



Organização do
Fundo para o
Programa das Nações
Organização dos Estados
Tratado de Cooperação Meio Ambiente
Unidas
Americanos
Amazônica
Mundial
PROJETO GERENCIAMENTO INTEGRADO E SUSTENTÁVEL DOS
RECURSOS HÍDRICOS TRANSFRONTEIRIÇOS NA BACIA DO RIO
AMAZONAS OTCA/GEF/PNUMA/OEA
Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela
Atividade III.1 Preparação da base conceitual e termos de referência para
elaboração e funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimático
Relatório Final
Base conceitual e termos de referência para elaboração e funcionamento do
sistema de prognóstico hidroclimático
Brasília -DF
1
PROJETO GERENCIAMENTO INTEGRADO E SUSTENTÁVEL DOS
RECURSOS HÍDRICOS TRANSFRONTEIRIÇOS NA BACIA DO RIO
AMAZONAS OTCA/GEF/PNUMA/OEA
Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela
Atividade III.1 Preparação da base conceitual e termos de referência para
elaboração e funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimático
Relatório Final
Base conceitual e termos de referência para elaboração e
funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimático
ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZONICA
Secretária Geral
Rosalía Arteaga Serrano
Diretor Executivo
Francisco Jose Ruiz Marmolejo
Coordenação Nacional
Paulo Lopes Varella Neto
Coordenação Internacional
Nelson da Franca Ribeiro dos Anjos
Consultor
Carlos E. M. Tucci
Daniel Allasia
Novembro de 2006
2

Base conceitual e termos de referência para elaboração e
funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimático
RESUMO EXECUTIVO
1.Introdução
A variabilidade climática e a pressão antrópica do desenvolvimento econômico
associado à vulnerabilidade da população são fatores que aumentam o risco da população aos
eventos naturais. A gestão destes riscos atua de forma preventiva através de redução da
vulnerabilidade e das incertezas por meio do prognóstico de tempo, clima e hidrologia.
O projeto GEF AMAZONAS tem por objetivo fortalecer o marco institucional para
planejar e executar, de forma coordenada, as atividades de proteção e gerenciamento
sustentável do solo e dos recursos hídricos na bacia do rio Amazonas (Figura 1), em face dos
potenciais impactos decorrentes das mudanças climáticas na Bacia.
Figura 1. Localização da Bacia do rio Amazonas em América do Sul.
Os objetivos do estudo é a definição da base conceitual e termos de referência para a
elaboração e o funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimatológico para a análise e
caracterização das secas, enchentes e outros impactos que provavelmente poderão se
amplificar devido à variabilidade e modificação climática para e gerenciamento integrado dos
recursos hídricos e que contribuirão para identificar as questões de transfronteriças da bacia
do rio Amazonas.
O rio Amazonas possui a maior bacia hidrográfica do mundo com cerca de 6,1 milhões
de km2, drenando área de 8 países da América do Sul, com vazão média estimada de 209 mil
m3s-1, correspondente a cerca de 1100 mm médio. Esta vazão representa 20% da vazão de
i
água doce afluente ao Oceano. Pode-se observar que 7 países: Bolívia (10%), Colômbia,
Equador, Guiana, Peru (14%), Suriname e Venezuela possuem área na cabeceira da bacia e o
Brasil (68% da área da bacia) representa a maior área de drenagem e o terreno de jusante da
planície de escoamento da bacia.
2. Gestão de Risco
De 1992 a 2001 os países em desenvolvimento tiveram 20% do total do número de
desastres e mais de 50% de todos os desastres com mortes (WWAP, 2005). Existem cerca de
15 pessoas mortas por milhão de habitantes e 25 mil por milhão de habitantes que sofreram
com desastres (período de 1994-2003, segundo ISDR,2005). As perdas econômicas foram de
em media de US$ 66 bilhões por ano entre 1994 e 2003 (ISDR, 2005). Os primeiros 25
países afetados (habitantes mortos ou afetados) são ditos "em desenvolvimento" ou "pouco
desenvolvido" (least developed) na África, Ásia e América. Entre 1985 a 1999 os países
menos desenvolvidos perderam 13.4 % do seu PIB em desastres e os países em
desenvolvimento 4%.
A tendência de aumento nos desastres naturais está relacionada principalmente com o
crescimento da população, a ocupação da área de risco (áreas de inundação e costeira);
crescimento econômico e sua pressão sobre o meio ambiente e a urbanização; variabilidade e
mudança. Nos últimos anos 90% dos desastres naturais têm sido relacionados com as
condições do tempo e o clima. Os fatores citados acima se inter-relacionam e o risco
relacionado com os recursos hídricos é uma das principais desafios para a redução da pobreza
junto com a maior a busca de maior sustentabilidade e redução da vulnerabilidade.
Os riscos de impacto relacionado com a água são principalmente devido aos efeitos da
população e do ambiente natural e antrópico. Estes impactos podem estar relacionados de
acordo com o sistema pelo seguinte:
· Desenvolvimento urbano: abastecimento, esgoto, drenagem e sólidos totais;
· Energia: demanda e produção;
· Navegação;
· Desenvolvimento rural
· Desastres naturais relacionados com a água: inundações, secas, saúde,
escorregamentos, avalanche, fome;
· Meio ambiente: sustentabilidade ambiental, qualidade da água, desmatamento e
fogo, etc.
As fontes dos riscos estão relacionadas principalmente com: a pressão que a sociedade
exerce sobre o ambiente, devido à variação e mudança climática e a vulnerabilidade sócio-
econômica.
As Nações Unidas na Assembléia geral de 22 de Dezembro de 1989 proclamou a
Década Internacional de Desastres Naturais (IDNDR) seguidos pelo estabelecimento de um
Conselho de Alto Nível. O secretariado apresentou os seguintes objetivos "reduzir por meio
de ações internacionais, especialmente em países em desenvolvimento, a perda de vidas,
danos a propriedades e interrupção as atividades sócio-econômicas por desastres naturais,
como terremotos, tsunamis, tempestades de vento, enchentes, escorregamentos, erupções
vulcânicas, fogos, infestações, secas, desertificações e outras calamidades de origem natural."
(Askew, 1999).
Por meio da resolução A/RES/58/214 da Assembléia das Nações Unidas durante a
Conferência Mundial sobre Redução de Desastres, ocorrida em Kobe, Hyogo no Japão de 18
a 22 de Janeiro de 2005 foram identificados os problemas e desafios: governança: estrutura
política, legal; identificação do risco, avaliação, monitoramento e alerta; gerenciamento de
ii
conhecimento e educação; reduzir os fatores de risco; efetiva preparação e resiliência. Na
declaração da conferência foi destacada a redução de desastre no desenvolvimento
sustentável, redução da vulnerabilidade da sociedade, estados da responsabilidade para
proteção da sociedade construir a resistência e participação (UN, 2005).
A gestão de risco de desastres em recursos hídricos é o desenvolvimento de ações para
prevenção, medidas de mitigações para redução dos riscos. ISDR (2005) definiu como o
seguinte "os processos sistemáticos, administrativos, decisores, organizações, operacionais e
habilidades para criar capacidade na sociedade e comunidades para reduzir os impactos dos
desastres naturais e desastres ambientais e tecnológicos relacionados".
As medidas de controle ou de redução de risco podem ser do tipo estrutural e não
estrutural. As medidas estruturais estão relacionadas com a alteração do sistema natural para
suportar os eventos extremos, como diques, barragens, canalização entre outros. As medidas
não-estruturais são as que permitem conviver com o sistema e preparando e mitigar os
eventos através de medidas como seguro, zoneamento, e prognóstico. As medidas estruturais
envolvem maiores custos e de qualquer forma e estão limitados quanto à segurança a um nível
de risco. Portanto, o prognóstico se enquadra dentro das medidas não-estruturais de redução
de risco. No item seguinte são definidos os elementos do prognóstico hidroclimático.
3. Prognóstico Hidroclimático
Os prognósticos são a estimativa das variáveis hidrológicas numa bacia ou em
determinados locais da bacia. O prognóstico ode ser realizado por uma previsão ou predição.
A previsão envolve a estimativa da variável num tempo definido no futuro, enquanto que a
predição é a estimativa da variável para um determinado cenário de risco.
A previsão de vazão é uma das medidas utilizadas no gerenciamento dos recursos
hídricos para minimizar as incertezas do clima. Vários usos da água como abastecimento de
água, irrigação, navegação, hidrelétricas e inundações e conservação ambiental dependem da
quantidade de água disponível nos rios. A condição climática futura é incerta, todos estes usos
foram planejados baseando-se em estatísticas das séries históricas consideradas estacionárias.
Contudo, têm sido observadas mudanças nas tendências de precipitação e temperatura em
diferentes pontos do globo, como conseqüência do aumento da concentração de gases de
efeito e do aquecimento globais mostrados pelos modelos globais de clima de vários centros
mundiais (IPCC, 2001). A principal conseqüência do uso de séries não-estacionárias em
recursos hídricos é o aumento da incerteza dos investimentos. A previsão de vazão pode ser
utilizada para diminuir a incerteza e o risco dos usos da água e da conservação ambiental.
A previsão de vazão pode ser realizada em curto prazo com antecedências de poucas
horas até cerca de 14 dias e em longo prazo com antecedência de até nove meses
(Georgakakos e Krysztofowicz, 2001). Usualmente a previsão de curto prazo é utilizada para
controle de inundações, mas também em outras aplicações como: previsão de níveis (e
calado) para navegação, disponibilidade hídrica para irrigação, abastecimento de água e
operação energética.
A previsão de longo prazo é a previsão realizada com antecedência de 1 a 9 meses. Esta
é uma nova área em desenvolvimento em recursos hídricos, já que, no passado recente, este
tipo de previsão se resumia na utilização de características sazonais das bacias (Villanueva et
al, 1987 e Druce, 2001), mas nos últimos anos, com a melhoria da estimativa dos modelos
climáticos e a identificação de relações entre as condições dos oceanos e as variáveis
hidrológicas (Anderson et al, 2001), a previsão de longo prazo passou a apresentar resultados
promissores com uso seqüencial de modelos climáticos e hidrológicos (Tucci et al, 2003).
iii
A predição envolve o estudo estatístico de tendência das variáveis climáticas e
hidrológicas de vários anos ou os cenários hipotéticos futuros relacionados com o clima, uso
do solo ou outros efeitos antrópicos como a modificação climática devido ao efeito estufa.
4. Prognóstico Climático na Bacia Amazônica
A Bacia Amazônica pelas suas características naturais influencia e sofre influência do
uso do solo e do clima com abrangência nacional, continental e global. A variabilidade e
modificação climática produzem efeitos no comportamento do clima e na hidrologia regional.
Os efeitos de curto e longo prazo podem ser minimizados a partir da previsão de tempo e
hidrológica, enquanto que a predição dos cenários potenciais futuros pode ser estimada com
base na integração da previsão hidroclimática.
Este termo de referência estabelece as bases conceituais e apresenta uma proposta de
funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimatológico para a análise e caracterização
das secas, enchentes e outros impactos que provavelmente poderão se amplificar devido à
variabilidade e modificação climática para e gerenciamento integrado dos recursos hídricos e
que contribuirão para identificar as questões de transfronteriças da bacia do rio Amazonas.
A meta do projeto é o de melhorar a capacidade dos países da bacia do rio Amazonas
para prever os impactos do tempo, a variabilidade e a mudança climática nos sistemas
dependentes dos recursos hídricos.
Para atender este objetivo é necessário melhorar os prognósticos hidroclimáticos por
meio do seguinte:
· Um sistema integrado para o prognóstico meteorológico, climático e hidrológico
na bacia do rio Amazonas. Esta atividade envolve gerar capacidades para atuar
sobre as inundações, secas e outros eventos extremos, mediante o uso
coordenado e funcional dos recursos institucionais existentes na região.
· Estabelecer cenários climáticos, de uso de solo e hidrológicos para fortalecer o
planejamento da Bacia Amazônica, facilitar a gestão sustentável dos recursos
hídricos e contribuir ao planejamento do uso de solo, proteção das áreas úmidas,
entre outros usos.
· Estimativa dos impactos da mudança climática, vulnerabilidades e planos de
adaptação nos sectores e áreas representativas da bacia.
As principais características hidrológicas relacionadas com o prognóstico climático são
as seguintes:
· Nos trechos montanhosos e de cabeceira os eventos são rápidos e ocorrem
simultaneamente com as precipitações com pequenas diferentes entre a sua
ocorrência e elevação dos níveis;
· À medida que as bacias crescem no seu trecho médio o tempo de resposta aumenta,
mas ainda se encontram dentro do período de chuvas, com respostas de variam de 1
a 20 dias;
· No trecho de planície, principalmente dentro do território brasileiro os hidrogramas
de cheias ocorrem já no período seco de chuvas desta região devido ao tempo de
deslocamento das ondas de cheias, mas em ocasiões desfavoráveis este defasamento
pode não ocorrer se a sazonalidade do ano não for marcante.
· Grande parte dos sedimentos que chega a planície é produzido na parte superior da
bacia em função do relevo e de algumas ações antrópicas, enquanto a floresta é
mantida com pouco impacto.
iv
A estrutura metodológica do projeto considerou quatro etapas fundamentais para atuar
sobre os efeitos dos eventos extremos e da variabilidade climática nos recursos hídricos da
bacia do rio Amazonas. Na figura 3.1 é apresentada a estrutura metodológica com os
principais componentes apresentados a seguir, desmembrado em sub-componentes:
A. Informações: Melhorar a qualidade e quantidade dos dados disponíveis na bacia para
permitir a previsão e predição de vazões e outras variáveis climáticas e hidrológicas;
B. Avaliação: Aumento do conhecimento sobre o uso e tipo de solo, comportamento do
tempo e da hidrologia. O melhor entendimento dos processos regionais e as
características dos sistemas são fundamentais para uma melhor previsão e predição.
C. Prognóstico: Implementar e/ou melhorar o prognóstico hidroclimático: previsão e
análise de cenários buscando minimizar os impactos sobre os principais sistemas de
recursos hídricos.
D. Gestão dos Impactos: Estimar vulnerabilidades, oportunidades, medidas
mitigadoras e adaptação para reduzir as vulnerabilidades aos riscos climáticos.
E. Sistema de Gestão: O funcionamento do prognóstico depende de um sistema de
Gestão onde estão presentes as instituições: características, política, atribuições e
organização; seus recursos humanos: pessoal para atuar nas atividades do projeto; e
infra-estrutura: rede de monitoramento, equipamentos de campo e escritório e softwares
(figura 2). A funcionalidade deste sistema é representada na figura 3 tanto para a
previsão como a predição de Cenários, pois se baseia num Centro de Previsão: como a
infra-estrutura de pessoal e equipamentos e software e rede de monitoramento de dados
telemétricos e da rede básica de dados.
Tempo e Clima
Previsão de
Redução da
Atmosféricos
curto prazo
vulnerabilidade -
Alerta
Previsão de
Clima, Solo e
longo prazo
Solo e vegetação
Vegetação
Adaptação e
prevenção:
econômica,
social e
Predição de
Solo e Vegetação
ambiental.
Hidrológicos
cenários
climáticos
Gestão dos
Informações
Avaliação
Prognóstico
Impactos
Sistema de Gestão
Recursos
Infra-estrutura: rede
Instituições: Política e
Humanos &
de monitoramento,
organização
pesquisa:
equipamentos e dados
Figura 2 Estrutura para gestão do Prognóstico Hidroclimático.
v
O sistema de gestão depende das instituições, infra-estrutura e dos recursos humanos.
Para o desenvolvimento da previsão será definida uma instituição por país responsável com as
seguintes atribuições:
· Coordenar a implantação da rede de monitoramento no território do país;
· Coordenar a operação e manutenção da rede de monitoramento no país;
· Implementar um Centro de Prognóstico, utilizando instalações e infra-estrutura
existente e/ou complementada pelo projeto;
· Desenvolver no Centro de Prognóstico a coleta, armazenamento, processamento
e análise dos dados e a previsão de precipitação, vazão e níveis para as bacias de
abrangência do Centro;
· Cooperar com os outros centros da bacia Amazônia na troca de dados, modelos e
resultados na bacia.
As instituições devem desenvolver workshops trimestrais visando trocar experiência e
discutir as previsões para a bacia e programar atividades conjuntas.
A infra-estrutura é composta pelo Centro de Prognóstico e rede monitoramento
(equipamentos e transmissão). Foram previstas atividades para complementar a rede básica e
telemétrica existente e avaliação e definição dos Centros de Prognósticos em cada país. Foram
previstas atividades de capacitação para os recursos humanos dentro de perspectivas de curto
e longo prazo além das missões técnicas de contínua interação entre os grupos dos países,
visando o melhor funcionamento integrado dos Centros de Prognósticos de forma integrada
entre os países com o foco de atendimento regional (país) e transfronteriço.
Para cada um dos componentes das da estrutura do sistema de Prognóstico foram
previstas atividades específicas que levam aos produtos finais de mitigação dos impactos
devido aos eventos naturais e antrópicos na bacia Amazônica.
vi
Rede Telemétrica
Centro de Prognóstico
Sistema de recepção,
processamento e
armazenamento dos
dados.
Modelo para
previsão de níveis
com antecedência
Avaliação da
previsão e predição
Defesa Civil
Programas
Alerta aos sistemas
Alerta a
Preventivos
públicos
população
Remoção da população e
atendimento de emergência
Figura 3 Funcionalidade do sistema de Previsão
vii
Base conceitual e termos de referência para elaboração e
funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimático
Sumário
INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 1
1. DIAGNÓSTICO DE SISTEMAS DE PROGNÓSTICO HIDROCLIMÁTICO
EXISTENTES NOS PAÍSES MEMBROS DA OTCA. ..................................................... 4
1.1 Bolívia ..............................................................................................................................4
1.2 Brasil.................................................................................................................................8
1.2.1 Meteorologia..............................................................................................................8
1.2.2 Hidrologia..................................................................................................................9
1.3 Colômbia ........................................................................................................................12
1.4 Equador...........................................................................................................................15
1.5 Guiana.............................................................................................................................17
1.6 Peru.................................................................................................................................19
1.7 Suriname.........................................................................................................................21
1.8 Venezuela .......................................................................................................................24
1.9 Resumo ...........................................................................................................................25
2. PREVISÃO E GESTÃO DOS RISCOS HIDROCLIMÁTICOS ....................................... 27
2.1 Desastre, Risco e Vulnerabilidade..................................................................................27
2.2 Variabilidade e Mudança Climática ...............................................................................28
2.3 Conseqüências sociais, econômicas e ambientais de desastres hidroclimáticos ............28
2.3.1 Impactos ..................................................................................................................28
2.3.2 Causas dos riscos.........................................................................................................30
2.3.3 Necessidades globais e regionais.............................................................................33
2.4 Gestão de risco ...............................................................................................................34
2.5 Prognóstico hidroclimático.............................................................................................36
2.5.1 Previsão de curto prazo............................................................................................37
Figura 32. Previsão Hidrológica.......................................................................................39
2.5.2 Previsão de Longo Prazo .........................................................................................40
2.5.3 Predição ...................................................................................................................40
2.6 Histórico de desastres hidroclimáticos na bacia Amazônica............................................. 41
3.TERMOS DE REFERENCIA PARA UM SISTEMA DE PROGNÓSTICO
HIDROCLIMÁTICO INTEGRADO ................................................................................ 45
3.1 Introdução.......................................................................................................................45
3.2 Objetivos.........................................................................................................................45
3.3 Características da Bacia Amazônica...............................................................................46
3.6 Sistema de Prognóstico...................................................................................................48
3.6.1 Estrutura geral .........................................................................................................48
3.6.2 Sistema de Gestão....................................................................................................49
3.6.3 Informações .............................................................................................................53
3.6.4 Processos .................................................................................................................54
3.6.5 Prognóstico ..............................................................................................................54
3.6.6 Gestão de Impactos..................................................................................................56
viii
3.7 Cronograma ....................................................................................................................57
3.8 Operacionalização da previsão ......................................................................................57
3.9 Estimativa dos Custos.....................................................................................................62
3.9.1 Rede de Monitoramento .........................................................................................62
3.9.2 Equipe Necessária....................................................................................................63
3.9.3
Infra-Estrutura do Centro de Prognóstico.........................................................64
3.9.4 Custos
das
Atividades.......................................................................................64
4. CONCLUSÕES................................................................................................................... 68
5. RECOMENDAÇÕES.......................................................................................................... 68
6. PRINCIPAIS ATORES....................................................................................................... 69
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SELECIONADAS................................................. 71
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Localização da bacia amazônica em América do Sul. ................................................1
Figura 2. Mapa hidrográfico da Bolívia com a parcela Amazônica identificada em azul. ........5
Figura 3. Rede básica de postos meteorológicos de Bolívia (FONTE: SENAMHI, 2006) .......6
Figura 4. Rede básica de postos fluviométricos de Bolívia (FONTE: SENAMHI, 2006).........6
Figura 5. Rede de estações meteorológicas automáticas (FONTE SENAMHI, 1998, apud
Matos e Crespo (2000) ..........................................................................................................7
Figura 6. Rede de estações fluviométricas automáticas em instalação na bacia Amazônica
(FONTE SENAMHI, 2006)..................................................................................................7
Figura 7. Rede básica de postos meteorológicos na Amazônia Brasileira. Postos
meteorológicos do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e Instituto
Nacional de Meteorologia (INMET) e rede de pluviômetros da Agência Nacional de
Águas (ANA)......................................................................................................................10
Figura 8. Rede telemétrica de postos pluviométricos da Agência Nacional de Águas (ANA)
(ANA, 2006).......................................................................................................................10
Figura 9. Rede básica de postos fluviométricos na Amazônia Brasileira ( ANA, 2006) .........11
Figura 10. Rede telemétrica de registro de níveis e vazão na Amazônia Brasileira da Agência
Nacional de Águas..............................................................................................................12
Figura 11. Rede básica de postos meteorológicos de Colômbia (FONTE: EGMA-UNC, 2006)
............................................................................................................................................13
Figura 12. Rede básica de postos fluviométricos de Colômbia (FONTE: EGMA-UNC, 2006)
............................................................................................................................................13
Figura 13. Rede básica de postos sinóticos com transmissão de dados horários de Colômbia
(SP: postos sinóticos principais; SS Sinóticos secundários) (EGMA-UNC, 2006) ...........14
Figura 14. Rede de estações de monitoramento hidrológico em tempo real (IDEAM, 2006) .14
Figura 15. Grade de precipitação obtida a partir da rede de observações hidrometeorológicas
do dia 12/10/2006. ..............................................................................................................15
Figura 16. Rede básica de postos meteorológicos de Equador (fonte: FAOCLIM 2)..............16
Figura 17. Rede básica de postos sinóticos de Equador (Thompson, 2006) ............................17
Figura 18. Rede básica de estações meteorológicas de Guiana (Rahaman, 2006)...................18
Figura 19. Rede meteorológica telemétrica de Guiana (Rahaman, 2006)................................19
Figura 20. Rede básica de postos pluviométricos no Peru (FONTE: SENAMHI, 2002) ........20
Figura 21. Rede básica de postos fluviométricos no Peru (FONTE: SENAMHI, 2002).........20
Figura 22. Rede básica de postos fluviométricos e de qualidade de água de Suriname
(Nurmohamed et al, 2006a.)...............................................................................................22
Figura 23. Rede básica de pluviométrica com o registro mais extenso (Nurmohamed. R e
Naipal. S. 2006b)................................................................................................................23
ix
Figura 24. Rede de postos meteorológicos com transmissão mínima diária de dados (MDS,
2006)...................................................................................................................................23
Figura 25. Rede de postos em tempo real.................................................................................25
Figura 26. Localização dos postos cadastrados na OMM ........................................................25
Figura 27. Mais de 2.200 de desastres naturais relacionados com a água de menor e maior
ocorreram no mundo entre 1990 e 2002.............................................................................29
Figura 28. Aumento do número de eventos hidrometeorológicos durante o século vinte.
(ISDR,2005). ......................................................................................................................30
Figura 29. Estrutura da Gestão de risco....................................................................................35
Figura 30. Gestão de risco (adaptado de Plate, 2004). .............................................................36
Figura 31. Esquema da previsão hidroclimática.......................................................................38
Figura 32. Previsão Hidrológica...............................................................................................39
Figura 33. Áreas de Inundação na bacia Amazônica (Freitas, 2006). ......................................41
Figura 34. Imagens do desenvolvimento urbano de Manaus ao longo do tempo (Freitas, 2006)
............................................................................................................................................42
Figura 35. Tendência de variabilidade da precipitação no Norte e Sul da Amazônia com base
em índice normalizado (Marengo, 2004). ..........................................................................43
Figura 36. Prognóstico de alteração no clima para duplicação do CO2 com o modelo do
Hardley Center para temperatura e Precipitação. ...............................................................44
Figura 37. Bacia Amazônica (Ribeiro Neto, 2006)..................................................................46
Figura 38. Estrutura para gestão do Prognóstico Hidroclimático.............................................49
Figura 39. Funcionalidade do sistema de Previsão...................................................................50
Figura 40. Fluxo de atividades .................................................................................................58
Figura 41: Ciclo mensal de previsãode longo prazo e tempos de execução.............................59
Figura 42: Ciclo mensal de previsão de curto prazo e tempos de execução. ...........................61
LISTA DE QUADROS
Quadro 1. Estações meteorológicas em Bolívia por Departamento. ..........................................5
Quadro 2. Resumo das informações nos países........................................................................26
Quadro 3. Proporção (%) dos impactos devido às inundações, ondas e tempestades como
comparação do total dos desastres naturais no período 1994-2003 (ISDR, 2005).............30
Quadro 4. Proporção da Área de drenagem e da Vazão de cada sub-bacia (Molinier et al 1995)
............................................................................................................................................47
Quadro 5. Características Hidrológicas de algumas bacias da Amazônia (dados obtidos de
Filizola Jr, 1997).................................................................................................................47
Quadro 6. Custos da Rede, Pessoal e Infra-estrutura ...............................................................63
Quadro 7. Custos das Atividades..............................................................................................65
Quadro 8. Resumo dos custos do projeto .................................................................................68
Quadro 9. Atores ......................................................................................................................69
LISTA DE FOTOS
Foto 1. Urbanização e impermeabilização em Manaus............................................................43
x
SIGLA E ABREVIATURAS
GEF
Fundo para o Meio Ambiente Mundial
ISP Estratégia
Interamericana
para
a Promoção da Participação Pública na
Tomada de Decisões sobre Desenvolvimento Sustentado
OEA
Organização dos Estados Americanos
ONG
Organização Não Governamental
OTCA
Organização do Tratado de Cooperação Amazônica
PEP
Plano de Envolvimento Público
PNUMA
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
IPH
Instituto de Pesquisas Hidráulicas
SENAMHI Servicio Nacional de Meteorología e Hidrologia
AASANA
Administração de de Aeroportos de Bolivia
LBA
Experimento de Larga Escala na Biosfera e Atmosfera da Bacia
Amazônica
OMM
Organização Meteorológica Mundial
MBAR
Modelo Brasileiro de Alta Resolução
BRAMS
Brazilian Regional Atmosferic Model
INMET Instituto
Nacional
de Meteorologia- Brasil
CCMAD
Centro de Computação Meteorológica de Alto Desempenho - Brasil
CPTEC
Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE) - Brasil
ANA
Agência Nacional de Águas - Brasil
DECEA
Departamento de Controle do Espaço Aéreo - Brasil
IDEAM
Instituto de Hidrologia, Meteorologia y Estudios Ambientales - Colômbia
FAO
Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação.
INAMHI
Instituto Nacional de Meteorología e Hidrologia
PHI Programa
Hidrológico
Internacional
INRENA
Instituto Nacional de Recursos Naturais - Perú
EDELCA
Empresa de Energia de Venezuela
CENAPH
Centro Nacional de Alerta y Pronósticos Hidrometeorológico - Venezuela
INAMEH
Instituto Nacional de Meteorologia e Hidrologia
xi
INTRODUÇÃO
Na bacia Amazônica (Figura 1) existem várias ações isoladas através de entidades de
pesquisa, de governo e privadas que buscam desenvolver conhecimento e ações para a
sustentabilidade dentro dos países. Estas ações estão fragmentadas e usam pouco da sinergia
potencial.
O estabelecimento de ação conjunta em toda a bacia do rio Amazonas que guie o
processo de desenvolvimento com caráter sócio-educativo e participativo é necessário para
dar sustentabilidade social e ambiental.
A criação e o funcionamento da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação
Amazônica) é um meio conseqüente para fortalecer, coordenar e apoiar as ações dos países
amazônicos e comunidade em geral na direção do gerenciamento integrado dos recursos
hídricos transfronteiriços por eles compartilhados.
Figura 1. Localização da bacia amazônica em América do Sul.
1
GEF Amazonas
A Secretaria Permanente da OTCA é a agência responsável pela consecução dos
objetivos do Tratado solicitou apoio financeiro junto ao Fundo para o Meio Ambiente
Mundial GEF visando a formulação de um projeto de fortalecimento do marco institucional
para planejar e executar atividades de proteção e gerenciamento sustentável dos recursos
hídricos na bacia do rio Amazonas. As atividades planejadas incluem a identificação e
implementação de ações e programas para proteger e conservar a água do rio e seus
ecossistemas associados.
A proposta delineada é resultado das prioridades e necessidades da bacia apontadas
pelos países amazônicos em diversos foros realizados no âmbito do Tratado de Cooperação
Amazônico. Os oito países participantes destacaram conjuntamente a necessidade de se
estabelecer um marco de ação comum na bacia do rio Amazonas de forma a: lidar
cooperativamente com os principais problemas ambientais que atingem a bacia e afetam os
países. As atividades planejadas incluem a identificação e implementação de ações e
programas para proteger e conservar a água do rio e seus ecossistemas associados; o
gerenciamento integrado e participativo para que oportunidades e alternativas para futuras
gerações sejam garantidas.
O projeto GEF AMAZONAS tem por objetivo fortalecer o marco institucional para
planejar e executar, de forma coordenada, as atividades de proteção e gerenciamento
sustentável do solo e dos recursos hídricos na bacia do rio Amazonas, em face dos potenciais
impactos decorrentes das mudanças climáticas na Bacia. O Projeto visa a sustentabilidade,
preservação e conservação dos ecossistemas, contemplando o gerenciamento integrado dos
recursos hídricos transfronteiriços e as mudanças climáticas.
Objetivos do projeto
A Bacia Amazônica pelas suas características naturais influencia e sofre influência do
uso do solo e do clima com abrangência nacional, continental e global. A variabilidade e
modificação climática produzem efeitos no comportamento do clima e na hidrologia regional.
Os efeitos de curto e longo prazo podem ser minimizados a partir da previsão de tempo e
hidrológica, enquanto que a predição dos cenários potenciais futuros pode ser estimada com
base na integração da previsão hidroclimática.
Os objetivos do estudo é a definição da base conceitual e termos de referência para a
elaboração e o funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimatológico para a análise e
caracterização das secas, enchentes e outros impactos que provavelmente poderão se
amplificar devido à variabilidade e modificação climática para e gerenciamento integrado dos
recursos hídricos e que contribuirão para identificar as questões de transfronteriças da bacia
do rio Amazonas.
Resumo dos capítulos que seguem
No capítulo seguinte é apresentado um diagnóstico sobre as ações existentes nos países
da bacia sobre a gestão prognóstico climático, iniciando por uma descrição breve das
principais características da bacia.
No capítulo 2 é apresentada uma visão sobre os principais aspectos sobre o prognóstico
climático, considerando o estado da arte, experiências e ocorrências na Amazônia. A ênfase
deste capítulo se baseia na identificação dos elementos de base para o desenvolvimento do
termo de referência quanto ao conhecimento adquirido.
2
O capítulo 3 trata do termo de referência propriamente dito, onde são definidos os
elementos para a construção de um sistema de prognóstico para a bacia, fundamentando as
linhas principais e os projetos.
Os capítulos 4 e 5 tratam das conclusões e recomendações sobre o assunto, delineando
uma síntese dos resultados do projeto e sua integração com o futuro desta atividade. Os
capítulos 6, 7 e 8 complementam as informações do estudo, ou seja, atores, referências e
anexos.
3
1. DIAGNÓSTICO DE SISTEMAS DE PROGNÓSTICO
HIDROCLIMÁTICO EXISTENTES NOS PAÍSES MEMBROS DA
OTCA.
O prognóstico hidroclimático depende de dados meteorológicos e hidrológicos,
geralmente disponíveis em entidades diferentes nos países. Na apresentação dos países a
seguir serão descritos os seguintes aspectos principais: entidades responsáveis pela coleta e
processamento dos dados metorológicos/climáticos e hidrológicos. As principais
características destas informações quanto a rede, localização e qualidade, segundo o relatório
das informações obtidas.
1.1 Bolívia
Na Bolívia (Figura 2) a coleta de dados hidroclimáticos e a previsão de climática e
hidrológica são responsabilidade do Servicio Nacional de Meteorología e Hidrologia
(SENAMHI). O SENAMHI foi criado em 1968 e atualmente pertence ao Ministério de
Desarrollo Sostenible y Planificación sendo a sua função primordial a de legislar, administrar
e centralizar as atividades hidrometeorológicas do país. Também é tarefa do SENAMHI, a
instalação e administração da rede de medição hidrológica e hidrometeorológica da Bolívia,
coordenando esta tarefa com a Força Aérea Boliviana, a AASANA (Administración de
Aeroportos) e a Dirección Nacional de Hidrografía Naval, que são instituições que também
contam com dados hidrometeorológicos.
Das 855 estações meteorológicas existentes no país (Figura 3), 496 se encontram
localizadas na bacia amazônica, 142 nas bacias endorréicas e 217 na bacia do rio da Prata
(Matos e Crespo, 2000). Dentro da bacia amazônica, a bacia do rio Beni tem a maior densidade
de estações meteorológicas, com uma média de 10 estações a cada 10.000 km2. Já a rede
hidrométrica de Bolívia, conta atualmente com um total de 75 estaciones em funcionamento
(Figura 4) nos 9 departamentos (SENAMHI, 2006).
De acordo com Carrasco Gallardo (2006), a rede hidrometeorológica da Bolívia não
cobre o território com a densidade adequada para os padrões da Organização Meteorológica
Mundial, e, os aparelhos instalados, muitas vezes não cumprem com as condições adequadas
de manutenção e operação. Em particular, foi observada a existência de diversos postos
hidrológicos que contam com régua para medição de níveis, mas não com medições de vazão,
ou com poucas medidas para elaborar uma curva chave confiável. O SENAHMI possui
muitas restrições orçamentárias para atender as demandas do mercado de forma satisfatória,
precisando de um fortalecimento institucional para atender os serviços hidro-meteorológicos
(Carrasco Gallardo,2006).
A rede hidrometeorológica em tempo real de Bolívia, também possui uma densidade de
muito baixa (Figura 5). No entanto, nos últimos tempos, graças ao apoio de instituições
internacionais, e, principalmente, das relacionadas com o projeto Large-Scale Experiment in
the Biosphere and Atmosphere of the Amazon Basin (LBA) houve melhora na rede de coleta
de dados e da capacidade de simulação atmosférica. Estão sendo instaladas na Bolívia.
Atualmente estão sendo instaladas 14 estações hidrométricas automáticas com transmissão de
dados em tempo real mediante satélite. Na bacia Amazônica, as estações estão sendo
instaladas em: Ponte Gumucio sobre o rio Chapare, Puerto Villarroel sobre o rio Ichilo, Sena
sobre o rio Madre de Dios, Guanay sobre o río Mapiri, Puente Sapecho sobre o rio Alto Beni,
Aranjuez sobre o rio Choqueyapu, Abapó sobre o rio Grande e Puente Arce sobre o rio
Grande (SENAMHI, 2006) (Figura 6).
4
Figura 2. Mapa hidrográfico da Bolívia com a parcela Amazônica identificada em azul.
Quadro 1. Estações meteorológicas em Bolívia por Departamento.
Departamento
Tipo de estação
Total
SP
SO
CP
CO
TP
PVG
PVM
Pando
1
2
2
5
Beni
8
1
3
2
4
18
Santa Cruz
9
11
11
15
64
110
Cochabamba 1
8 35 8
106
158
Chuquisaca
2
5
7
12
75
101
La Paz
1
3
1
13
48
19
146
231
Oruro
1
2
11
7
11
32
Potosí
1
3
5
13
5
76
103
Tarija
2
1
2
10
9
73
97
TOTAL
2 25 7 47 140 79 555 855
SP, Sinótica principal TP, Termopluviométrica
SO, Sinótica ordinaria PVG, Pluviográfica
CP, Climatológica principal PVM, Pluviométrica
CO, Climatológica ordinária
Fonte: SENAMHI, 1998, apud Matos e Crespo (2000)
5


