveis, principalmente porque se encontram mascarados por uma densa vegetação
que os coloniza, constituída mormente por canaviais.
Na área observada, o conjunto formado pelo vale e pelo canal de meandros mostra
pendências locais muito baixas, e baixíssimos gradientes do canal ao longo de um perfil
longitudinal regularizado: estes aspectos, somados com os acima descritos, são indicativos
de que o conjunto se encontra num estádio de maturidade tardia do seu desenvolvimento,
em situação de quase-equilíbrio e, por isso mesmo, muito sensível á quaisquer variações
cujas amplitudes ultrapassem as capacidades de absorção do sistema.
A tabela seguinte resume a integridade dos habitats em Angola, de acordo com o que foi
observado nos sítios analisados, e calculado pelos especialistas das várias disciplinas que
integram a equipa angolana.


Os indicadores biofisicos são atributos especificos da disciplina do sistema fluvial que
respondem a uma mudança do caudal do rio mediante alteração da sua:
afluência;
concentração; ou
extensão (área).
Os indicadores sociais são atributos das estruturas socias ligadas ao rio que respondem a
mudanças na disponibilidade de recursos fluviais (conforme descrito pelos indicadores
biofisicos).
Os indicadores são utilizados para caracterizar a situação actual e mudanças que ocorrerão
nos caudais, provocadas pelos desenvolvimentos a ter lugar ao longo do rio.
Dentro de cada uma disciplina biofísica, os principais atributos podem ser agrupados se
esperar-se que esses atributos respondam da mesma maneira ao regime caudal do rio. Por
exemplo, espécies de peixes que se movem para as planicies sujeitas à inundações em
quase mesma época e por mesmas razões de reprodução ou alimentação poderão ser
A fim de cobrir as principais características do sistema fluvial e seus utilizadores, poderão
ser julgados necessários vários indicadores. Contudo, para qualquer um dos locais da ACA,
o número de indicadores está limitado a dez (ou menos) de maneira a tornar possível a
gestão do processo. A lista completa dos indicadores foi elaborada por Dominique
Mazvimazvi (Botswana), Collin Christian (Namíbia) e Helder de Andrade e Sousa (Angola),
representantes dos países na disciplina Sedimentologia & Geomorfologia, os quais
contaram com a assistência, orientação e colaboração activa do especialista em
geomorfologia fluvial Mark Rountree (África do Sul).
Essa lista é conforme a apresentada na








37

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia








38

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Tabela 0.1. Outros detalhes de cada indicador, estão detalhados no Capítulo 0.

Nome: Extent of exposed rocky habitat in main channels
Descrição: Aqui, trata-se dos leitos rochosos que ­ durante os períodos de médio a alto
caudal - são cobertos pela coluna de água, e que ­ nos períodos de baixo caudal - afloram á
superfície. Este indicador é presente em Mucundi, onde o substrato granítico resistente
aflora por cerca de 60-70 m ao longo do leito do canal e quase cobrindo toda a sua largura.
Outras características: neste troço, o canal se apresenta notávelmente amplo e pouco
profundo, onde é frequente a presença de degraus rípidos e de bruscos saltos de pendência
que determinam a formação de rápidos; não obstante, o substrato aflorante é quase que
totalmente colonizado por uma subtil mas densa camada de organismos incrustantes, de
forma estelar, providos de vários tentâculos ciliados e com ramificações foliculares.
Posição do caudal relacionado: no leito, ao longo e/ou ao largo do traçado do canal.
Necessidades conhecidas de água: A exposição desses habitat rochosos requer caudais
médio-baixos.
Nome: Extent of coarse sediments on the bed
Descrição: embora ocorram em alguns troços do rio Cubango (p.ex. nos arredores de
Caiundo) e possam, em geral, ocorrer entre troços de alto gradiente na parte angolana da
bacia, este indicador é ausente nos troços fluviais em qualquer dos três sítios estudados.
Ressalte-se que, nos troços correspondentes aos sítios estudados, a maior parte dos
sedimentos transportados como carga de fundo é constituído por areias finas retrabalhadas
da Formação Kalahari, provenientes ou da carga transportada desde montante, ou da
erosão das margens e do canal, ou ainda da erosão das terras circundantes.
Posição do caudal relacionado: lá onde ocorrem, os sedimentos grosseiros formam
pequenas barras regularmente distribuídas ao longo do eixo e das margens do canal.
Necessidades conhecidas de água: a distribuição deste tipo de sedimentos ao longo do
canal requer caudais altos e variáveis.
Nome: Cross sectional area of bank full channel
Descrição: este indicador refere-se á secção transversal do canal principal (ou canal
ordinário), isto é, do canal definido pelo curso de águas nas cheias ordinárias; este, que tem
margens geralmente nítidas e colonizadas por vegetação permanente, distingue-se do canal
de magra (lowstream channel) ocupado pelas águas durante os períodos de baixos caudais.
Em Capico (UIA1), as margens do canal ordinário (bankfull channel) são muito estreitas e se
estendem por cerca de 3 m de um lado e doutro das margens externas do canal de magra
(lowstream channel); a sua secção transversal apresenta forma em V assimétrica, com
larguras em torno dos 30-40 metros e profundidades máximas em torno dos 3,5 m no
regime de caudais baixos.
No rio Cubango, em Mucundi (UIA2), as margens do canal ordinário (bankfull channel)
também se estendem por cerca de 3 m de um lado e doutro das margens externas do canal
de magra (lowstream channel); aqui, dificilmente se distinguem das margens do canal de
magra, seja pela sua estreiteza, seja porque os contornos do canal de magra são também
pouco perceptíveis na paisagem, em virtude da densa vegetação que a cobre. Não
obstante, observou-se que a secção transversal do canal varia grandemente ao longo do
troço estudado: parte dele apresenta um perfil transversal em V aberto e de margens
assimétricas, com larguras em torno dos 50 - 60 m e profundidades máximas em torno de
3,5; na parte do traçado mediano, aí onde corta o substrato resistente, o perfil transversal é
mais assimilável á forma de U, de fundo muito articulado mas aproximadamente plano, e


39

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
com águas geralmente rasas mas que podem, em alguns pontos, atingir profundidades da
ordem dos 2 m.
Em Cuito-Cuanavale (UIA3), as margens são bem definidas e, de acordo com os valores de
profundidade obtidos ao longo do eixo e das margens, os perfis transversais do canal
apresentam forma em V assimétrica, com troços de maior e menor profundidade que - com
regularidade ­ se vão alternando ao longo do canal e de uma margem para outra, sugerindo
a presença de sequências pools/riffles.
Posição do caudal relacionado: interior do canal definido pelo regime de margens plenas
(bankfull channel).
Necessidades conhecidas de água: a área da secção transversal do canal de cheia (Cross
sectional area of bankfull channel) define-se sob o regime de cheias ordinárias, pelo que
este
indicador responde á normais condições de caudais altos e, nessas condições, se mantém
em equilíbrio dinámico. Alterações ás condições de fluxo, que se afastem da norma, podem
conduzir ao aumento (caudais superiores aos normais) ou reducção (caudais inferiores aos
normais) das áreas ocupadas pelo canal em cada ponto ao longo do seu traçado: com o
tempo, o aumento dos caudais poderia conduzir ao alargamento do canal por erosão lateral,
enquanto a reducção dos caudais poderia favorecer as acções deposicionais e o gradual
estreitamento do canal.
Descrição: o indicador Extent of backwater areas refere-se á extensão areal ocupada pelos
corpos de águas conectadas ao rio, mas não afectadas pelas suas correntes; os backwaters
são, portanto, corpos de águas calmas, paradas ou mesmo estagnantes. Nos sítios Capico
Mucundi e Kuito Kuanavale os corpos de águas calmas encontram-se em correspondência
das margens convexas dos meandros, ocupando as faixas depressivas presentes nos
depósitos de "point bar"; no Kuito-Kuanavale, encontram-se também ao longo de algumas
margens, e em troços de meandro abandonado que apresentam um dos extremos
conectados ao canal principal.
Outras características: com excepção dos correspondentes aos troços de meandro
abandonado, os backwaters apresentam-se mascarados por uma densa vegetação que os
coloniza, dificultando o seu reconhecimento, nos três sítios estudados.
Posição do caudal relacionado: troços marginais do canal principal e troços de meandro
abandonado.
Necessidades conhecidas de água: de modo geral, e em virtude de serem estreitamente
dependentes dos níveis de água no canal principal, as áreas ocupadas pelos backwaters
crescem ou decrescem em função do aumento ou decréscimo dos caudais.
Indicador geomorfológico nº 5
Nome: Extent of backwater areas

Nome: Extent of exposed sandbars at low flow
Descrição: este indicador refere-se aos corpos arenosos (sand bars) depositados pelo rio no
interior do canal e que tendem a ficar expostos nos períodos de baixo caudal.
Posição do caudal relacionado: esses corpos arenosos tendem a ser depositados no eixo e
nas margens do canal; contudo, nos três sítios visitados durante o final da época seca, não
foram vistas barras arenosas em exposição. De sublinhar que, durante a visita, mesmo os
depósitos nas margens convexas (point bars) se encontravam submersos por películas de
água de poucos centímetros de espessura.