Figura 3. Rede básica de postos meteorológicos de Bolívia (FONTE: SENAMHI, 2006)
Figura 4. Rede básica de postos fluviométricos de Bolívia (FONTE: SENAMHI, 2006)
6


Figura 5. Rede de estações meteorológicas automáticas (FONTE SENAMHI, 1998, apud
Matos e Crespo (2000)
Figura 6. Rede de estações fluviométricas automáticas em instalação na bacia
Amazônica (FONTE SENAMHI, 2006)
7
Embora Bolívia não conste com um modelo de previsão atmosférica operacional no
território, são realizadas previsões atmosféricas a partir dos resultados de modelos instalados
em outros países. Em particular, se destaca a utilização do Modelo BRAMS (Tripoli e Cotton,
1982; Mahrer e Pielke 1977) que é operacionalizado nos laboratórios MASTER do IAG -
USP com uma grade especialmente localizada sobre a Bolívia.Também são relizadas
previsões de longo prazo através de modelos estocásticos, principalmente nas áreas do Lago
Popó, de grande importância estratégica e econômica para a Bolívia, já que nos últimos anos
sofreu uma grande seca que praticamente fez o Lago desaparecer.
Na área hidrológica, se destaca a análise da dinâmica dos glaciares localizados nos
Andes Tropicais desenvolvida em conjunto com o Institut de Recherche pour le
Développement "IRD" da França.
1.2 Brasil
1.2.1 Meteorologia
O Brasil é o país com maior área na bacia Amazônica (60%) e com a melhor
organização para previsão meteorológica e hidrológica. A previsão meteorológica operacional
é realizada com diversos modelos numéricos (Modelo Brasileiro de Alta Resolução MBAR,
desenvolvido pela Deutscher Wetterdienst (DWD) que é o Serviço Meteorológico Alemão;
ETA, Brazilian Regional Atmosferic Model BRAMS, desenvolvido originalmente na
Universidade do Colorado nos Estados Unidos e no Brasil por várias universidades e Centros
de Pesquisa liderados pelo Instituto de Astrofísica da Universidade de São Paulo; Modelo
ETA desenvolvido originalmente pelo Serviço Meteorológico Americano e atualmente pelo
CPTEC/INPE; Modelo de Mesoescala 5 MM5, desenvolvido pelo serviço meteorológico
europeu ECMWF, etc.) e, por consenso, em dois organismos nacionais e diversos órgãos
regionais.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) é órgão pertencente ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), responsável pela meteorologia no Brasil,
representando o país junto à Organização Meteorológica Mundial (OMM), entidade das
Nações Unidas para meteorologia e hidrologia. Sua sede, no Brasil, está localizada em
Brasília - DF. O Instituto conta com avançada tecnologia de recepção de imagens de satélites.
Sofisticados supercomputadores compondo o Centro de Computação Meteorológica de Alto
Desempenho (CCMAD) que opera o Modelo Brasileiro de alta Resolução (MBAR), modelo
de previsão numérica do tempo com a mais alta resolução para a América Latina. O INMET
possui um Sistema de Gestão da Qualidade, ferramenta que padroniza atividades fins, através
de 14 procedimentos documentados, com a preocupação de formalizar padrões baseados na
Norma NBR ISO 9001-2000 para melhor atender os usuários dos serviços meteorológicos. O
sistema de Gestão da Qualidade do INMET foi reconhecido através da certificação em 1999
sendo recertificado em 2002. O INEMET desenvolve a coleta, e fornecimento de dados,
produtos e serviços meteorológicos na forma multi-planta, ou seja, esse padrão estabelecido
se estende pelos 10 Distritos Regionais e suas 400 estações meteorológicas de superfície
distribuídas pelo País.
O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE) é o outro organismo nacional dedicado no Brasil às previsões
meteorológicas, com foco principal no desenvolvimento científico e tecnológico. O INPE é
um Centro ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. O CPTEC possui
supercomputadores SX-3/12R e SX-4/8A fabricados pela NEC Corporation do Japão, e que
são, provavelmente dos mais rápidos da América do Sul. Estes computadores possuem
capacidade de processar até 3,2 bilhões e 16 bilhões de operações aritméticas em ponto
8
flutuantes por segundo, respectivamente. Isso significa permite o uso de modelos numéricos
para simulação de tempo e clima, integrando informações atmosféricas e oceânicas. O
resultado disso são previsões de tempo confiáveis, para todo o país. O sistema de computação
é alimentado por informações derivadas dos satélites Meteosat e Goes, da rede de dados da
Organização Meteorológica Mundial (OMM) e das redes nacionais sob a responsabilidade do
INMET (Ministério da Agricultura). Outras informações vêm do DEPV (Ministério da
Aeronáutica), DHN (Ministério da Marinha), centros estaduais de meteorologia e de outros
centros internacionais. O satélite brasileiro (SCD-1), que coleta dados ambientais, também
desempenha papel importante no levantamento de informações necessárias à pesquisa
meteorológica no INPE.
Os centros regionais de previsão de tempo e clima se agrupam em torno dos cursos de
meteorologia. Estes centros se dedicam a fazer previsões em modelos de Mesoscala,
acoplados aos modelos do CPTEC e outros centros mundiais. No Brasil existem seis cursos
de formação de meteorologistas de nível superior na Universidade Federal do Pará (UFPA),
Universidade Federal da Paraíba (UFPB) (Campos de Campina Grande), Universidade
Federal de Alagoas (UFAL), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade
de São Paulo (USP) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Existe também o curso de
Formação de Especialistas em Meteorologia, na Aeronáutica, para operarem na área de
Proteção ao Vôo. E ainda devem ser considerados os grupos de meteorologia de rio Grande
(Grupo de Estudos em Previsão Regional Atmosférica GEPRA) e o CIRAN/EPAGRI
(Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia - CIRAM/Epagri)
do Estado de Santa Catarina.
Todos os centros mencionados realizam previsões operacionais para América latina e
locais específicos do Brasil. Destaca-se dentre estes centros, o laboratório de Meteorologia
Aplicada a Sistemas Regionais (MASTER - http://www.master.iag.usp.br/) que, em conjunto
com outras instituições, além da previsão operacional, realiza a previsão por um super-
ensamble, ou seja, trabalha estatisticamente as saídas de mais de 30 modelos diferentes para
produzir a previsão mais provável.
Os principais órgãos operacionais de meteorologia do Brasil que mantêm uma rede de
observação em nível nacional são: O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; o Departamento de Controle do Espaço
Aéreo (DECEA) do Comando da Aeronáutica e a Diretoria de Hidrografia e Navegação
(DHN) do Comando da Marinha, ambos do Ministério da Defesa, além do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais do Ministério da Ciência e Tecnologia (INPE) (INMET, 2006). A
localização dos postos da rede básica pode ser observada na Figura 7, e os postos telemétricos
de precipitação na Figura 8.
1.2.2 Hidrologia
A coleta e disseminação dos dados hidrológicos no Brasil são de responsabilidade da
Agência Nacional de Água - ANA. Existem também entidades estaduais com rede para coleta
de dados que atuam em cooperação com a ANA. Esta instituição é uma autarquia sob regime
especial, com autonomias administrativas e financeiras, vinculadas ao Ministério do Meio
Ambiente. A ANA tem com finalidade de implementar, em sua esfera de atribuições, a
Política Nacional de Recursos Hídricos, integrando o Sistema Nacional de Gerenciamento de
Recursos Hídricos, no qual está o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. A ANA
não possui previsão constitucional; sendo assim, sua delegação vem indicada pela lei que a
instituiu e sua função normativa não pode ser maior do que a exercida por outro órgão, de
forma que não pode regular matéria que não está prevista em lei. A ANA, nesse sentido, pode
9
regular a própria atividade da agência, conceituar, interpretar, explicitar conceitos jurídicos
indeterminados contidos em lei, sem inovar a ordem jurídica.
Figura 7. Rede básica de postos meteorológicos na Amazônia Brasileira. Postos
meteorológicos do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e rede de pluviômetros da
Agência Nacional de Águas (ANA).
Figura 8. Rede telemétrica de postos pluviométricos da Agência Nacional de Águas
(ANA) (ANA, 2006).
10