40

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Necessidades conhecidas de água: são muitos os factores intervenientes na formação das
barras arenosas, entre eles a disponibilidade em sedimentos á partir das áreas de
alimentação e a capacidade de transporte da corrente em cada ponto do canal; as areias
que as constituem, transportadas como carga de fundo, depositam-se abaixo da coluna de
água quando - por factores vários - a energia da corrente decresce e reduz a sua
capacidade de transporte. A exposição das barras arenosas ocorre nos períodos de baixo
fluxo, com extensões areais tanto maiores quanto menores forem os níveis de água no
interior do canal.
Indicador geomorfológico nº 6
Nome: Extent of vegetated islands
Descrição: este indicador, que se refere á extensão areal das ilhas colonizadas por
vegetação
no interior dos canais fluviais, foi observado apenas na parte montante do troço
do rio Cubango em Mucundi, embora as imagens de satélite mostrem sinais de existência
de corpos similares em variados pontos dos cursos fluviais na parte angolana da bacia do
Okavango. Em Mucundi, apresenta dimensões em torno de 20x60 metros ao longo da parte
mediana do canal, e a vegetação que a cobre - de tipo arbórea e arbustiva - assenta sobre
solos arenosos, sendo também possível que o solo arenoso assente sobre o substrato
granítico que aflora mais á jusante deste troço.
Outras características: em Mucundi, a ilha fluvial é limitada por paredes subverticais, as
quais sinalizam a acção de processos erosivos concentrados ao longo das margens.
Posição do caudal relacionado: em geral, ocupam posições na parte mediana do canal.
Necessidades conhecidas de água: por definição, as ilhas permanecem sempre expostas
acima do nível das águas do canal, excepto no caso de inundações de carácter excepcional
em que podem temporáriamente ser submersas: neste último caso, podem sofrer acções
deposicionais (se houver suficiente carga de sedimentos provenientes desde montante) ou
erosivas (se houver défices de carga sedimentar transportada pela corrente desde
montante). Contudo, mesmo em caso de caudais baixos, as acções erosivas podem ocorrer
sempre que for deficiente a carga sedimentar transportada pelas correntes, desde as áreas
á montante. Assim, para permanecer num estado de equilíbrio dinámico, as ilhas fluviais
requerem caudais e sedimentos que não apresentem variações superiores á norma.
Indicador geomorfológico nº 7
Nome: Percentage of silts and clays in the top 300 mm of the floodplains
Descrição: este indicador refere-se ás percentagens de sedimentos finos (dimensões 64)
eventualmente presentes nos 300 mm do topo das planícies de inundação, resultantes da
deposição durante os períodos de inundação; em Kuito Kuanavale, onde a ampla e extensa
planície de inundação se apresenta como um lugar de prevalente sedimentação fluvial, os
siltes e as argilas apresentam valores quantitativos muito superiores relativamente aos das
areias finas que entre eles se intercalam. Em Capico e Mucundi, as planícies de inundação -
em fase de modelamento ­ são práticamente privos de sedimentos fluviais.
Posição do caudal relacionado: áreas de inundação marginais ao canal principal que, pelos
valores baixos ou nulos da velocidade da corrente, permitam a deposição por decantação
dos siltes e argilas.
Necessidades conhecidas de água: os siltes e as argilas são partículas que as correntes
geralmente transportam como carga em suspensão, e que depositam em ambientes calmos,
por decantação; isto significa que, além da concentração relativa deste tipo de sedimentos
na água, as taxas de deposição são fortemente dependentes do volume e do tempo de
permanência da massa de água sobre a planície de inundação. Portanto, quanto maiores


41

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
forem os caudais e a duração das inundações maiores serão as percentagens de silt e argila
sobre a planície de inundação.
Indicador geomorfológico nº 8
Nome: Extent of the floodplain inundated during each wet season
Descrição: As planícies de inundação geralmente se apresentam cobertas pela água dos
rios durante as inundações; mas a extensão das áreas cobertas pode variar, em função dos
volumes de água nelas presentes e em função da extensão da própria planície: no Kuito-
Kuanavale a planície de inundação é ampla e extensa, enquanto em Capico e Mucundi
apresentam pouca relevância, sendo muito estreitas, pouco extensas, muito espaçadas
entre si, e com as superfícies sobre-elevadas a níveis em torno de 0.5 m acima das
margens do canal de magra (assim, o indicador não será considerado nestes dois sítios).
Contudo, qualquer dessas planícies sempre sofreu inundação completa durante a estação
das chuvas, de acordo com as informações dadas pelas populações locais, informações
essas compatíveis sejam com os valores altimétricos das referidas planícies, sejam com os
dados das estações hidrométricas locais.
Posição do caudal relacionado: faixa que borda o canal principal, entre os flancos do vale
fluvial.
Necessidades conhecidas de água: a submersão completa das áreas da planície de
inundação requer caudais elevados. Contudo, é de se ter em conta que, a extensão das
áreas submersas nas planícies de inundação varia, naturalmente, em função dos volumes
de água nelas presentes num determinado intervalo de tempo: isto é, quanto maiores forem
os volumes de água, maior será a extensão das áreas ocupadas por essas águas. Por outro
lado, os volumes de água que a planície de inundação pode apresentar, num determinado
momento, resulta da diferença entre o volume de água entrado e o volume de água saído
nesse mesmo intervalo de tempo.
Indicador geomorfológico nº 9
Nome: Extent of inundated pools / pans on floodplains
Descrição: este indicador refere-se á extensão areal das depressões que se situam no
interior da planície de inundação, e que permanecem inundadas no final da estação seca;
nos sítios estudados da parte angolana da bacia, é apenas presente no Kuito Kuanavale.
Posição do caudal relacionado: interior da planície de inundação; em geral, correspondem a
canais de meandro abandonado, sem conexão directa com os níveis de água do canal
principal, e são alimentados pelo lençol de água subterrânea. Durante a época seca a área
banhada pode reduzir-se em cerca de metade.
Necessidades conhecidas de água: apesar de serem alimentadas pelas águas subterrâneas
durante a estação seca, a extensão das áreas banhadas, nessas depressões, aumenta com
o aumento dos caudais nas épocas de inundação.
Indicador geomorfológico nº 10
Nome: Extent of cut banks along the active channel
Descrição: este indicador, representado nos três sítios estudados, refere-se á extensão
longitudinal da erosão nas margens do canal principal, a qual depende, naturalmente, dos
materiais que a constituem.
Posição do caudal relacionado: a) No Kuito-Kuanavale o canal corta os sedimentos da sua
planície de inundação, pelo que as margens são constituidos essencialmente por depósitos
silto-argilosos com intercalações de lentes arenosas, bem coerentes, e com caracteres


42

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
granulométricos e de erodibilidade bastante homogêneos ao longo de todo o traçado. Aqui,
a erosão das margens é mais evidente nas margens côncavas do canal de meandro, mas
ocorre também por erosão basal seguido de "slumping" ao longo de troços "rectilíneos".
b) Em Capico e Mucundi a erosão não ocorre significativamente ao longo das margens do
canal principal, devído á resistência dos materiais que as constituem; mas ocorre ao longo
das margens do canal de magra, por "slumping", principalmente em correspondência de
troços constituidos por areias massivas muito finas e friáveis e, em menor grau, nos troços
silto-argilosos mais resistentes.
Necessidades conhecidas de água: foi observado, nos três sítios estudados, que a erosão
das margens do canal de magra ocorre principalmente através de erosão basal seguido de
"slumping", mesmo em condições de baixos caudais. Não foi possível avaliar a influência
que os caudais mais altos poderiam exercer sobre as margens do canal de magra; contudo,
comportariam, seguramente, efeitos erosivos sobre as margens do canal principal.
Categorias de caudais ­ sítios do rio
Um dos principais pressupostos subjacentes ao processo da ACA a ser usado na ADT é que
é possível identificar de diferentes maneiras as partes do regime do caudal que são
ecologicamente relevantes e descrever sua natureza usando os registos hidrológicos
históricos. Nesse contexto, um dos primeiros passos para qualquer rio no processo da ACA,
é fazer consultas ao ecologista fluvial local afim de identificar estas categorias mais
importantes de caudais do ponto de vista ecológico. Este processo foi seguido durante o
Workshop de Preparação realizado em Setembro de 2008 e quatro categories de caudais
foram acordadas para os locais da Bacia do rio Okavango:
Época seca (Dry)
Época de transição 1 (Trans 1)
Época de inundações (Wet)
Época de transição 2. (Trans 2)
As divisões sazonais provisórias para os locais 1-5 do rio estão demonstradas na Imagem
0.5. Estas divisões sazonais serão formalizadas pela equipa de hidrologistas do projecto em
forma de norma dentro do modelo hidrológico. A título provisório, eles providenciam
contribuições valiosas no regime do caudal do sistema fluvial, sugerindo uma alta
variabilidade do caudal dentro do período de um ano, no Rio Cuebe e uma alta variabilidade
do Rio Cubango dentro do periodo de um ano.
Planea-se utilizar caudais sazonais semelhantes para os restantes locais do rio: 6 e 8.
120
Wet
100
Trans
n 1
Trans
n 2
Dry
80
Year
Y
2
ear
60
Year
Y
1
ear
Year
Y
3
ear
40
20
0
O
N
D
J
D
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 0.1


43

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia


1200
Wet
1000
Trans 1
Trans 2
n
Dry
800
Year
Y
1
600
Year
Y
2
Year
Y
3
400
200
0
O
N
D
J
D
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 0.2


250
1
Wet
2
Dry
200
ans
ans
Tr
Tr
150
Year 1
Year 2
100
Year 3
50
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 0.3
1000
900
Wet
We
800
Dry
Dr
Tra
Tr n
a s
n 1
s
Tra
Tr n
a s
n 2
s
Dry
Dr
700
600
Year 1
500
Year 2
400
Year 3
300
200
100
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 0.4
quatro estações de caudais



44

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
1800
1600
Wet
1400
Dry
Trans
n 1
Trans 2
Dry
1200
1000
Year 3
00
Year 2
800
Year 1
600
400
200
0
O
N
D
J
F
M
A
M
J
J
M
J
A
S

Imagem 0.5
do caudal em quatro estações de caudais

A análise da bibliografia (Capítulo 0) e recolha de dados e os exercícios de análise (Capitulo
0) se concentra na abordagem do resultado inicialmente esperado a serem as nove
principais perguntas relacionadas com estas estações de caudais (Tabela 0.2).
Tabela 0.2
Número da Época
Resposta do indicador se:
pergunta
1
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural
2
Época Seca
Os níveis das aguas são mais altos ou baixo que o modo/média natural
3
Demora-se mais que o modo/médianatural
A duração é mais longa ou mais curta que o modo/média natural - i.e. a
4
hidrografia torna-se mais escarpada ou de menor profundidade
Transição 1
Os fluxos são mais ou menos variaveis que o modo/média natural e assim como a
5
sua extensão
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural ­ a
6
Época de
sincronização com a chuva poderá se alterar
inundação
7
Alterada a proporção natural dos diferentes tipos de inundações anuais
8
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que o modo/média natural
Transição 2
A duração é mais longa ou maus curta que o modo/média natural ­ i.e. a
9
hidrografia torna-se mais escarpada ou de menor profundidade

Categorias de inundação ­ pontos do Delta
As categorias reconhecidas de caudais do rio não são relevantes no Delta, onde portanto, a
inundação é o principal propulsor da forma e do funcionamento do ecossistema. As
principais categorias de inundação reconhecidas pelo modelo de inundação desenvolvido
pelo Centro de Pesquisas Harry Oppenheimer do Delta Okavango (HOORC) são usados no
presente documento (Tabela 0.3).



45

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia

Tabela 0.3
Número de Nome da

Descrição
categoria
categoria de
de
inundação
inundação















(Nesse momento, quer o hidrólogo principal, assim como os especialistas do Delta estão a
trabalhar na definição das principais categorias de inundação para o Delta, e estas
definições serão providenciadas a equipa do Botswana logo que tenham finalizado essa
actividade.)


46

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
ANÁLISE DA BIBLIOGRAFIA
Introdução
Parte-se da premissa que o signatário não tem publicações específicamente relacionadas
com o sistema fluvial; ademais, parece existirem, em Angola, muito poucas publicações com
dados que permitam ­ sob o ponto de vista geomorfológico e sedimentológico - obter
informações relevantes sobre o rio Cubango ou mesmo sobre os rios vizinhos; contudo, foi
possível obter informações importantes á partir dos seguintes trabalhos:
- Mendelsohn J. & Obeid S., (2005), "Rio Okavango: a fonte da vida", Struik Publishers,
Cape Town.
- ?, (1974), "Esquema de aproveitamento hidráulico do Rio Cubango, volume V- estudo
geológico", relatório da Direcção Provincial dos Serviços Hidráulicos.
- Quintela Góis,C.A., (1968), "O Regime de Cheias do Cubango", Fomento (Lisboa) 6, pp
221-226.
Nestas condições, a selecção e a análise da bibliografia teve que ter em conta os seguinte
aspectos principais:
1- A necessidade de se actualizar e aprofundar o conhecimento sobre o sistema fluvial no
seu conjunto, sobre as suas variáveis internas, e sobre o modo como interagem com o meio
envolvente, principalmente no interior da bacia de drenagem: uma revisão geral das obras
clássicas de geomorfologia que foi possível recolher localmente, revelou que ­ sobre a
"geomorfologia fluvial" - a maior parte delas não ia para além das noções básicas e gerais,
além de terem sido redigidas há mais de 30 anos; assim, deu-se particular atenção á obra
"GEOMORFOLOGIA" de António Christofoletti, 1974 (2ª edição reimpressa em 1986),
Editora Edgard Blucher Ltda, Brasil, aqui usada como referência principal, pelo tratamento
mais profundo e abrangente que deu ao tema.
2- A necessidade de se actualizar e aprofundar o conhecimento sobre o modo como, diante
dos estímulos internos e externos, as variáveis do sistema fluvial reagem individualmente e
em conjunto: aqui, as publicações que se podem dispor são vastas e actualizadas, são
baseadas em experiências laboratoriais e em estudos feitos sobre rios de várias partes do
Mundo, e muitas delas com dados resumidos disponíveis "on-line" (principal endereço
consultado: http://www.sciencedirect.com).
As publicações que foram seleccionadas e analisadas com maior profundidade são as que
versaram sobre o papel e comportamento das variavéis de tipo geomorfólogico e
sedimentológico reconhecidas nas UIA 1, 2 e 3 como as que maior influência exercem na
parte angolana do sistema fluvial do Okavango e que ­ pela frequência com que são
referidas na bibliografia ­ parecem ser também as que maior influência exercem nos
sistemas fluviais do planeta. Essas variáveis relacionam-se estreitamente com os
indicadores escolhidos e muitas delas respondem de um modo solidário ás oscilações dos
caudais, embora os resultados de tais respostas - sobre as componentes do ecosistema -
nem sempre se manifestem de modo linear, mas frequentemente contrastantes.
Para melhor compreender como funciona o ecossistema do rio Okavango na parte angolana
da bacia, analisou-se o papel das variáveis que influenciam os seguintes indicadores, e o
modo como ambas respondem aos estímulos internos e externos ao sistema fluvial:
1- Extent of exposed rocky habitat in main channels.
2- Extent of coarse sediments on the bed
3- Cross sectional area of bank full channel
4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
5- Extent of exposed sandbars at low flow


47

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
6- Extent of vegetated islands
7- Percentage silt & clay in the top of the floodplain
8- Extent of the floodplain inundated each wet season
9- Extent of inundated pools/pans on floodplain
10- Extent of cut banks along the active channel

Indicador nº 1 - Extent of exposed rocky habitat in main channels
Principais características do Indicador 1 Extent of exposed rocky habitat in main channels
Este indicador relaciona-se com os leitos rochosos que ­ durante os períodos de médio a
alto caudal - são cobertos pela coluna de água, e que ­ nos períodos de baixo caudal -
afloram á superfície. Este indicador, que apenas responde á variação dos caudais, é
presente em Mucundi, onde o substrato granítico resistente aflora por cerca de 60-70 m ao
longo do leito do canal e quase cobrindo toda a sua largura. Esse substrato, aflorante, é
quase que totalmente colonizado por uma subtil mas densa camada de organismos
incrustantes, de forma estelar, providos de vários tentâculos ciliados e com ramificações
foliculares.
Ligação ao caudal
Naturalmente, a variação dos caudais é função do regime de precipitações na bacia e das
abstracções de água ao sistema: variações desses factores que tendam a provocar
significativas reducções nos caudais do rio, comportam a exposição desses habitat
rochosos: a extensão da exposição é inversamente proporcional á reducção dos caudais, e
isso poderá acarretar consequências nocivas para a biota neles residente, principalmente se
tais variações se prolongarem no tempo.
Indicador nº 2 - Extent of coarse sediments on the bed
Principais características do Indicador 2 Extent of coarse sediments on the bed
Este indicador é ausente nos troços fluviais em qualquer dos três sítios estudados, embora
ocorram em alguns troços do rio Cubango, por exemplo nos arredores de Caiundo, onde o
canal - com uma configuração de tipo "braided" ­ apresenta o leito plano juncado de
pequenas barras constituidas por seixos e cascalhos pouco rolados; essas barras
distribuem-se regularmente ao longo do eixo e das margens do canal.
A distribuição deste tipo de sedimentos, ao longo do canal, requer uma alta variabilidade de
cargas (e de gradientes) no regime do rio, onde troços com valores mais baixos de carga
sólida
e da relação carga de fundo/carga em suspensão se alternam com troços
caracterizados por altos valores de carga sólida e da relação carga de fundo/carga em
suspensão
relacionados com regimes de caudais altos.
Naturalmente, essas variáveis dão uma ideia da capacidade e competência dos rios ao
longo dos troços considerados assim como do volume e granulometria dos sedimentos que
o rio pode dispor á partir das fontes. É de se notar, contudo, que :
- Nos troços visitados em Mucundi e Kuito Kuanavale, os sedimentos fluviais - presentes nos
canais, nas margens e nas planícies de inundação - mostravam pouca variabilidade
granulométrica, sendo a fracção mais grosseira representada por areias finas provenientes
da formação Kalahari, pelo que se pode supor que elas constituem a maior parte da sua
carga de fundo. Em Capico, além da areia muito fina, foram vistos seixos e cascalhos sobre
as margens do canal principal, durante o período de inundação.


48

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
References on Discharge (Q) and sediment load (Qs)
- Beechie T. J. et al. (2006) "Channel pattern and river-floodplain dynamics in forested
mountain river systems", http://www.sciencedirect.com.
- Chang H.H. (2003), "Minimum stream power and river channel patterns",
www.sciencedirect.com.
-Christofoletti, António "Geomorfologia", 1974, Edgard Blucher Ltda, 2ª edição reimpressa
em 1986.
- Harnischmacher S. (2007), "Thresholds in small rivers? Hypotheses developed from fluvial
morphological research in western Germany", http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Darby S. (1998), "Process-form interactions in unstable sand-bed river
channels: A numerical modeling approach", http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Rinaldi M. (2006) "Disturbance, stream incision, and channel evolution: The
roles of excess transport capacity and boundary materials in controlling channel response",
http://www.sciencedirect.com
-Thompson D.M. (2002), "Geometric adjustment of pools to changes in slope and discharge:
a flume experiment", http://www.sciencedirect.com
- Thompson D.M. & Hoffman K.S. (2001) Equilibrium pool dimensions and sediment-sorting
patterns in coarse-grained, New England channels, http://www.sciencedirect.com
Ligação ao caudal
Nos troços correspondentes á UIA 2 e 3, os canais fluviais parecem não transportar cargas
detríticas com variações granulométricas apreciáveis, já que os sedimentos fluviais que
foram encontrados nesses locais são representados por uma fracção "grosseira" constituída
essencialmente por areia muito fina, e uma fracção fina de constituição silto-argilosa. Os
sedimentos que constituem as margens também reflectem essa composição, sendo muito
provável que o mesmo ocorra também com os sedimentos que atapetam o fundo dos
canais. Embora em Capico se tenha observado a mesma tendência, sobre o pavimento das
margens do canal principal foram verificadas, contudo, a ocorrência de seixos e cascalhos
rolados durante o período de inundação .
Não tendo sido notada, nos troços dos três sítios estudados, fluxos significativos de carga
de fundo no final da época seca e no início da estação das chuvas, é provável que o
transporte de maiores volumes dessa fracção se dê em momentos de caudais maiores que
as existentes no início da estação húmida.
Indicador nº 3 - Cross sectional area of bank full channel
Principais características do Indicador 3- Cross sectional area of bank full channel
Este indicador compreende um grupo de caracteres morfológicos representáveis em perfil
transversal (a largura e a profundidade do canal) caracteres esses que se mantêm
mutuamente ajustados e em equilíbrio dinámico, ao longo de troços caracterizados por
fluxos de matéria e energia que não apresentem flutuações de amplitude superior ás
capacidades de absorção do conjunto no interior de cada troço; por outras palavras, em
cada diferente troço do traçado fluvial, a largura e a profundidade do canal tendem a
equilibrar-se entre si e de modo tal que resultem também em equilíbrio com os caudais, com
a carga sedimentar transportada e com a velocidade das correntes que caracterizam esse
troço.
É também de se referir que este indicador responde ás variações da pendência, do traçado
planimétrico, e do gradiente dos troços á montante e á jusante do ponto a considerar, em
virtude desses caracteres influirem sobre a velocidade da corrente. Por outro lado, a secção
transversal do canal pode também variar em função da distribuição de eventuais sequências
"pool-riffle" ao longo do leito, sequências essas cuja distribuição responde á variações da
velocidade da corrente e da carga sedimentar transportada.