A rede de postos meteorológicos existente na bacia Amazônica pode ser observada na
Figura 7, onde se observam os postos da rede básica. No entanto, embora existam muitos
postos na região, devido à disponibilidade temporal dos mesmos, as disponibilidades de
informações que fazem parte da rede telemétrica é bem menor. A rede de postos
fluviométricos existente na bacia Amazônica pode ser observada na Figura 9, onde se
observam os postos da rede básica e, na Figura 10 os que fazem parte da rede telemétrica.
Todas as informações podem ser obtidas no site da ANA www.ana.gov.br dentro do banco de
dados denominado HIDROWEB.
Figura 9. Rede básica de postos fluviométricos na Amazônia Brasileira ( ANA, 2006)
Na bacia Amazônica a previsão realizada não está ligada ao sistema telemétrico, mas é
realizada em alguns locais com base em informações da rede básica devido a grande
antecedência.
O aspecto institucional importante da gestão brasileira é a disponibilidade de recursos
financeiros para monitoramento hidrológico previsto na legislação. Este dispositivo foi
estabelecido na década de 90 e se baseia em recursos cobrados a título de "royalds" ou
compensação financeira dos reservatórios de energia no Brasil. Do valor arrecadado da
energia no Brasil 6,75% é destinado a compensação por inundação das áreas pelos
reservatórios de energia. Deste total 2,67 % devem ser utilizados para monitoramento
hidrológico. Este valor varia de ano para ano, mas pode representar da ordem de US$ 10
milhões /ano.
11
Figura 10. Rede telemétrica de registro de níveis e vazão na Amazônia Brasileira da
Agência Nacional de Águas.
1.3 Colômbia
O organismo encarregado das questões hidrometeorológicas e ambientais em Colômbia
é o Instituto de Hidrologia, Meteorologia y Estudios Ambientales (IDEAM), cujas funções
são de gerar conhecimento e produzir e fornecer dados e informação para dar subsídios para
os tomadores de decisão ambientais (IDEAM, 2006). Na Colômbia existe uma rede básica
com 1463 estações com dados de precipitação de nível diário a decadal e 529 estações
climatológicas de diferentes categorias (Figura 11). O maior registro mensal de precipitação
corresponde à estação do Observatório Astronômico Nacional, em Bogotá, com dados desde
1901.
Também existem 834 estações hidrológicas (389 linimétricas e 445 linigráficas). No
entanto, esta rede se localiza principalmente na vertente do Pacífico (Magdalena-Cauca),
possuindo escassas cobertura espacial e temporal na bacia amazônica (Figura 12). O maior
registro hidrológico data de 1934 (MALOKA, 2006). Na Figura 13 pode ser observada a
distribuição espacial dos postos climatológicos telemétricos, que transmitem informações em
tempo real a cada hora nos padrões da OMM. A rede para alerta de enchentes possui mais de
40 estações hidrológicas (Figura 14). Esta rede se localiza quase que exclusivamente na bacia
do Magdalena-Cauca, existindo muita pouca informação na bacia amazônica.
Com a colaboração do governo Suiço, Colômbia através do IDEAM adquiriu 235
estações hidroclimatológicas e ambientais com transmissão por satélite e 355 registradores
automáticos de níveis (RAN) que permitirão modernizar e colocar a rede hidrometeorológica
de Colômbia com uma das melhores densidades de postos da América do Sul.
Na Colômbia a mais de 10 anos são utilizados modelos numéricos para realizar o a
previsão (Figura 15). São utilizadas, para as previsões operacionais, os resultados do modelo
global GFS do Centro Meteorológico de Washington, e outros modelos de centros
operacionais de outros países, com os quais é realizada uma previsão consensuada de até 72
horas. Recentemente foi operacionalizado o modelo de Mesoscala MM5-NCAR da
Universidade de Pennsylvania..Também é realizada em Colômbia a previsão de incêndio
12


florestais em colaboração entre o IDEAM e o Ministério de Meioambiente a partir da análise
hidroclimatológica auxiliada com imagens GOES (MINAMBIENTE, 2006).
Figura 11. Rede básica de postos meteorológicos de Colômbia (FONTE: EGMA-UNC,
2006)
Figura 12. Rede básica de postos fluviométricos de Colômbia (FONTE: EGMA-UNC,
2006)
13


Figura 13. Rede básica de postos sinóticos com transmissão de dados horários de
Colômbia (SP: postos sinóticos principais; SS Sinóticos secundários) (EGMA-UNC,
2006)
Figura 14. Rede de estações de monitoramento hidrológico em tempo real (IDEAM,
2006)
14
0,0 mm
0,1 a 1,0 mm
5,1 a 10,0 mm
1,1 a 5,0 mm
20,1 a 40,0 mm
40,1 a 60,0 mm
> de 60,1 mm
10,1 a 20,0 mm
Figura 15. Grade de precipitação obtida a partir da rede de observações
hidrometeorológicas do dia 12/10/2006.
Para previsão hidrológica, existem diversos estudos no IDEAM que analisam o uso de
metodologias estocásticas (Dominguez, 2001; Dominguez, 2002) para gerar as previsões
quantitativas.
1.4 Equador
O Instituto Nacional de Meteorología e Hidrologia (INAMHI) é o organismo
equatoriano com a missão de prover informação e produtos hidrometeorológicos. O INAMHI
mantém a base de dados hidrológicos para o país. A função básica do INAMHI é coletar,
15

registrar e manter a informação. Relatórios de informação similares a das publicações do
USGS (United Status Geologic Service) são publicados anualmente e resumos da informação
são publicados periodicamente. Já o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) é o
organismo encarregado da gestão integrada dos recursos hídricos. O CNRH é o encarregado
do estabelecimento das políticas, normas, planes e diretrizes para a gestão das águas, assim
como a coordenação dos diferentes organismos operativos a nível nacional.
A rede de observações meteorológica padrão no Equador consiste em 246 estações
meteorológicas, 13 agrometeorológicas, 65 climatológicas ordinárias, 34 climatológicas
primárias, 6 pluviográficas e 128 pluviométricas (Figura 16). Já a rede hidrológica possui 41
limnigráficas, 80 limnimétricas e 19 automáticas. No entanto, uma avaliação do próprio
INAMHI (INAMHI, 2006) estabeleceu que das estações fluviométricas 96 possuem uma
curva chave considerada como boa. Estas estações são mantidas por diferentes agências, mas
INAMHI é responsável pode armazenar toda a informação.
Figura 16. Rede básica de postos meteorológicos de Equador (fonte: FAOCLIM 2)
Da mesma forma que os outros países andinos, a rede está voltada para o Pacífico,
existindo poucos postos hidrometeorológicos na Amazônia, com o agravante que a qualidade
das informações existentes é relativamente baixa, devido, principalmente à dificuldade para o
aceso aos locais de medição (US Corps of Engineer, 1998).
O Departamento de Sinóptica é responsável por receber toda a informação em tempo
real das redes de informação da rede superficial do INAMHI (18 estações sinóticas) via fonia;
dos aeroportos (35 estações via satélite) e de 48 estações automáticas que estão sendo
instaladas com capacidade de transmissão or satélite (Figura 17).. Este setor também recebe as
16

imagens dos diferentes satélites de observação (GOES, NOAA, etc) . (Garcia e Palacios,
2004).
Figura 17. Rede básica de postos sinóticos de Equador (Thompson, 2006)
O INAMHI realiza previsões meteorológicas utilizando os dados do modelo global
AVN, que posteriormente alimentam o modelo MM5 versão 3.5, não hidrostático, com
malhas que vão de 36 km para América do Sul, 12 km para o Equador e de 4 km nos
principais centros urbanos do Equador. Com os resultados do modelo, informação recolhida
da rede hidrometeorológica em tempo real e informações de satélite é realizada a previsão por
consenso.
A previsão hidrológica é realizada pelo INAMHI através de modelos estatísticos do tipo
de Regressão Múltipla, modelos estocásticos (AR, ARIMA, etc), e modelos determinísticos
(EMILE, EMILE-PRESA, WATBAL, WMS e REDES NEURAIS). Os modelos
determinísticos utilizados são do tipo concentrado. No entanto, a maioria das previsões
indicadas na bacia amazônica corresponde à previsão realizada com base na análise da
persistência.
O INAMHI se encontra em um processo de fortes investimentos na sua estrutura, com a
finalidade de melhorar os serviços prestados e a qualidade das informações disponíveis. A
previsão do próprio INAMHI é a de modernizar a estrutura e serviços em um prazo de 10
anos.
1.5 Guiana
Na Guiana os serviços climáticos, meteorológicos e hidrológicos são responsabilidade
do Departamento de Hidrometeorología, que depende do Ministério da Agricultura. O chefe
do departamento é denominado de Oficial Chefe Hidrometeorológico (Chief
Hydrometeorological Officer), quem é supervisado pelo Secretário Permanente do Ministério
17

de Agricultura. As atividades do Departamento se centram no clima e recursos hídricos
(superficiais e subterrâneos), previsões de curto prazo (incluindo informação aeronáutica) e
agrometeorologia.
As funções do Departamento são (Rahaman, 2006): a) monitorar a atmosfera e os
recursos hídricos em Guiana e sua zona econômica exclusiva; b) coletar, processar, arquivar e
tornar público dados e informação sobre clima, tempo, recursos hídricos e oceanografia; c)
coordenar as atividades hidrometeorológicas do Governo de Guiana; d) estabelecer e manter
as redes climáticas, sinóticas e de monitoramento dos recursos hídricos de Guiana; e) fornecer
rotineiramente diversas agências nacionais e internacionais (Ex, Agência do Meio Ambiente
dos Estados Unidos EPA) com informações várias; f) promover o desenvolvimento
econômico e social sustentável; g) promover a pesquisa e monitoramento sistemático de
acordo com os convênios assinados pelo governo de Guiana; h) promover consciência pública
sobre o estado da atmosfera e recursos hídricos e a importância desses recursos para o
desenvolvimento sócio-econômico de Guiana.
De acordo com a sua estrutura e pessoal, o Departamento tem capacidade para
(Rahaman, 2006): a) prover aos Ministérios de Agricultura, Casa dos Cultivos e Gado e Água,
a Defesa Civil e Aviadores com informações de tempo e clima; b) Manter, aumentar e prover
informação da rede hidrometeorológica existente, assim como a base de dados associada; c)
Coordenar os programas internacional relacionados com a Organização Meteorológica
Mundial, Programa Hidrológico Internacional, Nações Unidas, etc.
Na Guiana existe uma rede de 122 estações meteorológicas, divididas em 107
pluviométricas, 7 climatológicas e 9 sinóticas (Figura 18). A rede telemétrica se compõe das 9
estações sinóticas e outras 20 estações que transmitem dados diariamente por rádio, más cuja
recepção depende da existência de bom tempo (Figura 19). Em Guiana existem 15 postos
fluviométricos, mas, nenhum deles, na bacia Amazônica (Rahaman, 2006).
Figura 18. Rede básica de estações meteorológicas de Guiana (Rahaman, 2006).
18

Figura 19. Rede meteorológica telemétrica de Guiana (Rahaman, 2006).
De acordo com FAO (2001) e PHI (2006) é necessário suporte institucional para
complementar a rede hidrometeorológica existente, e, especialmente para adquirir
equipamentos para o pessoal de campo que coleta regularmente a informação e a transmite
aos escritórios centrais. Ainda, de acordo com (FAO, 2001) existe uma tendência das
diversas instituições envolvidas no clima e recursos hídricos de colaborar com informação,
em vez de dados, mas a um determinado custo. No entanto, não está definido que iria arcar
com os custos e quem pagariam pelos mesmos assim como onde esta informação seria
armazenada.
Segundo Rahaman (2006), não existem modelos de previsão quantitativa usados
localmente, no entanto, são utilizados as previsões de curto e médio prazo do IRI e do
Instituto do Caribe para Meteorologia e Hidrologia.
1.6 Peru
Neste país, a instituição de ciência e tecnologia coordena as atividade meteorológicas,
hidrológicas, agrometeorologias e ambientais pelo Serviço Nacional de Meteorologia e
Hidrologia (SENAMHI). O SENAMHI trabalha em colaboração com o Instituto Nacional de
Recursos Naturais - INRENA como que é o organismo encarregado de promover as ações
necessárias para o aproveitamento sustentável dos recursos naturais e a conservação da
diversidade biológica natural (INRENA, 2006).
O Peru consta com uma rede de estações meteorológicas (Figura 20) e hidrológicas
(Figura 21) de aproximadamente 150 estações distribuídas ao longo de todo o território
(SENAMHI-Perú, 2006), embora, a maioria das estações se localizam nas bacias do lago
Titicaca e a vertente do Pacífico.
19


Figura 20. Rede básica de postos pluviométricos no Peru (FONTE: SENAMHI, 2002)
Figura 21. Rede básica de postos fluviométricos no Peru (FONTE: SENAMHI, 2002)
20
A previsão meteorológica operacional é realizada com o modelo global CCM3 e os
modelos regionais ETA e RAMS.
Modelo CCM3: É um modelo global acoplado oceano-atmosfera-continente. Foi
desenvolvido pelo Nacional Center for Atmospheric Research (NCAR) dos Estados Unidos.
O modelo funciona no SENAMHI desde 2000 para previsões de longo prazo, em especial
focado para previsão de eventos El Niño. Na atualidade o modelo é rodado com uma
resolução horizontal de 2.8° (T42) e inicializado com as temperaturas superficiais do mar
observadas e prognosticadas no National Center for Environmental Prediction (NCEP). Com
este modelo em conjunto com o RAMS se realiza uma previsão por ensemble.
Modelo ETA/SENAMHI: Este modelo regional que funciona no SENAMHI desde julho de
2003, fornecendo previsões com até 72 horas de antecedência. O modelo roda uma vez por
dia com resolução vertical de 38 níveis e dois resoluções horizontais 25 Km, sobre o Peru, e,
48 Km sobre América do Sul. Utilizam-se os resultados dos modelos globais AVN (NCEP) e
dados obtidos da rede World Area Forecast System (WAFS) como condições iniciais e de
fronteira. Uma outra versão do modelo ETA é rodada diariamente em forma não operacional
para testar modificações no modelo.
Modelo RAMS: Este modelo tem sido utilizado para modelagens de alta resolução em
pequenas áreas com muito bons resultados. Para as simulações se utilizam condições iniciais e
de fronteira do modelo AVN, CCM3 e dados observados na rede hidrometeorológica Peruana.
As previsões hidrometeorológicas operacionais são realizadas diariamente no
SENAMHI com o modelo Sacramento HFS-SENAMHI alimentado pelas previsões do ETA.
Com este modelo chuva-vazão é realizada a previsão de vazões médias diárias com três dias
de antecedência, indicando ainda um intervalo de confiança da previsão para este período.
Já o modelo HEC-RAS (Hydrologic Engineering Corps Center of the USA) é utilizado
acoplado ao anterior modelo Sacramento HFS para avaliar a extensão do alagamento nas
planícies de rios.
Modelo Sacramento EHF: Com este modelo hidrológico que começou a funcionar a finais
de 2000 são realizados prognósticos de longo prazo de vazões (120 dias). Para a previsão se
utiliza o modelo com uma metodologia de ensambles para introduzir a incerteza nas
previsões.
No Peru, devido a sua importância estratégica, a previsão de vazões se focaliza nas
bacias afluentes ao oceano Pacífico, em particular para as bacias do Piura e Chillón, que são
rios densamente populados e com enchentes que tiveram conseqüências desastrosas no
passado. No entanto, existe capacidade suficiente nesta instituição para a aplicação das
metodologias de previsão na região amazônica.
1.7 Suriname
O Serviço de Meteorologia de Suriname é o organismo responsável pela previsão do
tempo e gerenciamento da coleta, manutenção e distribuição dos dados meteorológicos em
Suriname. Este organismo é parte do ministério de obras públicas deste país. Já a Divisão de
Pesquisas Hidráulicas do ministério d Obras Públicas é o organismo encarregado da
investigação, pesquisa e gestão do uso dos recursos hídricos nesse País. A Divisão de
Pesquisas Hidráulicas também é a principal agência do país que da manutenção a rede de
dados hidrológicos, assim como na coleta, armazenamento e publicação dos dados
hidrológicos (Us Corps of Engineers, 2001)
De acordo com o US Corps of Engineers (2001), atualmente entre 5 to 10 estações
hidrológicas estão em operação (Figura 22) A maioria das estações deixou de funcionar
durante a guerra civil (1986-1992) e não voltou a funcionar depois. Os dados mais recentes
21
chegam até o final da década de 1970's e alguns até 1986. Os dados meteorológicos tiveram
sorte similar. Na Figura 23 são apresentados os postos meteorológicos de Suriname que de
acordo com Nurmohamed e Naipal (2006) contam com as melhores séries. Existe atualmente
uma pequena rede de transmissão de dados de precipitação com periodicidade mínima diária
(Figura 24), e pelo menos 3 postos meteorológicos instalados nos principais aeroportos,
fornecem mensagens com periodicidade mínima a cada 3 horas para aviação.
Atualmente a rede hidrometeorológica de Suriname está sendo atualizada através de um
convênio denominado Research on Atmospheric Dynamics and Chemistry in Suriname
(RADChiS) entre o Serviço meteorológico de Suriname e o Institute for Marine and
Atmospheric Research in Utrecht (IMAU) e o Max Planck Institute in Mainz (MPI-Mainz).
Figura 22. Rede básica de postos fluviométricos e de qualidade de água de Suriname
(Nurmohamed et al, 2006a.)
22

Figura 23. Rede básica de pluviométrica com o registro mais extenso (Nurmohamed. R e
Naipal. S. 2006b)
Figura 24. Rede de postos meteorológicos com transmissão mínima diária de dados
(MDS, 2006)
23
1.8 Venezuela
O organismo responsável pela previsão meteorológica em Venezuela é o Servicio de
Meteorología de la Aviación que, como seu nome indica, é subordinado as forças armadas.
Este serviço teve a cargo de diferentes organismos com dificuldades operacionais para o
intercâmbio de informações. Na atualidade, existem ações concretas do Ministério de Meio
Ambiente, juntamente com a Empresa de Energia de Venezuela (EDELCA), as forças
Armadas e Universidades para modernizar as redes hidrometeorológicas do país e organizar a
estrutura organizacional. Fruto deste esforço recentemente foi criado o Centro Nacional de
Alerta y Pronósticos Hidrometeorológicos (CENAPH), e está em fase de aprovação a Lei que
regulamenta os serviços de Hidrologia e Meteorología criando o INAMEH, subordinado ao
Ministério do Ambiente.
Atualmente a responsabilidade do gerenciamento, gestão redes e informações e previsão
hidrometeorológicas estão sendo centralizadas gradativamente no Instituto Nacional de
Meteorologia e Hidrologia (INAMEH). O INAMEH surgiu a partir do programa
VENEHMET desenvolvido em conjunto organismos mais importantes de Venezuela
relacionados a recursos hídricos e meteorologia: Ministerio del Ambiente y los Recursos
Naturales (Organismo executor), Fuerza Aérea Venezolana (FAV), Electrificación del Caroní
(CVG-EDELCA), Armada de Venezuela, Instituto Nacional de Investigaciones Agrícolas
(INIA), la Universidad Central de Venezuela (UCV), la Universidad de los Andes por meio
do CIDIAT y la Comisión Nacional de Meteorologia e Hidrologia (CNMeH).
Esta integração responde às necessidades já analisadas pela Corporación Andina de
Fomento (CAF, 2000), que indicou que a falta de interligação das informações gerava
incerteza no conhecimento dos processos hidrológicos e impede que se obtenham dados em
tempo real. O mesmo relatório (CAF, 2000) acrescenta que não se dispõe em Venezuela de
modelos hidrológicos para realizar previsões de curto e médio prazo, nem pessoal e
equipamentos necessário para a análise e interpretação das já poucas informações existentes.
Junto com a implementação no INAMEH, o governo Venezuelano se encontra
implementando diversas medidas. Uma das primeiras medidas consiste na instalação de um
sistema de 651 estações hidrometeorológicas com transmissão em tempo real, 8 radares
meteorológicos Doppler e diversas estações nos aeroportos. As estações se encontram na fase
final da licitação e, sobre os radares, se indica em CENAPM (2006) que 3 se encontram
operativos, 2 em fase pré-operativa, 2 em processo de instalação e 1 por instalar (CENAPM,
2006). O sistema atual de estações meteorológicas em tempo real se encontra na Figura 25.
Para implementar um sistema de previsões hidroclimáticas, em forma paralela a
incorporação das estações mencionadas, se está instalando um sistema de ordenadores de
grande capacidade, necessários para a implementação de um sistema de previsão
meteorológico próprio. A finalização desta tarefa é prevista para o 4to. Trimestre de 2006. Já
o sistema meteorológico denominado de provisional, com a finalidade da vigilância
ambiental, monitoramento das condições hidrometeorológicas no país e emissão de boletins,
avisos e alertas está prevista para o 1er. Trimestre de 2007 (CENAPM, 2006).
Em particular, na área amazônica, a Venezuela intenciona fechar com o Brasil a criação
de um núcleo de desenvolvimento do que se tornará, em breve, o seu Sipam (Sistema de
Proteção da Amazônia). O modelo seguido é fiel ao já existente no Brasil e inclui ainda a
composição de um banco de dados ambientais, além do intercâmbio na navegação aérea. A
denominação escolhida foi Sistema de Proteção da Orinoquia e da Amazônia Venezuelana
(Siporav).
24