49

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
References on Cross sectional area of bank full channel:
- Beechie T. J. et al. (2006) "Channel pattern and river-floodplain dynamics in forested
mountain river systems", http://www.sciencedirect.com
- Chang H.H. (2003), "Minimum stream power and river channel patterns",
www.sciencedirect.com.
- Chitale S.V. (2003), "Theories and relationships of river channel patterns",
www.sciencedirect.com.
-Christofoletti, António "Geomorfologia", 1974, Edgard Blucher Ltda, 2ª edição reimpressa
em 1986.
- Doyle M.W. & Shields Jr. F.D. (2000), "Incorporation of bed texture into a channel evolution
model" http://www.sciencedirect.com
- Harnischmacher S. (2007), "Thresholds in small rivers? Hypotheses developed from fluvial
morphological research in western Germany", http://www.sciencedirect.com.
- Latubresse, E.M. (2008) "Patterns of anabranching channels: The ultimate end-member
adjustment of mega rivers", Geomorphology, Vol. 101, Issues 1-2, Oct. 2008, Pg. 130-145
- Lisle T. (1979), "A sorting mechanism for a riffle-pool sequence" Geological Society of
America Bulletin, Part 11.v.90, p.1142-1157, 3 figs., July 1979, Doc.nº. M90703.
- Lofthouse C. & Robert A. (2007), "Riffle­pool sequences and meander morphology",
http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Darby S. (1998), "Process-form interactions in unstable sand-bed river
channels: A numerical modeling approach", http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Rinaldi M. (2006) "Disturbance, stream incision, and channel evolution: The
roles of excess transport capacity and boundary materials in controlling channel response",
http://www.sciencedirect.com
- Surian, Nicola & Rinaldi, Massimo (2002) "Morphological response to river engineering and
management in alluvial channels in Italy", Copyright © 2002 Elsevier Science B.V.
- Thompson D.M. (2002), "Geometric adjustment of pools to changes in slope and discharge:
a flume experiment", http://www.sciencedirect.com.
- Thompson D.M. & Hoffman K.S. (2001) Equilibrium pool dimensions and sediment-sorting
patterns in coarse-grained, New England channels, http://www.sciencedirect.com
- Xu Jiongxin, (1996), "Wandering braided river channel pattern developed under quasi-
equilibrium: an example from the Hanjiang River, China; http://www.sciencedirect.com.
- Xu Jiongxin, (1996), "Channel pattern change downstream from a reservoir: An example of
wandering braided rivers", Geomorphology, Vol. 15, Issue 2, March 1996, Pages 147-158
Ligação ao caudal
O indicador referido está intrínsecamente ligado á vários aspectos biogeográficos presentes
no interior do sistema fluvial (pools, pans, backwaters, banks, bars, etc.): assim, uma
qualquer significativa variação de caudal (sólido ou líquido) que implique uma variação de
forma do canal, pode acarretar - como consequência ­ uma variação local da qualidade,
extensão e distribuição das diversas unidades fisiográficas que dão suporte ás comunidades
animais e vegetais típicas.
- O incremento dos processos erosivos que actualmente se verificam nas terras altas
adjacentes aos canais fluviais nas UIA 1, 2 e 3, podem levar á excessos da carga
sedimentar fluvial que impliquem modificações na forma e na fisiografia de cada um desses
locais; os detritos poderão inicialmente distribuir-se:
a) na UIA 3, ao longo dos bordos externos da planície de inundação, o que requererá
caudais altos para a sua mobilização e transporte para os troços á jusante; a porção que
entrar eventualmente no interior do canal, devido á baixa granulometria, pode não conduzir
á significativas alterações morfológicas e/ou fisiográficas se os caudais sólidos e líquidos se
mantiverem dentro dos limites normais; mas, em virtude da grande erodibilidade dos
terrenos que o envolvem, poderá haver um volume de sedimentos dentro do canal fluvial
que supere a capacidade de transporte do rio e, neste caso, o conjunto poderá ser levado a


50

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
reajustar-se ás novas condições, através da alteração da geometria e distribuiçao das
formas do leito (pools e riffles), acompanhada por redução da profundidade, eventual
aumento da largura do canal, eventual alteração da configuração planimétrica e eventual
alteração do gradiente energético, todas essas alterações reflectindo-se, naturalmente, na
secção transversal do canal e na distribuição dos caracteres biogeográficos ao longo dela;
b) nas UIA 1 e 2, em virtude das margens estreitas ao longo dos bordos do sistema fluvial,
os detritos ­ de granulometria variável mas com apreciáveis percentagens das fracções
grosseiras (seixos e cascalhos) - poderão entrar directamente no interior do canal e reduzir
a sua profundidade nas fases de baixo caudal, e serem posteriormente remobilizados e
transportados para jusante durante os períodos de caudais altos, se o volume e a
granulometria dos detritos não excederem a competência e a capacidade de transporte do
rio nestes troços; caso contrário, e dentro de curtos intervalos de tempo, é difícil prever o
comportamento de todas as variáveis morfológicas nos troços das UIA 1 e 2, em virtude dos
respectivos canais estarem condicionados por rochas muito resistentes ao longo das
margens e do leito; em intervalos de tempo maiores, é previsível que o canal se desenvolva
através de processos erosivos prevalentemente verticais (aprofundamento + estreitamento
do canal) que levem os gradientes á regularizarem-se e a ajustarem-se aos dos troços á
jusante, em resposta aos aumentos locais da carga sedimentar e das dimensões
granulométricas no interior do canal.
- Variações na secção transversal do canal, imputáveis á dinámica fluvial, também podem
ocorrer por processos de "slumping" activos e potenciais que se verificam ao longo das
margens do canal de magra na UIA 1, e em maior grau na UIA 2: esses processos
desenvolvem-se por acção de lâminas de água que promovem o descalçamento da base
seguida por desabamento e, por isso, podem continuar a desenvolver-se mesmo com
caudais baixos, embora possam sofrer incrementos de velocidade com caudais
progressivamente mais altos.
Indicador nº 4 - Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
Principais características do Indicador 4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
O indicador Extent of backwater areas refere-se á extensão areal ocupada pelos corpos de
águas conectadas ao rio, mas não afectadas pelas suas correntes; portanto, também este
indicador responde apenas ás variações dos caudais do rio, ocupando extensões tanto
maiores quanto maiores forem os caudais, e reduzindo a extensão á medida em que se
reduzem os caudais. Nos sítios Capico Mucundi e Kuito Kuanavale os backwaters
encontram-se em correspondência das margens convexas dos meandros, ocupando as
faixas depressivas presentes nos depósitos de "point bar"; no Kuito-Kuanavale, encontram-
se também ao longo de algumas margens, e em troços de meandro abandonado que
apresentam um dos extremos conectados ao canal principal.
Ligação ao caudal
Naturalmente, a variação dos caudais é função do regime de precipitações na bacia e das
abstracções de água ao sistema; variações desses factores que tendam a provocar
significativas reducções nos caudais do rio, tenderão a reduzir, em proporção directa, a
extensão das áreas ocupadas pelos backwaters, e vice-versa, já que esta depende
estreitamente dos níveis de água no canal principal.


51

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador nº 5: Extent of exposed sandbars at low flow
Principais características do Indicador nº5 Extent of exposed sandbars at low flow
Este indicador refere-se aos corpos arenosos (sand bars) depositados pelo rio no interior do
canal e que tendem a ficar expostos nos períodos de baixo caudal. Os sandbars tendem a
ser depositados no eixo e nas margens do canal; contudo, nos três sítios visitados durante o
final da época seca, não foram vistas barras arenosas em exposição. De sublinhar que,
durante a visita, mesmo os depósitos nas margens convexas (point bars) se encontravam
submersos por películas de água de poucos centímetros de espessura.
Indicador nº 6: Extent of vegetated islands
Principais características do Indicador nº6 Extent of vegetated islands
Este indicador, que se refere á extensão areal das ilhas colonizadas por vegetação no
interior dos canais fluviais, foi observado apenas na parte montante do troço do rio Cubango
em Mucundi, embora as imagens de satélite mostrem sinais de existência de corpos
similares em variados pontos dos cursos fluviais na parte angolana da bacia do Okavango.
Em Mucundi, apresenta dimensões em torno de 20x60 metros ao longo da parte mediana do
canal, e a vegetação que a cobre - de tipo arbórea e arbustiva - assenta sobre solos
arenosos, sendo também possível que o solo arenoso assente sobre o substrato granítico
que aflora mais á jusante deste troço. esta ilha é limitada por paredes subverticais, as quais
sinalizam a acção de processos erosivos concentrados ao longo das margens.
References on Channel Dynamics:
- Chang H.H. (2003), "Minimum stream power and river channel patterns",
www.sciencedirect.com.
- Chitale S.V. (2003), "Theories and relationships of river channel patterns",
www.sciencedirect.com.
-Christofoletti, António "Geomorfologia", 1974, Edgard Blucher Ltda, 2ª edição reimpressa
em 1986.
- Latubresse, E.M. (2008) "Patterns of anabranching channels: The ultimate end-member
adjustment of mega rivers", Geomorphology, Vol. 101, Issues 1-2, Oct. 2008, Pg. 130-145
- Simon A. & Darby S. (1998), "Process-form interactions in unstable sand-bed river
channels: A numerical modeling approach", http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Rinaldi M. (2006) "Disturbance, stream incision, and channel evolution: The
roles of excess transport capacity and boundary materials in controlling channel response",
http://www.sciencedirect.com
- Surian, Nicola & Rinaldi, Massimo (2002) "Morphological response to river engineering and
management in alluvial channels in Italy", Copyright © 2002 Elsevier Science B.V.
- Xu Jiongxin, (1996), "Wandering braided river channel pattern developed under quasi-
equilibrium: an example from the Hanjiang River, China; http://www.sciencedirect.com.
- Xu Jiongxin, (1996), "Channel pattern change downstream from a reservoir: An example of
wandering braided rivers", Geomorphology, Vol. 15, Issue 2, March 1996, Pages 147-158
Ligação ao caudal
Por definição, as ilhas permanecem sempre expostas acima do nível das águas do canal,
excepto no caso de inundações de carácter excepcional em que podem temporáriamente
ser submersas: neste último caso, podem sofrer acções deposicionais (se houver suficiente
carga de sedimentos provenientes desde montante) ou erosivas (se houver défices de carga
sedimentar transportada pela corrente desde montante). Contudo, mesmo em caso de
caudais baixos, as acções erosivas podem ocorrer sempre que for deficiente a carga