Figura 25. Rede de postos em tempo real.
1.9 Resumo
Os países, por meio das instituições representantes junto a OMM transferem os dados
de uma rede mínima de acesso internacional com dados periódicos transmitidos
telemetricamente (aproximadamente a cada hora). Esta rede é utilizada para alimentar os
modelos meteorológicos internacionais (Ex. nos centros de previsões Europeus e Americanos)
e como ajuda na navegação (Figura 26).
Figura 26. Localização dos postos cadastrados na OMM
25
No Quadro 1 é apresentado um resumo das informações dos países, mostrando que a rede
telemétrica existente é limitada na cabeceira da bacia e mesmo na parte da planície no Brasil.
Quadro 2. Resumo das informações nos países
País Entidades2
Postos
Meteorologia
Hidrologia
Meteorologia Hidrologia
Rede
básica
telemétricas
Rede
Tele.
básica
Servicio Nacional de
Servicio Nacional de
855 27
sinóticas
75
14
Meteorologia e Hidrologia
Meteorologia e Hidrologia
+ 14*
(SENAMHI)
(SENAMHI)
hidromet.
Bolívia
O Instituto Nacional de
Agência Nacional de
632
110
531
108
Meteorologia (INMET)/
Águas(ANA)
Pluviométricos Pluviométri
***
Centro de Previsão de
da ANA, 99 do cos da
Tempo e Estudos Climáticos
Dep. De
ANA+46
do Instituto Nacional de
Aviação Civil
sinóticas
Brasil*
Pesquisas Espaciais (INPE)
Instituto de Hidrologia,
Instituto de Hidrologia,
1463
235 834
355
Meteorología y Estudios
Meteorología y Estudios
pluviométricas
Ambientales (IDEAM),
Ambientales (IDEAM),
e 529
climatológicas
Colômbia
Instituto Nacional de
Instituto Nacional de
246 estações
18 estações
121
19
Meteorologia e Hidrologia
Meteorologia e Hidrologia
meteorológicas sinóticas; 35
(INAMHI)
(INAMHI)
, 13 agromet.,
estações no
65 climatol.
aerop. e 48
ordinárias, 34
várias
climatol.
primárias, 6
pluviográficas
Equador
e 128 pluviom.
Departamento de
Departamento de
107 pluviom.,
29 15*** S/D
na
Hidrometeorología, que
Hidrometeorología, que
7 climat. e 9
depende do Ministério da
depende do Ministério da
sinóticas
Guia
Agricultura
Agricultura
Servicio Nacional de
Servicio Nacional de
150 38****
21 S/D
Meteorología e Hidrología
Meteorologia e Hidrologia
(SENAMHI)
(SENAMHI)/Instituto
Nacional de Recursos
Peru
Naturales - INRENA
Serviço de Meteorologia de
Divisão de Pesquisas
5-10
24
20 S/D
na
Suriname
Hidráulicas do ministério de
meteorológico
pluviométric
Obras Públicas
s e 24
os
Suri me
pluviométricos
Instituto Nacional de
Instituto Nacional de
651****
651 estações S/D S/D
Meteorológia e Hidrologia
Meteorológia e Hidrologia
estações
hidrometeor
(INAMEH)-vide detalhe no
(INAMEH) - vide detalhe no
hidrometeorol
ológicas
item
item
ógicas com
com
transmissão
transmissão
em tempo real, em tempo
8 radares
real, 8
meteorológico
radares
u
ela
s dopler e 12
meteorológi
aeroportos
cos dopler e
12
Venez
aeroportos
OMM
98
1
*
em implantação
****
Dados na rede da OMM
**
A OMM recebe as informações dos países, portanto são
Rede somente destinada a bacia amazônica
1
postos citados pelos países.
***
Nenhum posto na bacia Amazônica
S/D
Não foi possivel obter os dados nos tempos do relatório
26
2. PREVISÃO E GESTÃO DOS RISCOS HIDROCLIMÁTICOS
Inicialmente são apresentados as terminologias e conceitos utilizados neste texto e
dentro do contexto de gestão de risco dos desastres naturais, com ênfase naqueles
relacionados com a água. A seguir são destacados os impactos e conseqüências dos desastres
naturais, os princípios da gestão de risco e do prognóstico climático, concluindo com uma
avaliação das características dos eventos da Amazônia.
2.1 Desastre, Risco e Vulnerabilidade
Desastre (disaster) "é uma situação ou evento que supera a capacidade local exigindo
suporte nacional ou internacional para assistência. É um evento rápido que produz grande
dano e destruição humana" (ISDR, 2005).
Acidente (Hazard) tem sido definido como "um evento ameaçador, de probabilidade de
ocorrer num período numa área com potencial efeito destruidor" (DHA,1992). Os desastres
naturais relacionados com recursos hídricos (Water Related Natural Disaster) é o evento no
qual a água é a potencial causa ou sofre conseqüência do desastre e os efeitos são devido a
eventos naturais.
Vulnerabilidade "é o nível de perda (em % do total) resultante de um fenômeno
destruidor potencial" (DHA,1992) e Risco são as perdas potenciais de vidas, pessoas afetadas,
prejuízos econômicos devido a um acidente ou desastre num evento. Dentro deste conceito
risco é estimado de acordo com o seguinte (DHA,1994):
Risco (R) = Acidente (H) x Vulnerabilidade (V) (1)
Esta definição não considera os efeitos sobre o meio ambiente, apenas sobre as
condições humanas. Na literatura hidrológica, risco é tratado em termos probabilísticos da
chance de ocorrência do evento. O importante em cada caso ter claro o que se deseja obter,
independente da sua notação.
Os conceitos acima estão relacionados com o efeito de um evento e existem outros
conceitos relacionados com a capacidade de resistir aos desastres por parte da população e o
ambiente. Resiliência é a habilidade que as pessoas e o ambiente possuem em recuperar o
estado prévio ao evento. Capacidade é a combinação de forças e recursos disponíveis dentro
da comunidade, organizações, famílias que podem reduzir o nível de risco ou o efeito do
desastre (ISDR,2005). A equação 1 pode ser atualizada considerando a capacidade
(ISDR,2005).
Vunerabili
Risco = Acidente x
dade (2)
Capacidade
As equações 1 e 2 podem ser utilizadas dentro de diferentes perspectivas. A primeira é
usada para avaliar o impacto e a segunda considerando além do impacto a capacidade de
recuperação. Este conceito não considera apenas o prejuízo do evento, mas inclui a
capacidade de resiliência.
Incerteza é a diferença entre as estatísticas da população e da amostra, representado por
erros na coleta, definições do modelo estatístico, entre outros. A incerteza é representada
27
pelos erros em determinar o risco de um evento. Por exemplo, os erros de coleta de dados,
representatividade da amostra, falhas de funcionamento de um sistema e erros do modelo em
simular o sistema.
Desastres naturais podem ser classificados em grandes grupos como apresentou OEA
(1990): (a) Atmosférico: furacões, tornados, tempestades tropicais, entre outros; (b)
Hidrológicos: inundações costeiras, desertificação, salinização, seca, erosão e sedimentação,
inundações ribeirinhas, ondas de maré devido a tempestades; (c) Sísmicas: ruptura de falhas,
terremoto, liquefação, Tsunamis, Seiches; (d) Vulcânicas: cinzas, gases, larva, cheias de lama,
projeteis, etc; (e) outros geológicos/hidrológicos: avalanches, escorregamentos, queda de
rochas, escorregamento submarino, etc; (f) queimadas.
ISDR (2005) organizou os dados dos desastres naturais em três categorias:
· Desastres hidrometeorológicos: cheias, secas e desastres relacionados;
· Geofísicos: terremotos, tsunamis e erupções vulcânica;
· Biológicos: epidemias e infestações por insetos.
2.2 Variabilidade e Mudança Climática
IPCC (2001) define Modificação Climática (Climate Change) como as mudanças de
clima no tempo devido a variabilidade natural e/ou resultado das atividades humanas (ações
antrópicas). Já outros autores ou grupos como Framework Convention on Climate Change
adota para o mesmo termo a definição de mudanças associadas direta ou indiretamente a
atividade humana que alterem a variabilidade climática natural observada num determinado
período.
Estas definições refletem a dificuldade existente de separar o efeito das atividades
humanas sobre a variabilidade climática natural. Neste texto adota-se a seguinte terminologia
para efeito de análise:
Variabilidade climática: terminologia utilizada para as variações de clima em função dos
condicionantes naturais do globo terrestre e suas interações;
Modificação climática: são as alterações da variabilidade climática devido as atividades
humanas.
2.3 Conseqüências sociais, econômicas e ambientais de desastres hidroclimáticos
2.3.1 Impactos
De 1992 a 2001 os países em desenvolvimento tiveram 20% do total do número de
desastres e mais de 50% de todos os desastres com mortes (WWAP, 2005). Existem cerca de
15 pessoas mortas por milhão de habitantes e 25 mil por milhão de habitantes que sofreram
com desastres (período de 1994-2003, segundo ISDR,2005). As perdas econômicas foram de
em media de US$ 66 bilhões por ano entre 1994 e 2003 (ISDR, 2005). Os primeiros 25
países afetados (habitantes mortos ou afetados) são ditos "em desenvolvimento" ou "pouco
desenvolvido" (least developed) na África, Ásia e América. Entre 1985 e 1999 os países
menos desenvolvidos perderam 13.4 % do seu PIB em desastres e os países em
desenvolvimento 4%.
A tendência de aumento nos desastres naturais está relacionada principalmente com o
crescimento da população, a ocupação da área de risco (áreas de inundação e costeira);
crescimento econômico e sua pressão sobre o meio ambiente e a urbanização; variabilidade e
mudança. Nos últimos anos 90% dos desastres naturais têm sido relacionados com as
28


condições do tempo e o clima. Os fatores citados acima se interrelacionam e o risco
relacionado com os recursos hídricos é um dos principais desafios para a redução da pobreza
junto com a maior a busca de maior sustentabilidade e redução da vulnerabilidade.
Os riscos de impacto relacionado com a água são principalmente devido aos efeitos da
população e do ambiente natural e antrópico. Estes impactos podem estar relacionados de
acordo com o sistema pelo seguinte:
· Desenvolvimento urbano: abastecimento, esgoto, drenagem e sólidos totais;
· Energia: demanda e produção;
· Navegação;
· Developmento rural
· Desastres naturais relacionados com a água: inundações, secas, saúde,
escorregamentos, avalanche, fome;
· Meio ambiente: sustentabilidade ambiental, qualidade da água, desmatamento e
fogo, etc.
WWAP (2005) sintetizou a distribuição dos impactos devido a desastres naturais (Figura
27), onde 50% dos eventos entre 1990 e 2001 são devido a inundações e nas Américas e
África ocorreram 49% of 2,200 desastres no período. Algumas das estatísticas dos impactos
são (WWAP,2005):
Distribuição dos impactos entre, 1990-
Distribuição por região do mundo 1990-2001
2001
Figura 27. Mais de 2.200 de desastres naturais relacionados com a água de menor e
maior ocorreram no mundo entre 1990 e 2002
[fonte]: retirado do sumário excecutivo do World Water Development report. CRED (Centre for Research on the
Epidemiology of Disasters). 2002. OFDA/CRED International Disaster Database. Brussels, Université
Catholique de Louvain (WWAP,2005)
· Inundações representam 15% de todas as mortes relacionadas com desastres
naturais;
· Cerca de 66 milhões de pessoas sofrem de prejuízos de inundações entre 1973 e
1997;
29
· Entre 1987 e 1997, 44% de todas as inundações matou 228,000 pessoas (cerca de
93% do total de mortes no mundod). As perdas econômicas para a região
totalizou US$136 bilhões.
ISDR (2005) apresentou os impactos devido a inundações, ondas e tempestades como
uma proporção dos outros desastres naturais dentro da classificação dos tipos de país (Quadro
3). Pode-se observar que as inundações têm um importante impacto nos países em
desenvolvimento e pouco desenvolvidos devido a maior vulnerabilidade aos desastres. Figura
28 apresenta a evolução do número de eventos com impactos ao longo do século vinte. Deve-
se considerar que a população aumentou, ocupando áreas de risco e tornando-se mais
vulnerável.
Quadro 3. Proporção (%) dos impactos devido às inundações, ondas e tempestades como
comparação do total dos desastres naturais no período 1994-2003 (ISDR,
2005).
Tipo de países1
mortes Afetados
Perdas
econômicas
OECD 10
50
38
CEE+CIS 17
51 79
Países em desenvolvimento
56
70
73
Países pouco desenvolvidos
21
50
97
1.OECD Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento e países desenvolvidos
membros; CEE+CIS Países da Europa Central e Leste + Paises independentes da Commonwealth.
2500
t
s
a
i
s 2000
l
d
r
a
1500
t
u
na
f 1000
r
o
e
b
500
num
0
1900
1920
1940
1960
1980
2000
years
Figura 28. Aumento do número de eventos hidrometeorológicos durante o século vinte.
(ISDR,2005).
2.3.2 Causas dos riscos
Gerenciamento dos recursos hídricos, como e setores como hidroelétricas,
abastecimento de água e saneamento, irrigação, navegação e gerenciamento de inundações e
conservação ambiental são dependentes da água dos rios, demanda da população e das
condições ambientais. Como o clima no futuro é incerto, todos estas infra-estruturas tem sido
30
planejadas com base em séries hidrológicas estacionárias1. Contudo, existem muitas
incertezas relacionadas com o clima, uso do solo e meio ambiente que juntos produzem
interações que podem tornar as séries não estacionárias2, aumentando as incertezas e os riscos
de falha dos usos dos recursos hídricos.
Algumas das incertezas estão relacionadas com os seguintes aspectos:
· As alterações tem sido identificadas em um grande número de series
hidrológicas no mundo e os possíveis efeitos da mudança climática sobre os
sistemas hídricos (IPCC, 2001);
· O uso do solo tem sido uma das principais preocupações relacionadas com o
impacto ambiental com conseqüências sobre os sistemas hídricos como o
desmatamento, urbanização, alterações em práticas agrícolas, entre outros.
· Demanda da água e poluição: aumento da população, irrigação, degradação da
qualidade da água devido a fontes pontuais e difusas e redução da
disponibilidade de água segura para a população, animais, produção industrial e
meio ambiente.
· O desenvolvimento urbano está aumento as áreas impermeáveis, ocupação da
área de risco com aumento e amplificação dos desastres.
O aumento dos impactos sociais e econômicos e ambientais devido aos desastres exigem
o desenvolvimento de conhecimento e ações para prevenção e mitigação para diminuir este
impacto e o aumento da sustentabilidade do homem e do ambiente. A gestão de risco é
considerada um importante aspecto na agenda internacional na medida que a redução da
pobreza e os impactos sobre os países pobres faz parte das Metas do Milenium (WWF,2005).
As fontes dos riscos estão relacionadas principalmente com: a pressão que a sociedade
exerce sobre o ambiente, devido à variação e mudança climática e a vulnerabilidade sócio-
econômica.
A pressão que a sociedade exerce sobre o ambiente
Este é o cenário em que a água e meio ambiente estão em perigo e o impactp é sobre os
recursos. De alguma forma o impacto irá refletir sobre o homem, já que o dano sobre os
sistemas naturais. Como poluição, alterações físicas dos rios e do uso do solo terão reflexos na
qualidade de vida.
O desenvolvimento econômico e social tende a gerar pressão nos recursos naturais.
Particularmente onde o controle das atividades é deficiente e na combinação compexas de
efeitos integrados. O primeiro ocorre mais freqüentemente em países pobres e, em
desenvolvimento, quando a necessidade de crescer e melhorar a renda ocorre em detrimento
do meio ambiente. Em longo prazo isto terá um preço, reduzindo a qualidade de vida, mas as
decisores são tomadas com visão de curto prazo. O segundo é muito mais um problema de
sociedade sofisticada onde uma grande número de novos produtos (especialmente
bioquímicos) continuam sendo gerados sem uma avaliação suficiente de seus impactos e
interações no ambiente e com potencial de ameaçar o conjunto da sustentabilidade.
Impactos da variação do clima e sobre a sociedade
1 Série estacionária é uma série no qual a sua estatística se mantém ao longo do tempo, ou seja, a vazão média,
desvio padrão, entre outras estatísticas e sua sazonalidade não variam.
2 Não-estacionária: uma série pode se tornar estacionária devido à variabilidade ou modificação climática,
alterações do uso do solo ou modificações hidráulicas nos rios.
31
Na medida que a demanda pelos recursos hídricos aumenta com a sofitiscação da
sociedade juntamente com a necessidade de sustentabilidade, variações climáticas podem
proporcionar condições críticas de curto, médio e longo prazo. A principal questão é como as
variações do clima afetam o ambiente, que de outro lado impacta o desenvolvimento
esconômico e social?
Partes das incertezas estão relacionadas ao desconhecido futuro impacto devido a
tendência climática e modificação climática A variabilidade climática tem sido um fator
principal a longo termo ma sustentabilidade do homem na terra/ São conhecidas na história p
movimento de população durante períodos de falta de água (Diamond, 1997). Por exemplo:
· No Brasil a produção de energia elétrica é de 93 % baseada em hidrelétricas. Nos
últimos 30 anos a vazão media do rio Paraná aumentou da ordem de 30%, criando um
novo nível de energia firme (Tucci and Clarke, 1998). Esta variação ocorreu
principalmente devido a variabilidade climática e, portanto pode diminuir no futuro,
crando vulnerabilidade ao sistema de energia na medida que o setor incorporou este
benefício.
· A sequência de anos ruins (em precipitação) para agricultura sem irrigaçãoof pode ser
suficiente para criar um importate stress na região, que tem sido o caso de vários
páises da Àfrica depois de 1970.
· Segundo IPCC (2001) é provável que aumente a freqüência de eventos extremos
durante o século 21 como resultado da mudança climática, aumentando a
vulnerabilidade de cidades quanto a inundações e secas.
Vulnerabilidades econômicas e sociais
Estas vulnerabilidades dependem das condições conômicas, políticas, e institucionais
das socidaes. Países desenvolvidos geralmente possuem mais fundos e instituições sólidas
para prevenção, reduzindo a vulnerabilidade aos desastres da população. A vulnerabilidade
aumenta com a pobreza, falta de fundos, limitadas políticas e instituições sólidas que possam
atuar de forma preventiva.
As principais vulnerabilidades relacionadas aos aspectos sócios econômicos são:
· Pobreza está relacionada com a falta de sustentabilidade econômica no tempo,
agravada pela: ocupação em areas de risco, falta de acesso a água limpa e
adequada disposição dos dejetos
· Fracos arranjos institucionais: em grande parte dos países em desenvolvimento
as institutições são fracas e as decisores resultam em corrupção, investimentos
ruins, falta de prevenção e mitigação dos desastres;
· Falta de gestão integrada que considere todos os componenetes e incertezas
junto a percepção de risco. Falta de integração pode ser observada em (Rees,
2002): transferencia de impactos no tempo e espaço; inequidades na alocação
dos investimentos. Usualmente o pobre recebe menos proteção que outros;
gerenciamento segmentado usualve leva a uma solução específica que pode
conflitar com outras;
· Decisão a nível politico: Usualmente o custom de prevenção é muito cpequeno
se comparado aos cenários de desastres, mas existem muitas decisores de curto
prazo de que os eventos de baixa freqüência não ocorrerão durante seu mandato;
· Percepção pública x profissional do risco: (Margolis, 1996): Frequentemente a
percepção de risco entre profissionais e o público estão em conflito o que gera
dificuldades na tomada de decisão;
32
2.3.3 Necessidades globais e regionais
Os principais aspectos a nível globral e regional sobre a gestãi de risco são analisados,
considerando a agenda global, regional e local onde a governance, base de informação,
capacitação e supporte econômico financeiro e e humano são estratégicos.
Global: International agenda
As preocupações sobre meio ambiente aumentaram depois de 1970 em países
desenvolvidos. Em 1980, com o acidente de Chernobyl a sociedade entendeu quanto os
fatores climáticos locais podem influenciar a nível regional e mesmo global pela atmosfera,
resultando numa época de pressões mundiais sobre o efeito do clima adevido as atividades
humanas. A década de 90 foi marcada pelas definições sobre o desenvolvimento sustentável,
conceito básico para as ações nas décadas seguintes quanto ao meio ambiente. Nesta década a
preocupação sobre água está na agenda intenracional juntamente com a busca de atingir as
metas do milênio das Nações Unidas para as próximas décadas. Um dos principais objetivos
da redução da pobreza que está fortemtente relacionado com a vulnerabilidade dos desastres
naturais. Nos planos de Implementação do World Summit on Sustainable Development
(WSSD), em Johanesburg em 2002, foi destacado "... a mitigação dos efeitos das secas e
cheias por meio de medidas e uso deinformações de clima e tempo e previsão, alerta, gestão
do solo e recursos naturais, práticas agrícolas e consdervação dos ecosistemas para revereter a
tendência e minimizar a gradação do solo e recursos naturais."
Em Kyoto, durante a IIIo World Water Conference houveram várias sessões sobre
impactos das cheias e gestão de risco e no México na IVo WWC (Março de 2006) gestão de
risco é um dos principais temas em discussão.
As Nações Unidas na Assembléia geral de 22 de Dezembro de 1989 proclamou a
Década International de Desastres Naturais (IDNDR) seguido pelo estabelecimento de um
Conselho de Alto Nível. O secretariado apresentou os seguintes objetivos "reduzir por meio
de ações internacionais, especialmente em países em desenvolvimento, a perda de vidas,
danos a propriedades e interrupção as atividades sócio-econômicas por desastres naturais,
como terremotos, tsunamis, tempestades de vento, enchentes, escorregamentos, erupções
vulcânicas, fogos, infestações, secas, desertificações e outras clamidades de origem natural."
(Askew, 1999).
Em 1994 a Conferência em Redução de Desastres Naturais em Yokohama marcou o
meio da década e destacou os principais conceitos sobre gestão de risco considerando a
prevenção de desastre, alerta, redução e mitigação da vulnerabilidade.
Por meio da resolução A/RES/58/214 da Assembléia das Nações Unidas durante a
Conferência Munidal sobre Redução de Desastres, ocorrida em Kobe, Hyogo no Japão de 18
a 22 de Janeiro de 2005 foram identificados os problemas e desafios: governança: estrutura
política, legal; identificação do risco, avaliação, monitoramento e alerta; gerenciamento de
conhecimento e educação; reduzir os fatores de risco; efetiva preparação e resiliência. Na
declaração da conferência foi destacada a redução de desastre no desenvolvimento
sustentável, redução da vulnerabilidade da sociedade, estados da responsabilidade para
proteção da sociedade construir a resistência e participação (UN, 2005).
WSSD propos a implementação dos Planos de Água nos países para a implementação da
Gestão Integrada dos Recursos Hídricos para atingir os objetivos do Milenium (MDG). Os
Planos de Água possuem ainda uma definição muito ampla e tem sido entendido com um
conjunto de princípios sobre recursos hídricos que o país deveria desenvolver para atender od
MDG. Nesta perspectiva é importante que o desenvolvimento dos Planos de Água a gestão de
risco seja um componente dos planos.
33
América do Sul
Na América do Sul a precepção e gestão do risco está fortemente relacionado a
vulnerabilidade dos naturais eventos. Alguns dos principais riscos relacionado com desastres
naturais são:
· Ao longo da Costa do Pacífico e Andes os principais desastres estão relacionados
a: terremotos, ondas de cheias, avalanche, cheia de lama, escorregamento and
cheia rápida;
· Cheias ao longo da maioria dos rios com importante impactos nos rios da bacia
do Prata: Paraná, Uruguai e Paraguai devido a grandes cheias e o uso do solo;
· Secas nas grandes areas da região como: Nordeste do Brasil, leste do rio Paraná
e Paraguai e algumas áreas costeiras do Pacífico;
· Cheias na drenagem urbana na maioria das cidades da região em conseqüência
da falta de planejamento urbano e governança.
Algumas das principais necessidades a nível regional estão relacionadas com o seguinte:
· Falta de governance: em muios países não esxiste política relacionada com a
gestão de risco para desastres naturais e as instituições são fracas em recursos
humanos, estrutura, fundos, estre outros. Algumas das políticas e estratégias são
desenvolvidas logo após um grande evento ou uma seqüência de eventos e a
capacidade de atuar sobre os desastres ao longo do tempo é pequena.
· Identificação do risco: Existe um monitoramento muito pobre das variáveis e,
conseqüência uma previsão deficiente ou inexistente. Isto varia de país para país
· Conhecimento e capacitação: Com baixa governança, falta de informação e
prevenção, não existe incentive para desenvolvimento de conhecimento e
aumentar a capacitação;
· Preparação e resiliência: A maioria da população que ocupa as areas de riscos
sãopobres com alta vulnerabilidade e sem resiliência. Após cada evento a
população espera recursos a fundo perdido para sua recuperação. Existe um
incentivo ruim neste processo, pois existe a tendência de se desprezar o processo
preventivo.
2.4 Gestão de risco
Como destacado no item anterior, os principais desafios relacionados com a gestão dos
riscos são resultado (a) da pressão da sociedade no meio ambiente (ações antrópicas); (b) o
impacto da variabilidade e mudança climática sobre a sociedade e meio ambiente; e (c)
Vulnerabilidades sociais e econômicas.
A gestão de risco de desastres em recursos hídricos é o desenvolvimento de ações para
prevenção, medidas de mitigações para reduçao dos riscos. ISDR (2005) definiu como o
seguinte "o processo sistemático, administrativo, decisores, organizações, operacional e
habilidades para crier capacidade na sociedade e comunidades para reduzir os impactos dos
desastres naturais e desastres ambientais e tecnológicos relacionados".
A redução de risco pode ser planejada através de medidas estruturais e não-estruturais.
Medidas Estruturais pode ser planejada através de obras que evitam impactos. Medidas não-
estruturais não alteram a chance de ocorrência do evento para a população, mas reduz sua
vulnerabilidade através de medias preventivas como alerta, seguros, mitigação de efeitos e
medidas institucionais.
34
Rees (2002) menciona quarto razões para que a gestão de risco seja desenvolvida além
do conhecimento ciêntífico e tecnológico:
"Risco, em termos humanos, existe apenas quando humanos possuem algo em jogo".
Jarger et al (2001) apud Rees (2002). A sociedade esta sempre em risco, a medida do
risco é sempre uma decisão baseada na perecepção pública e na capacidade de
investimento;
Os eventos físicos sozinhos não são a causa dos desastres, mas actividade humana
movendo-se para as areas de risco, aumento da demanda ou poluição são as fontes dos
problemas;
Efeitos climáticos hidrológicos são apenas um grupo das incertezas relacionadas a
gestão do risco;
Basear a proteçao somente em soluções técnicas em eventos de grande freqüência pode
aumentar a vulnerabilidade nos eventos de baixa freqüência.
O desenvolvimento tecnológico das décadas recentes temr esultado em aumento na
qualidade da vida para uma parte da população mundial. O restante não tem se beneficiado
deste desenvolvimento e dependem de assistência internacional.
A estrutura da gestão de risco em recursos hídricos é descrita na Figura 29. Os principais
componentes são a fonte ou causas do risco, as ações apropriadas para reduzir a
vulnerabilidade e as principais metas a serem obtidas.
Causas
Ações
Metas
Governança
Redução das perdas e
Variabilidade
das vulnerabilidades
climática
Identificação
Melhorar a segurança e
do Risco
a qualidade de vida da
Vulnerabilidades
população
econômicas e
Conhecimento
sociais
e capacitação.
Conservação Ambiental
Pressão da
sociedade sobre
Melhorar a
Reduzir a incerteza de
o Meio ambiente
Prevenção e a
setores econômicos
resiliência
energia, transporte e
agricultura.
Figura 29. Estrutura da Gestão de risco.
A estrutura geral da gestão do risco dos eventos extremos é baseada nos elementos
indicados na Figura 30 , com os seguintes componentes: Governança, Atividade da gestão e
Metas (Figura 29). A governança trata da Política, Instituições, Recursos Humanos,
participação pública, e Pesquisa. As atividades tratam da: avaliação de risco, redução de risco,
preparação e implementação. As metas fundamentais são de reduzir a vulnerabilidade e
aumentar resiliência da população a eventos extremos.
As medidas de controle ou de redução de risco podem ser do tipo estrutural e não
estrutural. As medidas estruturais estão relacionadas com a alteração do sistema natural para
35
suportar os eventos extremos, como diques, barragens, canalização entre outros. As medidas
não-estruturais são as que permitem conviver com o sistema e preparando e mitigar os
eventos através de medidas como seguro, zoneamento, e prognóstico. As medidas estruturais
envolvem maiores custos e de qualquer forma e estão limitados quanto à segurança a um nível
de risco. Portanto, o prognóstico se enquadra dentro das medidas não-estruturais de redução
de risco. No item seguinte são definidos os elementos do prognóstico hidroclimático.
Atividades
Avaliação do
risco
Governança:
Redução do
Política,
risco
Metas
Instituição,
Redução de perdas
recursos
econômicas e
humanos,
sociais;
participação
Preparação:
conservação
pública,
plano de redução
ambiental
monitoramento
de impactos, alerta
e pesquisa
e evacuação.
Implementação:
níveis de projeto,
aprovação e
implementação
Figura 30. Gestão de risco (adaptado de Plate, 2004).
2.5 Prognóstico hidroclimático
Os prognósticos são a estimativa das variáveis hidrológicas numa bacia ou em
determinados locais da bacia. O prognóstico ode ser realizado por uma previsão ou predição.
A previsão envolve a estimativa da variável num tempo definido no futuro, enquanto que a
predição é a estimativa da variável para um determinado cenário de risco.
A previsão de vazão é uma das medidas utilizadas no gerenciamento dos recursos
hídricos para minimizar as incertezas do clima. Vários usos da água como abastecimento de
água, irrigação, navegação, hidrelétricas e inundações e conservação ambiental dependem da
quantidade de água disponível nos rios. A condição climática futura é incerta, todos estes usos
foram planejados baseando-se em estatísticas das séries históricas consideradas estacionárias.
Contudo, têm sido observadas mudanças nas tendências de precipitação e temperatura em
diferentes pontos do globo, como conseqüência do aumento da concentração de gases de
efeito e do aquecimento globais mostrados pelos modelos globais de clima de vários centros
36
mundiais (IPCC, 2001). A principal conseqüência do uso de séries não-estacionárias em
recursos hídricos é o aumento da incerteza dos investimentos. A previsão de vazão pode ser
utilizada para diminuir a incerteza e o risco dos usos da água e da conservação ambiental.
A previsão de vazão pode ser realizada em curto prazo com antecedências de poucas
horas até cerca de 14 dias e em longo prazo com antecedência de até nove meses
(Georgakakos e Krysztofowicz, 2001). Usualmente a previsão de curto prazo é utilizada para
controle de inundações, mas também em outras aplicações como: previsão de níveis (e
calado) para navegação, disponibilidade hídrica para irrigação, abastecimento de água e
operação energética.
A previsão de longo prazo é a previsão realizada com antecedência de 1 a 9 meses. Esta
é uma nova área em desenvolvimento em recursos hídricos, já que, no passado recente, este
tipo de previsão se resumia na utilização de características sazonais das bacias (Villanueva et
al, 1987 e Druce, 2001), mas nos últimos anos, com a melhoria da estimativa dos modelos
climáticos e a identificação de relações entre as condições dos oceanos e as variáveis
hidrológicas (Anderson et al, 2001), a previsão de longo prazo passou a apresentar resultados
promissores com uso seqüencial de modelos climáticos e hidrológicos (Tucci et al, 2003).
A predição envolve o estudo estatístico de tendência das variáveis climáticas e
hidrológicas de vários anos ou os cenários hipotéticos futuros relacionados com o clima, uso
do solo ou outros efeitos antrópicos como a modificação climática devido ao efeito estufa.
2.5.1 Previsão de curto prazo
A previsão de curto prazo pode ser classificada de acordo com vários fatores como: (a)
freqüência da previsão; (b) antecedência e atualização; (c) modelos, variáveis e combinação
dos mesmos.
Quanto à freqüência
A previsão de curto prazo pode ser contínua ou eventual. Quando a previsão é realizada
ao longo do tempo, independentemente das condições hidrológicas a mesma é dita contínua.
Por exemplo, a operação de uma usina hidrelétrica requer a previsão do volume afluente para
regular o nível do reservatório para maximizar a produção de energia.
A previsão eventual é denominada neste texto como a previsão realizada em épocas
definidas do regime hidrológico, enchentes ou estiagens em que as condições são críticas para
o usuário da água. A previsão e o alerta de enchentes de um determinado local somente são
realizados quando os níveis do rio atingem valores próximos dos críticos. A previsão de níveis
para navegação somente é realizada nos períodos de estiagem, quando existe risco do rio não
ter calado suficiente para a navegação. A previsão eventual pode ser realizada para períodos
de estiagem ou de enchentes, dependendo do objetivo.
A previsão de vazões geralmente é realizada para eventos chuvosos, onde as
dificuldades de antecedência são maiores. Num período de estiagem, toda a água disponível já
se encontra dentro da bacia e a previsão depende de metodologia determinista, que envolve
principalmente o escoamento subterrâneo na bacia e a propagação do escoamento nos rios.
Quanto à antecedência e os modelos
A previsão de cheia de curto prazo (também chamada de tempo real ou tempo atual),
pode ser classificada de acordo com a antecedência desejada e as características da bacia que
drena para o local de interesse. Uma pequena bacia possui um tempo de ocorrência muito
pequeno entre a precipitação e seu efeito na seção principal. Numa bacia grande este tempo é
muito maior. Normalmente, deseja-se a maior antecedência possível na previsão de ocorrência
de uma enchente, no entanto com algumas horas de antecedência já é possível atuar sobre
seus efeitos, minimizando os danos. Uma bacia com tempo de resposta (tempo de
37
concentração) pequeno a previsão deve ser realizada com base numa precipitação ocorrida.
Uma bacia grande (com resposta lenta) pode utilizar a observação do nível a montante, para
efetuar esta previsão, pois a antecedência pode ser suficiente para as medidas mencionadas. A
maior vantagem de se utilizar um posto a montante, é que os erros de previsão são menores
que aqueles da previsão de um modelo chuva-vazão. No entanto, esta situação somente pode
ser utilizada, quando o tempo de deslocamento atende os objetivos da previsão e a
contribuição lateral entre os postos é desprezível se comparado com o volume do posto de
montante.
Quando a bacia possui tempo de antecedência entre a ocorrência da precipitação e a
vazão de poucas horas (< 6h) a previsão deve utilizar a precipitação. Para antecedência s
várias horas ou dias, a previsão pode ser obtida através da combinação da observação de nível
a montante e da precipitação da bacia intermediária. Os modelos hidrológicos de previsão
usualmente possuem dois módulos principais: precipitação vazão de bacias intermediárias e
propagação no rio. Quando a antecedência entre as seções do rio é suficiente para uma boa
previsão e a contribuição lateral é desprezível podem-se utilizar modelos de propagação ou a
combinação dos modelos.
A classificação dos modelos que podem ser utilizados é a seguinte (Tucci,1998):
Previsão meteorológica da precipitação, integrada a um modelo precipitação-vazão
(denominada previsão hidroclimática, Figura 31). Na Figura 31 é apresentado um exemplo
fictício da previsão de vazão realizada para um instante To + T, sendo que T é a
antecedência, variando de 0 até 24 horas. A chuva observada nos postos telemétricos está
disponível até o instante To, e está representada na figura pela parte escura do hietograma. A
partir do instante To a precipitação na bacia não é conhecida. Neste caso a previsão de vazão
com modelo chuva-vazão poderá será realizada em três formas: I) considerar derar que a
chuva a partir do instante To é nula; ii) utilizar a previsão de chuva a partir de To; e III)
utilizar a estimativa de água precipitável.
Se a previsão de vazão for realizada com base na hipótese de precipitação nula a partir
de To, então existe a tendência que a vazão prevista seja inferior à vazão observada, como
ocorre na Figura 31. Pode-se dizer, inclusive, que o hidrograma previsto com base na hipótese
de precipitação nula a partir de To representa uma estimativa do limite inferior das vazões
futuras. Se, por outro lado, existe uma previsão quantitativa de precipitação de boa qualidade
para as próximas horas, e esta previsão estiver disponível no instante To, então a previsão de
vazão tende a melhorar, como mostra a Figura 31. Já a utilização da água precipitável
(quantidade de água, que poderia ser recolhida se todo o vapor d'água contido numa na
atmosfera, fosse condensado e precipitado) indica um limite teórico máximo;
Figura 31. Esquema da previsão hidroclimática
38
Estimativa da precipitação com base em rede telemétrica e transformação em
vazão através de modelo hidrológico. Esta alternativa é inferior a anterior, mas na
maioria das bacias não existe radar e a rede telemétrica bem distribuída pode
permitir bons resultados. A dificuldade normalmente reside na estimativa da
precipitação futura, que deve ser inserida dentro do modelo hidrológico. A
precipitação pode ser considerada nula ou estimada por modelos estatísticos
(Figura 32a). Na Figura 32 esta estimativa tende a subestimar para tempos futuros
maiores que o tempo de concentração da bacia. É a chamada previsão hidrológica.
Figura 32. Previsão Hidrológica
39
Previsão da vazão com base em níveis ou vazões do rio a montante e dos seus
afluentes. Esta situação é possível, quando existe antecedência e a contribuição
lateral é pequena (Figura 32b);
Previsão da vazão com base em níveis ou vazões a montante e com uma das
alternativas a, b ou c para a bacia de contribuição lateral (Figura 32). Esta
alternativa contempla a defasagem do deslocamento de montante e a rapidez da
contribuição lateral mais próxima à seção principal da bacia
2.5.2 Previsão de Longo Prazo
A previsão de longo prazo pode ser realizada através de várias técnicas estatísticas,
buscando similaridades com relação a sazonalidade regional. Por exemplo, numa bacia onde o
período chuvoso é bem definido, após o período chuvoso as vazões podem ser previstas para
os próximos meses (secos) apenas pelo esvaziamento do aqüífero através da equação de
regressão (Villanueva, et al 1987). Da mesma forma, em regimes hidrológicos com grande
capacidade de armazenamento e sazonalidade bem definida a magnitude das vazões pode ser
estimadas com pequeno erro de variância entre anos. Em sistemas muito lentos as vazões
máximas ou mesmo o hidrograma podem ser estimados com base no tempo de translado que
pode levar alguns meses como rio Paraguai a jusante do Pantanal (Tucci e Genz, 1994). No
entanto, na maioria dos sistemas hídricos que possuem memória de alguns dias e períodos
chuvosos em grande parte do ano, as técnicas usuais de previsão de médio prazo somente
podem ser estatísticas quando não é possível prever a precipitação futura da bacia.
Inicialmente foram utilizadas técnicas estatísticas para relacionar as anomalias de pressão e
temperatura dos Oceanos com as vazões dos rios em algumas bacias como a do Pacífico e do
rio Paraná. Os resultados, apesar de promissores ainda apresentavam baixo grau de correlação
para as práticas hidrológicas, no entanto, mostravam que existiam informações entre causa e
efeito neste processo. Vários resultados na literatura mostram correlação entre as
precipitações do Pacífico e o Sul do Brasil e recentemente com o Atlântico, mostrando que
estes dois sistemas mostram sinais que poderiam explicar as vazões.
Com o uso de modelos climáticos para estimar as condições climáticas futuras foi
introduzida a possibilidade de previsão de longo prazo através do uso da previsão da
precipitação e evapotranspiração através do modelo climático e sua entrada no modelo
hidrológico para previsão para alguns meses de antecipação. Desta forma, em resumo as
alternativas de previsão aqui denominadas de longo prazo podem ser as seguintes:
1. pela simples estatística sazonal das vazões num determinado local, prevendo-
se sempre a sua média. Por exemplo, a média das vazões do mês de janeiro,
fevereiro, março, etc seriam as previsões de vazões a serem utilizadas
anualmente;
2. por modelo estocásticos que consideram a sazonalidade, a interrelação
temporal, os componentes aleatórios e mesmo variáveis de entrada como a
precipitação para prever as vazões futuras;
3. modelos empíricos que poderiam estar na classe anterior, mas que estabelecem
relações entre variáveis climáticas indicativas, como temperatura ou diferença
de pressão dos oceanos com a vazão dos rios;
4. modelos determinísticos climático associados com modelos hidrológicos. O
modelo climático estima as variáveis climáticas de entrada no modelo
hidrológico que prevê as vazões.
2.5.3 Predição
40
A predição é utilizada para com os seguintes objetivos:
· Analisar cenários de planejamento do tipo e uso do solo e sua relação com as
variáveis hidrológicas e climáticas; e
· Determinar o risco potencial sobre determinadas áreas como o de secas e
estiagens, analisando a vulnerabilidade do ambiente e da população e
estabelecendo planos de mitigação quando da sua ocorrência. Por exemplo, um
sistema de alerta (previsão de vazão e nível) e zoneamento de áreas inundações
(com base em mapeamento de risco) são medidas combinadas para reduzir o
prejuízo;
2.6 Histórico de desastres hidroclimáticos na bacia Amazônica
Na Figura 33 pode-se observar a freqüente área de inundação na Amazônia. As
inundações podem ocorrer pelo natural funcionamento dos rios que ocupa a sua margem
(inundações ribeirinhas) ou por inundações induzidas pela urbanização (drenagem das
cidades). As inundações ribeirinhas na Amazônia possuem uma sazonalidade bem definida e
permitem uma previsão com antecipação bastante grande. A população aprendeu a conviver
com os aumentos e descidas dos rios da Amazônia, inundando e secando as margens dos
Igarapés (pequenas drenagens de afluentes), que são represados pelos rios principais.
Figura 33. Áreas de Inundação na bacia Amazônica (Freitas, 2006).
Nas poucas cidades que existem na Amazônia como Manaus (o maior centro urbano da
bacia) o período das inundações ribeirinhas do rio Negro/Solimões neste local é de maio de
41


setembro, pelo tempo que leva o hidrograma de descer de montante para jusante, enquanto
que o período de chuva em Manaus é de novembro a abril. Esta concomitância poderia ser
desastrosa para alguns Igarapés (macro-drenagem), pois poderia haver um aumento
importante de nível na transição entre o efeito do rio Negro e de montante no Igarapé. Para
conviver com esta inundação a população encontrou a palafita, que mesmo com estrutura
débil não é afetada neste período do ano devido a pequena velocidade desta área do Igarapé,
provocada pelo remanso do rio Negro no Igarapé. Com o desenvolvimento urbano (Figura 34)
a cidade tende a gerar inundações nos igarapés devido a impermeabilização do solo (Foto 1).
Isto se agrava porque que nos trópicos úmidos da Amazônia as Intensidades de Precipitação
são da ordem de 25% maiores que nas latitudes abaixo de 20 oC para o risco de de ocorrência
e duração (Tucci, 2001).
Observaram-se secas importantes na bacia, como a de outubro de 2005, que mostrou
maior vulnerabilidade devido ao aumento nos últimos 20 anos da ocupação e usos dos rios da
Amazônia. Esta seca que deixou partes da Amazônia em estado de calamidade e não foi um
evento extremo isolado e sim uma amostra do que o futuro reserva para o clima da região.
O processo de secas e estiagens nesta bacia tem caracteísticas de longa duração na bacia
e dependem de períodos interanuais importantes. Marengo (2004) analisou a tendência da
variabilidade interanual e interdecadal da Planície brasileira da bacia Amazônica com dados
de precipitação de 1929 a 1998, com maior detalhe de 1950 a 1998 e concluiu pelo seguinte
(Figura 35):
Figura 34. Imagens do desenvolvimento urbano de Manaus ao longo do tempo (Freitas,
2006)
(a) Tendência de diminuição das precipitações (tendência negativa) para toda a bacia,
sendo na parte Norte da bacia ocorre esta mesma tendência, enquanto que no parte
Sul ocorre o sentido contrário;
(b) Observou-se variações marcantes em 40 e 70-75, com redução de precipitação no
Norte da Amazônia, efeito contrário observado na Bacia do Prata e grande parte do
Brasil, quando ocorreu aumento. Este efeito tem correlação com a temperatura do
Pacífico, que ficou mais quente com maiores freqüências de El Nino. Este é um
indicativo de aumento de secas no Norte da região e cheias maiores ao Sul.
42