52

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
sedimentar transportada pelas correntes, desde as áreas á montante. Assim, para
permanecer num estado de equilíbrio dinámico, as ilhas fluviais requerem caudais e
sedimentos que não apresentem variações superiores á norma.
Indicador nº 7: Percentage silt & clay in the top of the floodplain
Principais características do Indicador 7 Percentage silt & clay in the top of the floodplain
Quando desenvolvidas, a planície de inundação apresenta formas que se relacionam com
as águas fluviais nas fases de inundação, sendo um lugar de prevalente deposição de
sedimentos relacionados com essa fase. Este indicador refere-se justamente ás
percentagens de sedimentos finos (dimensões 64) eventualmente presentes nos 300 mm
do topo das planícies de inundação, resultantes da deposição durante os referidos períodos
de inundação; é presente em Kuito Kuanavale, onde a ampla e extensa planície de
inundação se apresenta como um lugar de prevalente sedimentação fluvial: aqui, os siltes e
as argilas apresentam valores quantitativos muito superiores relativamente aos das areias
finas que entre eles se intercalam. Em Capico e Mucundi, as planícies de inundação - em
fase de modelamento ­ são práticamente privos de sedimentos fluviais.
References on Floodplains Dynamics& Discharge (Q) and Sediment Load
- Beechie T. J. et al. (2006) "Channel pattern and river-floodplain dynamics in forested
mountain river systems", http://www.sciencedirect.com.
- Chang H.H. (2003), "Minimum stream power and river channel patterns",
www.sciencedirect.com.
-Christofoletti, António "Geomorfologia", 1974, Edgard Blucher Ltda, 2ª edição reimpressa
em 1986.
- Harnischmacher S. (2007), "Thresholds in small rivers? Hypotheses developed from fluvial
morphological research in western Germany", http://www.sciencedirect.com
- Lisle T. (1979), "A sorting mechanism for a riffle-pool sequence" Geological Society of
America Bulletin, Part 11.v.90, p.1142-1157, 3 figs., July 1979, Doc.nº. M90703.
- Lofthouse C. & Robert A. (2007), "Riffle­pool sequences and meander morphology",
http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Darby S. (1998), "Process-form interactions in unstable sand-bed river
channels: A numerical modeling approach", http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Rinaldi M. (2006) "Disturbance, stream incision, and channel evolution: The
roles of excess transport capacity and boundary materials in controlling channel response",
http://www.sciencedirect.com
-Thompson D.M. (2002), "Geometric adjustment of pools to changes in slope and discharge:
a flume experiment", http://www.sciencedirect.com
- Thompson D.M. & Hoffman K.S. (2001) Equilibrium pool dimensions and sediment-sorting
patterns in coarse-grained, New England channels, http://www.sciencedirect.com
Ligação ao caudal
A deposição dos sedimentos silto-argilosos assume valores significativos nas áreas de
inundação, marginais ao canal principal, as quais, pelos valores baixos ou nulos da
velocidade da corrente, permitem a deposição dos siltes e argilas; essas áreas de
decantação situam-se mormente nas adjacências das faixas de meandros, a níveis
geralmente superiores á estas. Contudo, os siltes e as argilas são partículas que as
correntes geralmente transportam como carga em suspensão, e que depositam em
ambientes calmos, por decantação: isto significa que, além da concentração relativa deste
tipo de sedimentos na água, as taxas de deposição são fortemente dependentes do volume
e do tempo de permanência da massa de água sobre a planície de inundação. Portanto,
quanto maiores forem os caudais, a carga em suspensão transportada pelo rio, e a duração


53

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
das inundações maiores serão as percentagens de silt e argila presentes sobre a planície de
inundação.
Indicador nº 8: Extent of the floodplain inundated each wet season
Principais características do Indicador nº8 Extent of the floodplain inundated
As planícies de inundação são formas planejantes modeladas pelos rios durante as
inundações, e geralmente se apresentam cobertas pela água dos rios durante as
inundações. Contudo, a extensão das áreas cobertas pode variar, em função dos volumes
de água nelas presentes e em função da extensão da própria planície: no Kuito-Kuanavale a
planície de inundação é ampla e extensa, enquanto em Capico e Mucundi são muito
estreitas, pouco extensas, muito espaçadas entre si, e com as superfícies sobre-elevadas a
níveis em torno de 0.5 m acima das margens do canal de magra (o indicador não será tido
em conta nestes dois últimos sítios, pela pouca relevância que apresentam). Em qualquer
dos casos, essas planícies têm sempre sofrido inundação completa durante a estação das
chuvas, de acordo com as informações dadas pelas populações locais, informações essas
compatíveis sejam com os valores altimétricos das referidas planícies, sejam com os dados
das estações hidrométricas locais.
References on Floodplains Dynamics
- Beechie T. J. et al. (2006) "Channel pattern and river-floodplain dynamics in forested
mountain river systems", http://www.sciencedirect.com.
-Christofoletti, António "Geomorfologia", 1974, Edgard Blucher Ltda, 2ª edição reimpressa
em 1986.
Ligação ao caudal
Quando desenvolvidas, a planície de inundação apresenta formas que se relacionam com
as águas fluviais nas fases de inundação, sendo um lugar de prevalente deposição de
sedimentos relacionados com essa fase. A submersão completa das áreas da planície de
inundação requer caudais elevados. Contudo, é de se ter em conta que, a extensão das
áreas submersas nas planícies de inundação varia, naturalmente, em função dos volumes
de água nelas presentes num determinado intervalo de tempo: isto é, quanto maiores forem
os volumes de água, maior será a extensão das áreas ocupadas por essas águas. Por outro
lado, os volumes de água que a planície de inundação pode apresentar, num determinado
momento, resulta da diferença entre o volume de água entrado e o volume de água saído
nesse mesmo intervalo de tempo.
Indicador nº 9 - Extent of inundated pools/pans on floodplain
Principais características do Indicador nº 9 Extent of inundated pools/pans
Este indicador, que se refere á extensão areal das depressões que se situam no interior da
planície de inundação, as quais permanecem inundadas no final da estação seca é, nos
sítios estudados da parte angolana da bacia, apenas presente no Kuito Kuanavale,
correspondendo a canais de meandro abandonado, sem conexão directa com os níveis de
água do canal principal: eles, sendo alimentados pelo lençol de água subterrânea durante a
estação seca, as respectivas áreas banhadas podem reduzir-se em cerca de metade.
Contudo, com o aumento dos caudais nas épocas de inundação, aumenta a extensão das
áreas que ocupam.


54

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Ligação ao caudal
A variação dos caudais é função do regime de precipitações na bacia e das abstracções de
água ao sistema; variações desses factores que tendam a provocar significativas reducções
nos caudais do rio, tenderão a reduzir, em proporção directa, a extensão das áreas
ocupadas pelos backwaters, e vice-versa, já que esta depende estreitamente dos níveis de
água no canal principal.
Indicador nº 10 - Extent of cut banks along the active channel
Principais características do Indicador nº 10 Extent of cut banks
Aqui dá-se particular atenção á extensão da erosão ao longo das margens do canal activo:
verificou-se que a extensão da erosão ao longo das margens dos canais, nos três sítios
estudados, é variável não só em função da variação dos caudais, mas também em função
da erodibilidade (erodibility) e da granulometria (grain size) dos materiais que constituem as
margens desses canais. Há várias situações:
a) no Kuito-Kuanavale - cujo canal corta os sedimentos da sua planície de inundação - as
margens são constituidas essencialmente por depósitos silto-argilosos com intercalações de
lentes arenosas, bem coerentes, e com caracteres granulométricos e de erodibilidade
bastante homogêneos ao longo de todo o traçado; aqui, a erosão das margens é mais
evidente nas margens côncavas do canal de meandro, mas também ocorre em alguns
pontos ao longo de troços "rectilíneos", através de erosão basal seguido de "slumping".
b) Em Capico e Mucundi, o canal de magra apresenta margens com troços muito erodíveis,
constituidos por areias massivas muito finas, friáveis e com sinais de "slumping" activo, e
troços mais resistentes constituidos por depósitos silto-argilosos bem consolidados mas com
sinais de "slumping" potencial, sinalizadas pelo modo como a vegetação, ao longo das
margens, se inclina para o rio. Já o canal principal - que corta rochas resistentes do
substrato arenítico e greso-calcáreo ­ não apresenta evidentes sinais de erosão ao longo
das margens, as quais seriam, contudo, modeladas durante o período das inundações.
References on Cut Banks
-Christofoletti, António "Geomorfologia", 1974, Edgard Blucher Ltda, 2ª edição reimpressa
em 1986.
- Harnischmacher S. (2007), "Thresholds in small rivers? Hypotheses developed from fluvial
morphological research in western Germany", http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Darby S. (1998), "Process-form interactions in unstable sand-bed river
channels: A numerical modeling approach", http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Rinaldi M. (2006), "Disturbance, stream incision, and channel evolution: The
roles of excess transport capacity and boundary materials in controlling channel response",
http://www.sciencedirect.com
Ligação ao caudal
As características dos materiais que constituem as margens do canal fluvial são, na
realidade, factores que condicionam o modo como elas respondem ás variações dos
caudais no interior do sistema fluvial, já que elas determinam uma maior ou menor
resistência á erosão. Mesmo assim, diante da acção erosiva, as margens respondem de
modo diferenciado não só em função em função da maior ou menor resistência á erosão dos
materiais que as compõem, mas também em função dos caudais e do volume e da
granulometria do material transportado pela corrente e utilizado como abrasivo.
Contudo, não está claro em que medida é que cada um dos factores enunciados influi na
erosão das margens nos três sítios estudados, onde o processo se desenvolve por acção de
lâminas de água que promovem o descalçamento da base seguida por desabamento: a