A potencial modificação climática também pode reservar impactos importantes na bacia
para o cenário previsto de duplicação de CO2 na Atmosfera. As previsões do Hardley Center
para 2075 quanto a precipitação e temperatura (Figura 36) mostram aumento de temperatura
média de até 5º C e redução da precipitação no Norte da Amazônica em cerca de 1 mm/dia,
tendendo a trasnformar a floresta em cerrado.
Foto 1. Urbanização e impermeabilização em Manaus
Figura 35. Tendência de variabilidade da precipitação no Norte e Sul da Amazônia com
base em índice normalizado (Marengo, 2004).
43
(a) Temperatura em oC (b) precipitação em mm/dia
Figura 36. Prognóstico de alteração no clima para duplicação do CO2 com o modelo do
Hardley Center para temperatura e Precipitação.
44
3.TERMOS DE REFERENCIA PARA UM SISTEMA DE PROGNÓSTICO
HIDROCLIMÁTICO INTEGRADO
3.1 Introdução
O estudo denominado de "Um sistema de prognóstico hidroclimático integrado" está
sendo desenvolvido dentro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica OTCA
com recursos do GEF Global Environmental Facility e gestão da OEA Organização dos
Estados Americanos.
Os oito países do Tratado de Cooperação Amazônico participantes destacaram
conjuntamente a necessidade de estabelecer um marco de ação comum na bacia do rio
Amazonas para:
· Atuar cooperativamente sobre os principais problemas ambientais que atingem a
bacia e afetam os países. As atividades planejadas incluem a identificação e
implementação de ações e programas para proteger e conservar a água do rio e seus
ecossistemas associados;
· o gerenciamento integrado e participativo para que oportunidades e alternativas para
futuras gerações sejam garantidas.
O projeto GEF AMAZONAS tem por objetivo fortalecer o marco institucional para
planejar e executar, de forma coordenada, as atividades de proteção e o gerenciamento
sustentável do solo e dos recursos hídricos na bacia do rio Amazonas, em face dos potenciais
impactos decorrentes das mudanças climáticas na Bacia. O Projeto visa a sustentabilidade,
preservação e conservação dos ecossistemas, contemplando o gerenciamento integrado dos
recursos hídricos transfronteiriços e as mudanças climáticas.
A Bacia Amazônica pelas suas características naturais influencia e sofre influência do
uso do solo e do clima com abrangência nacional, continental e global. A variabilidade e
modificação climática produzem efeitos no comportamento do clima e na hidrologia regional.
Os efeitos de curto e longo prazo podem ser minimizados à partir da previsão de tempo e
hidrológica, enquanto que a predição dos cenários potenciais futuros podem ser estimados
com base na integração da previsão hidroclimática.
3.2 Objetivos
Este termo de referência estabelece as bases conceituais e apresenta uma proposta de
funcionamento do sistema de prognóstico hidroclimatológico para a análise e caracterização
das secas, enchentes e outros impactos sujeitos a variabilidade e modificação climática, como
parte do gerenciamento integrado dos recursos hídricos e contribuindo para identificar as
questões transfronteriças da bacia do rio Amazonas.
A meta do projeto é o de melhorar a capacidade dos países da bacia do rio Amazonas
para prever os impactos do tempo, a variabilidade e a mudança climática nos sistemas
dependentes dos recursos hídricos.
Para atender este objetivo é necessário melhorar os prognósticos hidroclimáticos por
meio do seguinte:
45
· Um sistema integrado para o prognóstico meteorológico, climático e hidrológico
na bacia do rio Amazonas. Esta atividade envolve gerar capacidades para atuar
sobre as inundações, secas e outros eventos extremos, mediante o uso
coordenado e funcional dos recursos institucionais existentes na região.
· Estabelecer cenários climáticos, de uso de solo e hidrológicos para fortalecer o
planejamento da Bacia Amazônica, facilitar a gestão sustentável dos recursos
hídricos e contribuir ao planejamento do uso de solo, proteção das áreas úmidas,
entre outros usos.
· Estimativa dos impactos da mudança climática, vulnerabilidades e planos de
adaptação nos sectores e áreas representativas da bacia.
3.3 Características da Bacia Amazônica
O rio Amazonas possui a maior bacia hidrográfica do mundo com cerca de 6,1 milhões
de km2, drenando área de 8 países da América do Sul, com vazão média estimada de 209 mil
m3/s, correspondente a cerca de 1100 mm médio. Esta vazão representa 20% da vazão de água
doce afluente ao Oceano. A bacia hidrográfica é apresentada na figura 3.1. Pode-se observar
que 7 países: Bolívia (10%), Colômbia, Equador, Guiana, Peru (14%), Suriname e Venezuela
possuem área na cabeceira da bacia e o Brasil (68% da área da bacia) representa a maior área
de drenagem e o terreno de jusante da planície de escoamento da bacia. Brasil, Peru e Bolívia
representam 92% da área da bacia.
Figura 37. Bacia Amazônica (Ribeiro Neto, 2006).
O rio nasce no Peru como Ucayali, após a confluência com o rio Marañon ainda no Peru
passa a se chamar Amazonas, mudando para Solimões quando entra no Brasil. Retorna ao
46
nome de Amazonas quando, próximo de Manaus encontra o rio Negro. A extensão do rio tem
controvérsias, mas é estimado em 6.868 km (Ribeiro Neto, 2006).
A bacia se estende da Latitude 5º N até 20º S, com limites ao Norte com Planalto das
Guianas, a oeste os Andes, ao Sul o Planalto do Brasil representado pelo Cerrado e a leste o
Oceano Atlântico para o escoa.
No Quadro 4 são apresentados as distribuições de área de drenagem e de vazão dos
formadores do Amazonas e seus afluentes, juntamente com a proporção de vazão de cada sub-
bacia. Isto permite observar que algumas bacias possuem uma proporção maior de vazão do
que área, indicando que as isoietas de precipitação são maiores nestas bacias.
A precipitação média anual é de 2300 mm, podendo chegar até 6.000 mm nos Andes. O
clima úmido quente na Planície com temperatura baixa nas áreas montanhosas. O coeficiente
de escoamento cerca de 50%, com vazão específica superior a 30 l.s-1.km-2. Na Quadro 5 são
apresentados valores de Precipitação, Vazão e Evapotranspiração de alguns locais com dados
na bacia, caracterizando um balanço destas variáveis.
Quadro 4. Proporção da Área de drenagem e da Vazão de cada sub-bacia (Molinier et al
1995)
Sub-bacia
Cabeceiras e cota máxima
Vazão
Área de drenagem
% do total
% do total
Solimões
Cordilheira dos Andes (6307 m)
49
36
Madeira
Cordilheira dos Andes (6038 m)
15
23
Negro
Planalto das Guianas (2973 m)
15
11
Tapajós
Planalto Central do Brasil (869
6 8
m)
Xingu
Planalto Central do Brasil (800m)
5
8
Trombetas
Planalto das Guianas (1003 m)
1
2
Outros 10
12
Quadro 5. Características Hidrológicas de algumas bacias da Amazônia (dados obtidos
de Filizola Jr, 1997)
Área
P
Q
q
Qr
C
P-Q
Rio
km2
mm
m3/s
l/(s.km2) Mm
mm
Solimões em S. P. de
Olivença 990780
2900
46500
46,9
1480
0,51 1420
Purus em confluência
370000
2336
11000
29,7
938 0,40 1398
Solimões em
Manacapuru 2147740
2880 103000
48,0
1512
0,53 1368
Negro em Manaus
696810
2566
28400
40,8
1285 0,50 1281
Amazonas em Óbidos
4618750
2520 168700
36,5
1152 0,46 1368
Madeira na Confluência
1420000
1940
31200
22,0
693 0,36 1247
Tapajós na Confluência
490000
2250
13500
27,6
869 0,39 1381
Xingu na Confluência
504300
1930
9700
19,2
607 0,31 1323
Amazonas na foz
6112000
2460 209000
34,2
1078 0,44 1382
Tocantins na Foz
757000
1660
11800
15,6
492 0,30 1168
Rio Iça na confluência
143760
3160
8800
61,2
1930 0,61 1230
Jutai na confluência
77280
2781
3020
39,1
1232 0,44 1549
Jurua na confluência
185000
2452
8440
45,6
1439 0,59 1013
Jari na Confluência
58000
2118
1880
32,4
1022 0,48 1096
Rio Trombetas
128000
1822
2555
20,0
629 0,35 1193
1 P-Q representa na média o Evapotranspiração real na bacia
47
A Bacia Amazônica é fortemente influenciada pela pronunciada sazonalidade das
chuvas. As chuvas começam entre novembro-dezembro na região ao sul da linha do Equador
e uns meses mais tarde ao norte da linha do Equador e se estendem por 4 a 5 meses. O período
chuvoso é de outubro a maio, sendo que no Sul os meses mais chuvosos são dezembro a
fevereiro, na parte central/oeste março a maio. Na parte montanhosa o período chuvoso entre
maio-junho.
As principais caracterítiscas hidrológicas relacionadas com o prognóstico climático são
as seguintes:
· Nos trechos montanhosos e de cabeceira os eventos são rápidos e ocorrem
simultaneamente com as precipitações com pequenas diferentes entre a sua
ocorrência e elevação dos níveis;
· A medida que as bacias crecem no seu trecho médio o tempo de resposta aumenta,
mas ainda se encontram dentro do período de chuvas, com respostas de variam de 1
a 20 dias;
· No trecho de planície, principalmente dentro do território brasileiro os hidrogramas
de cheias ocorrem já no período seco de chuvas desta região devido ao tempo de
deslocamento das ondas de cheias, mas em ocasiões desfavoráveis este defasamento
pode não ocorrer se a sazonalidade do ano não for marcante.
· Grande parte dos sedimentos que chega a planície é produzido na parte superior da
bacia em função do relevo e de algumas ações antrópicas, enquanto a floresta é
mantida com pouco impacto.
3.6 Sistema de Prognóstico
3.6.1 Estrutura geral
A estrutura metodológica do projeto considerou quatro componentes técnicos e um
sistema de gestão como estrutura para atuar sobre os efeitos dos eventos extremos e da
variabilidade climática nos recursos hídricos da bacia do rio Amazonas. Na figura 3.2 é
apresentada a estrutura metodológica com os principais componentes apresentados a seguir,
desmembrado em sub-componentes:
A. Informações: Melhorar a qualidade e quantidade dos dados disponíveis na bacia para
permitir a previsão e predição de vazões e outras variáveis climáticas e hidrológicas;
B. Avaliação: Aumento do conhecimento sobre o uso e tipo de solo, comportamento do
tempo e da hidrologia. O melhor entendimento dos processos regionais e as
características dos sistemas são fundamentais para uma melhor previsão e predição.
C. Prognóstico: Implementar e/ou melhorar o prognóstico hidroclimático: previsão e
análise de cenários buscando minimizar os impactos sobre os principais sistemas de
recursos hídricos.
D. Gestão dos Impactos: Estimar vulnerabilidades, oportunidades, medidas
mitigadoras e adaptação para reduzir as vulnerabilidades as riscos climáticos.
E. Sistema de Gestão: O funcionamento depende de um sistema de Gestão onde estão
presentes as instituições: características, política, atribuições e organização; seus
recursos humanos: pessoal para atuar nas atividades do projeto; e infra-estrutura: rede de
monitoramento, equipamentos de campo e escritório e softwares (Figura 38). A
funcionalidade deste sistema é representada na Figura 39 tanto para a previsão como a
predição de Cenários, pois se baseia num Centro de Previsão: como a infra-estrutura de
48
pessoal e equipamentos e software e rede de monitoramento de dados telemétricos e da
rede básica de dados.
Tempo e Clima
Previsão de
Redução da
Atmosféricos
curto prazo
vulnerabilidade -
Alerta
Previsão de
Clima, Solo e
longo prazo
Solo e vegetação
Vegetação
Adaptação e
prevenção:
econômica,
social e
Predição de
Solo e Vegetação
ambiental.
Hidrológicos
cenários
climáticos
Gestão dos
Informações
Avaliação
Prognóstico
Impactos
Sistema de Gestão
Recursos
Infra-estrutura: rede
Instituições: Política e
Humanos &
de monitoramento,
organização
pesquisa:
equipamentos e dados
Figura 38. Estrutura para gestão do Prognóstico Hidroclimático.
Neste termo de referência são caracterizados cada uma dos componentes e definidas as
atividades que visem a implementação do mesmo ao longo do projeto, denominados Nm,
onde a letra maiúscula caracteriza o componente da estrutura e o número a atividade dentro
deste componente.
3.6.2 Sistema de Gestão
Institucional
Para o desenvolvimento da previsão será definida uma instituição por país reponsável
com as seguintes atribuições:
· Coordenar a implantação da rede de monitoramento no território do país;
· Coordenar a operação e manutenção da rede de monitoramento no país;
· Implementar um Centro de Prognóstico, utilizando instalações e infra-estrutura
existente e/ou complementada pelo projeto;
· Desenvolver no Centro de Prognóstico a coleta, armazenamento, processamento
e análise dos dados e a previsão de precipitação, vazão e níveis para as bacias de
abrangência do Centro;
· Cooperar com os outros centros da bacia Amazônia na troca de dados, modelos e
resultados na bacia.
49
As instituições devem desenvolver workshops trimestrais visando trocar experiência e
discutir as previsões para a bacia e programar atividades conjuntas.
Rede Telemétrica
Centro de Prognóstico
Sistema de recepção,
processamento e
armazenamento dos
dados.
Modelo para
previsão de níveis
com antecedência
Avaliação da
previsão e predição
Defesa Civil
Programas
Alerta aos sistemas
Alerta a
Preventivos
públicos
população
Remoção da população e
atendimento de emergência
Figura 39. Funcionalidade do sistema de Previsão
G1. Entidade(s) de cada país: Definição da entidade em cada país, onde será implementado o
sistema de gestão de prognóstico. Envolve o seguinte: concordância formal da mesma, e a
disponilização de infra-estrutura e pessoal para as atividades previstas.
G2. Revisão e implementação da estrutura da organização: Praticamente todos os países
possuem instituições para previsão meteorológica e hidrológica com rede de observação e
centros previsões em diferentes estágios (ver capítulo 1). Esta atividade envolve a reavaliação
da estrutura destas entidades e recomendação de funcionamento para que possam atender este
desafio dentro do projeto, além da implementação das alterações.
G3. Estabelecimento de um grupo de Gestão no âmbito da OCTA para o sistema de
prognóstico hidroclimático. Como base na representação dos países deve-se procurar
estabelecer um grupo de gestão do conjunto do sistema visando principalmente o seguinte: (a)
cooperação entre Centros quanto a: troca de informações, modelos, experiência no
50
funcionamento da rede e custos comparativos, resultados de previsão e cenários futuros; (b)
reuniões sistemáticas sobre prognóstico para o período seguinte (trimestral), buscando trocar
experiência na previsão de cenários e previsão de longo prazo.
Infra-estrutura
A infra-estrutura tem como objetivo a implementação da rede de monitoramento e o
Centro de Previsão.
Rede de Monitoramento: Atualmente os países possuem de alguma forma uma rede de
monitoramento básica e uma rede telemétrica incipiente para uma bacia do tamanho da
Amazônia e seus problemas. Os dados da rede básicos são úteis para estudos de cenários, mas
não são úteis na previsão em tempo real. Para a previsão em tempo real é necessária uma rede
telemétrica. Observou-se no capítulo 1 a grande discrepância entre as redes nos diferentes
países, além da limitada rede telemétrica.
Os dados permitem o prognóstico no próprio local de observação e para outros locais da
bacia como base de apoio. Neste sentido, a definição da rede de monitoramento passa pela
identificação das necessidades de cada sub-bacia e do rio principal. Para a definição da rede
de monitoramento que dê suporte ao prognóstico climático são necessários: (a) a identificação
das necessidades (Gestão de Impactos: na estrutura geral da figura 38); (b) conhecidmento do
comportamento hidroclimático da bacia de interesse. As atividades previstas para planejar a
rede adequada em cada país são as seguintes:
G4 Identificação em cada país dos locais de interesse de previsão de vazão e/ou nível em
função de inundações e secas. Esta identificação deve ser justificada pelos benefícios
potenciais que a previsão poderá trazer ao local e ao sistema. Os locais devem ser priorizados
por grupos em face dos benefícios;
G.5 Rede de Monitoramento complementar: básica e telemétrica (meteorológica e
hidrológica): Esta etapa envolve visita a cada um dos países levantamento detalhado da rede
existente e funcionamento dos equipamentos em operações, identificação das necessidades e
planejamento de uma rede complementar de coleta de dados básica e telemétrica que atenda
as necessidades identificadas considerando a previsão e estudos de cenários. Nesta avaliação
deve estar: (a) contemplado a equipe e recursos para operação e manutenção da rede; (b)
equipamentos, instalação, sistema de transmissão de dados e custos relacionados. Esta
atividade pode ser realizada por país, mas tendo em conta a gestão do conjunto da bacia.
G.6 Implementação da Rede: Esta envolve a implementação da rede planejada para cada um
dos países, de acordo com o indicado no item anterior.
Centro de prognóstico: O centro de previsão envolve um espaço a ser definido pela
instituição de cada país onde são concentradas as ações de gestão do prognóstico climático.
As atividades previstas aqui envolvem a infra-estrutura e as necessidades do Centro. No item
seguinte é abordado o pessoal tanto para o Centro como para a rede de monitoramento.
G.7 Planejamento dos Centros de Prognóstico: São levantadas as condições dos Centros em
cada país, planejado um Centro de Prognóstico padrão em condições ideais e identificados em
cada país quais as necessidades de sua complementação para atingir o estágio desejado do
Centro, visando atender as necessidades regionais e da bacia como um todo.
G.8 Implementação dos Centros de Prognósticos: Implementação da infra-estrutura dos
Centros de Prognósticos de acordo com o planejamento previsto no item anterior. Os recursos
humanos associados estão destacados no item abaixo e a rede de monitoramento de apoio foi
51
especidado no item anterior. As instalações físicas devem ser adequadas para funcionamento e
deverão fazer parte da contrapartida das instituições ou do país.
Recursos Humanos
Para o desenvolvimento das atividades dos itens anteriores é essencial a disponibilidade
de recursos humanos qualificados. Este componente apresenta dificuldades devido a falta de
uniformidade entre os países em pessoal qualificado e na forma de sustentação econômica ao
longo do tempo.
No Brasil houve um programa desenvolvido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia
que investiu em Centros no Nordeste do Brasil fornecendo bolsas para meteorologista e
hidrólogos recém qualificados de boas universidades por até 4 anos, juntamente com
equipamentos para desenvolvimento do seu trabalho. Esta experiência mostrou que com o
passar do tempo estes Centros foram se consolidando e os profissionais absorvidos na Gestão
de Recursos Hídricos. Desta forma as atividades propostas são as seguintes:
G9. Identificação da necessidade de pessoal e capacitação: Considerando as atividades da
rede de monitoramento e do Centro de Previsão deve-se ter uma equipe mínima para atuar na
Instituição no Sistema de Prognóstico e os programas de capacitação. Esta avaliação somente
é possível com base na equipe existente e sua qualificação.
A capacitação dos recursos humanos pode ser realizada por meio das seguintes
modalidades:
· Missões específicas;
· De cursos de curta duração; e
· Formação de médio e longo prazo dos profissionais;
O conteúdo previsto envolve os seguintes temas:
(a) implementação e visita da rede
(b) Cursos integrados sobre a estrutura e conceitos de prognóstico hidroclimático
voltado para a gestão dos recursos hídricos;
(c) Rede monitoramento, equipamentos e manutenção;
(d) Banco de dados;
(e) Técnicas de prognóstico e estimativa de variáveis hidroclimáticas: geoprocessamento
e sensoriamento remoto, modelos hidroclimáticos.
G10. Missões técnicas: As missões técnicas de pessoal das entidades devem envolver
intercâmbio para conhecimento dos Centros, troca de conhecimento e avaliações de
instalações. O projeto deverá estabelecer uma escala e número de vagas para visitas, dentro
de um calendário, permitindo a interação com países vizinhos e técnicos de universidades,
centros de pesquisa, órgãos estaduais e federais interessados.
G11. Treinamento de Curto Prazo: Os treinamentos de curto prazo envolvem as seguintes
atividades
· Prognóstico hidroclimático: Conceitos, Bacia Amazônica e suas características de uso
dos recursos hídricos e desafios de gestão; Estrutura de um sistema de Prognóstico
hidroclimático, Componentes do sistema: Monitoramento, Transmissão, Banco de
52
Dados, Processamento, Prognóstico e disponibilização das Informações; Usos na
Gestão de Recursos Hídricos. Treinamento dentro do perfil (a) acima período de: 40
horas;
· Sistemas de monitoramento: Bacia Amazônica e seus desafios para o monitoramento
na gestão de recursos hídricos; Conceitos sobre os sistemas de monitoramento
hidroclimáticos; Sistemas de coleta, transmissão, processamento e banco de dados e
sua visão integrada; Equipamentos e suas características; sistemas inteligentes;
Alternativas de acesso e transmissão e acesso ao dado em tempo real; base de dados
disponíveis na Internet e na região; etc
· Banco de Dados: Bacia Amazônica e seus desafios para o monitoramento na gestão de
recursos hídricos; Características dos dados hidroclimáticas e da bacia Amazônica;
Espaço e Tempo, Conceitos de Banco de Dados e sistemas geográficos;
disponibilização de informações e acesso; Características dos Bancos de Dados
existentes e planejados para ANA e INEMET, Integração do sistema de Banco de
Dados a previsão hidroclimática. Tempo 40 horas;
· Técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto: Conceitos sobre o tema;
softwares disponíveis; base de dados existentes a nível internacional e nacional;
Técnicas de estimativa das características físicas; estimativa das variáveis temporais:
precipitação, temperatura, etc; (completar) 40 horas.
· Prognóstico com Modelos Climáticos: Conceitos sobre prognóstico, previsão e
predição; Técnicas de estimativa de variáveis hidroclimáticas; modelos climáticos:
características, usos e precisão; modelos hidrológicos: características, usos e precisão;
Integração entre modelos hidroclimáticos; Uso de Modelos no Prognóstico. 40 horas.
G12. Treinamento de médio e Longo prazo: Este componente prevê a combinação de dois
componentes: (a) treinamento de profissionais que atuarão do prognóstico na bacia; e (b)
desenvolvimento de parte dos componentes previstos na etapas de prognóstico para bacia
piloto. Este treinamento prevê o uso de Bolsa de estudo para dois profissionais por país da
bacia Amazônica para um período de dois anos visando complementar seu conhecimento
onde cada país é mais deficiente. Este treinamento pode ser concentrado nos centros mais
densenvolvidos da bacia e preferencialmente com grupos de alunos tanto de meteorologia
como de hidrologia, dentro de uma visão de formação mais integrada e associados a bacia
Amazônica.
3.6.3 Informações
As atividades previstas neste componente envolvem a revisão das informações
disponíveis visando os estudos de prognóstico, seja previsão ou estudo de cenários na
predição.
I1. Revisão das informações da bacia: A base de dados envolve: dados meteorológicos,
hidrológicos e físicos da bacia. Nesta atividade estão previstos: (a) Levantamento dos projetos
desenvolvidos e, em desenvolvimento na bacia, informações disponíveis nos projetos; (b)
Avaliação dos dados da rede e dos projetose sua representatividade para os estudos de
prognóstico na bacia; (c) Levantamento de bases de informações e sistema de aquisição de
dados de satélite, radar e de reanálise sobre a bacia; (d) Planejamento de uma base dados para
53
toda a bacia, composto por sub-bacia. Esta base poderá ser disponibilizada nos centros de
prognóstico de cada país. Esta atividade se complementa com a atividade G5 que define a
rede de monitoramento complementar.
I2. Implementação da base de dados: A base de dados deverá cobrir o conjunto de dados da
bacia e deve se adaptar as bases de dados já existentes nas instituições dos países,
complementando e ampliando quando necessário. Cada país seria responsável pela inserção
dos dados da área de abrangência e a mesma base pode se reproduzir em cada país.
3.6.4 Processos
Este componente trata de desenvolver conhecimento e produtos que possam ser
utilizados no prognóstico, integrando modelos sobre meterologia, hidrologia e características
físicas. Atualmente existe um número considerável de pesquisas neste contexto distribuída em
todo o mundo sobre a Amazônia. Para o prognóstico climático são necessários modelos de
tempo e clima que reproduzam a interação atmosfera e solo, modelos hidrológicos que
retratem os processos físicos no solo e no escoamento que permitam estudar cenários de
alteração do uso do solo e permitir a previsão em tempo atual e de longo prazo. Os modelos
de previsão possuem características diferenciadas dos modelos de predição e cenários.
PR1. Modelos de Previsão: Identificação dos modelos que podem ser utilizados na previsão
de vazão de curto e longo prazo de acordo com as necessidades nos países e, em cada sub-
bacia ou rio principal da Amazônia. Esta atividade é de criar um banco de modelos
apropriados a diferentes cenários e está associado ao treinamento. Escolhidos os modelos os
mesmos devem ser ajustados aos trechos de interesse.
PR2. Modelos de Predição: Nesta atividade é necessário inicialmente definir os cenários que
poderão ser estudados de variabilidade e modificação climática e alteração do uso do
solo.Com base nestas necessidades são escolhidos modelos mais apropriados para os estudos
de cenários e utilizados de acordo com projetos com questões específicas, relacionadas com
as vulnerabilidades da bacia.
PR3. Limitações de conhecimento: Com base nas atividaes anteriores deste componente serão
identificadas limitações ao conhecimento sobre determinados componentes dos processos ou
dos elementos físicos da bacia hidrográfica. Esta atividade prevê que poderão ser
desenvolvidos projetos específicos para melhorar este conhecimento que permita melhorar o
prognóstico. Esta atividade se baseará em duas etapas: (a) identificação das limitações do
conhecimento e projetos para ampliar este conhecimento; (b) desenvolvimento de projetos
específicos para responder e resolver as questões pendentes.
3.6.5 Prognóstico
Esta atividade trata do principal produto do projeto que é determinação do prognóstico
para a bacia de forma sistemática pelos Centros para as diferentes partes da bacia
hidrográfica, cobrindo os países e os trechos ransfronteriços. A seguir são destacadas as
previsão em curto e em longo prazo e os cenários de predição necessários a gestão dos riscos
extremos na bacia.
54
Previsão de Curto Prazo
A gestão de curto prazo trata da previsão com antecedência de dias ou mesmo meses da
ocorrência de inundações e secas em diferentes locais da bacia. Devido as diferenças
importantes de tempo de resposta da bacia as variáveis climáticas é necessário que cada
Centro avalie dentro da sua área de interesse do país as antecedência que podem ser obtidas à
partir dos diferentes tipos de modelos e a efetividade de sua implementação. Na região mais
montanhosa os tempos de antecedência depois de ocorrida a chuva são pequenos e são
necessários modelos de previsão que combinem previsão de chuva e modelo hidrológico que
transforme precipitação em vazão, enquanto que para trecho da planície é possível utilizar
modelos simples e prever com base em posto à montante com erros pequenos e pequena
quantidade de dados. Portanto, combinações dos são utilizados para obter resultados de
antecedência curta e longa, de acordo com a sub-bacia.
Nos trechos à montante que agregam o comportamento das bacias de montante exigirá
uma interação entre os Centros de Prognóstico uso das informações e estabelecimento de
padrões de troca de dados entre os países e funcionamento da rede.
As atividades previstas são as seguintes:
PC.1 Identificação de previsão de curto prazo (em cada país) de previsão de vazão e/ou nível
em curto prazo em função de inundações,secas e operação de sistemas hidráulicos. As
atividades principais são: (a) escolha dos locais de previsão e justificativa dos benefícios
potenciais que a previsão poderá trazer ao local e ao sistema. Os locais devem ser priorizados
por grupos em face dos benefícios. (b) Avaliação para cada um dos locais das alternativas de
previsão e do tempo de antecedência possível de acordo com as estratégias de previsão. A
estratégia deverá ser escalonada no tempo de acordo com: quantidade de dados,
monitoramento e transmissão de dados; tipo de modelo; antecedência de previsão;
transferência para os interessados. Esta atividade complementa G4;
PC2. Implemenação da previsão: Envolve: (a) o ajuste do modelo(s) e avaliação do seu
desempenho em módulo de previsão; (b) desenvolvimento de software apropriado para
operação em tempo real associado a receptação dos dados e demanda dos usuários. O sistema
deve prever as diferentes possibilidades de falhas de dados e o uso de informações
alternativas e a triagem da qualidade da informação que chega; (c) desenvolvimento de um
protocolo de transferência de informação a Defesa Civil e outras entidades e disponibilidade
da web; (c) desenvolvimento de previsão experimental para um período de no mínimo seis
meses.
Previsão de Longo Prazo
A previsão de longo prazo tem a finalidade de permitir o planejamento a atividades na
Amazônia como: navegação, potenciais condições críticas de secas e cheias, usos de obras
hidráulcias e deslocamento de equipes de serviços ao longo da região.
PL1 Estratégia da previsão de longo prazo: Identificação das variáveis a serem previstas e os
locais de interesse em cada país através de consulta em função dos usos potenciais. ;
Avaliação das estratégias de modelos que podem ser utilizados e as metas a serem atingidas.
Desenvolvimento dos termos de referência para os locais de interesse dentro de uma visão
integrada e complementar da bacia;
PL2 Desenvolvimento da previsão: Com base nos modelos identificados e operados na fase
PR2, implemementar e operacionalizar para previsão de longo prazo dentro de Centro de
Previsão para os locais escolhidos em cada país.
55
Predição
A predição é utilizada para Analisar cenários potenciais de ocorrem na bacia devido a
condições de variabilidade e modificação climática, além de alteração dos usos do solo. As
atividades a seguir refletem estas predições para estes cenários
PE1 Cenário de Uso do Solo: Alterações do uso do solo na bacia Amazônica têm efeitos
importantes nos processos climáticos e hidrológicos. Esta atividade envolve: (a) Identificação
das principais tendências de alteração do uso do solo na bacia, passado, presente e futuro; (b)
ajuste do modelo hidrológico/climático a estes cenários e uso de informações de
monitoramento para obter uma visão dos impactos; (c) análise intergadora dos cenários nas
sub-bacias.
PE2 Cenários de variabilidade e Mudança Climática: Com foi destacado neste relatório
existem tendência interdecadais na bacia que podem ser efeito da variabilidade combinada
com a mudança climática que pode produzir efeitos importantes e diferenciada na bacia. Esta
atividade deve procurar: (a) estabelecer as principais tendências de alterações da varibilidade
climática e hidrológica; (b) analisar os efeitos potenciais; (c) analisar com modelos climáticos
associados a modelos hidrológicos os efeitos potenciais da mudança climática. Esta atividade
deve considerar os resultados da atividade anterior.
3.6.6 Gestão de Impactos
Como destacados anteriormente, os principais impactos ou os riscos da sociedade estão
relacionados com os usos da águas, desastres naturais como cheias e secas e alterações das
condições ambientais. Em cada um destes aspectos tanto a sociedade como o ambiente pode
estar sujeito a riscos (vulnerabilidade) e o prognóstico é a ferramenta aqui utilizada para
prevenir e mitigar estes efeitos. As atividades aqui previstas possuem a finalidade de fazer a
integração entre o Centro de Previsão e os usuários da informação. Os principais usuários são
a Defersa Civil, usuários da água e gestores privados e do governo.
GI1- Alerta de Inundações: A alerta de inundação é uma atividade que envolve a definição de
protocolo relacionado com o monitoramento e transferência de informações para a Defesa
Civil em diferentes locais das bacias onde forma definidos os locais de interesse. Esta
atividade visa estabelecer procedimentos para os usuários recebam a informação de forma
adequada. Associado a Alerta de Inundação é necessário conhecer as áreas de risco. Portanto
esta atividade deve desenvolver um zoneamento das áreas de inundações e mapa de inundação
que oriente as cidades e as áreas rurais quando os locais de risco, associado aos valores
previstos.
GI2- Alerta de Secas: Esta atividade envolve: (a) identificar as principais fragilidades a seca
na região; (b) Mapeamento das condições de seca e permitir que as variáveis previstas
viabilizem sua estimativa; (c) estabelecer mecanismos insituicionais de transferência de
informações para a Defesa Civil e outras entidade e outos usuários que reduzam seus
impactos.
G3 Previsão para usos da água: Existem vários usuários da água na Bacia de acordo com o
seu trecho, como a navegação, energia elétrica e abastecimento. As atividades previstas são:
(a) estabelecer um mecanismo de transferência de informação aos usuários; (b) avaliar as
necessidades e as conseqüências das incertezas para os usuários; (c) avaliação dos benefícios
56
da previsão. Neste caso, devem-se estabelecer os protocolos de troca de informações para
previsões de curto e longo prazo. No primeiro caso, para medidas emergenciais do uso da
água e no segundo para planejamento.
G4 Mitigação de cenários: Com base nos cenários previstos para o futuro de alteração do
solo e mudança climática o projeto deve analisar o seguinte: (a) potenciais medidas de
meitigação e suas conseqüências; (b) discutir com decisores da bacia sobre os impactos
identificados e como podem se devem ser incoporados as estratégias de planejamento da
bacia.
3.7 Cronograma
Na Figura 40 é apresentado um fluxo das atividades destacadas nos itens anteriores,
caracterizando os tempos estimados para cada uma das atividades.
3.8 Operacionalização da previsão
É apresentada uma proposta para operacionalização do prognóstico, incluindo a
apresentação, com uma estimativa preliminar dos custos, de um sistema de previsão de vazões
com base na previsão climática para toda a bacia do Amazonas. O sistema proposto poderá
permitir que uma entidade torne operacionais as metodologias desenvolvidas e avaliadas ao
longo deste projeto.
São apresentados:
· os dados e informações necessários, bem como a sua forma de obtenção para
implementação e operacionalização do sistema;
· equipe técnica necessária;
· a sistemática de aplicação da metodologia proposta;
· horizonte de previsão proposto em função dos resultados obtidos e da experiência
adquirida no projeto.
Os prazos de previsão são entendidos aqui como a antecedência na qual a previsão é
realizada. O intervalo de tempo no qual os valores são apresentados corresponde a
discretização temporal. A freqüência de previsão é entendida como o intervalo de tempo entre
o lançamento de novas previsões. Por exemplo, a previsão de vazão com prazo (antecedência)
de um a quatro meses pode ser realizada com intervalo diário, semanal ou mesmo mensal de
vazões até quatro meses no futuro. Esta previsão pode ser repetida a cada dia, semana ou mês,
representando a freqüência.
Os prazos, freqüências e discretização temporal dependem da anteedência que a bacia
permite e a capacidade de previsão da bacia. Alguns das antecedências são:
· Previsão de longo prazo: horizonte de 12 meses com discretização mensal e freqüência
mensal. Geralmente até 6 meses incorporam conhecimento determinísntico dos
modelos, para 6 a 12 meses o componente principal passa a ser estatístico no tempo
(estocástico)
· Previsão de curto prazo: horizonte de até 3 meses, dependendo do local. Para bacias
da cabeceira da Amazônia a antecedência pode ser algumas horas ou poucos dias. No
trecho de jusante, devido a demora no deslocamento do deslocamento as antecedência
aumentam. Isto também da capacidade de previsão dos modelos de tempo.
Os centros devem possuir capacidade de operar pelo menos o seguinte:
57
PC1 Curto
Prazo-
G1.Escolha
G7. Plano dos
Identificação
GE1- Alerta de
da entidade
Centros de
G8.
3 m
inundações
por país
Prognósticos
Implementação
G10. Missões
3 m
1 m
3 m
dos Centros
6 m
técnicas
24 m
PC2 Curto
Prazo
GE2 Alerta de
Previsão
Secas
12 m
3 m
G11.Treinamento
G2. Revisão
de Curto Prazo
G3. Criação
da Estrutura
G9.
24 m
PL1 Longo
de Grupo de
de gestão das
Identificação de
Prazo:
GE3 Previsão
Gestão
entidades
Pessoal e
Estratégia 3
para usos da água
1m
6 m
capacitação
m
3 m
3 m
G12. Treinamento
de Longo Prazo
24 m
PL2 Longo
GE4 Mitigações
Prazo
de cenários
Operação
potenciais
G4. Locais de
I1. Revisão dos
12 m
3 m
interesse
dados
I2. Base de
3 m
6 m
Dados
PR1 Previsão
PE1
6m
3m
Alteração do
uso do solo
6 m
PR2 Predição
G5. Plano da
G6.
3m
Rede de
Implementação
Monitoramento
da Rede
PE2
6 m
12 m
PR3
Variabilidade e
Conhecimento
uso do solo
12 m
6 m
Figura 40. Fluxo de atividades
58
· um modelo regional climático com base em saídas disponíveis de modelos globais
de Centro dos países da Região ou de outros centros mundiais;
· um modelo hidrológico precipitação-vazão para aplicação em diferentes tamanhos
de bacia;
· Modelos empíricos que relacionam várias variáveis através de equações empíricas e
mesmo a própria estatística local.
Previsão de longo prazo (até 12 meses)
As etapas previsão podem seguir as etapas a seguir. No fluxograma da Erro! A origem
da referência não foi encontrada. é apresentado o ciclo mensal típico da previsão, com os
devidos tempos de execução esperados.
MODELO GLOBAL
Dados de precipitação e
Previsões de precipitação
vazão observadas na
Dia 15
com antecedência de até 6
bacia, vazões naturais dos
meses
aproveitamentos e TSM
observada
Correções estatísticas da
precipitação prevista
Dia 16
MODELO
MODELO EMPÍRICO DE
HIDROLÓGICO
TSM. Previsões de vazão
Previsões de vazão até 6-
com antecedência de 5 a 12
9 meses
meses
Previsão de vazões médias mensais com
antecedência de 1 a 12 meses
RELATÓRIO MENSAL
Dia 17
GESTÃO DOS RECURSOS
HÍDRICOS
Figura 41: Ciclo mensal de previsãode longo prazo e tempos de execução
59
A. Execução do modelo climático global (ou obter as saídas de centros) para gerar
previsões com antecedência de 4 meses. Esta atividade envolve a execução do
modelo com 5 condições iniciais diferentes, gerando um conjunto de membros.
Esta saída geralmente está disponível em grandes centros mundiais de previsão e
no Brasil pelo menos no CPETEC Centro de Previsão de Tempo e Clima do
INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais;
B. Transferência das previsões para a equipe de hidrologia. Esta atividade é
praticamente imediata. Isto é possível através de acesso das informações
anteriores pela Internet ou estabelecimento de procedimento entre os Centros nos
países e os Centro de interesse que fazem este tipo de previsão;
C. Correção estatística das previsões: Geralmente as estimativas dos modelos
Globais necessitam de correções de tendenciosidades de previsão para uma
determinada região;
D. Recepção e avaliação dos dados de chuva observados. Esta atividade depende da
operacionalização de um sistema de monitoramento em tempo real e/ou imagens
de satélites. O sistema deverá transmitir os dados com freqüência diária para
uma central de monitoramento, onde os mesmos serão consistidos, buscando
detectar erros de medição ou transmissão.
E. Recepção e avaliação dos dados de vazão. Esta atividade também depende da
operacionalização do sistema de monitoramento em tempo real. Recomenda-se
uma rede de monitoramento. Os dados de vazão serão obtidos a partir de dados
de níveis nos postos fluviométricos e, portanto, as curvas-chave destes postos
devem ser constantemente atualizadas. Os dados deverão ser transmitidos com
freqüência diária e também deverão ser consistidos em busca de erros.
F. Execução do modelo Hidrológico para os 12 meses no futuro. Esta atividade
pode ser executada com base nas previsões de chuva corrigidas e nos dados.
Estes hidrogramas estarão discretizados em intervalo de tempo diário, mas
podem ser transformados em um hidrograma médio em intervalo de tempo
mensal.
G. Estimativas de previsão com modelos empíricos para o o período futuro.Permite
também comparar os resultados esperados, dentro das antecedências e intervalos
de tempo de análise. Este tipo de análise pode trabalhar com intervalo de tempo
mensal ou trimestral.
Relatórios das previsões de longo prazo
Relatório mensal. Este relatório sintetiza e comenta os resultados obtidos e tendências para os
quatro meses seguintes, incluindo gráficos e estatísticas padronizadas a serem definidos com
os usuários.
Relatório semestral: Com o objetivo de se analisar a qualidade da previsão de todo período
anterior. Estes resultados devem ser analisados e discutidos em worlshops com os usuários do
sistema.
Previsão de curto prazo
A previsão de curto prazo pode ser realizada por meio das seguintes etapas (figura 42):
60
A. Execução do modelo global de previsão de tempo. Esta atividade envolve a
execução do modelo para um período de 1 a 2 meses, com algumas condições
iniciais diferentes, gerando um conjunto de vários membros ( "emsemble"). Com
base nos resultados do modelo Global simular a bacia com malha específica com
modelo Regional. Neste caso, é mais provável que a simulação do modelo
Global seja realizada por Centros citados no caso anteriore e o modelo regional
seja simulado especificamente para a bacia Amazônica com a malha adequada a
obter resultados mais precisos para esta região, podendo até separar a sua parte
superior da planície, dependendo dos resultados.
B. Transferência das previsões para a equipe de hidrologia. Esta atividade é
praticamente imediata.
C. Recepção e avaliação dos dados de chuva observados. Esta atividade depende da
operacionalização de um sistema de monitoramento em tempo. O sistema deverá
transmitir os dados com freqüência diária para uma central de monitoramento,
onde os mesmos serão consistidos, buscando detectar erros de medição ou
transmissão.
D. Recepção e avaliação dos dados de vazão. Esta atividade também depende da
operacionalização de um sistema de monitoramento em tempo real.
E. Execução do modelo Hidrológico para até 3 meses no futuro. Esta atividade será
executada com base nas previsões de chuva do modelo global. Estes hidrogramas
estarão discretizados em intervalo de tempo diário, mas poderão transformados
em valores semanais, dependendo da sub-bacia
REDE
TELEMÉTRI-
CA E
IMAGENS
Dados de
precipitação e
vazão
MODELO
MODELO
GLOBAL e
HIDROLÓGICO
REGIONAL
Previsões de
GESTÃO DOS
Previsões de
vazão até 3 meses
RECURSOS
precipitação
RELATÓRIO
HÍDRICOS
com
MENSAL
antecedência
de até 2 meses
1 dia
1 dia
1 dia
Figura 42: Ciclo mensal de previsão de curto prazo e tempos de execução.
Relatórios da previsão de curto prazo
61
Relatório mensal: relatório sintetiza e comenta os resultados obtidos e tendências para Os 3
meses seguintes, incluindo gráficos e estatísticas padronizadas a serem definidos, com base
nos interesses dos usuários da infrmação.
Relatório semestral: Com o objetivo de se analisar a qualidade da previsão de todo período
anterior em conjunto com os usuários das informações.
Todos os relatórios devem estar disponibilizados aos usuários e a comunidade em geral
através do site pela Internet, recebendo também sugestões para aprimoramento.
3.9 Estimativa dos Custos
As estimativas de custo foram sub-divididas em itens maiores como a rede de
monitoramento, pessoal para o Centro, sua infra-estrutura e as atividades previstas para
implementação do projeto.
3.9.1 Rede de Monitoramento
A estimativa das variáveis foi planejada considerando três grupos de dados e se
basearam em critério a OMM (Organização Meteorológica Mundial (WMO, 1994) para uma
rede tradicional, adaptando este critério as condições da Amazônica e a viabilidade numa área
de difícil acesso e operaçao de uma rede.
Foram considerados o seguinte:
A. Rede Básica: Rede que não está conectada em tempo real com os centros de previsão, mas
podem ter seu dados transmitidos ou acessados.
1. Rede de Postos Pluviométricos: medidas de precipitação (a razão de um posto a
cada 1000 Km2 em regiões com accesibilidade normal, 250 Km2 em região de
montanha e 2500 Km2 na área com sérios problemas de accesibilidade)
2. Rede de Postos Pluvio-Fluviométricos: medidas de níveis e registros de vazão
para determinação da curva-chave (a razão de um posto a cada 1.875 Km2 em
regiões com accesibilidade normal, 500 Km2 em região de montanha e 3500
Km2 na área com sérios problemas de accesibilidade). O fato de instalar postos
pluvio-fluviométrico diminui os custos quando comparado com a instalação de
postos por separado.
B. Rede telemétrica: Rede conectada em tempo real com os centros de previsão e utilizados
no sistema de preisão.
3. Rede de Postos Pluviométricos (10% das necesidades de postos tradicionais)
4. Rede de Postos Pluvio-Fluviométricos (10% das necesidades de postos
tradicionais)
5. Rede de postos climatológicos: posto climatológico padrão com medidas de
variáveis como: temperatura do ar, vento, radiação solar, evaporação, umidade e
precipitação (a razão de um a cada 50.000 Km2, e pelo menos um posto em cada
país)
Os números utilizados são estimativas da rede complementar a existente. Estes valores