55

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
ocorrência desse processo verificou-se durante o período de caudais baixos, mas pode
sofrer incrementos de velocidade com caudais progressivamente mais altos.
Resumo
Foi muito pouco o tempo e os meios (sobretudo de tipo bibliográfico e documental) que foi
possível dispor para a realização deste estudo, apesar da disponibilide e da boa vontade
sempre manifestada pelos gestores do Projecto.
Assim, a maior e mais importante impressão com que se fica, é que os dados são poucos,
pouco quantificados, e referidos á áreas muito pontuais para permitir conhecer ­ de modo
satisfatório ­ um sistema tão grande e com componentes tão numerosos e variáveis, como o
sistema constituido pelo Rio Okavango; mesmo porque, comportamentos diversos ­-
resultante da extrema variabilidade das componentes - foi verificada existir não apenas entre
os cursos dos rios visitados (Cuebe, Cubango e Kuito), mas também entre troços diversos
do mesmo curso fluvial, em virtude do diverso condicionamento ambiental (principalmente
de tipo litológico, sedimentológico e estrutural) que sofrem estes rios ao longo do traçado.
Ademais, em virtude da exigência manifesta de se adaptar as respostas das variáveis
morfológicas mais em função das variações dos caudais e da sua incidência sobre as
variáveis do ecosistema fluvial, não se teve em devida conta a influência que sobre eles
poderiam exercer outras importantes variáveis que, embora externas ao sistema fluvial,
condicionam o seu comportamento de modo determinante: é o caso, por exemplo, dos
terrenos adjacentes ao sistema fluvial que, respondendo ao mesmo regime de precipitações
existente no interior da bacia, podem influir grandemente na quantidade e qualidade de
matéria (água e sedimentos) a fluir no interior do sistema fluvial. Naturalmente, se essas
variáveis fossem tidas em conta, as respostas dos indicadores teriam sofrido, no mínimo,
algumas modificações.
RECOLHA E ANÁLISE DE DADOS
Dadas as limitações de tempo não parece ser possível realizar os estudos quantitativos que
seriam de desejar e que cubram áreas significativas da Bacia do Okavango.
Contudo, estão previstas visitas de estudo a mais três pontos na parte angolana da bacia,
embora os pontos e as datas de visita ainda não estejam bem definidas, dada a
necessidade, ainda presente, de se analisar cuidadosamente os aspectos relacionados com
os acessos e com a logística.
Nesses pontos, procurar-se-á obter dados quantificados sobre os indicadores de tipo
geomorfológico e sedimentológico seleccionados, assim como aqueles que permitam,
dentro do possível, ter uma ideia mais abrangente do comportamento do conjunto da bacia.
Metodologia para recolha e análise de dados
Os locais Capico, Mucundi e Kuito-Kuanavale foram visitados em três períodos diversos, isto
é, nas datas entre 15 -17/10/2008 (final da estação seca), entre 18 ­ 21/11/2008 (início da
estação húmida) e entre 9 ­ 13/03/2009 (auge do período de inundações).
Na primeira visita de campo, dadas as limitações de tempo, apenas foram feitas algumas
observações visuais, a tomada de algumas fotografias, alguns inquéritos ás populações
locais, e algumas medições das profundidades do canal relativamente á superfície da água.
Na segunda visita de campo, os locais foram percorridos a pé e de canoa, tendo sido feitas
observações visuais, anotações acuradas, tomadas de fotografias e mensurações da
profundidade do canal. Em cada um dos sítios visitados, as profundidades foram medidas
ao longo de pelo menos três secções, utilizando uma vara de cerca 5 m de comprimento
préviamente calibrada com a ajuda de uma fita métrica, e contendo divisões de 0,5 m de
intervalo; assim, foram medidas as profundidades relativamente á superfície da água, e
entre a superfície da água e as margens do canal de magra; não foi possível medir


56

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
directamente a largura do canal em cada sítio visitado, nem foi possível ­ até agora - obter
mapas ou fotografias em escala adequada, que possam permitir o cálculo de tais valores.
Na terceira vista de campo, não foi possível fazer nada mais do que observações directas e
tomada de fotografias, devido ás desfavoráveis condições atmosféricas (tempo chuvoso), à
extensão das áreas inundadas e às velocidades locais da corrente.
Resultados
É de se referir, desde já, que não foi possível encontrar dados de tipo sedimentológico nem
geomorfológico referente aos rios na parte angolana da bacia do Okavango, nem bibliografia
ou outras fontes documentais que relacionem as variáveis de tipo geomorfológico com as
variáveis do ecosistema no interior do sistema fluvial.
Assim, e não obstante a escassez de dados quantitativos e qualitativos, históricos e actuais,
sobre os rios da parte angolana da Bacia do Okavango, os estudos pontuais realizados nos
sítios Capico, Mucundi e Kuito-Kuanavale, sobre os troços dos rios Cuebe, Cubango e Kuito,
permitiram observar que estes rios apresentam, em geral, características morfológicas muito
diferenciadas entre si, características essas que se reflectem na dinámica fluvial intrínseca a
cada um desses rios.
Assim, o rio Kuito, que apresenta caracteres de um rio muito desenvolvido, corre livremente,
e forma meandros no interior de uma planície de inundação também bem desenvolvida e
com baixos gradientes de inclinação. O rio Cuebe, pelo contrário, flui ao longo de um canal
muito estreito, e encaixado no interior de um vale fundo, de paredes abruptas, e que
apresenta altos gradientes ao longo do seu traçado. Já o rio Cubango, que em Mucundi
também flui no interior de um vale de paredes altas e abruptas, apresenta canais largos e
frequentemente de fundo plano, mas com troços de gradientes altos, variáveis, e onde é
frequente a ocorrência de degraus e a formação de rápidos.
As diferenças, que esses rios apresentam entre si, são de se atribuir ás características
litológicas e estruturais dos terrenos que eles atravessam: o rio Kuito corta terrenos
constituidos por areias massivas e friáveis da formação Kalahari, o rio Cuebe escava o seu
curso ao longo de linhas de fractura incidentes sobre terrenos areniticos e greso-calcáreos
muito resistentes, enquanto o rio Cubango - que também corre por entre fracturas incidentes
sobre terrenos areníticos e greso-calcáreos muito resistentes - assenta o seu leito sobre um
substrato granítico ainda mais resistente.
Um resumo do entendimento presente das respostas previstas de todos os
indicadores (disciplinas) as potenciais mudanças no regime de fluxo

As respostas previstas de cada indicador geomorfológico ás variações de caudais no interior
do sistema fluvial, são apresentadas em tabelas, nas três secções que mais abaixo se
seguem: cada secção se refere a uma Unidade Integrada de Análise e, cada tabela nela
contida, resume as respostas de um dos indicadores ás variações de fluxo no interior das
unidades consideradas, e de acordo com as questões colocadas e resumidas na Tabela 0.2.



57

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Capico

Foram analisadas as respostas dos seguintes indicadores:
3- Cross sectional area of bank full channel
4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
10- Extent of cut banks along the active channel



58

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 3-Cross sectional area of bank full channel
Tabela 5 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Cross sectional area of bank full channel no ecosistema do Rio Okavango
Confiança na
Pergunta
previsão (bastante
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador

baixa, baixa, média,
alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde Zero
1
Alta
que o natural
Os níveis das águas são mais altos ou
Zero
2
Alta
mais baixos que o natural
Época Seca
Pode causar variações de sentido contrário, em 2 tempos: 1º) alargamento do canal por erosão basal
Extende-se por mais tempo que o
das margens+slumping; 2º) a drástica redução do gradiente energético da corrente consequente ao
3
Alta
natural
alaragamento do canal e eventual reducção do caudal levaria ao estreitamento do canal por gradual
deposição + colonização dos espaços pela vegetação.
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Média
mais escarpada ou de menor
Transição 1
profundidade
Os caudais são mais ou menos
Zero
5
Média
variáveis que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Média
Época de
chuva poderá ser alterada
inundação
O aumento dos caudais poderá acarretar um aumento da erosão com aprofundamento + alargamento
Alterada a proporção natural dos
7
do canal, aumentando a área da sua secção transversal. A reducção dos caudais poderá conduzir ao
Média
diferentes tipos de inundações anuais
estreitamento do canal, por deposição + colonização pela vegetação.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde Zero
8
Baixa
que o natural
Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
9
Baixa
que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se


59

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
mais escarpada ou de menor
profundidade


60

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
Tabela 6 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Extent of backwater areas no ecosistema do Rio Okavango


Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Devido á conexão directa com os níveis de água do canal, a extensão areal
Os níveis das águas são mais altos ou
2
Época Seca
dos backwaters aumenta ou reduz em função do aumento ou reducção dos
Alta
mais baixos que o natural
caudais.
Extende-se por mais tempo que o
Zero
3
Alta
natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
Época de
chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
Os backwaters inundam com a inundação do canal
7
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
Transição 2 que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se
9
Alta
mais escarpada ou de menor
profundidade


61

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 10- Extent of cut banks along the active channel
Tabela 7 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Extent of cut banks along the channel no ecosistema do Rio Okavango



Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Os níveis das águas são mais altos ou
Zero
2
Época Seca
Alta
mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
Zero
3
Alta
natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
chuva poderá ser alterada
Época de
Períodos de inundação maiores, assim como a maior frequência de altos
inundação
Alterada a proporção natural dos
caudais de inundação podem acarretar uma maior erosão das margens do
7
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
canal, e vice-versa. Actualmente, a erosão das margens verifica-se ao longo
do canal de magra, e é práticamente ausente ao longo do canal principal.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
Transição 2 que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se
9
Alta
mais escarpada ou de menor
profundidade


62

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Mucundi (UIA 2)

Foram analisadas as respostas dos seguintes indicadores:
1- Extent of exposed rocky habitat in main channels.
3- Cross sectional area of bank full channel
6- Extent of vegetated islands



63

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 1- Extent of the exposed Rocky Habitat in main channels
Tabela 8 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Extent of exposed rocky habitat no ecosistema do Rio Okavango

Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
A exposição dos Habitat rochosos depende dos caudais, sendo tanto mais
Os níveis das águas são mais altos ou
2
Época Seca
extensa quanto menor forem os caudais. Contudo, uma excessiva exposição
Alta
mais baixos que o natural
poderá ser nociva aos organismos incrustantes que sobre ela residem.
Extende-se por mais tempo que o
Zero
3
Alta
natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
chuva poderá ser alterada
Época de
Caudais da época de inudação tendem a submergir os habitats rochosos e a
inundação
Alterada a proporção natural dos
erodi-los. Os sedimentos que, durante esta época, poderão também ser
7
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
depositados sobre os Habitat rochosos, serão removidos facilmente, devido
aos rápidos que aí se formam.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
Transição 2 que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se
9
Alta
mais escarpada ou de menor
profundidade