devem ser revisados em função de demanda específica regional que se baseará em critérios
combinados do seguinte: (a) necessidade de cobertura para representação dos processos
62
hidrológicos; (b) necessitade de demandas dos usuários da previsão, ou locais característicos
(c) existência de observadores e (d) possibilidade de complementação com valores estimados
por satélite (Quadro 6 ).
3.9.2 Equipe Necessária
Em cada Centro de Previsão é necessária uma equipe para desenvolvimento da previsão,
acompanhamento e manutenção das redes. O projeto proposto poderá apoiar a formação das
equipes, mas será responsabildiade das entidades a contratação e manutenção de um equipe
permanente em cada Centro. Considerando as dificuldades institucionais foram previstos
apoio financeiro na forma de bolsa para recém graduados e com formação de pós-graduação
por um período de médio de 3 anos visando a consolidação dos centros.
Quadro 6. Custos da Rede, Pessoal e Infra-estrutura1
Custo Unitário (US
Total
Item
$)
Número
US $ 1.000
1. Rede
1.1 Instalação rede convencional
1.1.1 Climático
1.1.2 Pluviométrico
1.000
2.000
2.000
1.1.3 Hidrológico (plu+flu)
1.500
2.500
3.750
16.500
1.1.4 Operação e Manutenção2
750 /ano
5.500
1.2 Instalação rede telemétrica
1.2.1 Climático
35.000
50
3.750
1.2.2 Pluviométrico
15.000
60
1.800
1.1.3 Hidrológico (plu+flu)
20.000
150
6.000
1.2.4 Operação e Manutenção3
6.000 /ano
260
4.680
sub-total
38.480
2. Pessoal
2.1 Meteorologia
24.000 /ano
2
192
2.2 Hidrologia
24.000 /ano
2
192
2.3 Administração
12.000 /ano
1
192
2.4 Rede
18.000 /ano
2
48
2.5 Apoio
12.000 /ano
3
144
Sub-total
768
3. Centro de Prognóstico
3.1 Infra-estrutura
130.000/centro
8
1040
8 centros e
320
3.2 Manutenção
10.000 /ano/centro 4 anos
sub-total
1.360
1 foram previstos quatro anos de fundos para operação e manutenção e pessoal.
2 O valor unitário fornecido pela ANA de US$500/posto por visita, considerando 2 visitas por ano e quatro
anos de manutenção. O valor foi reduzido em função da diferença de custo entre países e a economia de escala
de uma rede deste tamanho.
3 - O valor unitário de telemétrica pela ANA de US$ 3000/posto por visita, considerando 2 visitas por ano e
quatro anos de manutenção. O valor foi reduzido em função da diferença de custo entre países e a economia de
escala de uma rede deste tamanho.
63
A equipe proposta para o sistema de previsão e alerta nos centros é de no mínimo o
seguinte:
· Dois meteorologistas
· Dois hidrolólogos
· um analista de sistema de informática;
· um analista para suporte de banco de dados e geoprocessamento.
· Três técnicos de apoio.
Neste estudo não foi previsto pessoal para operação e manutenção, processamento de
dados da rede básica. Este componente deve fazer parte do estágio atual de uma instituição
que opera dados hidrometeorológico. De qualquer forma este custo pode ser incorporado
dentro de uma avaliação específica de cada isntituição e em função da abrangência espacial e
dificuldades operativas das mesmas, que varia muito de país para país. O custo é apresentado
no quadro 6.
3.9.3 Infra-Estrutura do Centro de Prognóstico
A estimativa de infra-estrura mínima para o funcionamento do Centro para elaboração
do prognóstico se baseou no custo de equipamento e softwares necessários ao prognóstico,
mas não considerou a infra-estrutura física relacionado com local, móveis entre outros.
A infra-estrutura prevista é a seguinte:
· Computador com processamento paralelo de Cluster com 16 processadores;
· 9 computadores pessoais
· impressora laser
· projetor
· scaner
· infra-estrutura básica: mesas e cadeiras, ar condicionado, infra-estrutura de sala
de reunião.
3.9.4 Custos das Atividades
As estimativas para a implementação das atividades do projeto é apresentada no Quadro
7. Um resumo dos custos é apresentado no Quadro 8.
Pode-se observar destes valores que o custo de operação e manutenção e implementação
da rede representa um valor muito alto se comparado (considerando quatro anos de operação)
com os outros componentes do projeto. Este custo poderá ser reduzido na medida que os
novos satélites de radar passarem a funcionar em tempo real e uma nálise mais detalhada da
redução de custo por economia de escala e também da diferença dos custos brasileiros,
utilizados no cálculo e os custos dos outros países onde o dólar é mais valorizado em
comparação com a moeda local.
Os componentes, sem o item gestão, somam R$ 3,240 milhões, portanto mais adequado
a magnitude do financiamento do GEF.
64
Quadro 7. Custos das Atividades.
Atividade Características
Custos
Valor
(US $ )
Gestão
G1 Entidade para cada país Cada país deverá escolher e designar oficialmente a entidade que s/c s/c
abrigará o Centro de Prognóstico
G2 Revisão e
Apresentar uma estrutura de funcionamento para cada centro do
1 consultor regional e 1 consultor por país
54.000
Implementação da Estrutura
país, à partir de um documento de referência para a bacia e de
da Organização
estrutura específicas em cada país
G3 Estabelecimento de um
Os representantes dos países devem definir sua representação
Reunião deliberativa
12.000
grupo de Gestão
para a formação do grupo de gestão
G4 Identificação em cada
Levantamento das necessidades de implementação de rede de
1 consultor por país e um consultor regional que
54.000
país dos locais de interesse
monitoramento considerando usuários e características da
integrará os estudos dos países
previsão.
G.5 Rede de Monitoramento
Levantamento detalhado da rede existente e funcionamento dos
1 consultor por país e um consultor regional que
90.000
complementar: básica e
equipamentos em operações, identificação das necessidades e
integrará os estudos dos países
telemétrica (meteorológica e
planejamento de uma rede complementar de coleta de dados
hidrológica)
básica e telemétrica que atenda as necessidades identificadas
considerando a previsão e estudos de cenários
G.6 Implementação da Rede
Envolve a implementação da rede planejada para cada um dos
Ver quadro 6
38.480.000
países e manutenção
G.7 Planejamento dos
Levantamento das condições dos Centros em cada país e a
1 consultor por país
54.000
Centros de Prognóstico
estrutura planejada (G2) detalhar os recursos e funcionamento
do Centro
G.8 Implementação dos
Implementação da infra-estrutura dos Centros de Prognósticos
Ver quadro 6
1.360.000
Centros de Prognósticos
de acordo com o planejamento previsto no item anterior
G9. Identificação da
Equipe mínima para atuar na Instituição no Sistema de
Ver quadro 6
768.000
necessidade de pessoal e
Prognóstico e os programas de capacitação
capacitação
G10. Missões técnicas
Envolve intercâmbio para conhecimento dos Centros, troca de
Previsão que cada país terá duas viagens por ano de
120.000
conhecimento e avaliações de instalações.
profissionais em pelo menos dois outros centro da
região.
G11. Treinamento de Curto
Treinamento sobre temas específicas em Prognóstico climático
Valores estimados em função de 5 cursos de 1
150.000
Prazo
na bacia
semana de duração e apoio a pelo menos 2
profissionais de cada centro fora da origem
G12. Treinamento de médio e Este componente prevê a combinação de dois componentes: (a)
Este treinamento prevê o uso de Bolsa de estudo para
300.000
Longo prazo
treinamento de profissionais que atuarão do prognóstico na
dois profissionais por país da bacia Amazônica para
bacia; e (b) desenvolvimento de parte dos componentes previstos um período de dois anos visando complementar seu
na etapas de prognóstico para bacia piloto
conhecimento onde cada país é mais deficiente.
65
Quadro 7 (continuação)
Atividade
Características
Custos
Valor (US $ )
Informações
I1 Revisão das informações Avaliação dos dados da rede e dos projetos e sua
Estudo específico para cada rede do país.
160.000
da bacia
representatividade para os estudos de prognóstico na bacia
Varia o custo em função das dimensões.
Foram estimados valores em função da área.
I2 - Implementação da base
A base de dados deverá cobrir o conjunto de dados da bacia e deve Foi previsto o desenvolvimento de uma
350.000
de dados
se adaptar as bases de dados já existentes nas instituições dos
base de dados e a sua adaptação pra cada
países, complementando e ampliando quando necessário. Cada
país buscando unfiromização para troca e
país seria responsável pela inserção dos dados da área de
uso de informações entre os países
abrangência e a mesma base pode se reproduzir em cada país.
Processos
PR1. Modelos de Previsão
Identificação dos modelos que podem ser utilizados na previsão de Documentação dos modelos disponíveis nos
150.000
vazão de curto e longo prazo de acordo com as necessidades nos
Centros, recomendação de modelos de uso
países e, em cada sub-bacia ou rio principal da Amazônia.
comum meteorológicos e hidrológicos de
acordo com as demandas por país. Estudo
regional
PR2. Modelos de Predição
Definir os cenários que poderão ser estudados de variabilidade e
Desenvolvimento de metodologias para ser
150.000
modificação climática e alteração do uso do solo.Com base nestas
utilizada para os Centros com base no
necessidades são escolhidos modelos mais apropriados para os
conhecimento adquirido. Representa um
estudos de cenários e utilizados de acordo com projetos com
espécie de manual. Estudo Regional
questões específicas, relacionadas com as vulnerabilidades da
bacia
PR3. Limitações de
(a) identificação das limitações do conhecimento e projetos para
Proposta e desenvolvimento de projetos
400.000
conhecimento
ampliar este conhecimento; (b) desenvolvimento de projetos
pilotos
específicos para responder e resolver as questões pendentes.
Previsão de Curto Prazo
PC1 Identificação de
Identificação em cada país de previsão de vazão e/ou nível em
Estudo regional de orientação com apoio de
80.000
previsão de curto prazo
curto prazo em função de inundações,secas e operação de sistemas
consultores
hidráulicos
PC2. Implementação da
(a) o ajuste do modelo(s) e avaliação do seu desempenho em
Envolve consultores e desenvolvimento de
300.000
previsão
módulo de previsão; (b) desenvolvimento de software apropriado
software, mas com atividade desenvolvida
para operação em tempo real associado a receptação dos dados e
pela equipe do Centro
demanda dos usuários.
66
Quadro 7 (continuação)
Atividade
Características
Custos
Valor (US $ )
Previsão de Longo Prazo
PL1 Estratégia da previsão
Identificação das variáveis a serem previstas e os locais de interesse em Estudo regional
80.000
de longo prazo
cada país através de consulta em função dos usos potenciais. ;
Avaliação das estratégias de modelos que podem ser utilizados e as
metas a serem atingidas.
PL2 Desenvolvimento da
Com base nos modelos identificados e operados na fase PR2,
Envolve consultores e desenvolvimento
200.000
previsão
implemementar e operacionalizar para previsão de longo prazo dentro
de software, mas com atividade
de Centro de Previsão para os locais escolhidos em cada país
desenvolvida pela equipe do Centro
Predição
PE1 Cenário de Uso do
(a) Identificação das principais tendências de alteração do uso do solo Investimentos em consultores
200.000
Solo
na bacia, passado, presente e futuro; (b) ajuste do modelo paraorientar as equipes no uso dos
hidrológico/climático a estes cenários e uso de informações de modelos e aplicação com dados de
monitoramento para obter uma visão dos impactos; (c) análise campo
intergadora dos cenários nas sub-bacias.
PE2 Cenários de
(a) estabelecer as principais tendências de alterações da varibilidade Envolve estimativas de cenários,
120.000
variabilidade e Mudança
climática e hidrológica; (b) analisar os efeitos potenciais; (c) analisar realizado com as equipes dos centros
Climática
com modelos climáticos associados a modelos hidrológicos os efeitos
potenciais da mudança climática
Gestão de Impactos
GI1- Alerta de Inundações
visa estabelecer procedimentos para os usuários recebam a informação Custos de obtenção de dados,
250.000
de forma adequada.; desenvolvam um zoneamento das áreas de mecanismos de transferência de dados
inundações e mapa de inundação que oriente as cidades e as áreas em tempo real, preparação dos estudos
rurais quando os locais de risco, associado aos valores previstos.
com apoio e consultores
GI2- Alerta de Secas
(a) identificar as principais fragilidades a seca na região; (b) Levantamento de dados específicos e
200.000
Mapeamento das condições de seca e permitir que as variáveis orientação para elaboração dos estudos
previstas viabilizem sua estimativa; (c) estabelecer mecanismos
insitucionais de transferência de informações para a Defesa Civil
G3 Previsão para usos da
(a) estabelecer um mecanismo de transferência de informação aos Levantamento de dados específicos e
300.000
água
usuários; (b) avaliar as necessidades e as conseqüências das incertezas orientação para elaboração dos estudos
para os usuários; (c) avaliação dos benefícios da previsão.
G4 Mitigação de cenários
(a) potenciais medidas de mitigação e suas conseqüências; (b) discutir Levantamento de dados específicos e
300.000
com decisores da bacia sobre os impactos identificados e como podem orientação para elaboração dos estudos
se devem ser incoporados as estratégias de planejamento da bacia.
67
Quadro 8. Resumo dos custos do projeto
Atividades Valor
US $ milhões
Gestão
41,388
Informações 510
Processos 700
Previsão de curto Prazo
380
Previsão de Longo Prazo
280
Predição 320
Gestão de Impactos
1050
Total
44,628
4. CONCLUSÕES
Um sistema de prognóstico para a bacia Amazônica requer cooperação entre os países
para redução das perdas devido aos riscos no qual estão sujeita a sociedade e o meio
ambiente. Os riscos estão relacionados com a variabilidade e a modificação climática e
alteração do uso do solo, que compõem efeitos naturais e antrópicos. Estes efeitos são
significativos na medida que a população possui alta vulnerabilidade por suas condições
sócio-econômicas.
Este estudo analisou a situação dos sistemas de monitoramento dos países da bacia
verificou-se grande discrepância na capacidade de prognóstico e na capacidade atual de uma
ação mais integrada dentro de objetivos internos de cada país e dos trechos transfronteriços. A
bacia possui características diversificadas de comportamento e tempos de antecedência para o
prognóstico hidroclimáticos de acordo com a posição geográfica dentro da bacia. No trecho
superior os eventos são rápidos e possui pequena antercedência para o prognóstico, enquanto
no trecho médio e na Planície as antecedências são altas o que permite maior flexibilidade
para o prognóstico. Os principais riscos aos eventos de extremos de inundações e secas
envolvem a rede ribeirinha, a navegação e as áreas fragilizadas pelo alteração do uso do solo.
No termo de referência apresentado foram previstos quatro grandes componentes
estruturais baseados na melhoria da informação, no melhor entendimento dos processos na
bacia, na previsão de eventos e na predição de cenários de risco, completado pelo efetivo uso
do prognóstico para prevenir e mitigar os efeitos resultantes através do mecanismos da
sociedade como a Defesa Civil, usuários da água e outras entidades que utilizam o
prognóstico. Este conjunto é desenvolvido com base num sistema de gestão como um grupo
coordenador regional e uma instituição por país, que operará uma rede monitoramento e um
Centro de Prognóstico. Foram também especificadas as atividades para ao longo do horizonte
do projeto estabelecer o sistema de Prognóstico e sua sustentabilidade ao longo do tempo.
5. RECOMENDAÇÕES
Para o desenvolvimento das atividades será essencial a construção do sistema de gestão.
Observa-se que o sucesso e as falhas de sistemas de prognósticos estão associados
principalmente com a Gestão. No caso da bacia do rio Amazonas, o grupo coordenador do
OCTA tem o papel essencial de construir um ambiente de cooperação e orientação em nível
68
da bacia, enquanto a entidade de cada país terá a atribuição fundamental dentro do país.
Portanto, a principal recomendação é o fortalecer o grupo coordenador do projeto e as
instituições com recursos humanos e materiais com permanência no tempo. A formação de
pessoal é essencial para dar sustentabilidade de longo prazo ao projeto, da mesma forma que a
busca de condicionantes para garantir a permanência do monitoramento e do emprego do
pessoal.
Os workshops de integração devem ser priorizados para dar maior integração entre as
equipes dos países e permitir maior troca de conhecimento, além favorecer o entendimento ao
longo das atividades dos Centros de Prognóstico. Existe um risco muito grande dos Centros
de cada países se isolarem nos interesses específicos de cada país e reduzirem a integração e
os objetivos transfronteriços, portanto é essencial que exista uma coordenação de atividades
dinâmica mantendo o compromisso da integração entre os Centros.
Um dos principais princípios dentro do projeto é o da livre disponibilização das
informações tanto dentro do país como entre os países. Recomenda-se fortemente que o grupo
coordenador trabalhe fortemente na manutenção deste princípio, pois a desconfiança e falta de
troca de dados pode comprometer um projeto desta envergadura. Desta forma é importante
que a base de dados não seja única, mas reproduzida de acordo com o interesse dos países nos
diferentes Centros de Prognóstico.
A elaboração das páginas de Internet dos Centros deve priorizar a disponibilização dos
dados e a prognóstico dentro de protocolos que permitam o acompanhamento dos eventos e
cenários.
Para tornar os produtos do projeto amplamente divulgados sé essencial que anualmente
seja organizado um workshop para divulgação dos resultados. Recomenda-se que esta
atividade e seu detalhamento sejam definidos antecipadamente, associando-se a eventos
nacionais e internacionais, permitindo que o maior número de pesquisadores, profissionais e
decisores tomem conhecimento dos estudos e possam utilizar os prognósticos elaborados.
Recomenda-se também que o projeto desenvolva indicador(s) de eficiência relacionado
com o uso das informações, do prognóstico e da prevenção por parte da sociedade dos países.
Isto permitirá uma avaliação do retorno do investimento realizado.
6. PRINCIPAIS ATORES
Na Quadro 9 são apresentados por país o coordenador e suplente que atuam no projeto
GEF Amazonas.
Quadro 9. Atores
País
Coordenador Nacional
Suplente
Bolívia
Ing. Carlos Diaz Escobar
Ing. F.Carlos Delgado Miranda
Servicio Nacional de Meteorología e
Director de Cuencas Ministerio del
Hidrologia SENAMHI
Agua
Calle Reyes Ortiz No. 41
Calle Reyes Ortiz No. 41 3er. Piso
3er. Piso La Paz, Bolivia
La Paz, Bolivia
Tel: Central: (591-2) 2355824 Personal:
Tel: (591-2) 2355824 Fax: (591-2)
(591-2) 2361329
2392413
Celular: (591-2) 7153.1750
Telefone celular: (591) 71296087
Fax: (591-2) 2392413
E-mail charlie_877@hotmail.com
E-mail cdiaz@senamhi.gov.bo
69
Brasil
Dr. Paulo Lopes Varella Neto
Francisco Hoilton Araripe Rios
Agência Nacional de Águas/Ministério do Agência Nacional de Águas /
Meio Ambiente ANA/MMA
Ministério do Meio Ambiente
Setor Policial - Área 5 - Quadra 3 Bloco
ANA/MMA
B sala 206
Setor Policial - Área 5 - Quadra 3
70610-200 Brasília DF, Brasil
Bloco B sala 206
Tel: (55-61) 2109-5220 Cel: 9128.2347 70610-200 Brasília DF, Brasil
Fax (55-61) 2109-5296
Tel: (55-61) 2109-5220 Fax (55-61)
E-mail: paulovarella@ana.gov.br
2109-5296
Endereço rsidencial: SQSW 304 Bl.
K - Apto. 107 CEP 70673-411 Tel:
3341-4620
E-mail hoilton.rios@ana.gov.br
Quadro 6. Atores (continuação)
País
Coordenador Nacional
Suplente
Colômbia Dr. Hebert Gonzalo Rivera
Dr. Henry Romero Pinzon
Instituto de Hidrología, Meteorología y
Instituto de Hidrología, Meteorología
Estudios Ambientales IDEAM
y Estudios Ambientales IDEAM
Subdirección de Hidrología
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Carrera 10 # 20 - 30 Piso 6
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PBX (57-1) 3527119
PBX (57-1) 3527119 Fax 3527160
Fax 3527160 ext. 1628
ext. 1628
A.A. 93337 Bogotá, Colombia
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E-mail: hidrologia@ideam.gov.co
E-mail: hidrologia@ideam.gov.co
hromero@ideam.gov.co
Equador Ing.Victor
Mendoza
Andrade
Ing. Juan Fernando Recalde Morejón
Consejo Nacional de Recursos Hídricos Coordinador Proceso Gestión para la
CNRH
Conservación, Preservación y Uso
Av. Eloy Alfaro y Amazonas, Edif. Mag, del Agua Secretaría del Consejo
3er Piso Quito, Ecuador
Nacional de Recursos Hídricos
Tel: (593-2) 252.8234 / 255.4255 /
Av. Eloy Alfaro y Av. Amazonas
255.4376
Edificio Ministerio de Agricultura y
Fax (593-2) 255.4171
Ganadería, Piso 3 - Quito, Ecuador
Tel: (593-2) 2554154 Ext. 208 Fax:
E-mail CNRH-Q@ANDINANET.NET
(593-2) 255-4251
e-mail:cnrh-q@andinanet.net /
mc05@cnrh.gov.ec
Guiana
Mr. Dilip Jaigopaul
Aguardando
Chief Hydrometeorological Officer
Hydrometeorological Service Ministry
of Agriculture
18 Brickdam, Stabroek Georgetown,
Guyana P.O. Box 1088
Tel: (59-2) 225-4247
Fax: (59-2) 226-1460
70
E-mail dkjhym@broadbandguyana.com
Peru
Ing. Abrahan Eddie Rosazza Asín
Ing. Guillermo Serruto Bellido
Intendente de Recursos Hídricos
Instituto Nacional de Recursos
Instituto Nacional de Recursos Naturales Naturales INRENA
INRENA
Calle Diecisiete Nro. 355, Urb. El
Calle Diecisiete Nro. 355, Urb. El
Palomar, San Isidro, Lima 27, Peru
Palomar, San Isidro, Lima, Peru
Apartado postal 4452
Apartado postal 4452
Tel.: (51-1) 224 3497 / 224
Tel: (51-1) 224 3497 / 224 7559 Telefax 7559Telefax (51-1) 224 8936 /
(51-1) 224 8936 / 224 7719
2247719
E-mail eddierosazza@yahoo.com
E-mail: gserruto@inrena.gob.pe
Quadro 6. Atores (continuação)
País
Coordenador Nacional
Suplente
Suriname Dr. Margret Kerkhoffs-Zerp
Ms. Shelley Soetesenojo
Policy Officer, Ministry of Labour,
Staff Official at the Environment
Technological Development and
Section
Environment
Ministry of Labour, Technological
Heerenstraat No. 40, 3rd FL PO Box 911 Development and Environment
Paramaribo, Suriname Tel: (59-7) 475368 Heerenstraat no. 40 3rd floor P.O.B.
Fax: (59-7) 420960
911
E-mail:milieu_atm@yahoo.com
Tel: (59-7) 420960 / 475368 Fax: (59-
7) 420960/ 410465
E-mail: milieu_atm@yahoo.com
Venezuela Ing. Rodolfo Roa
Ing. Noel Ramon Javier Perez
Dirección General de Cuencas
Dirección General de Cuencas
Hidrográficas / Ministerio del Ambiente y Hidrográficas / Ministerio del
de los Recursos Naturales
Ambiente y de los Recursos Naturales
DGCH/MARN
DGCH/MARN
Torre Sur, piso 5, CSB Caracas 1010-
Torre Sur, piso 5, CSB Caracas
A,Venezuela
1010-A,Venezuela
Tel: (58-212) 4082175 / 2176 Fax: (58-
Tel: (58-212) 4082180 Fax: (58-
212) 4082177
212) 4082177
E-mail rroa@marn.gov.ve
E-mail njavier@marn.gov.ve
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SELECIONADAS
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