64

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 3- Cross sectional area of bank full channel
Tabela 9 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Cross sectional area of bank full channel no ecosistema do Rio Okavango

Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Os níveis das águas são mais altos ou
Zero
2
Época Seca
Alta
mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
Longos períodos de duração da estação seca podem levar á deposição de
3
Alta
natural
barras arenosas nos troços mais profundos do canal, á montante.
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
chuva poderá ser alterada
Época de
Os caudais inferiores aos valores médios podem favorecer os processos deposicionais
inundação
e o estreitamento do canal, enquanto os caudais mais altos favorecem a erosão do
Alterada a proporção natural dos
7
leito e margens, aumentando a área da sua secção transversal. Da mesma forma,
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
períodos de inundação mais longos favorecem a acção da erosão no leito e margens e
o ampliamento da secção transversal do canal.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde que
Zero
8
Alta
o natural
Transição 2
A duração é mais longa ou mais curta que o
Zero
9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais
Alta
escarpada ou de menor profundidade




65

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 6- Extent of vegetated islands
Tabela 10 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Extent of vegetated islands no ecosistema do Rio Okavango

Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Os níveis das águas são mais altos ou
Zero
2
Época Seca
Alta
mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
Zero
3
Alta
natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
chuva poderá ser alterada
Época de
Os períodos de inundação maiores, tal como os caudais altos e frequentes,
inundação
podem conduzir á reducção da extensão da ilha fluvial, através de uma mais
Alterada a proporção natural dos
7
veloz acção erosiva ao longo das suas margens. A erosão ao longo das
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
margens da ilha é activa e actual, e é sinalizada pelas paredes verticais que
apresenta.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
Transição 2 que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se
9
Alta
mais escarpada ou de menor
profundidade


66

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Kuito Kuanavale (UIA 3)
Foram analisadas as respostas previsíveis dos seguintes indicadores:
3- Cross sectional area of bank full channel
4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
7- Percentage silt & clay in the top of the floodplain
8- Extent of the floodplain inundated each wet season
9- Extent of inundated pools/pans on floodplain
10- Extent of cut banks along the active channel



67

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 3- Cross sectional area of bank full channel
Tabela 11 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Cross sectional area of bank full channel no ecosistema do Rio Okavango


Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Os níveis das águas são mais altos ou
Zero
2
Alta
Época Seca mais baixos que o natural
Longos períodos de estação seca favorecem a colonização dos bancos
Extende-se por mais tempo que o
3
arenosos pela vegetação e, consequentemente, uma maior retenção de
Alta
natural
sedimentos, os quais conduziriam á reducção das dimensões do canal.
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
Época de
chuva poderá ser alterada
inundação
Caudais maiores e mais duráveis favorecem o aprofundamento e o
Alterada a proporção natural dos
7
alargamento do canal; caudais menores e de curta duração favorecem os
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
processos deposicionais e a reducção das dimensões do canal.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
A duração é mais longa ou mais curta
Uma rápida reducção dos caudais pode levar ao alargamento do canal por
Transição 2 que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se colapso das margens arenosas.
9
Alta
mais escarpada ou de menor
profundidade


68

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 4- Extent of backwater areas (slow/no flow areas)
Tabela 12 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Extent of backwater areas no ecosistema do Rio Okavango
Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Devido á conexão directa com os níveis de água do canal, a extensão areal
Os níveis das águas são mais altos ou
2
Época Seca
dos backwaters aumenta ou reduz em função do aumento ou reducção dos
Alta
mais baixos que o natural
caudais.
Extende-se por mais tempo que o
Zero
3
Alta
natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
Época de
chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
Durante as inundações, as áreas ocupadas pelos backwaters permanecem
7
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
submersas
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
Transição 2 que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se
9
Alta
mais escarpada ou de menor
profundidade


69

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 7- Percentage silt & clay in the top of the floodplain
Tabela 13 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Percentage silt & clay in the floodplain no ecosistema do Rio Okavango



Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Os níveis das águas são mais altos ou
Os caudais mais altos facilitam o desenvolvimento da vegetação permitindo,
2
Alta
Época Seca mais baixos que o natural
assim, a fixação dos siltes e argilas sobre a planície de inundação.
A reducção do tapete vegetal, consequente á seca prolongada, e os
Extende-se por mais tempo que o
3
revolvimentos do terreno eventualmente operada pelos animais, poderiam
Alta
natural
facilitar a remoção dos siltes e argilas por acção eólica.
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
Época de
chuva poderá ser alterada
inundação
Caudais altos e duráveis faciltam a deposição das partículas silto-argilosas,
Alterada a proporção natural dos
7
aumentando a concentração relativa dessas partículas sobre a planície de
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
inundação.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
Transição 2 A duração é mais longa ou mais curta que o
Zero
9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais
Alta
escarpada ou de menor profundidade


70

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 8- Extent of the floodplain inundated each wet season
Tabela 14 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Extent of the floodplain inundated no ecosistema do Rio Okavango


Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Os níveis das águas são mais altos ou
Zero
2
Época Seca
Alta
mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
Zero
3
Alta
natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
Época de
chuva poderá ser alterada
inundação
A extensão das áreas inundadas no interior da planície de inundação é tanto
Alterada a proporção natural dos
7
maior quanto maior forem os caudais. Caudais significativamente inferiores
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
aos valores médios implicam uma reducção das áreas inundadas.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
Transição 2 que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se
9
Alta
mais escarpada ou de menor
profundidade


71

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 9- Extent of inundated pools/pans on floodplain
Tabela 15 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Extent of inundated pools/pans no ecosistema do Rio Okavango


Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Os pools/pans no interior da planície de inundação são parcialmente
alimentados pelo lençol de água subterrânea que, aqui, apresenta níveis altos
Os níveis das águas são mais altos ou
2
Época Seca
durante todo o ano: por isso, não se espera uma reducção drástica na
Alta
mais baixos que o natural
extensão dos pools/pans inundados, excepto se os caudais abaixarem de
modo significativo e prolongado.
Extende-se por mais tempo que o
Zero
3
média
natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
Época de
chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
A extensão dos pools/pans inundados estará estreitamente dependente da
7
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
extensão das áreas inundadas no interior da planície de inundação.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
Transição 2 A duração é mais longa ou mais curta que o
Zero
9
natural ­ i.e. hidrografia torna-se mais
Alta
escarpada ou de menor profundidade



72

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Indicador 10- Extent of cut banks along the active channel
Tabela 16 Respostas previstas à possíveis mudanças no regime de caudal de Extent of cut banks along the channel no ecosistema do Rio Okavango


Confiança na previsão (bastante
Pergunta nº
Época
Possível mundaça de caudal
Resposta prevista do indicador
baixa, baixa, média, alta)
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
1
Alta
que o natural
Os níveis das águas são mais altos ou
Zero
2
Época Seca
Alta
mais baixos que o natural
Extende-se por mais tempo que o
Zero
3
Alta
natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
que o natural - i.e. hidrografia torna-se
4
Alta
mais escarpada ou de menor
Transição 1 profundidade
Os caudais são mais ou neos variáveis
Zero
5
Alta
que o natural
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
6
que o natural ­ a sincronização com a
Alta
Época de
chuva poderá ser alterada
inundação
Alterada a proporção natural dos
Caudais maiores e mais prolongados favorecem a erosão ao longo das
7
Alta
diferentes tipos de inundações anuais
margens do canal.
O inicio ocorre mais cedo ou mais tarde
Zero
8
Alta
que o natural
A duração é mais longa ou mais curta
Zero
Transição 2 que o natural ­ i.e. hidrografia torna-se
9
Alta
mais escarpada ou de menor
profundidade



73

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Conclusão
Os aspectos essenciais contidos neste relatório foram quase que inteiramente baseados em
estudos pontuais sobre troços dos rios Cuebe, Cubango e Kuito-Kuanavale, durante as
rápidas visitas de campo realizadas nos sítios Capico, Mucundi e Kuito-Kuanavale. A notória
escassez de dados de base sobre os rios na parte angolana da bacia do Okavango, assim
como a aparente inexistência dos dados de tipo sedimentológico e geomorfológico limitou
grandemente a compreensão de aspectos relativos á dinámica fluvial no interior da bacia.
Também não foram encontradas referências bibliográficas ou documentais que relacionem
as variáveis de tipo geomorfológico com as variáveis do ecosistema no interior do sistema
fluvial, referências essas que teriam melhorado, considerávelmente, a selecção dos
indicadores, e a qualidade e confiança das previsões, mesmo sem ter em conta as
limitações que derivam do facto de não terem sido consideradas a influência que, sobre o
sistema fluvial, exercem os caudais sedimentares e os terrenos adjacentes.


74

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
RELAÇÃO DA CURVA DE RESPOSTA DO CAUDAL PARA USO NA ACA-
SAD (SISTEMA DE APOIO DE TOMADA DE DECISÃO) DO OKAVANGO

Deverá inserir estas curvas de respostas depois de os ter criado durante o
Workshop de Captação de Conhecimentos em Março de 2009. Deixar o presente
espaço em branco por agora.




75

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
REFERÊNCIAS
- Beechie T. J. et al. (2006) "Channel pattern and river-floodplain dynamics in
forested mountain river systems", http://www.sciencedirect.com.
- Chang H.H. (2003), "Minimum stream power and river channel patterns",
www.sciencedirect.com.
- Chitale S.V. (2003), "Theories and relationships of river channel patterns",
www.sciencedirect.com.
-Christofoletti, António "Geomorfologia", 1974, Edgard Blucher Ltda, 2ª edição
reimpressa em 1986.
- Doyle M.W. & Shields Jr. F.D. (2000), "Incorporation of bed texture into a channel
evolution model" http://www.sciencedirect.com
- Harnischmacher S. (2007), "Thresholds in small rivers? Hypotheses developed
from fluvial morphological research in western Germany",
http://www.sciencedirect.com.
- Latubresse, E.M. (2008) "Patterns of anabranching channels: The ultimate end-
member adjustment of mega rivers", Geomorphology, Vol. 101, Issues 1-2, Oct.
2008, Pg. 130-145
- Lisle T. (1979), "A sorting mechanism for a riffle-pool sequence" Geological Society
of America Bulletin, Part 11.v.90, p.1142-1157, 3 figs., July 1979, Doc.nº. M90703.
- Lofthouse C. & Robert A. (2007), "Riffle­pool sequences and meander
morphology", http://www.sciencedirect.com
- Harnischmacher S. (2007), "Thresholds in small rivers? Hypotheses developed
from fluvial morphological research in western Germany",
http://www.sciencedirect.com
- Lisle T. (1979), "A sorting mechanism for a riffle-pool sequence" Geological Society
of America Bulletin, Part 11.v.90, p.1142-1157, 3 figs., July 1979, Doc.nº. M90703.
- Simon A. & Darby S. (1998), "Process-form interactions in unstable sand-bed river
channels: A numerical modeling approach", http://www.sciencedirect.com
- Simon A. & Rinaldi M. (2006), "Disturbance, stream incision, and channel evolution:
The roles of excess transport capacity and boundary materials in controlling channel
response", http://www.sciencedirect.com
-Thompson D.M. (2002), "Geometric adjustment of pools to changes in slope and
discharge: a flume experiment", http://www.sciencedirect.com
- Thompson D.M. & Hoffman K.S. (2001) Equilibrium pool dimensions and sediment-
sorting patterns in coarse-grained, New England channels,
http://www.sciencedirect.com
- Xu Jiongxin, (1996), "Wandering braided river channel pattern developed under
quasi-equilibrium: an example from the Hanjiang River, China;
http://www.sciencedirect.com.
- Xu Jiongxin, (1996), "Channel pattern change downstream from a reservoir: An
example of wandering braided rivers", Geomorphology, Vol. 15, Issue 2, March 1996,
Pages 147-158




76

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
The Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis Technical
Reports

In 1994, the three riparian countries of the
a base of available scientific evidence to guide
Okavango River Basin ­ Angola, Botswana and
future decision making. The study, created
Namibia ­ agreed to plan for collaborative
from inputs from multi-disciplinary teams in
management of the natural resources of the
each country, with specialists in hydrology,
Okavango, forming the Permanent Okavango
hydraulics, channel form, water quality,
River Basin Water Commission (OKACOM). In
vegetation, aquatic invertebrates, fish, birds,
2003, with funding from the Global
river-dependent terrestrial wildlife, resource
Environment Facility, OKACOM launched the
economics and socio-cultural issues, was
Environmental Protection and Sustainable
coordinated and managed by a group of
Management of the Okavango River Basin
specialists from the southern African region in
(EPSMO) Project to coordinate development
2008 and 2009.
and to anticipate and address threats to the

river and the associated communities and
The following specialist technical reports were
environment. Implemented by the United
produced as part of this process and form
Nations Development Program and executed
substantive background content for the
by the United Nations Food and Agriculture
Okavango River Basin Transboundary
Organization, the project produced the
Diagnostic Analysis.
Transboundary Diagnostic Analysis to establish

Final Study

Reports integrating findings from all country and background reports, and covering the entire
Reports
basin.


Aylward, B.
Economic Valuation of Basin Resources: Final Report to
EPSMO Project of the UN Food & Agriculture Organization as
an Input to the Okavango River Basin Transboundary
Diagnostic Analysis



Barnes, J. et al.
Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis:
Socio-Economic Assessment Final Report



King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment Project
C.A.
Initiation Report (Report No: 01/2009)


King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment EFA
C.A.
Process Report (Report No: 02/2009)


King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Guidelines for Data Collection, Analysis and Scenario Creation
(Report No: 03/2009)


Bethune,
S.
Mazvimavi,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
D. and Quintino, M.
Delineation Report (Report No: 04/2009)


Beuster, H.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Hydrology Report: Data And Models(Report No: 05/2009)


Beuster,
H. Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Scenario Report : Hydrology (Report No: 06/2009)


Jones, M.J.
The Groundwater Hydrology of The Okavango Basin (FAO
Internal Report, April 2010)



King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions (Volume 1
of 4)(Report No. 07/2009)



King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions (Volume 2
of 4: Indicator results) (Report No. 07/2009)



King, J.M. and Brown,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
C.A.
Scenario Report: Ecological and Social Predictions: Climate
Change Scenarios (Volume 3 of 4) (Report No. 07/2009)



King, J., Brown, C.A.,
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment
Joubert, A.R. and
Scenario Report: Biophysical Predictions (Volume 4 of 4:
Barnes, J.
Climate Change Indicator Results) (Report No: 07/2009)


King, J., Brown, C.A.
Okavango River Basin Environmental Flow Assessment Project
and Barnes, J.
Final Report (Report No: 08/2009)


Malzbender, D.
Environmental Protection And Sustainable Management Of The
Okavango River Basin (EPSMO): Governance Review



Vanderpost, C. and
Database and GIS design for an expanded Okavango Basin
Dhliwayo, M.
Information System (OBIS)


Veríssimo, Luis
GIS Database for the Environment Protection and Sustainable
Management of the Okavango River Basin Project


Wolski,
P.
Assessment of hydrological effects of climate change in the


77

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia
Okavango Basin




Country Reports
Angola
Andrade e Sousa,
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Biophysical Series
Helder André de
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Sedimentologia &
Geomorfologia



Gomes, Amândio
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Vegetação


Gomes,
Amândio
Análise Técnica, Biofísica e Socio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango: Relatório
Final:Vegetação da Parte Angolana da Bacia Hidrográfica Do
Rio Cubango



Livramento, Filomena
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina:Macroinvertebrados



Miguel, Gabriel Luís
Análise Técnica, Biofísica E Sócio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango:
Subsídio Para o Conhecimento Hidrogeológico
Relatório de Hidrogeologia



Morais, Miguel
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Análise Rio
Cubango (Okavango): Módulo da Avaliação do Caudal
Ambiental: Relatório do Especialista País: Angola Disciplina:
Ictiofauna


Morais,
Miguel
Análise Técnica, Biófisica e Sócio-Económica do Lado
Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango: Relatório
Final: Peixes e Pesca Fluvial da Bacia do Okavango em Angola



Pereira, Maria João
Qualidade da Água, no Lado Angolano da Bacia Hidrográfica
do Rio Cubango


Santos,
Carmen
Ivelize
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Van-Dúnem S. N.
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório de
Especialidade: Angola: Vida Selvagem



Santos, Carmen Ivelize
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Van-Dúnem S.N.
Okavango:Módulo Avaliação do Caudal Ambiental: Relatório de
Especialidade: Angola: Aves


Botswana Bonyongo, M.C.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Wildlife



Hancock, P.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module : Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Birds


Mosepele,
K. Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Fish



Mosepele, B. and
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Dallas, Helen
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Botswana: Discipline: Aquatic Macro Invertebrates


Namibia
Collin Christian &
Okavango River Basin: Transboundary Diagnostic Analysis
Associates CC
Project: Environmental Flow Assessment Module:
Geomorphology



Curtis, B.A.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report Country:
Namibia Discipline: Vegetation



Bethune, S.
Environmental Protection and Sustainable Management of the
Okavango River Basin (EPSMO): Transboundary Diagnostic
Analysis: Basin Ecosystems Report



Nakanwe, S.N.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia: Discipline: Aquatic Macro Invertebrates


Paxton,
M. Okavango River Basin Transboundary Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist
Report:Country:Namibia: Discipline: Birds (Avifauna)



Roberts, K.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia: Discipline: Wildlife


Waal,
B.V. Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module: Specialist Report: Country:
Namibia:Discipline: Fish Life

Country Reports
Angola
Gomes, Joaquim
Análise Técnica dos Aspectos Relacionados com o Potencial
Socioeconomic
Duarte
de Irrigação no Lado Angolano da Bacia Hidrográfica do Rio
Series
Cubango: Relatório Final

Mendelsohn,
.J.
Land use in Kavango: Past, Present and Future


78

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia


Pereira, Maria João
Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia do Rio
Okavango: Módulo do Caudal Ambiental: Relatório do
Especialista: País: Angola: Disciplina: Qualidade da Água



Saraiva, Rute et al.
Diagnóstico Transfronteiriço Bacia do Okavango: Análise
Socioeconómica Angola


Botswana Chimbari, M. and
Okavango River Basin Trans-Boundary Diagnostic Assessment
Magole, Lapologang
(TDA): Botswana Component: Partial Report: Key Public Health
Issues in the Okavango Basin, Botswana


Magole,
Lapologang
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Land Use Planning



Magole, Lapologang
Transboundary Diagnostic Analysis (TDA) of the Botswana p
Portion of the Okavango River Basin: Stakeholder Involvement
in the ODMP and its Relevance to the TDA Process


Masamba,
W.R.
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Output 4: Water Supply and
Sanitation



Masamba,W.R.
Transboundary Diagnostic Analysis of the Botswana Portion of
the Okavango River Basin: Irrigation Development


Mbaiwa.J.E. Transboundary Diagnostic Analysis of the Okavango River
Basin: the Status of Tourism Development in the Okavango
Delta: Botswana



Mbaiwa.J.E. &
Assessing the Impact of Climate Change on Tourism Activities
Mmopelwa, G.
and their Economic Benefits in the Okavango Delta

Mmopelwa,
G.
Okavango River Basin Trans-boundary Diagnostic Assessment:
Botswana Component: Output 5: Socio-Economic Profile



Ngwenya, B.N.
Final Report: A Socio-Economic Profile of River Resources and
HIV and AIDS in the Okavango Basin: Botswana


Vanderpost,
C.
Assessment of Existing Social Services and Projected Growth
in the Context of the Transboundary Diagnostic Analysis of the
Botswana Portion of the Okavango River Basin


Namibia
Barnes, J and
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Wamunyima, D
Environmental Flow Module: Specialist Report:
Country: Namibia: Discipline: Socio-economics



Collin Christian &
Technical Report on Hydro-electric Power Development in the
Associates CC
Namibian Section of the Okavango River Basin


Liebenberg, J.P.
Technical Report on Irrigation Development in the Namibia
Section of the Okavango River Basin



Ortmann, Cynthia L.
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis:
Environmental Flow Module : Specialist Report Country:
Namibia: discipline: Water Quality



Nashipili,
Okavango River Basin Technical Diagnostic Analysis: Specialist
Ndinomwaameni
Report: Country: Namibia: Discipline: Water Supply and
Sanitation


Paxton,
C.
Transboundary Diagnostic Analysis: Specialist Report:
Discipline: Water Quality Requirements For Human Health in
the Okavango River Basin: Country: Namibia





79

EFA Angola Sedimentologia & Geomorfologia



81